economia

Indústria brasileira cresce pelo terceiro ano seguido e fecha 2025 em alta

03 fev 2026 - 13:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Resultado representa o terceiro ano consecutivo de alta, embora ritmo tenha diminuído no segundo semestre. Produção de dezembro recuou 1,2% ante novembro
Indústria Foto: Getty Images Signature

A produção industrial brasileira encerrou o ano de 2025 com uma alta acumulada de 0,6%, marcando o terceiro ano consecutivo de crescimento do setor. Os dados integram a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho anual foi sustentado majoritariamente pelas indústrias extrativas, enquanto a indústria de transformação registrou leve retração no período.

Com o resultado consolidado de 2025, a indústria nacional situa-se 0,6% acima do patamar pré-pandemia, referente a fevereiro de 2020. No entanto, o volume de produção ainda permanece 16,3% abaixo do nível recorde histórico alcançado em maio de 2011. Nos anos anteriores, o setor havia registrado crescimentos de 3,1% em 2024 e 0,1% em 2023.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, houve uma mudança de comportamento ao longo do ano. “Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre”, explica.

Macedo atribui essa desaceleração ao cenário macroeconômico: “Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente das decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”.

Desempenho por categorias e atividades
O avanço de 0,6% no acumulado do ano foi impulsionado por resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 15 dos 25 ramos industriais pesquisados. O destaque principal foi o setor de indústrias extrativas, que cresceu 4,9%, influenciado sobretudo pela extração de petróleo. Outra influência positiva relevante veio do setor de produtos alimentícios, com alta de 1,5%.

“O setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial, ao passo que a indústria de transformação teve uma perda de 0,2% no ano de 2025”, analisa Macedo.

Na ponta oposta, entre as dez atividades que apresentaram redução na produção anual, o segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registrou queda de 5,3%, exercendo a maior influência negativa na média geral da indústria.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis (2,5%) e os bens intermediários (1,5%) mostraram maior dinamismo. Já os setores de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e de bens de capital (-1,5%) fecharam o ano com taxas negativas.

Retração em dezembro
A análise de curto prazo revela que a produção industrial recuou 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025. Essa foi a queda mais intensa desde julho de 2024 e acentuou a tendência negativa observada desde setembro. O perfil de queda foi generalizado, atingindo as quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados.

“Dezembro mostrou um perfil disseminado de taxas negativas. Este espalhamento de 17 atividades em queda é o maior desde setembro de 2022, quando foram 19”, pontua o gerente do IBGE.

As principais influências negativas no último mês do ano vieram de:

  • Veículos automotores, reboques e carrocerias: queda de 8,7%;
  • Produtos químicos: queda de 6,2%;
  • Metalurgia: queda de 5,4%.

André Macedo destaca que a atividade de veículos exerceu a maior pressão negativa no mês, registrando o pior resultado desde maio de 2024. “Há um movimento de perda generalizada dentro desta atividade, com queda em automóveis, caminhões, autopeças”, detalha.

O pesquisador ressalta que o calendário influenciou o desempenho dessas atividades. “Grande parte das atividades em queda no mês de dezembro, como veículos; produtos químicos; metalurgia; equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, caracterizaram-se uma maior presença de paralisações e férias coletivas no mês de dezembro, o que de alguma forma impactou e justificou essas taxas negativas mais acentuadas”.

Em contrapartida, a atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis avançou 5,4% em dezembro, interrompendo três meses seguidos de recuo.

A próxima divulgação da produção industrial, com os resultados referentes a janeiro de 2026, está prevista para o dia 6 de março.

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