Servidores públicos do governo do Espírito Santo decidiram, em assembleia nesta quarta-feira (1º), entrar em greve a partir da próxima terça-feira (7). A paralisação das atividades, aprovada por unanimidade, tem como principal pauta a reestruturação das carreiras e a correção de perdas salariais. O movimento deve abranger cerca de 3,7 mil profissionais de 14 autarquias e secretarias estaduais.
A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Unificada realizada na quadra do Sindibancários, em Vitória, com a participação de 300 servidores de forma presencial e outros 350 de modo on-line. A mobilização é organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado do Espírito Santo (Sindipúblicos) e envolve funcionários de órgãos como a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases).
Reivindicações
O sindicato apresentou ao governo uma proposta baseada em um estudo técnico das carreiras, que busca a valorização dos profissionais e a correção de perdas salariais que, segundo a entidade, ultrapassam 50%. A proposta defende uma recuperação média de 30% dessas perdas. O Sindipúblicos afirma que o impacto na folha de pagamento do Estado não seria superior a 1%, mas que a medida teria um grande efeito na vida dos servidores. A entidade ressalta que, diferente de trabalhadores com carteira assinada, os servidores públicos ficaram anos sem reajuste durante a pandemia e, em outros períodos, tiveram aumentos abaixo da inflação.
“A greve é, infelizmente, a única forma que temos hoje de abrir espaço para negociação com o Estado. O que estamos fazendo aqui não é somente por nós, mas pelos nossos filhos e pelas futuras gerações”, comentou Gustavo Coutinho, servidor do Iases.
Iosmar Mansk, técnico agrícola do Incaper, destacou o tempo de espera por uma valorização. “São três mandatos esperando o governador fazer algo. Nossa categoria teve perda de 50% na renda. A greve é nossa única saída”, afirmou.
A presidente do Sindipúblicos, Renata Setúbal, declarou que a categoria busca uma resposta concreta do governo. “Não vamos recuar. Seguimos juntos até a vitória. Reunião sem proposta não resolve. Queremos resposta concreta para discutir com a categoria”, disse. Wanusa Santos, representante da CUT e presidente do Sindaema, também reforçou a necessidade da mobilização: “A greve é dura, mas necessária. O governo fechou as portas da negociação”.
O sindicato informou que seguirá todos os trâmites legais para a paralisação, respeitando prazos e os percentuais mínimos de trabalho exigidos por lei.
Posição do governo
Procurada para se manifestar, a Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) informou, por meio de nota, que o governo do Estado mantém um diálogo aberto e permanente com os representantes dos servidores.
A pasta pontuou que, “desde 2019, foram concedidos reajustes lineares à categoria, com exceção dos anos de 2020 e 2021, quando uma lei federal impediu Estados de promover aumentos salariais”. A Seger explicou que analisa as demandas apresentadas à luz dos limites orçamentários e fiscais e que equipes técnicas continuam realizando estudos para subsidiar as decisões. A nota finaliza reafirmando o compromisso com a negociação.
“O governo do Estado reafirma que permanece aberto ao diálogo e a novas rodadas de negociação, mantendo o compromisso com a transparência e a construção de soluções equilibradas. Ao mesmo tempo, destaca que adotará as medidas necessárias para garantir a continuidade da prestação dos serviços à população.”


















