política

Queimadas têm queda histórica e atingem o menor nível em agosto desde 1998

03 set 2025 - 09:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram 18.451 focos de calor, uma redução de 61% em relação à média histórica. É a primeira vez que o índice mensal fica abaixo de 20 mil registros
Queimadas têm queda histórica e atingem o menor nível em agosto desde 1998. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O Brasil registrou o menor número de queimadas para o mês de agosto desde o início do monitoramento, em 1998, com 18.451 focos de calor contabilizados em todo o território nacional. Os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam uma queda de 61% em comparação com a média histórica para o mês, que é de 47.348 focos, e de 13,8% em relação ao recorde de baixa anterior, de 21.410 focos, observado em 2013.

A redução nas queimadas teve início em 2023, revertendo uma tendência de alta dos anos anteriores. Após um aumento em 2024, atribuído a queimadas de origem criminosa e propositais, os números voltaram a cair. Em julho, a queda já havia sido de 61% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Série histórica
O resultado de agosto de 2025 é o primeiro da série histórica a ficar abaixo dos 20 mil focos de calor. O número representa uma queda significativa em relação aos anos mais recentes, como 2024, que registrou 68.635 focos, e 2022, com 47.507.

Queimadas registradas em agosto:

Média histórica: 47.348

2025: 17.943

2024: 68.635

2023: 28.054

2022: 47.507

2021: 51.711

2020: 50.694

2013 (recorde anterior): 21.410

Cenário em 2025
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, o Inpe registrou 47.531 focos de queimada em todo o país. Diferentemente de anos anteriores, o Cerrado foi o bioma mais afetado, concentrando 47,9% dos registros. A Amazônia respondeu por 28,3% do total, enquanto o Pantanal apresentou 173 focos de calor no período, o que corresponde a 0,4% do total nacional.

Entre os estados, Mato Grosso lidera o número de focos em 2025, com 14,5% do total. Em seguida, aparecem Maranhão (12,6%), Tocantins (11,7%), Bahia (8,6%) e Pará (7,1%).

Medidas de prevenção e combate
Uma série de ações foi implementada para a prevenção e o combate a incêndios florestais na temporada de 2025. Entre as principais medidas estão:

Aumento do efetivo: Foi contratado um contingente de 4.385 brigadistas federais, sendo 2.600 do Ibama e 1.785 do ICMBio. O número representa um aumento de 26% em relação ao ano de 2024.

Reforço na infraestrutura: Sete novos helicópteros foram adquiridos para uso do Ibama, o que resultou em um aumento de 75% na capacidade de transporte de agentes, 40% na quantidade de horas de voo por ano e 133% na capacidade de lançamento de água.

Investimentos do Fundo Amazônia: Desde 2023, foram aprovados R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal. Pela primeira vez, o fundo também destinará recursos para outros biomas, com R$ 150 milhões aprovados em julho para ações no Cerrado e Pantanal nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e no Distrito Federal.

Mudanças na legislação: Foi sancionada a Lei 15.143/2025, que permite a transferência de recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) diretamente para estados e municípios. A lei também agiliza a contratação de brigadistas, reduzindo o intervalo de recontratação para três meses, e autoriza o uso de aeronaves estrangeiras em emergências ambientais. Outro instrumento legal foi o Decreto n° 12.189, que aumenta as punições por incêndios florestais.

Planejamento e articulação: Foram anunciados Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs) para todos os biomas brasileiros e retomada a Sala de Situação Interministerial sobre Incêndios. Além disso, foi concluído em maio o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios do Bioma Pantanal, e o plano para a Amazônia Legal está em fase final.

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Atualizado: 03/09/2025 09:36

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