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	<title>farmacovigilância - Em Dia ES</title>
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		<title>Anvisa cria cerco contra riscos e falsificações de ‘canetas emagrecedoras’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Julieverson]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2026 12:00:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Agência muda estratégia para buscar ativamente pacientes com reações à semaglutida. Operação recente da PF já mirou comércio clandestino no Espírito Santo e em outros dez estados</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quarta-feira (6), em Brasília, uma dupla ofensiva para conter os danos à saúde causados pelo uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras. Para frear o aumento de complicações e o avanço da falsificação, o órgão implementou um sistema de busca ativa de efeitos colaterais em pacientes e oficializou uma parceria técnica com a Polícia Federal (PF) destinada a reprimir a produção e a venda de medicamentos irregulares em todo o país.</p>
<p>A mudança na estratégia regulatória ocorre em resposta ao crescimento expressivo do consumo de medicamentos agonistas do receptor do GLP-1. De 2018 até março de 2026, a Anvisa registrou 2.965 notificações de eventos adversos relacionados a esses fármacos, com um pico de ocorrências em 2025, predominando os casos associados ao uso da semaglutida.</p>
<p>Em vez de aguardar que médicos e pacientes relatem os problemas voluntariamente, a Anvisa instituiu o Plano de Farmacovigilância Ativa. Segundo o diretor da agência, Thiago Lopes Cardoso Campos, a iniciativa visa identificar sistematicamente os riscos, especialmente porque os produtos têm sido utilizados para fins não previstos em bula<strong>. “Estamos diante de medicamentos com benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situações fora das indicações aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clínico adequado”,</strong> afirmou.</p>
<p><strong>Monitoramento em rede hospitalar</strong><br />
Para viabilizar a busca estruturada por reações adversas raras ou tardias, a Anvisa atuará em parceria com a Rede Sentinela, que engloba serviços de saúde, ensino, pesquisa e laboratórios, e com a HU Brasil (antiga Ebserh), responsável por hospitais universitários em todo o território nacional.</p>
<p>De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o interesse do público pelas canetas exige da agência uma atuação firme e coordenada. <strong>“Não podemos apenas esperar que as notificações cheguem à agência. É preciso organizar junto aos serviços de saúde uma busca estruturada que permita detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informações recebidas e ampliar nossa capacidade de análise dos riscos”,</strong> defendeu Safatle.</p>
<p>O diretor Thiago Campos reforçou que a fase pós-comercialização é determinante para entender o impacto real dos fármacos.<strong> &#8220;Não basta registrar medicamentos. É indispensável acompanharmos como eles se comportam na vida real”,</strong> disse, alertando que<strong> “o entusiasmo com a inovação não pode obscurecer os riscos associados ao uso indiscriminado”.</strong></p>
<p><strong>Apreensões no Espírito Santo e atuação policial</strong><br />
Além do uso inadequado, a alta demanda fomentou o mercado clandestino. Para combater esse crime, a Anvisa e a Polícia Federal publicaram uma nota técnica conjunta que estabelece procedimentos integrados contra a produção, importação e venda ilícita de substâncias como a tirzepatida e a semaglutida, inclusive em plataformas digitais.</p>
<p>A nova cooperação consolida o modelo testado no mês passado durante a Operação Heavy Pen. A ação conjunta cumpriu 45 mandados de busca e apreensão e 24 ações de fiscalização no Espírito Santo e em outros dez estados (GO, MT, MS, PA, PR, RR, RN, SP, SE e SC).</p>
<p>O balanço das fiscalizações da Anvisa em 2026 revela a gravidade do cenário. Apenas neste ano, 11 inspeções em importadoras e farmácias de manipulação resultaram em oito interdições por falhas graves e ausência de controle de qualidade, além da aplicação de 11 medidas proibitivas. Mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares foram apreendidas.</p>
<p>Somente na Operação Heavy Pen, os agentes confiscaram mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados de forma irregular e identificaram movimentações financeiras ilícitas da ordem de R$ 4,8 milhões, volume suficiente para produzir mais de 1 milhão de canetas. Durante as buscas, as equipes também flagraram o uso de retatrutida, uma substância que ainda não foi lançada oficialmente e não possui registro em nenhuma agência reguladora do mundo.</p>
<p><strong>Crime contra a saúde pública</strong><br />
A comercialização de medicamentos irregulares, falsificados ou de procedência desconhecida é tipificada como crime no artigo 273 do Código Penal brasileiro.</p>
<p>Na prática da nova parceria, os medicamentos apreendidos em futuras operações passarão por análise integrada, unindo a perícia da PF e o suporte técnico da Anvisa para avaliar a composição exata dos produtos. O diretor da Anvisa, Daniel Pereira, explicou que isso fornece ao Estado provas robustas para inquéritos criminais e ajuda a desarticular quadrilhas interestaduais.</p>
<p>A venda de canetas manipuladas inadequadamente representa um risco sanitário grave, impossibilitando a garantia de esterilidade, dosagem ou eficácia, o que expõe os usuários a danos irreversíveis. <strong>“Para ser efetiva, a atuação regulatória precisa dialogar, de forma estruturada, com as ações de fiscalização, investigação e repressão criminal”,</strong> concluiu Pereira.</p>
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