O Tesouro Nacional, em parceria com a B3 e o Banco do Brasil (BB), lança nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, um novo título da dívida pública federal desenhado para a formação de reservas financeiras. Com aporte inicial estipulado em R$ 1 e limite mensal de R$ 500 mil por investidor, o produto oferece rendimento atrelado à taxa Selic e permite resgates ininterruptos, 24 horas por dia, nos sete dias da semana, com transferência imediata dos recursos via Pix. O lançamento oficial ocorre com o tradicional toque de campainha na bolsa de valores (B3), em São Paulo, e a aplicação visa disputar o mercado de curto prazo com a caderneta de poupança e as contas remuneradas das instituições financeiras.
Como funciona e onde investir
O prazo de vencimento do papel é de três anos, mas o investidor pode solicitar o resgate a qualquer momento sem sofrer descontos no montante aplicado. O rendimento passa a ser contabilizado no primeiro dia útil subsequente à aplicação.
Neste primeiro momento, as operações ocorrem com exclusividade pelo aplicativo Investimentos BB, destinado aos 80 milhões de correntistas da instituição, parceira no desenvolvimento do projeto. O acesso ao produto foi liberado de forma integral na última quinta-feira (7), após uma fase de testes. A B3 informou que outras instituições financeiras estão em fase de homologação e devem disponibilizar o papel em breve, dependendo da adesão e implementação de cada banco.
Para o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto foi estruturado para o investidor que “quer rentabilidade, mas também quer segurança”. A lógica é reforçada pelo diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da B3, Felipe Paiva. “A pessoa pode aplicar a partir de R$ 1 e resgatar quando quiser, 24×7, de forma simples. Isso reforça uma questão importante de finanças comportamentais: quando a pessoa detém um investimento, aumenta seu interesse na jornada de educação financeira”, afirma Paiva.
Fim da marcação a mercado
A principal alteração técnica do Tesouro Reserva em relação ao já existente Tesouro Selic é a ausência da chamada “marcação a mercado”. Esse mecanismo atualiza diariamente o preço dos títulos conforme as expectativas de juros e inflação, o que pode gerar pequenas variações negativas temporárias no extrato do investidor em caso de resgate antecipado. O novo papel elimina essa volatilidade, garantindo que o saldo não apresente oscilações para baixo.
Segundo a planejadora financeira Patricia Palomo, a marcação a mercado gerava desconforto em iniciantes. “Muitos investidores ouviam que o Tesouro Selic era adequado para reserva de emergência, mas ao visualizar pequenas oscilações negativas no saldo, concluíam que tinham ‘perdido dinheiro’, mesmo quando isso fazia parte da dinâmica normal da marcação a mercado”, explica a especialista. “O principal ponto é entender que ‘sem marcação a mercado’ não significa ausência total de riscos. Movimentações muito frequentes podem reduzir bastante a rentabilidade líquida”, complementa.
Concorrência com CDBs e tributação
Ao simplificar a operação e garantir liquidez fora do horário bancário, o governo federal posiciona o Tesouro Reserva como um concorrente direto de produtos privados, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as “caixinhas” digitais.
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, aponta que o formato adotado pelo governo espelha serviços do setor privado. “Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs. Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, avalia. A taxa Selic atual encontra-se no patamar de 14,50% ao ano, embora o Ministério da Fazenda ainda não tenha detalhado se a rentabilidade corresponderá a exatos 100% desse indicador.
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, pondera sobre os custos envolvidos. “O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, afirma.
Em relação aos custos e tributos, aplicam-se as regras padrão de renda fixa:
- Imposto de Renda (IR): Cobrado de forma automática na fonte apenas sobre os rendimentos (e não sobre o valor total), seguindo a tabela regressiva. A alíquota é de 22,5% para aplicações de até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; e 15% para prazos superiores a 720 dias.
- Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): Incide sobre o rendimento apenas em caso de resgate nos primeiros 30 dias, sendo zerado a partir do 31º dia.
- Taxa de Custódia da B3: A cobrança padrão é de 0,20% ao ano, mas aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa taxa. Ainda não houve divulgação oficial da B3 se haverá alguma tarifa específica para esta nova modalidade além do custo padrão da plataforma.


















