economia

Brasil abre 613 mil vagas de trabalho no trimestre e renda do trabalhador bate recorde

30 abr 2026 - 10:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Saldo positivo do Novo Caged eleva o estoque nacional para 49 milhões de vínculos. IBGE aponta que a massa salarial chegou a R$ 374,8 bilhões com queda na informalidade, mesmo diante de leve alta sazonal no desemprego
Brasil bate recorde com 49 milhões de empregos com carteira assinada e renda histórica. Foto: Gabriel Ramos / Getty Images

O Brasil registrou a geração de 228.208 postos de trabalho com carteira assinada em março de 2026, acumulando 613.373 novas vagas formais no primeiro trimestre do ano e elevando a massa salarial nacional ao patamar recorde de R$ 374,8 bilhões. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (29) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstram um cenário de expansão no número de trabalhadores formais em 24 unidades federativas, puxado majoritariamente pelo setor de Serviços, aliado a um recuo na taxa de informalidade do país.

Nos últimos 12 meses, encerrados em março de 2026, o total de postos gerados alcançou 1.211.455. O estoque de empregos com carteira assinada atingiu a marca de 49.082.634 vínculos, o que representa um crescimento de 2,6% no país. O saldo mensal de março foi resultado de 2.526.660 admissões e 2.298.452 desligamentos. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do total de postos gerados no mês, 83,25% são considerados típicos e 16,75% não típicos, incluindo jornadas de até 30 horas semanais e contratos de aprendizagem.

Expansão das vagas e setores em destaque
Entre os grupamentos de atividades econômicas, o maior crescimento em março ocorreu no setor de Serviços, responsável pela criação de 152.391 postos. Na sequência, registraram alta a Construção (38.316), a Indústria (28.336) e o Comércio (27.267). A exceção no mês foi a Agropecuária, que apresentou retração de 18.096 postos em função da finalização das safras de maçã, soja e uva.

No acumulado do ano (janeiro a março), o panorama se manteve positivo para quatro dos cinco grandes grupamentos. O setor de Serviços liderou com 382.229 postos, seguido pela Construção (120.547), Indústria (115.310) e Agropecuária (14.752). O Comércio foi o único a registrar resultado negativo no primeiro trimestre, com a redução de 19.525 postos.

Demografia e desempenho regional
A criação de vagas em março beneficiou mais as mulheres, com um saldo positivo de 132.477 postos, ante 95.731 para os homens. Jovens de até 24 anos concentraram 72,6% do total do mês (165.785 vagas). Em relação à escolaridade, a maior parte das oportunidades foi preenchida por trabalhadores com ensino médio completo (183.037), enquanto aqueles com nível superior completo ocuparam 23.265 vagas.

Geograficamente, São Paulo obteve os maiores resultados absolutos, tanto em março (67.876) quanto no acumulado do trimestre (183.054). Em março, Minas Gerais (38.845) e Rio de Janeiro (23.914) completaram o topo da lista. Em termos relativos, os maiores avanços do trimestre ocorreram em Goiás (2,33%), Mato Grosso (2,27%) e Santa Catarina (2,26%).

Taxa de desocupação e movimentos sazonais
Enquanto o emprego formal cresceu, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua revelou que a taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em março de 2026 subiu para 6,1%. O índice é 1,0 ponto percentual maior que o registrado no trimestre anterior (5,1%), mas 0,9 ponto percentual abaixo do aferido no mesmo período de 2025 (7,0%). Trata-se da menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em março desde o início da série histórica, em 2012.

A população desocupada somou 6,6 milhões, uma alta de 19,6% no trimestre. O total de trabalhadores do país ficou em 102,0 milhões, recuando 1,0% no trimestre, mas mantendo-se 1,5% acima do registrado no ano anterior. As reduções ocorreram no Comércio (-287 mil), Administração Pública (-439 mil) e Serviços Domésticos (-148 mil).

“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no Comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporários nas atividades de Educação e Saúde no setor público municipal”, explicou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.

Queda da informalidade e recorde na renda
A pesquisa do IBGE apontou ainda que a taxa de informalidade recuou para 37,3% da população ocupada, o que equivale a 38,1 milhões de trabalhadores informais. O número de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo domésticos) atingiu 39,2 milhões.

“A redução observada do número de trabalhadores informais decorreu da retração dos contingentes de empregados sem carteira assinada no setor privado e de trabalhadores por conta própria sem CNPJ”, detalhou Beringuy.

O cenário de maior formalização refletiu nos rendimentos. A massa de rendimento médio real dos trabalhadores brasileiros bateu recorde e chegou a R$ 374,8 bilhões, uma alta de 7,1% no ano. O rendimento médio real habitual também atingiu o valor inédito de R$ 3.722, crescendo 1,6% no trimestre e 5,5% no ano.

Sobre o aumento salarial, Beringuy ressaltou: “O rendimento cresceu em atividades que reduziram a participação em seus contingentes de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos. Dessa forma, relativamente à base de comparação trimestral com maior participação de ocupação informal, a média de rendimento do trabalho atual registrou alta”.

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Atualizado: 30/04/2026 10:38

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