política

Governo Lula tenta salvar alimentos e aviões da Embraer de tarifaço de Trump

29 jul 2025 - 10:10

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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A quatro dias da vigência do tarifaço, vice-presidente Geraldo Alckmin lidera conversas com governo Trump para poupar produtos como alimentos e aviões da Embraer. Plano de contingência está pronto, mas prioridade é o diálogo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A quatro dias da aplicação de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, o governo brasileiro, sob a liderança do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, intensifica as negociações com os Estados Unidos para tentar excluir itens da medida anunciada pelo presidente Donald Trump. Enquanto um plano de contingência para proteger empresas exportadoras aguarda o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a prioridade declarada por Brasília é esgotar as vias do diálogo antes da entrada em vigor do tarifaço, marcada para 1º de agosto.

Nesta segunda-feira (28), Lula se reuniu com Alckmin e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Palácio do Planalto, para discutir os cenários. Após o encontro, Haddad afirmou que o foco do Brasil permanece na negociação, mas que todas as opções de reação foram apresentadas ao presidente.

“Não sabemos nem a decisão que vai ser tomada. Possivelmente, a gente espera que não seja unilateral no dia 1º. Então, nós vamos insistir de que a medida não seja unilateral por parte dos Estados Unidos”, declarou Haddad.

Itens estratégicos na mira da negociação
O governo brasileiro busca poupar setores cruciais da economia. Um dos focos é o setor de alimentos. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, com 42% das vendas externas destinadas ao mercado norte-americano. O país também é o principal fornecedor de café para os EUA, que, entre janeiro e maio de 2025, compraram 2,87 milhões de sacas, o que representa 17,1% do total exportado pelo Brasil, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Outro pedido de exclusão em negociação envolve as aeronaves da Embraer. O argumento utilizado pelo governo é que a fabricante brasileira tem o mercado americano como principal destino para sua aviação regional e, além disso, importa peças fabricadas nos Estados Unidos para a sua produção.

As conversas são conduzidas diretamente por Geraldo Alckmin com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. “Quero dizer a vocês que nós estamos dialogando neste momento pelos canais institucionais e sob reserva”, afirmou o vice-presidente a jornalistas.

Plano de contingência em espera
Paralelamente aos esforços diplomáticos, a equipe técnica do governo concluiu na semana passada o desenho de um plano de contingência para mitigar os impactos de uma eventual confirmação das tarifas. O plano aguarda o aval final de Lula.

Entre as medidas estudadas, segundo informações já divulgadas, estão a criação de um fundo privado temporário para facilitar a concessão de crédito a empresas afetadas e a implementação de ações para preservação de empregos, em um modelo semelhante ao programa emergencial adotado durante a pandemia de Covid-19.

Haddad confirmou ter levado a Lula “todas as possibilidades que estão à disposição do Brasil e dele à frente da Presidência da República”. No entanto, o ministro da Fazenda frisou que nenhuma decisão sobre a reação brasileira será tomada antes que o governo americano detalhe, em ato executivo, quais produtos e setores serão de fato atingidos.

Alckmin, embora tenha elogiado a elaboração do plano, reforçou a estratégia principal: “O plano de contingência é um plano que está sendo elaborado, bastante completo, bem feito, mas todo o empenho agora nessa semana é para a gente buscar resolver o problema”.

Esforços em múltiplas frentes
A ofensiva diplomática brasileira ocorre em diversas esferas. Uma comitiva de oito senadores, incluindo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está em Washington para tentar sensibilizar empresários e autoridades americanas. Wagner, contudo, considera difícil conseguir um adiamento do prazo.

O chanceler Mauro Vieira também viajou aos Estados Unidos nesta semana para uma conferência da ONU, mas até o momento não há sinalizações de um encontro com membros do governo Trump. A dificuldade de diálogo foi publicamente mencionada por Lula na semana passada. “Todo dia ele [Alckmin] liga para alguém e ninguém quer conversar com ele”, disse o presidente.

Questionado sobre uma possível ligação direta entre Lula e Trump, Alckmin afirmou não ter tratado do assunto com o presidente. “Eu não conversei com o presidente Lula sobre isso, mas o presidente Lula é o homem do diálogo”, comentou.

Soberania e interesses em jogo
O governo brasileiro tem ressaltado que, apesar da disposição para negociar as tarifas, a soberania nacional é inegociável. Auxiliares de Lula afirmam que não haverá qualquer concessão em temas políticos ou judiciais, como a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em encontros com o setor privado, o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, manifestou o interesse do governo americano nos minerais críticos existentes em solo brasileiro. Em resposta pública, Lula afirmou que essas reservas “pertencem ao povo brasileiro”. Em nota oficial, o governo brasileiro reforçou que a soberania do país não faz parte das conversas sobre as tarifas.

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Atualizado: 29/07/2025 10:57

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