geral

“É covardia e não será tolerada”, diz Casagrande sobre soldado que agrediu mulher em Vitória

23 fev 2026 - 09:50

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

Share
Soldado da PM retirou a vítima à força de veículo em Jardim Camburi e atacou colegas de farda durante a prisão. Corregedoria instaura inquérito e militar pode ser expulso da corporação
PM é preso após agredir companheira em Jardim Camburi; Casagrande condena 'covardia'. Foto: Reprodução

O soldado da Polícia Militar (PM) Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, foi preso em flagrante na noite de sábado (21) após agredir violentamente sua companheira, também policial militar, no estacionamento de um supermercado atacarejo no bairro Jardim Camburi, em Vitória. A prisão ocorreu após o agressor resistir à abordagem e atacar os colegas de farda que tentaram contê-lo, motivando o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, a classificar o ato como “crime” e “covardia”, além de determinar rigor na apuração do caso.

A dinâmica das agressões
A confusão teve início após o desfile de um bloco de carnaval na avenida Norte Sul, nas proximidades do local do crime. De acordo com os relatos registrados em boletim de ocorrência, o casal se desencontrou durante o evento e a vítima tentou contato diversas vezes por telefone, sem sucesso. Ao se reencontrarem no estacionamento, Marcelo retirou a mulher do interior do veículo de forma brusca.

Imagens registradas por testemunhas mostram a policial sendo puxada pelas pernas para fora do carro, caindo de costas e batendo a cabeça no chão. Em seguida, ela ainda recebe um tapa no rosto. Seguranças do estabelecimento e uma terceira pessoa tentaram intervir até a chegada de uma guarnição da PM, que havia sido acionada para verificar uma ocorrência de briga generalizada.

Resistência à prisão e ataque a policiais
Ao chegar ao local, a equipe policial deu ordem de parada ao soldado Marcelo, que se encontrava sem camisa e em estado de extrema alteração. O boletim unificado descreve que o agressor demonstrou “elevado desrespeito para com a guarnição de serviço”, empurrando os militares na tentativa de continuar o ataque à companheira.

Diante da recusa em cessar as agressões, os policiais precisaram utilizar bastão e spray de pimenta. O soldado, no entanto, passou a xingar os colegas de farda e a proferir ameaças de morte, afirmando: “Vocês vão se f*, seus recrutas, eu vou matar vocês”.

Foi dada voz de prisão, mas Marcelo resistiu e a equipe solicitou apoio de outra guarnição. O comandante do policiamento tentou dialogar com o agressor, sem êxito. Durante a tentativa de algemá-lo, Marcelo desferiu um soco no rosto de um sargento, quebrando os óculos do policial. Foram necessários quatro militares e o emprego de técnicas de imobilização para contê-lo, momento em que o suspeito sofreu escoriações pelo corpo. Ele foi conduzido no compartimento de segurança da viatura.

Histórico de violência e ameaças
Em depoimento prestado na 1ª Delegacia Regional de Vitória, a vítima relatou que as agressões e ameaças no relacionamento são frequentes. A policial afirmou que Marcelo exerce controle sobre sua vida financeira por meio de ameaças de morte ou promessas de deixá-la aleijada.

Segundo o registro policial, o soldado afirmava que atiraria na mão e no joelho da companheira, intimidações que teriam sido comprovadas por meio de mensagens no aplicativo WhatsApp. Após as agressões de sábado, que deixaram marcas pelo corpo da vítima, ela manifestou o interesse em solicitar medidas protetivas de urgência com base na Lei Maria da Penha. Por orientação do oficial de plantão, a arma da policial, uma pistola Glock G22, foi recolhida e entregue ao comando da 14ª Companhia Independente.

Posicionamento do Governo e sanções legais
Na noite de domingo (22), o governador Renato Casagrande utilizou suas redes sociais para repudiar o episódio e informar sobre as providências adotadas pelo Estado.

“Recebi com profunda indignação as imagens das agressões praticadas por um soldado, à paisana, contra sua companheira. Determinei a imediata investigação pela Corregedoria da Polícia Militar para que haja apuração com profundo rigor e a adoção de todas as medidas cabíveis. Condeno de forma veemente toda e qualquer violência contra a mulher. É crime, é covardia e não será tolerada”, declarou o governador.

A Polícia Civil autuou Marcelo Ramos Araújo em flagrante pelos crimes de lesão corporal, injúria e ameaça (na forma da Lei Maria da Penha), além de ameaça, resistência e desacato. Após os procedimentos na delegacia, ele foi transferido para o presídio militar, localizado no Quartel do Comando-Geral da PMES, no bairro Maruípe, onde permanece à disposição da Justiça e aguarda audiência de custódia.

Em nota oficial, a Polícia Militar confirmou a prisão e informou que a Corregedoria instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos. O procedimento será encaminhado ao Ministério Público Militar e à Auditoria de Justiça Militar.

“Os possíveis enquadramentos no Código Penal Militar serão avaliados no curso das investigações. Havendo comprovação de irregularidades, o policial poderá sofrer as sanções administrativas e penais previstas em lei, incluindo a possibilidade de exclusão da corporação, conforme o resultado das apurações”, concluiu a corporação.

0
0
Atualizado: 23/02/2026 10:26

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.