O Socol, produto autêntico do município de Venda Nova do Imigrante, foi reconhecido como de relevante interesse cultural no âmbito do estado do Espírito Santo. A lei, sancionada pelo governador Renato Casagrande após decreto da Assembleia Legislativa, foi publicada no Diário Oficial do Estado (DIO/ES) desta quinta-feira (30). A medida entra em vigor imediatamente, na data de sua publicação.
Conforme o texto legal, assinado no Palácio Anchieta em 29 de outubro de 2025, o reconhecimento do interesse cultural poderá, a critério dos órgãos estaduais responsáveis pela política de patrimônio cultural, ser objeto de proteção específica conforme a legislação aplicável.
Indicação geográfica
Este é o segundo grande reconhecimento oficial do produto. Em 2018, o Socol de Venda Nova do Imigrante obteve o certificado de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A Indicação Geográfica é utilizada para atestar a procedência de produtos ou serviços cujas características estão ligadas ao seu local de origem.
A solicitação do IG foi uma iniciativa da Associação Dos Produtores de Socol de Venda Nova do Imigrante (ASSOCOL), iniciada em 2014. A aprovação foi publicada na Revista da Propriedade Industrial (RPI) em 12 de junho de 2018. A região noroeste do município foi destacada no reconhecimento como referência na produção, por concentrar grande quantidade de descendentes de italianos que produzem a iguaria.
Na época da concessão, o então secretário Estadual de Turismo, Paulo Renato Fonseca Jr., destacou a importância do selo. “Essa conquista mostra-se como importante instrumento de divulgação do Espírito Santo perante turistas e possíveis investidores. Estamos muito felizes com o reconhecimento da origem e qualidade do Socol capixaba, que é reflexo da cultura local e reflete no turismo na região”, apontou.
O que é o Socol
O Socol é um embutido de lombo suíno, cuja receita de origem italiana é mantida viva pelas famílias de Venda Nova do Imigrante. O processo de produção consiste em temperar a carne, curar e armazenar de forma artesanal por meses, seguindo os métodos dos antepassados italianos.
O produto é caracteristicamente envolvido pelo peritônio, uma membrana do abdômen do porco ou do boi, e amarrado por uma rede elástica. O processo de cura dura de três a seis meses, período em que o embutido permanece protegido do sol.
O nome “socol” tem origem no dialeto do Vêneto, região italiana. A expressão “so colli” designa “os ossos do pescoço” e faz referência à forma tradicional de amarrar o produto em tiras que remetiam às vértebras do pescoço do porco. Com o tempo, o termo foi “abrasileirado” e passou a ser socol.
O Socol é um dos pilares de Venda Nova do Imigrante, município conhecido como a capital nacional do agroturismo. Localizada a 115 km de Vitória, a cidade oferece aos visitantes a experiência do cotidiano rural. Propriedades abertas à visitação produzem, além do socol, queijos, licores, cachaça e café.
Colonizada majoritariamente por imigrantes italianos, a cidade teve seu nome originado de uma pequena mercearia reformada, que passou a ser chamada de “venda nova”. Com a emancipação em 1988, foi adotado o nome Venda Nova do Imigrante para evitar confusão com outras localidades brasileiras. O acesso principal à cidade é pela Rodovia BR 262, sentido Minas Gerais, em um trajeto de aproximadamente duas horas.


















