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Corpo de Dante Michelini, absolvido no caso Araceli, é encontrado decapitado e carbonizado

05 fev 2026 - 13:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Polícia Científica confirmou a identidade do idoso de 76 anos por meio de exames de impressões digitais nesta quinta-feira (5). Irmão de Araceli reagiu à notícia citando "justiça divina"
Dante Michelini, absolvido no caso Araceli, é identificado como corpo encontrado decapitado e carbonizado em Guarapari. Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Espírito Santo confirmou, na manhã desta quinta-feira (5), que o corpo encontrado em avançado estado de decomposição, decapitado e carbonizado em um sítio na região de Meaípe, em Guarapari, é de Dante de Brito Michelini, de 76 anos. Conhecido como “Dantinho”, ele foi um dos réus acusados, e posteriormente absolvido, no processo sobre o rapto e morte da menina Araceli Cabrera Crespo, ocorrido em 1973, um dos crimes mais emblemáticos da história do país.

A identificação oficial foi realizada pelo Departamento de Identificação (DEI) da Polícia Científica, por meio de exame papiloscópico (análise de impressões digitais), no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória. A família foi notificada e os trâmites para a liberação do corpo para os procedimentos fúnebres devem ocorrer ainda hoje.

Cena do crime e investigação
O corpo de Dante foi localizado na última terça-feira (3), no interior de uma residência dentro de sua propriedade rural. A Polícia Militar foi acionada por uma testemunha, descrita em relatos como funcionário ou vizinho, que estranhou o sumiço do proprietário e notou sinais de destruição no local.

Ao chegarem ao sítio, os policiais encontraram janelas quebradas, paredes danificadas e parte da casa incendiada. O corpo estava em uma estrutura queimada, apresentando sinais de carbonização e sem a cabeça. Até a última atualização desta reportagem, a cabeça da vítima não havia sido localizada.

O caso é tratado como homicídio e está sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari. A Polícia Civil informou que, até o momento, nenhum suspeito foi detido e não divulgou detalhes sobre a possível motivação do crime.

Vida reclusa
Dante de Brito Michelini pertencia a uma das famílias mais tradicionais e influentes do Espírito Santo, seu avô, Dante Michelini, dá nome a uma das principais avenidas da orla de Vitória. Segundo o advogado da família, Adir Rodrigues Silva Junior, a vítima vivia de forma reclusa e isolada no sítio em Meaípe desde a morte de seu pai, Dante de Barros Michelini.

A defesa informou que um dos irmãos mantinha contato telefônico com “Dantinho”, mas que não havia conhecimento de qualquer ameaça contra ele. “Vamos agora acompanhar as investigações para saber o que pode ter motivado um crime como esse”, declarou o advogado em nota, ressaltando que a família aguardará o trabalho da perícia.

Na quarta-feira (4), antes da confirmação científica, um irmão da vítima e uma advogada da família estiveram no local e já haviam reconhecido o corpo preliminarmente, baseando-se em características físicas e nas roupas encontradas.

Repercussão e memória do Caso Araceli
A morte brutal de Dante Michelini trouxe à tona as memórias do caso Araceli, ocorrido há quase 53 anos. Em entrevista, Carlos Cabrera Crespo, irmão da menina assassinada, comentou o fato.

“A justiça dos homens falhou, mas eu sempre soube que a justiça divina tarda mas não falha. Deus deixou esta pessoa viver bastante tempo para ele sofrer na consciência dele o mal que ele fez. Se é que ele tinha consciência”, declarou Carlos.

Ele completou, expressando um sentimento de encerramento pessoal: “Só queria que meus pais estivessem vivos para ver que Deus não falhou”. Carlos também criticou a condução do inquérito original na década de 1970, classificando-o como “um crime mal investigado”, citando a falta de perícia em locais cruciais e no carro dos suspeitos.

Histórico judicial
Em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Crespo, de oito anos, desapareceu após sair da escola na Praia do Suá, em Vitória. Seu corpo foi encontrado seis dias depois, desfigurado e carbonizado, em um matagal próximo ao Hospital Infantil.

Dante de Brito Michelini, seu pai Dante de Barros Michelini e Paulo Constanteen Helal foram acusados do crime. Em 1980, os três chegaram a ser condenados em um primeiro julgamento. Contudo, a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

Após um novo processo que se estendeu por anos, uma sentença definitiva em 1991 absolveu os réus por falta de provas materiais, atribuída a problemas na fase de investigação policial. O crime prescreveu em 1993 sem que ninguém fosse punido.

Em 1993, em uma rara declaração à imprensa, o pai de Dante negou o envolvimento da família: “Nem eu, nem meu filho conhecíamos a Araceli, nem a mãe, nem o pai, nem coisa nenhuma. Fomos ligados ao caso após uma notícia de um jornal local”.

Devido à repercussão e impunidade do caso, a data do desaparecimento da menina, 18 de maio, foi instituída pela Lei Federal 9.970/2000 como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

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