A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou nesta quinta-feira (19), em Zurique, na Suíça, o investimento de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões) na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será sediada no Brasil. O torneio será disputado entre os dias 24 de junho e 25 de julho, com o jogo de abertura e a grande final marcados para o Maracanã, no Rio de Janeiro. A confirmação do aporte financeiro, divulgada em relatório após a reunião do conselho da entidade máxima do futebol, representa o dobro do montante investido na edição anterior, realizada em 2023 na Austrália e na Nova Zelândia.
Oito cidades-sede confirmadas
A competição ocorrerá em oito estádios espalhados pelo território nacional. Após um processo de inspeções e avaliações que contou com doze cidades candidatas (das quais Cuiabá, Manaus, Natal e Belém acabaram ficando de fora da seleção final), a Fifa confirmou os seguintes palcos para os jogos:
- Maracanã (Rio de Janeiro)
- Arena Fonte Nova (Salvador)
- Arena Itaquera (São Paulo)
- Mineirão (Belo Horizonte)
- Estádio Nacional (Brasília)
- Arena Castelão (Fortaleza)
- Estádio Beira-Rio (Porto Alegre)
- Arena Pernambuco (Recife)
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou o processo de seleção como “muito difícil” e elogiou o nível das candidatas. “Todas as candidaturas eram de um padrão excepcionalmente alto e demonstraram não apenas paixão, mas também grande capacidade e prontidão para realizar um torneio inesquecível”, declarou.
Para o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, as sedes escolhidas possuem infraestrutura adequada, incluindo estádios modernos, centros de treinamento, rede hoteleira qualificada e mobilidade urbana. O ministro do Esporte, André Fufuca, ressaltou o aspecto social do evento, afirmando que o país usará a paixão pelo futebol como “ferramenta poderosa para promover igualdade, respeito e muita oportunidade”, além de dedicar a realização da Copa ao estado do Rio Grande do Sul, reforçando o compromisso de reconstrução da região.
A eleição e o peso da candidatura brasileira
O Brasil foi oficializado como país-sede no dia 17 de maio de 2024, durante o 74º Congresso da Fifa, em Bangcoc, na Tailândia. A candidatura brasileira obteve 119 votos, superando o projeto conjunto apresentado por Alemanha, Bélgica e Holanda, que recebeu 78 votos.
Antes da votação, a proposta do Brasil já havia recebido a melhor avaliação técnica por parte dos inspetores da Fifa, alcançando a nota quatro (em uma escala de até cinco), contra 3,7 da candidatura europeia. O relatório destacou o apoio do governo federal e o uso da infraestrutura herdada da Copa do Mundo Masculina de 2014.
Busca pelo título e recorde histórico
A edição de 2027 será a décima da história da Copa do Mundo Feminina. O torneio já foi sediado por China, Suécia, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, além da parceria entre Austrália e Nova Zelândia. Os Estados Unidos são os maiores vencedores, com quatro títulos, seguidos pela Alemanha, com dois. A Espanha é a atual campeã mundial, compondo o seleto grupo de vencedoras ao lado de Noruega e Japão.
A seleção brasileira, garantida na competição por ser o país anfitrião, é uma das poucas equipes presentes em todas as edições do torneio. O Brasil busca um título inédito, tendo como melhor resultado o vice-campeonato em 2007, na China. Na última Copa (2023), a equipe foi eliminada na fase de grupos, o que gerou a troca no comando técnico: a sueca Pia Sundhage deu lugar a Arthur Elias.
“Vamos todos juntos trabalhar com muita dedicação nesses próximos três anos para o nosso grande objetivo que é vencer a Copa dentro do nosso país”, projetou o atual treinador, destacando a tradição e a paixão nacional.
A gerente de Competições Femininas da CBF e ex-jogadora da seleção, Aline Pellegrino, reiterou: “Tenho certeza de que a gente tem o potencial para fazer a maior Copa do Mundo Feminina da história”.
Apesar de ainda buscar a primeira taça, o Brasil detém a maior artilheira da história das Copas, considerando as modalidades feminina e masculina. A atacante Marta marcou 17 gols em seis edições disputadas (sendo artilheira em 2007, com sete gols), ultrapassando a marca do alemão Miroslav Klose durante o Mundial da França, em 2019.


















