O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma reunião presencial com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua comitiva, ocorrida na terça-feira (26), na Casa Branca, em Washington. Durante o encontro, que durou cerca de uma hora e buscava ser explorado como ativo eleitoral pelo grupo brasileiro, o líder estadunidense afirmou que Lula é “dinâmico” e “esperto”, além de dedicar parte da agenda para defender reformas estruturais controversas que está promovendo na residência oficial do governo dos EUA.
Avaliação sobre Lula
De acordo com apuração de Bela Megale, d’O Globo, Trump citou que havia recebido Lula poucas semanas antes e voltou a chamá-lo de “dinâmico”. O republicano já havia feito esse mesmo elogio em 7 de maio, em uma rede social, após a reunião bilateral de três horas entre os dois chefes de Estado. Naquela postagem, Trump relatou ter discutido comércio e tarifas com o “muito dinâmico presidente do Brasil”. A menção a Lula no encontro de terça-feira foi repassada por Flávio Bolsonaro a aliados, mas mantida em reserva pelo grupo.
A jornalista Mariana Sanches, do UOL News, revelou que a conversa foi além de temas como as facções criminosas PCC e Comando Vermelho. Trump questionou a comitiva sobre o que Lula havia falado a respeito da reunião de maio. Após os brasileiros responderem que o petista havia considerado o encontro positivo, Trump confirmou que a reunião foi de fato boa, ainda que nenhum acordo tenha sido assinado.
Na sequência, o presidente estadunidense fez uma avaliação pessoal do líder brasileiro diante dos aliados bolsonaristas. “O Trump teria dito que o Lula aparentava ser muito velho, mas que, quando ele falava e agia, ele passava uma impressão diferente, de uma pessoa muito dinâmica e de uma pessoa muito esperta. Portanto, Donald Trump fez elogios ao Lula diante de Flávio Bolsonaro, foi isso que aconteceu”, relatou a colunista do UOL.
Reformas na Casa Branca e protocolo de segurança
A reunião, que contou também com a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influenciador Paulo Figueiredo, teve parte de seu tempo consumida por questões arquitetônicas. Conforme dados levantados pelas duas jornalistas, Trump exaltou as mudanças que tem feito no complexo presidencial.
Mariana Sanches apurou que Trump discursou por mais de dez minutos sobre o tema. “Disse que mandou cimentar o Rose Garden, o jardim ali da Casa Branca, icônico, histórico, porque muito pouca gente usava”, afirmou. O presidente também defendeu a construção de um salão de festas no local, uma obra que a repórter classificou como cara e super polêmica, gerando insatisfação até mesmo na base do Partido Republicano.
A passagem da equipe de Flávio Bolsonaro pelo complexo da Casa Branca durou no total cerca de 1h40. Ao final da agenda, o senador tentou entregar presentes à família e à equipe do presidente estadunidense. O parlamentar levou camisas da seleção brasileira destinadas a Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump, à filha Ivanka, ao genro Jared Kushner e a integrantes do gabinete, como Susie Wiles e Stephen Miller.
No entanto, os itens não chegaram às mãos de Trump. O repasse foi barrado por uma regra de segurança do Salão Oval, que impede a entrega direta de objetos ao presidente dos Estados Unidos.
Reação do governo Lula
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, relatou que o Palácio do Planalto fez um esforço considerável para ignorar o encontro e não superestimá-lo. Na avaliação do Itamaraty e do Planalto, o encontro fala principalmente para as bases do bolsonarismo e para o eleitor mais clássico de direita.
Rittner apontou ainda uma contradição na pré-campanha de Flávio: enquanto aliados como Rogério Marinho (PL-RN) têm trabalhado para apresentá-lo como um “bolsonarismo moderado”, a presença de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo ao lado do pré-candidato evoca uma imagem diferente do movimento. “É como se saísse o discurso dos profissionais da política voltados para o eleitor de centro e se fizesse um apelo para os eleitores da direita mais radical”, analisou.
Valor eleitoral e a crise com Cláudio Castro
O analista de Política da CNN Caio Junqueira classificou o encontro como “um respiro” para a pré-campanha de Flávio, que acumula cerca de duas semanas de agenda negativa. Segundo ele, o pré-candidato perdeu entre cinco e seis pontos nas pesquisas de intenção de voto, o equivalente a aproximadamente sete milhões de eleitores, em razão da crise gerada pela relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Não é um encontro que define a eleição, muito longe disso”, ponderou Junqueira, destacando que Flávio ainda enfrenta uma crise de confiança perante a classe política, o agronegócio, o mercado financeiro e o setor produtivo.
No mesmo dia, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro voltou a ser alvo da PF (Polícia Federal) na investigação sobre os R$ 3 bilhões transferidos do RioPrevidência ao Banco Master. Trata-se da segunda operação contra Castro em menos de 15 dias, aprofundando a crise política no Rio de Janeiro. Aliados de Flávio reclamam que a resistência de Castro em desistir da pré-candidatura ao Senado atrasa a definição da chapa no estado e mantém o pré-candidato sem um palanque consolidado em sua própria base eleitoral.


















