política

Erika Hilton aciona MPF para proibir comentaristas esportivos de fazerem propaganda de bets

24 jun 2026 - 08:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Deputada federal argumenta que profissionais usam credibilidade técnica para induzir o público ao erro. Discussão ganha força com críticas ao volume de anúncios na cobertura da Copa do Mundo
Pedido no MPF tenta barrar propaganda de apostas por comentaristas em transmissões. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (23) para solicitar que a Justiça proíba a publicidade de plataformas de apostas feita por comentaristas durante as transmissões de eventos esportivos. Por meio de um documento oficial, a parlamentar argumenta que esses profissionais utilizam a credibilidade construída junto ao público para incentivar o telespectador a apostar em tempo real. A iniciativa tem o objetivo de frear a prática de recomendação de palpites e divulgação de cotações financeiras, cobrando regras mais rígidas e transparência na separação entre análise técnica e ação comercial.

Segundo o pedido apresentado ao MPF, o problema central está na utilização da autoridade de profissionais do esporte para promover plataformas diante de uma audiência de milhões de pessoas. A prática questionada inclui a divulgação das chamadas “odds”, que são as cotações utilizadas pelas empresas do setor para indicar o possível retorno financeiro de uma aposta vencedora. Para a deputada, parte do público não consegue perceber com clareza quando uma fala é uma opinião esportiva ou uma peça de publicidade.

Em suas redes sociais, Erika Hilton criticou de forma direta a abordagem atual. “É inaceitável um comentarista usar a sua posição de ‘especialista’ para induzir os telespectadores a apostarem”, declarou a parlamentar em publicação no X. A deputada acrescentou que considera inaceitável a sugestão de apostas em resultados improváveis com a promessa de dinheiro fácil. “Bet não é esporte. É jogo de azar, é vício, é empobrecimento, é endividamento e é uma causa de suicídio”, afirmou.

No documento encaminhado ao órgão federal, não foram citados nomes específicos de comentaristas, emissoras de televisão ou empresas do ramo. O foco da ação recai exclusivamente sobre o formato da promoção comercial inserida nos eventos ao vivo e a necessidade de que os conteúdos sejam devidamente sinalizados aos telespectadores.

Críticas à cobertura da Copa do Mundo ampliam a discussão
O pedido judicial ocorre em meio ao avanço geral do mercado de plataformas de apostas no Brasil e acompanha um momento de fortes críticas de telespectadores e analistas de mídia em relação à Copa do Mundo FIFA 2026. A discussão central sobre a dificuldade de separar o jornalismo do entretenimento publicitário ganhou força com a atual cobertura da CazéTV.

O canal digital comandado por Casimiro Miguel exibe gratuitamente todos os 104 jogos do Mundial no Brasil, consolidando-se como uma das principais plataformas do torneio. No entanto, as queixas concentram-se na grande quantidade de inserções publicitárias de casas de apostas. O volume é notável especialmente nos intervalos comerciais e em ações que se misturam ao próprio ambiente da transmissão.

A CazéTV combina um modelo de amplo alcance digital, linguagem informal e interação em tempo real com o patrocínio de marcas do setor. Essa união reacendeu o debate sobre os limites das casas de apostas em transmissões esportivas e ilustra o mesmo questionamento levado ao MPF: a confusão gerada para o público entre o acompanhamento técnico da partida e o incentivo direto aos jogos de azar.

Histórico de votação no Congresso Nacional
Apesar da atual ofensiva contra a publicidade de comentaristas esportivos, Erika Hilton teve participação direta na legalização das plataformas no país. A deputada votou a favor do projeto que regulamentou as apostas esportivas de cota fixa no Brasil.

O texto validado com o voto da congressista foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2023. A legislação estabeleceu as regras em vigor para a operação do setor em território nacional, o que incluiu exigências burocráticas de licenciamento, diretrizes de tributação para as empresas e medidas direcionadas ao combate à manipulação de resultados no esporte.

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Atualizado: 24/06/2026 09:14

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