Saúde

Mortes por gripe grave no ES atingem principalmente não vacinados

25 jun 2025 - 14:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Dados mostram que mais de 84% das vítimas fatais da doença neste ano não haviam recebido o imunizante. Cobertura vacinal em grupos prioritários, como idosos, está abaixo de 50%, enquanto letalidade da doença aumenta em 2025
Mortes por gripe grave no ES atingem principalmente não vacinados. Foto: Rove Rosa/Agência Brasil

Com a chegada do inverno no Espírito Santo, um levantamento da Secretaria da Saúde (Sesa) revela um dado alarmante: mais de 84% dos óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo vírus influenza, neste ano, ocorreram em pessoas não vacinadas. De acordo com informações do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), atualizadas até a última terça-feira (17), dos 58 óbitos notificados em 2025, 49 (84,48%) não haviam se imunizado contra a gripe. A vacina está atualmente disponível para toda a população com mais de seis meses de idade.

A baixa adesão à vacinação também se reflete no número de casos graves. Do total de 249 notificações de SRAG por Influenza, 213 (85,54%) eram de pacientes não vacinados. A SRAG é uma complicação da gripe que envolve o comprometimento severo da função respiratória, podendo levar à morte.

Idosos e grupos prioritários concentram óbitos
Os dados apontam que os idosos, um dos grupos prioritários para a imunização, continuam sendo as maiores vítimas. Dos 49 óbitos de pessoas não vacinadas, 30 (61,2%) eram de indivíduos com 60 anos ou mais.

“Os idosos fazem parte dos grupos prioritários, que têm vacina disponível desde o início da estratégia. Os idosos, assim como crianças de 6 meses a menores de seis anos e as gestantes, são classificados como grupos prioritários por serem mais vulneráveis às complicações da Influenza, que podem levar à SRAG ou até ao óbito, e precisam alcançar uma cobertura vacinal de excelência”, ressaltou Danielle Grillo, referência técnica do Programa Estadual de Imunizações da Sesa.

A campanha de vacinação, que começou em abril, estabeleceu uma meta de 90% de cobertura para esses grupos, conforme preconiza o Ministério da Saúde. Contudo, dados do sistema Vacina e Confia mostram que, até a última terça-feira (24), a cobertura vacinal nos grupos prioritários atingiu apenas 47,80% no estado.

Comorbidades aumentam risco em não vacinados
Outro fator de atenção é a prevalência de comorbidades entre as vítimas fatais não idosas. Dos 49 óbitos de não vacinados, 19 ocorreram na faixa etária de 18 a 59 anos. Desses, 14 (73,68%) possuíam uma ou mais doenças preexistentes.

Segundo Danielle Grillo, essa informação é relevante, pois pessoas com comorbidades também integram os grupos prioritários e tiveram acesso à vacina desde o início da campanha. Entre as condições mais comuns associadas aos óbitos estão as cardiopatias (presentes em 47,37% dos casos), seguidas por diabetes e tabagismo (21,05% cada). Outras comorbidades registradas foram doenças hepáticas, neurológicas, pneumopatias, imunossupressão, doença renal crônica, etilismo, pancreatite e obesidade.

“A estratégia de vacinação contra a gripe teve início em abril e, mesmo com as doses disponíveis à população, observamos uma baixa adesão. Os dados mostram que a complicação que a gripe pode levar atinge principalmente os grupos prioritários, por isso destacamos a importância da população se vacinar e alcançarmos a cobertura ideal”, salientou Grillo.

Letalidade da doença é maior em 2025
A Síndrome Respiratória Aguda Grave por Influenza apresenta uma letalidade significativamente maior neste ano em comparação com o ano anterior. Em 2025, a taxa de letalidade está em 23,29%, um aumento expressivo em relação aos 10,07% registrados no mesmo período de 2024. A letalidade é calculada relacionando o número de mortes pela doença com o número total de casos confirmados.

Até 17 de junho de 2025, o estado registrou 249 casos e 58 óbitos por SRAG por Influenza. No mesmo período de 2024, foram 417 casos e 42 óbitos.

Segundo Mariana Ribeiro Macedo, médica e referência técnica da Vigilância da Influenza e Meningites do Programa Estadual de Imunizações (PEI), a influenza historicamente causa mais complicações em extremos de idade. “Este ano temos observado uma predominância de SRAG por Influenza e por Vírus Sincicial Respiratório. Além disso, a letalidade de Influenza está maior, sendo em sua maioria em pessoas com 60 anos ou mais, faixa etária que apresenta um maior risco de complicação por doenças respiratórias”, explicou.

Vacinação e outras medidas de prevenção
Os especialistas reforçam que a vacinação anual é a principal ferramenta de prevenção contra as formas graves da gripe. “A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra a gripe e suas complicações. A constante mudança dos vírus influenza requer um monitoramento e frequente reformulação da vacina contra a gripe, por isso é importante que façamos a vacinação todos os anos”, destacou Macedo.

Além da imunização, outras medidas são recomendadas para reduzir a circulação do vírus, especialmente durante as estações mais frias:

Lavar as mãos com frequência com água e sabão ou usar álcool em gel.
Utilizar máscara de proteção em caso de sintomas gripais.
Cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar.
Evitar tocar os olhos, nariz e boca.
Manter os ambientes bem ventilados e evitar aglomerações.
Não compartilhar objetos de uso pessoal.
Adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e boa hidratação.

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Atualizado: 25/06/2025 22:19

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