Saúde

Léo Santana afirma sentir sintomas da gravidez de Lore Improta; fenômeno é real?

18 jan 2026 - 10:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Condição conhecida como gravidez solidária faz parceiros sentirem enjoos, tontura e sono. Psicóloga explica causas e destaca a importância do acompanhamento pré-natal paterno
Léo Santana relata 'sintomas de gravidez' e traz à tona a síndrome de couvade. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O cantor Léo Santana descreveu recentemente, em suas redes sociais, sintomas semelhantes aos da gestação, como sono excessivo e enjoos, durante a segunda gravidez de sua esposa, Lore Improta. O relato chama a atenção para a síndrome de couvade, uma condição na qual parceiros manifestam fisicamente sinais típicos da gravidez, explicada por especialistas como uma resposta emocional intensa ao período gestacional.

Nos stories, o artista relatou idas frequentes ao banheiro, sono, enjoo e um episódio de queda de pressão, associando os sinais à síndrome. Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, embora a prevalência não seja alta, o fenômeno tem sido observado com maior frequência entre “pais modernos”, que se envolvem profundamente na experiência da gravidez. “Então, quando suas parceiras estão grávidas, eles também começam a manifestar alguns dos sintomas”, explica a especialista.

O que é a síndrome de couvade
Também denominada gravidez “solidária” ou “fantasma”, a síndrome de couvade não é classificada como um transtorno mental, mas sim como uma resposta emocional que se reflete no corpo. Os sintomas incluem tonturas, sonolência, enjoos e até aumento do abdômen. Um estudo publicado no Journal of Psychosomatic Research em 2020 aponta que esses sinais podem surgir ainda no primeiro trimestre da gestação da parceira.

Um pai de primeira viagem, que optou pelo anonimato, relatou a surpresa ao vivenciar a condição: “Passei por tonturas, enjoos, falta de equilíbrio e até azia. Fui ao médico, e ninguém sabia o que eu tinha. Era síndrome de couvade, nem sabia que isso era possível”. Ele destacou ainda a dificuldade emocional gerada pela situação: “O mais difícil é que, em vez de apoiá-la, sinto que ela acaba tendo que cuidar de mim também”.

Saúde mental e pré-natal do pai
A psicologia perinatal, conforme esclarece Schiavo, estende seu atendimento aos homens, abrangendo o período de gestação e pós-parto. O acompanhamento visa auxiliar em casos de ansiedade, insegurança e dificuldades de adaptação à chegada do bebê. A especialista ressalta a existência do pré-natal psicológico, que pode ser realizado em grupo e incluir os pais.

Além da síndrome de couvade, a saúde mental paterna envolve outros riscos. Pesquisas do American Journal of Men’s Health (2020) indicam que cerca de 10% dos homens podem sofrer de depressão pós-parto, incidência que aumenta quando a parceira também apresenta o quadro. Sintomas que começam ainda na gestação caracterizam a depressão perinatal.

“Há poucos anos, a ciência começou a investigar se o homem poderia, durante a gestação e pós-parto das suas parceiras, apresentar sintomas de depressão. Essa condição é uma realidade que precisa ser mais discutida”, alerta Rafaela.

Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatizou a necessidade de mais pesquisas sobre estresse e ansiedade em homens no período perinatal. O pré-natal do pai é apontado como um direito e uma ferramenta essencial de preparo. “Assim como existe o pré-natal da mãe, há também o pré-natal do pai. Esse pré-natal é um direito e há, inclusive, recomendações de como realizá-lo com material da própria Secretaria de Saúde”, conclui a psicóloga.

Orientações para os pais
Para lidar com a síndrome de couvade ou quadros de depressão perinatal, especialistas recomendam:

  • Procurar apoio psicológico;
  • Participar ativamente do pré-natal;
  • Manter a comunicação com a parceira;
  • Buscar informações sobre saúde mental paterna;
  • Recorrer a redes de apoio.
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