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	<title>nosso cérebro - Em Dia ES</title>
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	<description>Conteúdo relevante para os capixabas.</description>
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		<title>Por que o sal tem um efeito tão poderoso em nosso cérebro?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Andressa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 09:10:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saude]]></category>
		<category><![CDATA[funcionamento das células]]></category>
		<category><![CDATA[gasto energético]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ele está presente em quase todas as culinárias do mundo, seja na forma de minúsculos grãos ou como parte de temperos básicos de algumas regiões</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Como você vai entender ao longo dessa reportagem, a resposta para essa pergunta tem a ver com dois fatores: primeiro, com o paladar, já que o sal altera e realça o sabor da comida. Segundo, com uma necessidade básica de manter o equilíbrio do nosso organismo, já que o sódio é fundamental para o funcionamento das células.</p>
<p><strong>Mas por que gostamos tanto de sal? E como ele deixa a nossa comida tão saborosa?</strong></p>
<p>Ele está presente em quase todas as culinárias do mundo, seja na forma de minúsculos grãos ou como parte de temperos básicos de algumas regiões — o molho de soja, por exemplo, pode conter entre 14% e 18% de sal.</p>
<p>Quimicamente, falamos do cloreto de sódio. Ele é composto por íons de sódio e cloro.</p>
<p><strong>O que acontece quando um desses minúsculos cristais toca nossa língua?</strong></p>
<p><em><strong>&#8220;O paladar é um sentido que, através das papilas gustativas, nos permite detectar substâncias químicas em nosso ambiente que podem ser benéficas ou prejudiciais&#8221;</strong></em>, explica a especialista em paladar Courtney Wilson, da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.</p>
<p><em><strong>&#8220;Essas papilas gustativas são pequenos aglomerados de células no formato de um dente de alho, espalhadas por toda a língua. Essas células possuem receptores que evoluíram para reagir a certos tipos de substâncias químicas&#8221;,</strong> </em>acrescenta ela.</p>
<p>No caso do sal, temos receptores que reagem especificamente ao sódio.</p>
<p><em><strong>&#8220;Eles são essencialmente poros minúsculos na superfície da célula que permitem apenas a passagem de certos íons. Assim, quando os íons de sódio estão presentes, eles podem fluir por esse minúsculo canal. A célula é alertada para a presença de sódio e envia esse sinal elétrico pelo nervo até o cérebro&#8221;,</strong></em> diz Wilson.</p>
<p><strong>Mas por que o sal tem um gosto tão bom?</strong></p>
<p><em><strong>&#8220;Nem sempre&#8230; Basicamente, temos dois sistemas: um que nos diz quando o sabor é agradável e outro que nos avisa que é demais e que provavelmente deveríamos cuspir&#8221;</strong></em>, afirma a especialista.</p>
<p><strong>&#8220;Se você tiver a concentração certa de sal, a quantidade que manterá seu corpo num nível ideal, terá um gosto realmente delicioso.&#8221;</strong></p>
<p>Essa sensação, ensina Wilson, acontece porque o corpo sempre tenta manter o teor de sal dentro de uma faixa estreita.</p>
<p>Embora a presença de sal seja essencial para o funcionamento do organismo, o excesso dele pode ser prejudicial.</p>
<p><em><strong>&#8220;Manter a quantidade certa de sódio no nosso corpo é extremamente importante. Os sinais elétricos que as células cerebrais enviam umas às outras e aos músculos, e que recebem dos sistemas sensoriais — e até mesmo os pensamentos — dependem do sódio.&#8221;</strong></em></p>
<p>Mas o sal faz mais do que &#8220;salgar&#8221;: ele pode realçar outros sabores.</p>
<p><strong>E nós sabemos como esse mecanismo funciona?</strong></p>
<p>A resposta simples é não&#8221;, admite Wilson.</p>
<p><em><strong>&#8220;A resposta mais complexa é que existem algumas evidências de que as células gustativas se comunicam entre si, o que afetaria a intensidade da resposta a um determinado estímulo na boca, seja ele doce, amargo ou salgado. Portanto, adicionar sal poderia afetar a resposta das papilas gustativas às outras dimensões&#8221;,</strong></em> explica ela.</p>
<p><strong><em>&#8220;Mas isso também pode estar acontecendo mais adiante nessa via de informação. Pode acontecer no tronco encefálico ou no córtex gustativo, onde a informação chega e as células podem estar interagindo para modular a nossa percepção.&#8221;</em></strong></p>
<p>Assim, o poder mágico e transformador do sal — aquele que faz com que os doces tenham um sabor melhor com apenas uma pitada salgada — permanece um mistério.</p>
<p>Talvez ele altere o comportamento das nossas células gustativas, ou talvez a forma como percebemos os sinais disso no cérebro.</p>
<p><strong>Mas o sal não é apenas um condimento.</strong></p>
<p>Como diz Wilson, ele é vital para o bom funcionamento do nosso organismo.</p>
<p><strong>Será que isso explica, em parte, por que achamos esse ingrediente tão atraente?</strong></p>
<p><strong>Sem sal, não há vida</strong><br />
<em><strong>&#8220;Os animais, incluindo nós, usam sódio para uma variedade de funções. Ele é essencial para a vida&#8221;</strong></em>, constata Joel Geerling, professor associado de neurologia da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.</p>
<p><em><strong>&#8220;Cerca de um terço do nosso gasto energético diário está relacionado ao bombeamento de sódio de dentro para fora da célula&#8221;,</strong></em> enfatiza ele.</p>
<p><em><strong>&#8220;Cada célula do corpo possui uma bomba de sódio-potássio em seu revestimento externo, que funciona o dia todo, e bombeia íons de sódio para fora da célula.&#8221;</strong></em></p>
<p>Quando esse sódio está fora das nossas células, ele tenta voltar rapidamente, num mecanismo parecido ao que acontece com a água represada por uma barragem.</p>
<p>Nossas células controlam o movimento do sódio através de canais especiais.</p>
<p>Quando esses canais se abrem, o sódio entra em grande quantidade, e nossas células aproveitam a energia desse movimento para diversos processos.</p>
<p><em><strong>&#8220;Cerca de um terço do nosso gasto energético diário é gasto bombeando sódio de dentro para fora da célula&#8221;</strong></em>, repete ele.</p>
<p><em>&#8220;Os íons de sódio invadem a célula e causam uma mudança rápida e acentuada na voltagem da membrana, conhecida como potencial de ação no neurônio — não apenas no cérebro, mas também nas células do músculo cardíaco, aquelas que nos mantêm vivos, batimento após batimento&#8221;</em>, detalha o especialista.</p>
<p>Se não tivéssemos sódio, nossas células simplesmente não funcionariam.</p>
<p>Geerling tem pesquisado o cérebro para tentar entender por que sentimos tanta necessidade de sal.</p>
<p>&#8220;Os animais que vivem no mar têm muito sódio ao redor e, na verdade, têm o problema oposto ao dos animais terrestres: eles precisam reter parte do sódio e manter o equilíbrio interno.&#8221;</p>
<p>Nos animais terrestres, a situação é oposta.</p>
<p><em><strong>&#8220;O sódio é muito escasso na terra. Se você mora longe do mar, e principalmente se não come carne, terá muito pouco sódio na dieta&#8221;,</strong></em> explica o especialista.</p>
<p><em><strong>&#8220;Os carnívoros comem outros tecidos animais, que têm cerca de 0,9% de cloreto de sódio, então geralmente consomem sal suficiente. Mas os herbívoros, se comerem apenas plantas, terão um teor muito alto de potássio e praticamente nenhum sódio&#8221;</strong></em>, compara ele.</p>
<p><em><strong>&#8220;Os elefantes são um exemplo famoso. Existem manadas desses animais na África que se lembram da localização de cavernas com sal nas paredes, de onde extraem esse composto com as presas.&#8221;</strong></em></p>
<p><em><strong>&#8220;Os cervos procuram depósitos de sal, e os caçadores, para atraí-los, usam blocos de sal [como chamariz].&#8221;</strong></em></p>
<p>&#8220;Animais cuja dieta é puramente vegetariana precisam de uma fonte de sal e tendem a apresentar um apetite maior por sal, mesmo na natureza&#8221;, acrescenta Geerling.</p>
<p><strong>&#8220;Os humanos são onívoros, então precisamos garantir que obtemos sal suficiente na dieta, e talvez seja por isso que o desejamos tanto.&#8221;</strong></p>
<p>Como fazem os elefantes<br />
Hoje em dia, a maioria das pessoas consome sal suficiente na dieta.</p>
<p>Mas, para nossos ancestrais, encontrar esse ingrediente era vital.</p>
<p>E, assim como os elefantes, os humanos antigos eram atraídos por fontes naturais desse precioso mineral.</p>
<p>São lugares como a mina de sal em funcionamento mais antiga do mundo, localizada em uma montanha em Hallstatt, na Áustria.</p>
<p>Há evidências de que as pessoas começaram a extrair sal ali já em 5 mil a.C. e, surpreendentemente, o sal ainda é extraído comercialmente de lá hoje em dia.</p>
<p><em><strong>&#8220;Há 250 milhões de anos, este lugar era a parte rasa de um grande mar, que depois se separou. A água começou a evaporar e, ao longo de milhares de anos, grandes camadas de sal-gema se acumularam. Quando os Alpes se formaram, o calcário foi deslocado sobre essas camadas de sal&#8221;,</strong></em> diz Daniel Bradner, arqueólogo do Museu de História Natural de Viena, também na Áustria.</p>
<p>A mina de Hallstatt estava localizada a 200 quilômetros do mar, portanto, seus vastos depósitos naturais de sal têm sido um recurso incrivelmente valioso para as pessoas por milhares de anos.</p>
<p><em><strong>&#8220;A mineração começou aqui há 7 mil anos, no período Neolítico. Os primeiros agricultores e colonizadores descobriram o depósito de sal através de nascentes naturais de água salgada na superfície e, então, começaram a escavar&#8221;</strong></em>, explica Bradner.</p>
<p><em><strong>&#8220;Na Idade do Bronze, por volta de 3,5 mil anos atrás, já existia uma operação de mineração profunda totalmente desenvolvida, estendendo-se a mais de 250 metros abaixo da superfície, com estruturas organizacionais, ferramentas especializadas e um sistema de transporte.&#8221;</strong></em></p>
<p><em><strong>&#8220;Eles se dedicavam à mineração de sal-gema em larga escala e eram os principais fornecedores para grande parte da Europa Central&#8221;</strong></em>, acrescenta ele.</p>
<p><em><strong>&#8220;O sal é uma necessidade para a sobrevivência a longo prazo em um local, por isso era essencial para o estabelecimento [humano] nos Alpes.&#8221;</strong></em></p>
<p><strong>Os &#8216;neurônios do sal&#8217;</strong><br />
As pessoas que viveram nos Alpes no período pré-histórico também usaram o sal para conservar alimentos e manter os animais vivos durante o inverno.</p>
<p>Se não tivessem o suficiente, as consequências eram terríveis.</p>
<p>&#8220;Os órgãos, e todas as células, incham&#8221;, explica o neurologista Geerling.</p>
<p><em><strong>&#8220;Esse é um problema sério, especialmente no cérebro porque, se inchar demais, ele começa a se projetar através do orifício na parte inferior do crânio, o que é muito perigoso. Portanto, não se pode deixar a concentração de sódio cair muito&#8221;</strong></em>, complementa o pesquisador.</p>
<p>Parte da pesquisa de Geerling sobre como regulamos a concentração de sal envolve o controle do conteúdo de água no corpo — e a substância responsável por isso é o hormônio antidiurético (ADH).</p>
<p><em>&#8220;Ele informa aos rins quanta água reter, e isso é rigorosamente regulado minuto a minuto, ao longo do dia.&#8221;</em></p>
<p>Mas essa não é a única maneira pela qual nosso corpo controla os níveis de sal. Na verdade, em seu trabalho, Geerling descobriu mecanismos no cérebro que impulsionam a busca por esse mineral precioso.</p>
<p><strong><em>&#8220;Em meu laboratório, estudamos um grupo específico de neurônios — os HSD2 — que detectam os níveis de um hormônio chamado aldosterona. Ele é produzido nas glândulas suprarrenais [que ficam acima dos rins] quando o volume de sal e água no corpo é insuficiente e o coração começa a ter dificuldade para manter a pressão arterial&#8221;</em>,</strong> explica ela.</p>
<p><em><strong>&#8220;Nesses casos, os níveis de aldosterona aumentam, e isso leva os neurônios a induzir o animal a buscar e consumir mais sal&#8221;</strong></em>, acrescenta ele.</p>
<p><em><strong>&#8220;Até agora, identificamos esses neurônios em camundongos, ratos, porcos e humanos. Não fizemos um estudo cuidadoso e deliberado em outras espécies, mas parece que eles estão presentes em mamíferos em geral.&#8221;</strong></em></p>
<p>Então, temos neurônios em nossos cérebros que não são apenas dedicados a monitorar a quantidade de sal que consumimos, mas também a nos impulsionar a procurá-lo se necessário.</p>
<p><em><strong>&#8220;Sim, é fascinante. É um comportamento muito específico. Não descobrimos nenhuma outra função desses neurônios. Ainda estamos investigando, mas parece que o que eles causam especificamente é o aumento do consumo de sal pelos animais.&#8221;</strong></em></p>
<p><strong>Então, voltamos à pergunta do início da reportagem: por que gostamos tanto de sal?</strong></p>
<p>Por um lado, porque ele altera o sabor das coisas, embora não saibamos exatamente como.</p>
<p>Por outro, porque ele é vital para nossas células — então evoluímos para desejá-lo e achá-lo saboroso nas quantidades certas.</p>
<p>Na verdade, temos até neurônios no cérebro sintonizados que nos levam a procurá-lo. Trata-se de um sistema incrível, projetado com grande precisão para criar o nosso apetite por sal.</p>
<p>Este texto é uma adaptação do episódio Por que o sal tem um gosto tão bom? da série da BBC CrowdScience, disponível nas plataformas de podcasts.</p>
<p>A CrowdScience responde perguntas enviadas por pessoas de todo o mundo, consultando especialistas que estão na vanguarda do conhecimento. Se desejar entrar em contato com eles, clique aqui</p>
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