Um investimento de R$ 23 bilhões para uma política nacional de Inteligência Artificial (IA) foi anunciado pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, nesta terça-feira (2). A declaração ocorreu durante a abertura do Painel Telebrasil 2025 e tem como objetivo o desenvolvimento de uma IA “que seja inclusiva, soberana, ética e centrada nas pessoas”.
O montante de R$ 23 bilhões corresponde ao total previsto para um período de quatro anos dentro do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), divulgado em julho do ano passado. Desse total, um eixo específico do plano prevê a alocação de R$ 1,76 bilhão para a melhoria dos serviços públicos.
Durante sua fala, a ministra destacou o potencial da tecnologia. “A transformação digital passou a ser a base de tudo que a gente tem feito, especialmente com a chegada da inteligência artificial, com todo o seu potencial transformador, que tem tanto para ampliar liberdades e capacidades humanas, mas também com risco de aumentar as desigualdades e as simetrias globais já existentes”, afirmou Dweck.
O Painel Telebrasil, que segue até quarta-feira (3/9), funciona como um espaço de diálogo entre o setor público e empresas sobre tecnologia e inovação no país.
Soberania e infraestrutura de dados
De acordo com a ministra, um dos pilares para a transformação digital do país é o desenvolvimento da Infraestrutura Nacional de Dados (IND). Ela defendeu que a construção de uma soberania digital não significa um isolamento tecnológico e que a parceria com o setor privado é fundamental para a construção dessa infraestrutura, que permitirá o compartilhamento de dados para qualificar políticas públicas.
Para garantir a segurança de informações estratégicas, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) tem avançado na criação de uma “nuvem de governo”. Nessa estrutura, as empresas públicas de TI, Serpro e Dataprev, adquirem equipamentos de empresas privadas, mas a hospedagem dos dados é realizada em seus próprios datacenters localizados no Brasil. A medida visa garantir a soberania operacional e a guarda dos dados brasileiros em território nacional.
Conectividade para o desenvolvimento
A abertura do evento contou também com a presença do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho; do presidente da Anatel, Carlos Baigorri; do 1° vice-presidente do Senado Federal, Eduardo Gomes; do Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro; e dos presidentes novo e anterior da Telebrasil, Alberto Griselli e Christian Gebara, respectivamente.
Os participantes ressaltaram a essencialidade da conectividade para a população e os investimentos realizados pelo Estado, que têm possibilitado maior desenvolvimento em setores como o agronegócio e a indústria.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira, enfatizou o papel das telecomunicações como um setor estratégico para o desenvolvimento e a inclusão digital. Segundo ele, é de extrema importância ampliar o alcance de novas tecnologias e, ao mesmo tempo, fortalecer a infraestrutura de fibra, satélite e data centers.
“O setor sempre foi responsável por trazer tecnologia e inovação para o Brasil, e hoje sua relevância vai além da economia. Telecomunicações são essenciais para o exercício da plena cidadania, porque permitem que milhões de brasileiros tenham acesso a serviços públicos, oportunidades de trabalho, capacitação, educação e saúde”, disse Siqueira.


















