política

Lula exalta dados da economia, cobra ministros e chama Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria”

31 mar 2026 - 16:50

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Durante a primeira reunião ministerial de 2026, presidente destacou dados econômicos, mas, nos bastidores, criticou proximidade de opositores com Trump em meio a conflitos globais
Lula exalta dados recordes na economia, cobra ministros e acusa adversários de tentar entregar o Brasil aos Estados Unidos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou nesta terça-feira (31), no Palácio do Planalto, em Brasília, a primeira reunião ministerial de 2026. O encontro, motivado pela saída de ministros que disputarão as eleições neste ano e pela posse de seus sucessores, dividiu-se em duas frentes: a apresentação de um amplo balanço de indicadores sociais e econômicos referentes ao período de 2023 a 2025, e, a portas fechadas, um duro discurso político com críticas ao governo dos Estados Unidos e a potenciais adversários eleitorais.

Críticas a Donald Trump e opositores brasileiros
Segundo informações da Folha de S. Paulo, na parte fechada à imprensa, focada no cenário político, Lula classificou as eleições brasileiras deste ano como cruciais para a democracia mundial. Segundo interlocutores presentes na reunião, o presidente alertou para os riscos à soberania nacional em caso de vitória de candidatos alinhados ao que chamou de “trumpismo”, citando radicalismo e beligerância no atual governo norte-americano comandado por Donald Trump.

O chefe do Executivo chamou o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “traidor da pátria” e o acusou de planejar entregar o Brasil, incluindo minerais raros, aos Estados Unidos, caso eleito. A crítica ocorre após Flávio comparecer ao evento conservador CPAC, nos EUA, onde ligou Lula ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York após ser capturado pelos americanos, e pediu “pressão diplomática” sobre o Brasil no pleito deste ano.

O governador de Goiás e também pré-candidato, Ronaldo Caiado (PSD), foi alvo indireto das críticas presidenciais por ter assinado um memorando com os Estados Unidos para a exploração de terras raras em seu estado. Lula afirmou aos ministros que a população precisa saber da ameaça desse “entreguismo” e destacou que a expectativa de Flávio Bolsonaro é que Trump peça votos para ele no Brasil.

O presidente também teceu críticas à geopolítica liderada pelos EUA. Ele condenou o apoio de bolsonaristas à guerra deflagrada por Trump no Oriente Médio e alertou para os impactos econômicos globais do conflito, especialmente a inflação. Além disso, criticou a invasão norte-americana na Venezuela, avaliando como um erro a suposição de que a ocupação tornará os venezuelanos subservientes a Washington.

No âmbito do Congresso Nacional, Lula fez um alerta específico sobre o Senado: afirmou que, caso os bolsonaristas elejam 24 senadores nestas eleições, a Casa legislativa avançará com uma agenda antidemocrática respaldada pelo governo americano. Diante do cenário, cobrou que os ministros que deixam o governo e os que assumem sejam suas “vozes, pernas e braços” nos estados e partam para o enfrentamento político. O presidente também ressaltou a necessidade de diálogo com o centrão, lembrando que bolsonaristas planejaram um golpe no Brasil.

Balanço de gestão
Na abertura oficial e transmitida do encontro, o tom foi de prestação de contas. Lula agradeceu aos ministros que deixam os cargos e garantiu que o ano eleitoral não afetará o andamento da máquina pública. “Nós temos muita coisa para concluir até o dia 31 de dezembro e a obrigação de quem vai ficar é concluir, é fazer com que a máquina funcione sem nenhuma paralisia”, declarou.

O presidente contrastou o cenário atual com o início de seu mandato: “O país foi montado para não funcionar e todos vocês sabem como é que vocês o encontraram. E hoje esse país está montado para funcionar”.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, apresentou um comparativo entre a atual gestão (2023-2025) e o governo anterior, afirmando que o Brasil mudou sua trajetória. Entre os principais dados expostos pela Casa Civil, destacam-se:

  • Economia e renda: A taxa de desemprego atingiu 5,4% no trimestre de novembro a janeiro de 2026, a menor da série histórica, com 102,5 milhões de pessoas ocupadas. O rendimento médio do trabalho bateu recorde (R$ 3.742). O Coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, caiu para 50,4 em 2024 (menor da história).
  • Social: Retirada de 26,5 milhões de pessoas do Mapa da Fome da ONU entre 2023 e 2024. O programa Minha Casa, Minha Vida atingiu a meta de 2 milhões de moradias um ano antes do previsto, estabelecendo nova meta de 3 milhões até o fim de 2026.
  • Saúde e educação: Recorde de cirurgias eletivas (14,5 milhões em 2025) e de atendimentos na Farmácia Popular (27,3 milhões). Na educação, 66% das crianças foram alfabetizadas na idade certa, com 8,8 milhões de matrículas em tempo integral e 4 milhões de jovens atendidos pelo Pé de Meia.
  • Infraestrutura: O Novo PAC já executou R$ 1,1 trilhão dos R$ 1,3 trilhão previstos para o período, contemplando 99% dos municípios. Os recursos para prevenção de desastres saltaram para R$ 12,4 bilhões.
  • Meio ambiente e agronegócio: Redução de 50% do desmatamento na Amazônia Legal e de 32,3% no Cerrado, além de uma queda de 98,77% do garimpo em Terras Yanomami. O Plano Safra cresceu 117%, totalizando R$ 1,54 trilhão. O país abriu 552 novos mercados internacionais.

Fazenda e Comunicação
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, corroborou o tom otimista, destacando a retomada dos investimentos aliada à redução do déficit público. Durigan ressaltou que o crescimento do PIB gerou empregos e aumento de renda, garantindo “a inflação para o mandato presidencial mais baixa da história”, além de estabilidade fiscal.

A estratégia de disseminação desses dados foi abordada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, que também atuará como marqueteiro da campanha. O ministro defendeu a união do tripé “comunicação, gestão e política” e colocou a estrutura à disposição para auxiliar na projeção das ações governamentais durante o período eleitoral que se aproxima.

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