O governo brasileiro manifestou nesta sexta-feira (1º), através de nota oficial do Ministério das Relações Exteriores, sua satisfação com as recentes declarações de Reino Unido, Malta, Canadá e Portugal sobre a possibilidade de reconhecerem a Palestina como Estado. A medida, que pode ser concretizada em setembro durante a 80ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, é vista pelo Brasil como um passo fundamental para a paz no Oriente Médio e se soma a um anúncio similar feito pela França na última semana.
Em nota à imprensa, o Itamaraty afirmou que os pronunciamentos “refletem o crescente engajamento da comunidade internacional em favor de ações concretas para materializar a solução dos dois Estados, única via possível para alcançar paz duradoura no Oriente Médio”. O governo brasileiro também exortou as nações que ainda não reconheceram a Palestina a fazê-lo com “a brevidade possível” e conclamou todos os países a apoiarem o ingresso da Palestina como membro pleno nas Nações Unidas.
O Brasil reafirmou sua defesa histórica da solução de dois Estados, com uma Palestina independente e viável coexistindo em paz e segurança com Israel, dentro das fronteiras de 1967, o que inclui a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como sua capital.
Cenário internacional
A movimentação diplomática ocorre em um contexto de crescente atenção internacional à onda de fome generalizada na Faixa de Gaza. O ponto de inflexão na posição de potências ocidentais foi o anúncio do presidente francês, Emmanuel Macron, na quinta-feira (24). “Fiel ao seu compromisso histórico com uma paz justa e duradoura no Oriente Médio, decidi que a França reconhecerá o Estado da Palestina”, publicou Macron na rede social X. Com a decisão, a França se tornará o primeiro país do G7, grupo das maiores economias do mundo, a dar esse passo.
Outras nações europeias já haviam se adiantado. Em maio do ano passado, Espanha, Irlanda e Noruega reconheceram a Palestina em uma ação coordenada. Elas se juntaram a outros países do continente como Suécia, Polônia, Rússia, Ucrânia e o Vaticano.
Na América Latina, o reconhecimento é amplo, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai. A grande maioria das nações africanas também reconhece o Estado Palestino. Entre os países que ainda não o fazem, destacam-se Estados Unidos, Israel, Alemanha, Itália, Japão, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Apesar de não ser um membro pleno, a Assembleia Geral da ONU aprovou em novembro de 2012 o reconhecimento de fato do Estado soberano da Palestina, elevando seu status no organismo de “entidade” para “estado não-membro”.
Divergências e condições
Apesar do avanço, as posições não são unânimes. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou na sexta-feira (25) que o Reino Unido apoia um eventual reconhecimento, mas que a prioridade imediata deve ser o alívio do sofrimento em Gaza e a garantia de um cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
A Alemanha, por sua vez, declarou que não planeja reconhecer o Estado palestino a curto prazo, embora afirme que sua prioridade é avançar na direção de uma solução de dois Estados.
Nos Estados Unidos, o ex-presidente e atual candidato Donald Trump “expressou seu descontentamento e discordância com os líderes de França, Reino Unido e Canadá”, segundo sua porta-voz, Karoline Leavitt, na quinta-feira (31). Para Trump, a medida equivale a “recompensar o Hamas no momento em que ele é o verdadeiro obstáculo para um cessar-fogo e a libertação de todos os reféns”. O republicano afirmou que a decisão da França “não mudará nada” e, sobre a intenção do Reino Unido, limitou-se a dizer que seu governo “não estava desse lado”.


















