O major da reserva do Exército Ângelo Denicoli foi preso na manhã desta sexta-feira (10), por volta das 6h, na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo. A detenção foi conduzida pelo Exército Brasileiro em cumprimento a um mandado expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determinou o início do cumprimento da pena imposta aos militares condenados por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. A ordem judicial ocorre após a Corte negar os primeiros recursos apresentados pelos condenados no processo que investiga a tentativa de ruptura institucional e golpe de Estado no país.
A operação e os alvos
Além do major capixaba, a operação do Exército cumpriu mandados de prisão contra outros dois militares em Brasília: o tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida e o subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues. Ambos foram encaminhados ao Batalhão de Polícia do Exército, na capital federal, onde serão mantidos.
A ação visa três dos sete condenados pelo STF que integravam o chamado Núcleo 4 da trama golpista. Outros dois alvos dos mandados não foram localizados e são considerados foragidos pela Justiça: o coronel da reserva Reginaldo Vieira de Abreu e o engenheiro Carlos Cesar Rocha.
O papel do major capixaba
De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, Ângelo Denicoli mantinha vínculo permanente com os demais integrantes da organização. Segundo a acusação e a Procuradoria-Geral da República (PGR), os investigados formavam um núcleo focado em utilizar a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (o que ficou conhecido como “Abin Paralela”) para monitorar adversários políticos, além de produzir e disseminar informações falsas contra o processo eleitoral, as instituições democráticas e as autoridades.
As investigações comprovaram que o major serviu como elo entre os membros do grupo e o influenciador argentino Fernando Cerimedo. Em novembro de 2022, Cerimedo realizou uma transmissão ao vivo anunciando um dossiê com supostas fraudes nas urnas eletrônicas brasileiras. Foi Denicoli quem forneceu o material utilizado na disseminação dessa narrativa falsa.
Antes de ser recolhido nesta sexta-feira, o major cumpria prisão domiciliar desde dezembro de 2025, medida cautelar decretada por Moraes, que incluía o uso de tornozeleira eletrônica.
As condenações
A Primeira Turma do STF condenou os militares pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, no contexto das eleições presidenciais de 2022 e dos atos de 8 de janeiro.
As penas detalhadas pela Primeira Turma para os presos nesta sexta-feira são:
- Major Ângelo Denicoli: 15 anos e seis meses de prisão (embora haja registro no processo de julgamento de outubro referente a uma condenação a 17 anos).
- Subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues: 14 anos de prisão.
- Tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida: 13 anos e seis meses de prisão.
O que dizem as defesas
A defesa do major Ângelo Denicoli repudiou a detenção por meio de nota oficial. “Trata-se de medida extremamente gravosa, implementada antes do exaurimento das vias processuais cabíveis, em cenário que exige máxima cautela, estrita observância do devido processo legal e absoluto respeito às garantias fundamentais”, declarou o advogado Edson Fontes.
Já a defesa de Guilherme Marques de Almeida confirmou que o militar foi recolhido na manhã desta sexta-feira e informou que aguarda o julgamento de um recurso sobre o caso. As defesas dos demais citados não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.


















