Em 2025, o fluxo comercial entre o Espírito Santo e a União Europeia totalizou US$ 3,2 bilhões, caracterizado pela exportação de commodities capixabas em troca de bens industriais europeus. A dinâmica de importação e exportação ganha agora um novo contorno com a aprovação, pelo Senado brasileiro, do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu, medida que prevê a eliminação de mais de 90% das tarifas e promete reconfigurar os negócios no estado.
As informações foram levantadas pelo Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), que utilizou dados do Comex Stat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior do governo federal.
A União Europeia consolida-se como o terceiro principal parceiro do Espírito Santo, tanto na origem das importações quanto no destino das exportações. No panorama nacional, o bloco foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil em 2025, respondendo por 14,3% das exportações e 17,9% das importações do país, o que gerou uma corrente de comércio de US$ 99,8 bilhões.
Raio-x da balança comercial capixaba
Do montante de US$ 3,2 bilhões movimentados no estado em 2025, as importações superaram as exportações. O Espírito Santo comprou US$ 1,79 bilhão do bloco europeu e vendeu US$ 1,40 bilhão.
O coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, aponta que o resultado reflete o perfil produtivo do Espírito Santo. “A relação comercial com a União Europeia mostra uma complementaridade clara. O Espírito Santo exporta principalmente commodities e insumos industriais, como café e minério, enquanto importa produtos de maior valor tecnológico, como veículos e aeronaves”, explicou.
Principais produtos exportados pelo ES para a União Europeia:
- Café não torrado: Liderou as vendas externas, movimentando US$ 490 milhões (35% do total).
- Minério de ferro e concentrados: Representou cerca de 30% das exportações.
- Semimanufaturados de ferro e aço: Correspondeu a 14% das vendas.
“Esses dados mostram a força das cadeias agroindustrial e mineral do estado no comércio internacional. O café e o minério seguem como produtos estruturais da pauta exportadora capixaba”, afirmou Spalenza.
Principais produtos importados da União Europeia pelo ES:
- Veículos automóveis e peças: Concentraram 42% das compras, somando aproximadamente US$ 752 milhões.
- Outros destaques: Aeronaves e suas partes, produtos de perfumaria e cosméticos, além de gorduras e óleos vegetais e animais.
Desempenho por municípios
A pesquisa do Connect Fecomércio-ES também detalhou a concentração do comércio exterior em polos específicos do Espírito Santo:
- Exportações: Os municípios de Serra, Nova Venécia e Vitória somaram US$ 744 milhões em vendas.
- Serra: Liderou o ranking com US$ 267 milhões, puxada pela cadeia siderúrgica.
- Nova Venécia: Registrou US$ 247 milhões, com forte concentração no café.
- Vitória: Aparece em terceiro lugar, com US$ 230 milhões.
- Importações: Cariacica, Vitória e Serra concentraram US$ 1,52 bilhão das compras.
- Cariacica: Ocupou a liderança isolada com US$ 868 milhões, predominando a entrada de veículos automotores e consolidando a cidade como a principal porta de entrada deste setor no estado.
Perspectivas com o acordo Mercosul-União Europeia
Com a possível criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo a partir do tratado recém-aprovado pelo Senado, a expectativa é de redução gradual das barreiras tarifárias. Segundo o levantamento, a mudança tem o potencial de modernizar as cadeias produtivas locais, facilitando o acesso a maquinário de ponta.
Para Spalenza, a nova fase trará impactos diretos à economia do estado. “A redução de tarifas tende a ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu e, ao mesmo tempo, baratear a importação de equipamentos e insumos tecnológicos. Isso aumenta a competitividade das empresas e cria oportunidades para diferentes setores da economia capixaba, como agropecuária, mineração e indústria”, avaliou o coordenador.
Ele conclui que a aproximação entre os blocos beneficia a infraestrutura local: “Além disso, a maior integração comercial tende a fortalecer o papel logístico e industrial capixaba no comércio exterior brasileiro, ampliando a participação em cadeias globais de valor”.


















