O Ministério da Saúde avança para a oitava semana de coleta de dados da primeira Pesquisa Nacional de Saúde Mental (PNSM-Brasil), que percorre domicílios de todas as regiões do país para mapear o sofrimento psíquico da população adulta. Com execução técnico-científica da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o levantamento busca identificar barreiras de acesso ao cuidado e desigualdades sociais, permitindo a formulação de políticas públicas mais eficazes para o Sistema Único de Saúde (SUS). A coleta de informações, que teve sua fase piloto iniciada em janeiro deste ano, tem previsão de encerramento em julho de 2026.
Até o momento, as equipes de pesquisa iniciaram as atividades em 427 setores censitários, distribuídos por 137 municípios de 23 unidades federativas brasileiras. O plano amostral, estabelecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevê a abordagem de 1.626 setores e de uma amostra inicial de 16.260 domicílios. A expectativa é alcançar cerca de 10 mil entrevistas válidas. O método seleciona participantes com 18 anos ou mais por amostragem probabilística em diferentes etapas, abrangendo municípios, setores censitários, domicílios e moradores, o que garante a representatividade nacional.
Segundo a equipe técnica, até o dia 26 de maio foram realizadas 354 entrevistas completas. A pesquisa ainda não possui um banco de dados consolidado para apontar tendências preliminares, e as primeiras análises exploratórias devem começar após o alcance de aproximadamente 500 entrevistas válidas.
Desafios na coleta de dados
Durante os trabalhos em campo, as equipes enfrentam dificuldades na abordagem inicial aos domicílios, registrando uma elevada taxa de recusa. O desconhecimento sobre a pesquisa e o cenário atual de golpes e fraudes recorrentes no país geram receio na população em compartilhar informações pessoais e receber os entrevistadores. Diante disso, muitos moradores buscam os serviços de saúde locais para confirmar a legitimidade do levantamento.
Os técnicos destacam ainda que o tema da saúde mental é cercado por estigmas, fator que também impacta negativamente a receptividade nos domicílios. Para contornar essas barreiras e fortalecer a adesão popular, o Ministério da Saúde solicita o apoio na divulgação da PNSM-Brasil aos serviços de saúde, gestores locais, lideranças comunitárias e veículos de comunicação estaduais e municipais.
Fortalecimento de políticas públicas
As informações coletadas servirão para estimar a prevalência de transtornos mentais em adultos no país e investigar fatores sociais ligados ao sofrimento psíquico, como violência, traumas, vulnerabilidades econômicas e desigualdades sociais. O objetivo principal da iniciativa é fornecer informações estratégicas para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no SUS.
A diretora de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não-Transmissíveis do Ministério da Saúde, Letícia Cardoso, afirma que os resultados ajudarão no planejamento, implementação e monitoramento de políticas alinhadas às reais necessidades dos brasileiros.
“Trata-se de uma forma de apoiar a ampliação do acesso aos serviços de saúde mental e a organização da rede de cuidado. A pesquisa também poderá servir como linha de base para o acompanhamento de indicadores de saúde mental ao longo do tempo, fortalecendo as estratégias de vigilância em saúde mental no país”, explica a diretora.
Próximas etapas
A etapa de coleta domiciliar segue até julho de 2026, ainda em data a ser definida. Posteriormente, as informações passarão por análise estatística, processos de consistência e ponderação amostral. A divulgação dos primeiros resultados do levantamento é esperada para o final do ano de 2026.
A coordenação do projeto reforça que a participação dos cidadãos selecionados é essencial para o conhecimento da realidade nacional e para o desenvolvimento de ações de saúde integradas e baseadas em evidências científicas.


















