Saúde

Sesa investiga parto de bebê de 6,5 kg que feriu mãe e recém-nascido em Colatina

08 out 2025 - 09:50

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de g1

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Secretaria da Saúde apura as circunstâncias do nascimento de Alderico, que resultou em sequelas para a criança e para a mãe, Ariane Borges. Hospital São José alega que ultrassom indicava peso normal e que seguiu a vontade da família ao optar pelo procedimento normal
Sesa investiga parto de bebê de 6,5 kg que feriu mãe e recém-nascido em Colatina. Foto: Reprodução

A Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) instaurou uma auditoria para investigar as condições do parto do bebê Alderico, que nasceu com 6,5 quilos no Hospital Maternidade São José, em Colatina, no Noroeste do estado. O procedimento, realizado no dia 9 de agosto deste ano, resultou em lesões graves para a mãe, Ariane Borges, e para o recém-nascido. A apuração foi determinada pela Sesa nesta quarta-feira (8) e tem prazo de até 60 dias para ser concluída, visando uma análise “imediata e minuciosa do caso”.

O parto normal de Alderico Vieira dos Santos gerou complicações ikmediatas. Devido ao seu tamanho, a retirada do útero foi dificultada, causando uma lesão no plexo braquial da criança, uma rede de nervos que vai do pescoço ao braço. Como consequência, Alderico perdeu totalmente os movimentos do braço esquerdo. Segundo relatos da família, divulgados pelo g1 ES, o bebê também nasceu sem respirar, permanecendo assim por cinco minutos, e precisou de internação por 10 dias na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin).

A mãe, Ariane Borges, de 39 anos, também sofreu sequelas. Ela teve uma lesão no útero que exigiu 51 pontos e, quase dois meses após o nascimento, ainda enfrenta hemorragias.

Posicionamento do Hospital
Em nota à imprensa divulgada na terça-feira (7), o Hospital Maternidade São José defendeu os procedimentos adotados. A instituição afirmou que a equipe médica foi surpreendida pelo peso do bebê, pois o ultrassom de referência, realizado em 3 de julho em uma clínica sem vínculo com o hospital, estimava o peso em 3,45 quilos, considerado dentro da normalidade.

“Assim como foi uma surpresa para a mãe, o elevado peso do bebê também surpreendeu toda a equipe médica durante o manejo do parto normal”, declarou o hospital. A unidade informou que a opção pelo parto normal se baseou no histórico da paciente, que já tinha oito partos normais anteriores, incluindo um de um bebê com 5 quilos, e na ausência de contraindicações no momento da internação.

O hospital também esclareceu que, embora tenha havido um “erro no código constante na documentação de alta”, o prontuário completo “aponta claramente para a realização de parto normal”. Segundo a nota, “em nenhum momento a mãe e pai do bebê (que esteve presente durante toda a internação) manifestaram interesse pelo parto cesariana e o hospital seguiu os procedimentos indicados, atento e respeitando a vontade dos mesmos”.

Essa versão, no entanto, difere do relato de Ariane ao g1. A mãe afirmou que chegou ao hospital com 42 semanas de gestação e com orientação médica para realizar uma cesárea. Contudo, segundo ela, a equipe hospitalar decidiu pela indução do parto normal. “O médico até falou: ‘Se você já ganhou oito [filhos] de parto normal, esse é mole para a senhora'”, relembrou.

A família pede ajuda
Atualmente, Alderico está em casa e passa por sessões de fisioterapia para tentar recuperar os movimentos do braço. Com quase dois meses, ele já pesa aproximadamente 10 quilos, o que dificulta o transporte no colo para a mãe, que sente dores devido ao esforço.

A família, que tem um total de nove filhos, enfrenta sérias dificuldades financeiras. Eles se mudaram de Vitória para Água Doce do Norte em busca de trabalho na colheita de café, mas o marido de Ariane ainda não conseguiu um emprego. Sem recursos, eles pedem ajuda para o sustento da casa e para as necessidades básicas de Alderico.

As doações podem ser de itens como fraldas, roupas, fórmula infantil e um carrinho de bebê. Contribuições financeiras podem ser feitas pela chave Pix 116.202.847-58 (CPF), em nome de Ariane Borges Vieira. O contato para doações pode ser feito pelo telefone (27) 99988-0938.

Os riscos do parto de bebês grandes
Conforme explicado pela médica obstetra Michelle Fiorot ao g1, partos de bebês considerados gigantes são sempre delicados. Uma das possíveis complicações é a “distócia de ombro”, uma emergência obstétrica que ocorre quando o ombro do bebê fica preso após a saída da cabeça, o que pode causar lesões no plexo braquial.

“Isso é uma urgência obstétrica. (…) Por isso que você tem que ter uma equipe bem treinada, com anestesista, com enfermeiro, mais de um obstetra, para realizar manobras adequadas para desprender o ombro desse bebê”, pontuou a especialista. Segundo ela, um pré-natal bem feito é fundamental para identificar um crescimento fetal excessivo e diminuir os riscos de um parto com essas características.

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