economia

Espírito Santo tem mais de 1 milhão de pessoas com o nome sujo

18 jul 2025 - 14:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

Share
Apesar do número expressivo, que totaliza 1,43 milhão de pessoas, o estado registrou queda de 86,5 mil inadimplentes em um ano e reverte tendência de alta vista no restante do país
Número de inadimplentes no Espírito Santo cai 86,5 mil em um ano. Foto: Rafael Carvalho

O Espírito Santo possui 1,43 milhão de pessoas com dívidas em atraso, o que equivale a 34,2% da população adulta do estado. Apesar do número elevado, o dado representa uma melhora no cenário econômico capixaba, pois houve uma redução de 86,5 mil inadimplentes em junho de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado. As análises, do Connect Fecomércio-ES com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), contrastam com o cenário nacional, que aponta para um aumento contínuo no número de negativados.

Apesar da melhora no indicador de inadimplência, o percentual de famílias capixabas endividadas, ou seja, com contas a vencer, apresentou leve alta. Entre maio e junho, a taxa de endividamento subiu 0,3 ponto percentual, chegando a 89,4%.

Melhora concentrada na baixa renda
Segundo André Spalenza, coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, o resultado anual demonstra uma reorganização orçamentária por parte das famílias capixabas. “Mesmo com os desafios da economia, o recuo na inadimplência de forma acumulada sinaliza um esforço contínuo das famílias para recuperar o equilíbrio financeiro e sair do vermelho”, avaliou.

A pesquisa aponta que a redução da inadimplência foi mais acentuada entre os grupos de menor poder aquisitivo. “Famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, por exemplo, reduziram a inadimplência de 37,4% para 28,1% no período de um ano. Esse dado mostra uma melhora importante na capacidade de pagamento desse grupo”, explicou Spalenza.

No estado, os devedores possuem, em média, 3,9 contas em atraso, com uma dívida média de R$ 5.827. O montante total das dívidas negativadas no Espírito Santo alcança R$ 7,6 bilhões, tendo o cartão de crédito como principal modalidade de endividamento. O levantamento também indica que 19% das famílias inadimplentes afirmaram ter condições de quitar parcial ou totalmente seus débitos já no próximo mês.

Cenário nacional aponta para crescimento da inadimplência
Na contramão do Espírito Santo, o Brasil registrou um aumento no número de consumidores negativados. Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que o país alcançou 71,28 milhões de inadimplentes em junho de 2025, o que corresponde a 42,89% da população adulta.

O crescimento anual foi de 7,73% em comparação com junho de 2024, uma aceleração em relação à variação registrada no mês anterior (6,28%). Na análise mensal, o número de devedores cresceu 0,93% de maio para junho.

“É preocupante constatar que a inadimplência segue em patamares tão elevados, atingindo um novo pico em junho. A persistência desse cenário evidencia a dificuldade contínua que o brasileiro enfrenta para manter o equilíbrio financeiro (…) A inflação que impacta o custo de vida, as elevadas taxas de juros e um ambiente econômico ainda desafiador continuam a impulsionar milhões de pessoas para a lista de negativados”, aponta o estudo da CNDL/SPC Brasil.

Perfil do devedor e das dívidas no Brasil
A análise nacional revela que o tempo médio de atraso das dívidas é de 28,1 meses. A faixa etária com maior participação entre os inadimplentes é a de 30 a 39 anos, que corresponde a 23,70% do total, ou 17,62 milhões de pessoas. A distribuição por sexo é equilibrada, com 51,15% de mulheres e 48,85% de homens.

Cada consumidor negativado no país devia, em média, R$ 4.786,83 em junho, para uma média de 2,21 empresas credoras. O número de dívidas em atraso no Brasil cresceu 12,82% em um ano. O setor bancário concentra a maior parte (66,89%) e o maior crescimento no número de dívidas (16,51% em um ano). Os setores de Água e Luz vêm em seguida, com 10,00% de participação e crescimento de 6,44%, enquanto Comunicação (-1,23%) e Comércio (-0,22%) apresentaram leve queda.

Centro-Oeste lidera alta no país
Regionalmente, o Centro-Oeste apresentou a maior alta anual no número de inadimplentes (9,78%), sendo também a região com o maior percentual da população adulta negativada (46,28%). As demais regiões também registraram aumento: Sul (8,03%), Norte (6,12%), Sudeste (5,93%) e Nordeste (5,61%). A região Sul, por sua vez, mantém a menor proporção de negativados, com 37,59% de sua população adulta nesta condição.

“O país bate mês a mês recorde no número de negativações. Os dados reiteram a necessidade de um monitoramento contínuo e de políticas direcionadas para mitigar os impactos do endividamento na economia brasileira, com atenção especial às características regionais e aos perfis mais afetados”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

0
0
Atualizado: 18/07/2025 15:24

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.