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70% dos deputados federais são contra fim da escala 6×1, aponta pesquisa

02 jul 2025 - 16:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento ouviu 203 parlamentares e mostra um cenário de oposição ao governo na Câmara dos Deputados. Gestão de Lula atinge 46% de avaliação negativa, pior índice do mandato
70% dos deputados federais são contra fim da escala 6x1, aponta pesquisa. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Uma pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), revela que 70% dos deputados federais são contrários ao fim da escala de trabalho 6×1, que consiste em seis dias de trabalho para um de descanso. O mesmo levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, aponta a pior avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o início do mandato, com 46% de opiniões negativas entre os parlamentares ouvidos.

Realizada entre os dias 7 de maio e 30 de junho de 2025, a pesquisa entrevistou 203 deputados, o equivalente a 40% da composição da Câmara, com uma margem de erro de 4,5 pontos percentuais. Os resultados mostram o posicionamento da Câmara em relação a pautas econômicas e sociais, além do cenário político para as eleições de 2026.

Rejeição à mudança na jornada de trabalho
A proposta de emenda à Constituição que visa acabar com a escala 6×1 está entre os temas com maior rejeição na Câmara. O texto, apresentado em fevereiro pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe reduzir a jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais, cumpridas em 4 dias. A rejeição à medida é mais acentuada entre os deputados que se declaram de oposição ao governo (92%). Entre os independentes, o índice é de 74%, enquanto na base governista, 55% se posicionam contra a mudança.

O apoio ao fim da escala 6×1 é de 44% entre os governistas, 23% entre os independentes e 6% na oposição. A mobilização pela pauta tem sido liderada por movimentos como o “Vida Além do Trabalho” (VAT), que argumenta que o modelo atual causa desgaste físico e emocional e dificulta o acesso à educação.

Enquanto o debate público avança sobre a redução da jornada, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) denunciou uma articulação para ampliar o trabalho aos fins de semana. Segundo ele, há um movimento do Centrão e de setores do mercado financeiro para aprovar projetos que permitem o trabalho aos domingos e feriados sem a necessidade de acordo coletivo. “Na prática, isso significa que milhões de pessoas poderão ser obrigadas a trabalhar sete dias por semana, sem nenhuma folga garantida”, afirmou Boulos em entrevista ao ICL Notícias.

Avaliação do Governo e do Congresso
A avaliação negativa do governo Lula atingiu 46%, um aumento de 13 pontos percentuais em relação a agosto de 2023. A avaliação positiva caiu para 27%, o número mais baixo da gestão, enquanto 24% dos deputados consideram o governo “regular”.

O crescimento da avaliação negativa foi impulsionado principalmente pelos deputados que se declaram independentes, passando de 20% em 2023 para 44% na pesquisa atual. No mesmo grupo, a avaliação positiva caiu de 18% para 8%. Entre os deputados de oposição, 96% avaliam a gestão negativamente. Na base governista, 71% a consideram positiva.

A relação do governo com o Congresso também é vista como negativa por 51% dos entrevistados. Em contrapartida, a gestão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem avaliação positiva de 68% dos deputados, com maior apoio entre os governistas (77%) e independentes (82%).

Cenário para 2026 e principais preocupações
Apesar da avaliação negativa do governo, 68% dos parlamentares acreditam que o presidente Lula será candidato à reeleição em 2026. No entanto, metade dos deputados (50%) aponta um candidato da oposição como favorito para vencer o pleito, contra 35% que veem favoritismo em Lula ou em um candidato governista.

Questionados de forma espontânea sobre o principal nome da oposição, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi mencionado por 49% dos entrevistados. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível pela Justiça Eleitoral, apareceu com 13%, seguido pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (6%).

Para os deputados, os principais problemas do país são a economia (31%), a violência (23%, um crescimento significativo em relação aos 7% de 2023) e a corrupção (16%).

Outras pautas em debate
O levantamento da Quaest também mediu a opinião dos parlamentares sobre outros temas:

Isenção do Imposto de Renda: 88% são a favor de elevar a faixa de isenção.

Exploração de petróleo na Amazônia: 83% são favoráveis.

Aumento de penas para roubos: 76% apoiam a medida.

Fim dos supersalários: 53% são contrários ao projeto que limita os vencimentos no funcionalismo público.

Supremo Tribunal Federal (STF): Quase metade dos deputados (49%) considera que o STF “sempre” invade as competências do Congresso. A avaliação geral da Corte é negativa para 48% dos parlamentares.

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Atualizado: 02/07/2025 16:49

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