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Exportações de grãos batem recorde e crédito aumenta produção da agricultura familiar em 18%

30 abr 2026 - 09:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Balanço aponta alta nos embarques de soja e milho com reflexo no custo dos fretes, enquanto estudo inédito comprova o aumento produtivo nas pequenas propriedades com financiamento rural
Exportações de grãos batem recorde e crédito aumenta produção da agricultura familiar em 18%. Foto: Sasaran Olteanu's Images

O setor agropecuário brasileiro encerra o primeiro trimestre de 2026 com crescimento simultâneo nas exportações de larga escala e na produção familiar. Levantamentos divulgados nesta quarta-feira (29) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelam que os embarques de soja e milho superaram os índices do mesmo período do ano passado, encarecendo os fretes em diversas regiões do país. Paralelamente, dados inéditos demonstram que o acesso ao crédito estruturou as pequenas propriedades, resultando em um aumento de 18% no valor bruto da produção familiar.

De acordo com o Boletim Logístico de abril da Conab, as exportações de soja registraram um avanço de 5,92% entre janeiro e março de 2026 em relação ao ano de 2025, impulsionadas pela colheita que já atinge 88,1% da área plantada. O cenário do milho apresenta alta ainda mais expressiva, com um salto de 15,25% nas exportações e mais da metade da área da primeira safra já colhida.

O escoamento da produção tem sido liderado pelas regiões Centro-Oeste e Sul, com absoluto predomínio do estado de Mato Grosso. Na divisão portuária, o Arco Norte desponta como a principal rota de saída: foi responsável por 39% dos embarques de soja e 34,9% dos embarques de milho. O porto de Santos (SP) ocupou a segunda posição em ambos os grãos, movimentando 36,2% da soja e 29,1% do milho. Em terceiro lugar, destacaram-se o porto de Paranaguá (PR) para a oleaginosa (18,3%) e o porto de Rio Grande (RS) para o cereal (16%).

Impacto logístico e alta nos fretes
A combinação entre o volume das safras, gargalos operacionais e os custos dos combustíveis provocou um aumento generalizado nos preços dos transportes. O estado de Goiás liderou as altas no Centro-Oeste, com fretes até 35% mais caros nas rotas originadas em Cristalina. São Paulo registrou o maior aumento no Sudeste (30%), seguido pelo Maranhão no Nordeste (23%), Bahia (19%), Distrito Federal (12%), Paraná (11%) e crescimentos de até 10% em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, onde rotas de café para o sul do estado também apresentaram aquecimento. No Piauí, a variação máxima foi de 8%.

“Apesar das oscilações nos preços dos combustíveis, é preciso considerar o bom desempenho produtivo da soja e o volume de carga no contexto da pressão logística”, avaliou o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth. O setor também registrou um aumento de 9,13% nas importações de adubos e fertilizantes no primeiro trimestre, totalizando 8,61 milhões de toneladas e garantindo estabilidade para os próximos plantios.

Agricultura familiar fortalecida
Em paralelo aos números da exportação, um estudo inédito do Ipea e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) mensurou o impacto de três décadas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A análise, que cruzou dados do Banco Central e do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), avaliou unidades produtivas ao longo de mais de uma década (2013 a 2024).

O secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia (SAF/MDA), Vanderley Ziger, reforçou o papel da política pública. “Quando o crédito chega na agricultura familiar, ele se transforma em produção, renda e desenvolvimento nos territórios. O Pronaf não é apenas financiamento, é uma política estruturante que fortalece a capacidade produtiva das famílias, dinamiza economias locais e contribui para a segurança alimentar do país”, afirmou.

A pesquisadora do Ipea, Regina Helena Rosa Sambuichi, destacou a inovação da metodologia empregada. “É um estudo inédito, usando uma metodologia que ainda não foi utilizada com esses dados, especialmente com o CAF, permitindo uma análise em nível nacional”, explicou. A pesquisa identificou que o acesso ao programa também aumenta a ocupação de mão de obra familiar e revelou um crescimento recente do crédito no Nordeste via microcrédito. No entanto, apontou a persistência de desigualdades no acesso com base em escolaridade, tipo de produção e perfil socioeconômico.

Na prática, o impacto é relatado por produtoras como Maria José Brito de Sousa, de Mocajuba (PA), que utilizou o microcrédito do Pronaf B para instalar irrigação e um viveiro de 20 mil mudas. “Esse projeto ajudou muito para fortalecer a estrutura familiar, garantindo que a agricultura siga sendo praticada com êxito”, relatou a agricultora.

Criado em 1995, o Pronaf já concedeu R$ 870 bilhões em financiamentos através de 43 milhões de contratos. Somente nas últimas três safras, o volume disponibilizado cresceu 47,5%, com aplicação de mais de R$ 186 bilhões no crédito rural. A próxima etapa do estudo do Ipea e do MDA prevê um detalhamento ainda maior sobre o perfil da agricultura familiar no Brasil.

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Atualizado: 30/04/2026 10:34

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