Saúde

Governo Federal cria força-tarefa após três mortes por metanol em bebidas em SP

30 set 2025 - 08:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. Substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar ao óbito
Governo Federal cria força-tarefa após três mortes por metanol em bebidas em SP. Foto: Getty Images

O governo federal confirmou, em reunião extraordinária nesta segunda-feira (29), o décimo caso de intoxicação por metanol associado ao consumo de bebida alcoólica no estado de São Paulo. Desse total, três óbitos já foram oficialmente atestados pelo Laboratório de Toxicologia Analítica do CIATox-Campinas. As ocorrências seguem um novo padrão registrado desde o dia 1º de setembro e mobilizaram uma resposta imediata de diversos órgãos governamentais.

A confirmação ocorreu durante um encontro do Comitê Técnico do Sistema de Alerta Rápido (SAR), que é coordenado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad/MJSP), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A reunião teve como objetivo definir as ações imediatas para lidar com a situação.

Ação do Governo
Em um esforço conjunto, diferentes ministérios e agências definiram suas frentes de atuação. No âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o SAR continuará responsável pelo monitoramento e atualização dos dados. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), também ligada ao MJSP, emitirá um alerta aos Procons de todo o país com orientações para fornecedores e consumidores sobre a segurança na comercialização e no consumo de bebidas alcoólicas.

O Ministério da Saúde está monitorando a situação junto às autoridades paulistas, que são responsáveis pelo atendimento direto dos casos. O órgão reforçou a orientação para que todas as unidades de saúde, especialmente as redes de urgência e emergência, sigam o protocolo de notificação para casos suspeitos de intoxicação exógena.

Já o Ministério da Agricultura e Pecuária iniciou o levantamento de informações para adotar as medidas necessárias e avaliar possíveis ações de fiscalização no setor de bebidas.

Padrão inédito de contaminação
O que chama a atenção das autoridades é o perfil das ocorrências, considerado inédito e diferente do que era registrado até então. Anteriormente, os casos de intoxicação por metanol estavam, em sua maioria, ligados a pessoas em situação de extrema vulnerabilidade ou em situação de rua, que ingeriam álcool de postos de gasolina adulterado com a substância.

No entanto, desde o início de setembro, foi observado um padrão distinto. Em um curto período, os pacientes intoxicados relataram o consumo recente de bebidas alcoólicas destiladas, como gin, whisky e vodka, em ambientes sociais, incluindo bares.

Devido ao caráter inédito da situação, o Ministério da Justiça e Segurança Pública ressalta a possibilidade de existirem mais casos ainda não notificados. As investigações continuam e aguardam a confirmação laboratorial de outras suspeitas.

Participaram do encontro desta segunda-feira representantes do MJSP, Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura e Pecuária, Polícia Federal, Anvisa, Receita Federal, Polícia Científica de São Paulo, Instituto Médico Legal de São Paulo, CIATox-Campinas, Centro de Convivência É de Lei e da UNDC.

Riscos do metanol e o que fazer
A intoxicação por metanol é classificada como uma emergência médica de extrema gravidade. Quando ingerida, a substância é metabolizada pelo organismo e transformada em produtos tóxicos, como formaldeído e ácido fórmico, que podem levar à morte.

Os principais sintomas incluem visão turva ou perda de visão (podendo evoluir para cegueira) e um mal-estar generalizado, com náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese.

Ao identificar esses sintomas, a orientação é buscar imediatamente um serviço de emergência médica. Além disso, é crucial contatar uma das instituições a seguir para orientação especializada:

Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001

CIATox da sua cidade: Contatos disponíveis no site do Ministério da Saúde.

Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 (aceita ligações de todo o país).

As autoridades também ressaltam a importância de identificar e alertar outras pessoas que possam ter consumido a mesma bebida, recomendando que procurem um serviço de saúde para avaliação. A demora no diagnóstico e no tratamento aumenta significativamente a probabilidade de um desfecho grave, incluindo o óbito do paciente.

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Atualizado: 30/09/2025 08:50

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