O cenário político do Espírito Santo registrou duas movimentações decisivas nesta quarta-feira (25) visando às eleições de outubro de 2026. De um lado, o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) determinou que todos os seus indicados em cargos comissionados peçam exoneração da administração estadual até o dia 1º de abril.
Do outro, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), anunciou publicamente que não disputará o Governo do Estado ou o Senado, optando por permanecer no comando do Executivo municipal até o fim de seu mandato, em dezembro de 2028. As decisões alteram significativamente a configuração das alianças às vésperas de uma mudança de comando no Estado.
Exonerações no Executivo e o distanciamento do MDB
A resolução do PT capixaba antecipa a transição oficial no Palácio Anchieta, marcada para o dia 2 de abril, quando o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) assumirá o Executivo no lugar de Renato Casagrande (PSB), que renunciará para disputar o Senado.
Conforme informações divulgadas por Letícia Gonçalves, de A Gazeta, a incompatibilidade de projetos eleitorais motivou o desembarque. Ricardo Ferraço é pré-candidato ao governo e signatário de uma carta contra o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em contrapartida, o PT possui candidatura própria ao Executivo capixaba, representada pelo deputado federal Helder Salomão.
Em entrevista à colunista, o presidente estadual do PT, João Coser, explicou que a permanência na gestão seria antiética devido às posições divergentes entre a sigla e o futuro governador. Coser destacou que os cargos afetados são poucos, restringindo-se aos profissionais alocados por indicação partidária.
Entre as saídas confirmadas estão a do secretário de Esportes, José Carlos Nunes, que já precisaria deixar a pasta até 5 de abril para disputar uma vaga de deputado estadual, além dos subsecretários Carlos Casteglione e Fernanda Souza. A lista de baixas inclui ainda o subsecretário de Agricultura Familiar, Rogério Favoretti, e o diretor de Fomento e Inovação da Aderes, Alexandre Passos. Em documento oficial, o partido informou que a medida busca preservar a autonomia e focar na construção de comitês populares para viabilizar as eleições de Lula, Helder Salomão e do senador Fabiano Contarato.
O recuo de Arnaldinho Borgo em Vila Velha
Paralelamente ao movimento petista, a corrida ao Palácio Anchieta perdeu um pré-candidato que vinha movimentando intensamente os bastidores. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, utilizou suas redes sociais na manhã de quarta-feira para confirmar a permanência na prefeitura.
Em nota oficial, o tucano afirmou que a decisão ocorreu após muita reflexão e diálogo com a família, o grupo político e a população. O gestor ressaltou a confiança dos eleitores, lembrando a reeleição com quase 80% dos votos, e garantiu que seguirá empenhado na construção de chapas proporcionais robustas como presidente estadual do PSDB.
De acordo com apurações de Fabiana Tostes, do Folha Vitória. Arnaldinho reuniu aliados às 10 horas da manhã, logo após um telefonema com o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, para comunicar a decisão. Informações internas apontam que pesquisas eleitorais desfavoráveis, que o colocavam em terceiro lugar para o governo, e a recusa em arriscar uma renúncia obrigatória para tentar o Senado pesaram na escolha definitiva de não concorrer neste pleito.
Dificuldades partidárias e reposicionamento
A urgência de Arnaldinho Borgo neste momento volta-se para a montagem da chapa de deputados federais do PSDB. Segundo as colunistas, o prefeito assumiu o compromisso com a cúpula nacional tucana de eleger ao menos um parlamentar, tendo como foco a reeleição de seu principal aliado, Victor Linhalis.
O desafio, contudo, agravou-se após o partido sofrer uma debandada de mandatários governistas. O esvaziamento da sigla ocorreu após Arnaldinho se aliar publicamente, durante o Carnaval, ao prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), ferrenho opositor do grupo de Renato Casagrande.
Essa aliança gerou fortes retaliações políticas e descontentamento por parte do governo estadual, que havia realizado investimentos expressivos em Vila Velha. Com a chapa tucana enfraquecida. dependendo hoje de nomes como Linhalis e os ex-prefeitos Neucimar Fraga e Luiz Paulo Vellozo Lucas, o recuo de Arnaldinho é lido pelas jornalistas como uma necessidade estratégica.
A expectativa é de que o prefeito promova uma nova guinada, buscando reaproximação com o Palácio Anchieta. A articulação envolveria o apoio à candidatura de Ricardo Ferraço ao governo e a de Casagrande ao Senado, visando obter, em troca, auxílio da máquina estadual para estruturar sua chapa proporcional. Dessa forma, Arnaldinho acaba também cumprindo, ainda que após diversas manobras, a promessa feita em 2024 de concluir integralmente o seu segundo mandato municipal.


















