Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (15) revela que 58% dos brasileiros têm medo de que os Estados Unidos realizem no Brasil uma operação militar semelhante à ocorrida na Venezuela no início do mês. O levantamento, realizado entre 8 e 11 de janeiro, aponta que a maioria da população (66%) defende a neutralidade brasileira no embate entre Washington e o regime chavista, enquanto 51% desaprovam a condenação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à incursão americana.
Divisão sobre a legitimidade da operação
O cenário de opinião pública mostra-se fragmentado quanto à ação comandada por Donald Trump. Embora o receio de uma intervenção futura em território nacional atinja quase seis em cada dez entrevistados, 46% dos brasileiros declararam aprovar a operação militar específica que resultou na captura de Maduro, contra 39% que a desaprovam.
Quando questionados sobre a legitimidade de interferir em outra nação para prender um ditador, 50% consideram a prática aceitável, enquanto 41% a classificam como inaceitável. A percepção sobre os motivos de Trump também varia: 31% acreditam que o objetivo principal foi o combate ao narcotráfico, 23% citam a restauração da democracia e 21% apontam o interesse no petróleo venezuelano.
Reação do governo e impacto político
O posicionamento do governo brasileiro gerou controvérsia entre os eleitores. Logo após os bombardeios em Caracas, o presidente Lula classificou a ação como uma violação do direito internacional e uma “linha inaceitável”. Dias depois, o representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Benoni Belli, reforçou o tom crítico ao utilizar o termo “sequestro” para descrever a prisão de Maduro.
A pesquisa detalha o impacto dessas declarações:
- Avaliação da postura de Lula: 51% consideram a reação do presidente errada e 37% a veem como correta.
- Recorte ideológico: Entre eleitores de direita não bolsonarista, a desaprovação à fala de Lula chega a 82%. Já na esquerda não lulista, 72% apoiam a condenação feita pelo petista.
- Eleições 2026: Para 71% dos entrevistados, o episódio não afetará sua decisão de voto no pleito deste ano. Entretanto, 17% afirmam que a postura do governo os inclina a votar na oposição.
Contexto da captura
A operação militar dos EUA ocorreu na madrugada de 3 de janeiro de 2026. Forças americanas utilizaram cerca de 150 aeronaves e realizaram bombardeios em pontos estratégicos de Caracas, como o Forte Tiuna, onde Maduro foi localizado em um bunker.
O líder venezuelano, que possuía uma recompensa de US$ 50 milhões oferecida por Washington, foi levado para o navio USS Iwo Jima e, posteriormente, para Nova York, onde enfrenta acusações de narcoterrorismo e corrupção. Do total de brasileiros ouvidos pela Quaest, 24% afirmaram que ainda desconheciam a notícia da prisão do político venezuelano até o momento da entrevista.
A Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.


















