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ES registra 2,4 mil desaparecidos em um ano; mais de 700 são crianças

28 jan 2026 - 13:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento do Sinesp aponta que 717 menores de 18 anos estão entre os registros capixabas. País atinge marca de 84 mil ocorrências em 2025, maior índice desde 2015
Espírito Santo soma 2.421 desaparecimentos em ano de recorde histórico no Brasil. Foto: LUCIO BERNARDO JR

O Espírito Santo contabilizou 2.421 pessoas desaparecidas ao longo de 2025, sendo que 717 destas vítimas eram crianças ou adolescentes com menos de 18 anos. Os números locais integram um levantamento do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) divulgado nesta quarta-feira (28), que aponta um recorde nacional de 84.760 registros no ano passado, o maior volume consolidado desde o início da série histórica em 2015.

Com base nos dados enviados pelas secretarias estaduais de segurança pública e pelo Distrito Federal, o Espírito Santo apresentou uma taxa de 58,66 desaparecidos a cada 100 mil habitantes. Em números absolutos, o estado ocupa a 11ª posição no ranking nacional de ocorrências.

No cenário brasileiro, o total de casos de 2025 supera os índices anteriores à pandemia de Covid-19 e representa uma média de 232 desaparecimentos por dia. A taxa nacional ficou em 39 casos por 100 mil habitantes.

Perfil das vítimas e foco em menores
A análise dos dados nacionais revela que o problema afeta significativamente a população infantojuvenil. Do total de registros no país, 23.919 correspondem a crianças e adolescentes, o que equivale a uma média diária de 66 desaparecimentos nesta faixa etária. Esse número representa uma alta de 8% em relação a 2024, quando a média era de 60 casos por dia.

Entre os registros de menores que contêm a informação de sexo, a maioria das vítimas é do sexo feminino, somando 14.658 casos, contra 9.159 do sexo masculino. Em 102 ocorrências, o sexo não foi informado.

Causas da oscilação nos dados
Iara Buoro Sennes, coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, aponta fatores técnicos e comportamentais para explicar a elevação nos números. Segundo a especialista, há um esforço para incentivar o registro imediato, desmistificando a ideia de que é necessário aguardar um prazo mínimo para notificar as autoridades.

“A gente tem se esforçado nesses últimos anos de fazer, por exemplo, campanhas que incentivam o registro imediato das ocorrências, indo contra, por exemplo, àquele limite de que tem que esperar 24 horas para fazer uma comunicação formal de um desaparecimento”, explica Iara.

Outro ponto destacado é a subnotificação dos casos resolvidos. Muitas vezes, as famílias registram o desaparecimento, mas não comunicam a localização posterior da pessoa, o que mantém as estatísticas infladas no sistema. A coordenadora ressalta que a análise dos indicadores deve considerar essas particularidades e que a Lei 13.812/2019, que instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, é uma iniciativa recente ainda em fase de estruturação nos estados.

Pela legislação vigente, pessoa desaparecida é definida como “todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento”.

Distribuição geográfica
O estado de São Paulo concentra a maior quantidade absoluta de registros, com 20.564 casos, representando 24% do total nacional. No entanto, ao considerar a proporção pela população, Roraima lidera com a maior taxa: cerca de 80 desaparecimentos por 100 mil habitantes.

Ranking por estado (números absolutos e taxa por 100 mil habitantes):

São Paulo: 20.546 (44,59)
Minas Gerais: 9.139 (42,72)
Rio Grande do Sul: 7.611 (67,75)
Paraná: 6.455 (54,29)
Rio de Janeiro: 6.331 (36,76)
Santa Catarina: 4.317 (52,73)
Bahia: 3.929 (26,42)
Goiás: 3.631 (48,91)
Pernambuco: 2.745 (28,71)
Ceará: 2.578 (27,81)
Espírito Santo: 2.421 (58,66)
Distrito Federal: 2.235 (74,58)

Protocolos de busca
Para situações de risco envolvendo crianças, forças-tarefa têm utilizado o “Alerta Amber”. O sistema emite alertas emergenciais e utiliza plataformas da Meta (Facebook e Instagram) para divulgar imagens de vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do fato.

Atualmente, o protocolo apoia as buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro na zona rural de Bacabal (MA). As buscas pelas crianças completaram quatro semanas nesta segunda-feira (26).

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Atualizado: 29/01/2026 00:41

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