O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou na manhã desta terça-feira (17) para uma série de compromissos oficiais na Ásia, com o objetivo de intensificar as parcerias estratégicas e comerciais com a Índia e a Coreia do Sul. A agenda internacional, que inclui a participação inédita de um chefe de Estado brasileiro em uma cúpula global sobre Inteligência Artificial, busca abrir novas oportunidades de cooperação em setores como turismo, agricultura, energia e tecnologia.
Esta é a quarta viagem de Lula à Índia e a segunda em seu atual mandato. O presidente deve chegar a Nova Deli, capital indiana, na quinta-feira (18). A visita ocorre em retribuição à vinda do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil em julho de 2025, durante a Cúpula do Brics.
Segundo a embaixadora Susan Kleebank, secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, a relação entre Brasil e Índia vive um momento de ascensão desde o estabelecimento da parceria estratégica em 2006.
“Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia hoje é o país mais potente do mundo e detém o quarto maior PIB do planeta. A economia indiana é a que mais cresce entre os países do G20. A taxa de crescimento econômico da Índia tem se mantido em torno de 7% a 8% ao longo dos últimos anos”, afirmou a embaixadora em briefing à imprensa realizado na última quinta-feira (12).
Vistos e acordos bilaterais
A diplomacia brasileira espera concretizar avanços significativos durante a estadia em Nova Deli. Entre os resultados previstos está a assinatura de uma declaração conjunta sobre parceria digital para o futuro e o reforço político para as negociações de ampliação do acordo de comércio entre Mercosul e Índia.
Um ponto de destaque para o trânsito de pessoas entre as duas nações é a oficialização do novo prazo de validade para vistos de negócios e turismo, que passará de cinco para dez anos.
A pauta bilateral segue orientada por cinco pilares prioritários definidos no ano passado para a próxima década: defesa e segurança; segurança alimentar e nutricional; transição energética e mudança de clima; transformação digital e tecnologias emergentes; e parcerias industriais.
Estreia na cúpula de Inteligência Artificial
Um dos compromissos centrais da agenda na Índia ocorre no dia 19 de fevereiro, quando Lula participa da Cúpula de Inteligência Artificial. O evento, que deve reunir 40 mil pessoas de 50 países, marca a primeira vez que um presidente da República do Brasil integra um fórum global de alto nível sobre o tema.
“Esse tema, há alguns anos, não era abordado nos fóruns internacionais, mas hoje ele adquiriu uma conotação importantíssima. É algo sintomático, não só da importância do tema, mas, também, do nosso engajamento e a participação do governo brasileiro nessas iniciativas”, ressaltou o embaixador Eugênio Vargas Garcia, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Itamaraty.
No dia seguinte (20), o governo brasileiro organizará o evento paralelo “IA para o bem de todos”, focado nas perspectivas nacionais para o futuro da tecnologia. A atividade contará com a presença de ministros das pastas de Ciência, Tecnologia e Informação; Gestão e Inovação; Educação; Saúde; e Comunicações.
Parceria estratégica com a Coreia do Sul
Após a etapa indiana, a comitiva segue para Seul, na Coreia do Sul, onde cumprirá agenda entre os dias 22 e 24 de fevereiro a convite do presidente Lee Jae Myung. Será a primeira visita de Estado de Lula ao país e sua terceira passagem pela nação asiática.
O principal objetivo diplomático é a adoção do Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o status do relacionamento bilateral para uma parceria estratégica. A expectativa é atrair investimentos sul-coreanos para o Brasil, especialmente em fluxos tecnológicos, agropecuários e na indústria de cosméticos.
“No aspecto econômico-financeiro, a Coreia do Sul é um dos principais e mais tradicionais parceiros do Brasil. A visita sedimenta a ótima relação entre os dois presidentes e simboliza a importância que os países dão à relação bilateral, estabelecida há mais de seis décadas”, destacou a embaixadora Susan Kleebank.
Fóruns empresariais e balança comercial
A viagem também possui um forte componente empresarial. Em Nova Deli, o Fórum Empresarial Brasil-Índia reunirá mais de 300 empresas brasileiras para discutir temas como minerais estratégicos, mobilidade, transição energética e inovação marinha. Já em Seul, o Fórum Empresarial Brasil-Coreia contará com 230 empresas nacionais, abordando setores como agronegócio, aviação e indústrias criativas.
Os dados de 2025 demonstram a relevância econômica dos destinos. O comércio bilateral com a Índia alcançou mais de US$ 15 bilhões, com o país ocupando a posição de 10º destino das exportações brasileiras (US$ 6,9 bilhões). Os principais produtos enviados foram óleos brutos de petróleo, açúcares, gorduras vegetais e minério de ferro.
Já com a Coreia do Sul, o fluxo comercial somou US$ 10,8 bilhões no ano passado. O país é o 13º destino das exportações do Brasil, comprando principalmente óleos brutos de petróleo, minério de ferro, farelos de soja, álcool e café não torrado.


















