Saúde

Infarto e hipertensão são as doenças que mais matam negros e pardos no ES

20 nov 2025 - 13:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Dados apontam prevalência de doenças crônicas em grupo que soma mais de 2,1 milhões de capixabas. Acesso integral a serviços da rede pública busca reverter óbitos precoces e promover longevidade
Infarto e hipertensão são as doenças que mais matam negros e pardos no ES. Foto: Paula Fróes/Governo da Bahia

O infarto agudo do miocárdio, a hipertensão e a diabetes mellitus configuram as principais causas de óbitos entre a população negra e parda no Espírito Santo. Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, dados epidemiológicos reforçam a necessidade do acesso integral aos serviços de saúde pública para reverter a precocidade dessas mortes e melhorar a qualidade de vida deste grupo, que soma 2.110.803 pessoas no estado, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número real da população negra e parda pode ser superior ao registrado, uma vez que a subnotificação na declaração de raça ainda dificulta a criação de indicadores de saúde totalmente precisos. No entanto, os registros atuais indicam uma maior prevalência de doenças crônicas e infecciosas neste demográfico.

Além das cardiopatias e diabetes, o quadro de mortalidade inclui infarto cerebral, doenças pulmonares crônicas, provocadas por fatores como tabagismo e exposição a poluentes, e Doença de Alzheimer. O grupo enfrenta ainda desafios específicos relacionados a doenças genéticas, como a doença falciforme, e infecciosas, incluindo HIV/AIDS, sífilis congênita e hepatites.

Muitos desses óbitos são classificados como evitáveis mediante a adoção de hábitos saudáveis, acompanhamento médico regular e tratamento adequado disponível na rede pública.

Estatísticas de mortalidade
O levantamento do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), atualizado até meados de outubro de 2025, detalha as causas de morte mais frequentes. Observa-se que, em 2024, os casos de morte por hipertensão superaram os de infarto agudo do miocárdio, invertendo a tendência do ano anterior.

Principais causas de mortes da população negra no Estado:

Causa 2023 2024* 2025*
Infarto agudo do miocárdio 210 203 113
Hipertensão 149 215 91
Diabetes mellitus 151 140 94
Infarto cerebral 102 122 57
Doenças pulmonares obstrutivas crônicas (asma obstrutiva, bronquite crônica, bronquite obstrutiva crônica e traqueobronquite obstrutiva crônica) 85 123 58
Agressão por disparo de arma de fogo não especificada 91 95 44
Doença de Alzheimer 70 65 48

*Fonte: Sistema de Informações de Mortalidade (SIM). Banco atualizado até 14/10/2025. Dados de 2024 e 2025 sujeitos a revisão.

Diretrizes e combate ao racismo institucional
A gestão estadual de saúde trabalha na mobilização dos municípios capixabas para incluir indicadores específicos da população negra nos planos municipais. Segundo a referência técnica da Saúde da População Negra da Secretaria da Saúde (Sesa), Raquel Rosa Azevedo, houve reuniões ao longo do ano com movimentos sociais, conselhos, Ministério da Saúde e Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).

O foco é a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), instituída em 2009. “Ela é considerada um marco na promoção da dignidade e da qualidade de vida das pessoas negras. A política reconhece o racismo como determinante social da saúde e orienta ações para reduzir as desigualdades étnico-raciais”, afirma Raquel.

A referência técnica ressalta que, após 16 anos, a efetivação da política ainda exige o fortalecimento da gestão para garantir a equidade. Embora a população negra acesse frequentemente o Sistema Único de Saúde (SUS), barreiras como o racismo institucional e desigualdades estruturais persistem. “É fundamental que a população negra conheça seus direitos e todas as ações que o SUS oferece, de forma diversa e equitativa”, conclui.

Letramento racial e formação
Para combater o racismo dentro das instituições, o Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi) realiza oficinas de letramento racial voltadas para trabalhadores da saúde e educação.

Elda Alvarenga, supervisora da gestão pedagógica do ICEPi, aponta a necessidade de reeducação para desconstruir preconceitos enraizados. “Temos muitas conquistas sociais, mas precisamos considerar que são mais de 500 anos de opressão da população negra no país. O racismo está enraizado na sociedade”, explica.

Alvarenga destaca também a disparidade na pesquisa científica. “Temos mais estudos sobre câncer de pele, que atinge as pessoas brancas, do que sobre a anemia falciforme, por exemplo, que atinge uma parcela significativa da população negra. Precisamos ter políticas públicas de saúde que promovam a equidade”.

Serviços disponíveis na rede pública
O sistema público oferece uma série de serviços focados na prevenção e tratamento integral, essenciais para aumentar a longevidade dessa população:

. Check-up Anual: Consultas para acompanhamento contínuo da saúde nas unidades básicas.
. Medicamentos: Disponibilização gratuita nas unidades básicas ou através das 13 Farmácias Cidadãs do Espírito Santo.
. Saúde Reprodutiva e Pré-natal: Orientação sobre planejamento familiar e acompanhamento pré-natal. O serviço é estratégico, visto que a mortalidade materna incide com maior frequência sobre mulheres negras.
. Saúde Mental: Equipes preparadas para indicar terapias para ansiedade, estresse e transtornos mentais.
. Combate a ISTs: Testes rápidos, tratamento e distribuição gratuita de preservativos para prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis.
. Atendimento a Vítimas de Violência: Profissionais capacitados para acolhimento e encaminhamento na rede de cuidados.
. Denúncias de Racismo: A legislação exige respeito e inclusão em espaços de saúde. Denúncias podem ser feitas pela Ouvidoria da Sesa (0800 022 11 17) ou pelo site oficial da ouvidoria estadual.

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Atualizado: 21/11/2025 22:27

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