O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) no Espírito Santo iniciou o ano de 2026 com estabilidade, registrando 112,0 pontos em janeiro. O dado, apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado pela Fecomércio-ES, aponta uma leve oscilação negativa de 0,3% em relação a dezembro de 2025, mas posiciona o estado com o melhor desempenho da região Sudeste e acima da média brasileira.
A pontuação atual mantém o índice acima da “zona de satisfação” (100 pontos), patamar sustentado desde junho de 2025. No comparativo regional, o Espírito Santo (112,0) supera São Paulo (104,0), Rio de Janeiro (102,7) e Minas Gerais (97,5), além de ficar acima da média nacional, que fechou o mês em 104,9 pontos.
Componentes do índice
O resultado de janeiro reflete comportamentos distintos entre os subíndices que compõem o indicador geral. O subíndice de Condições Atuais apresentou alta de 1,3% na variação mensal, alcançando 87,3 pontos. Este avanço foi impulsionado principalmente pela avaliação dos empresários sobre suas próprias empresas, que cresceu 5,9% no mês, atingindo 109,6 pontos. No entanto, a percepção sobre a economia permanece negativa, com 66,5 pontos, registrando queda mensal de 2,8%.
Já o subíndice de Expectativas Futuras, embora continue na zona de otimismo com 134,2 pontos, recuou 1,9% em relação a dezembro. A confiança no setor e na própria empresa para os próximos meses permanece elevada, mas sofreu leves ajustes negativos de 3,6% e 0,5%, respectivamente.
Quanto às Intenções de Investimentos, o indicador manteve-se praticamente estável, com 114,4 pontos (+0,2% mensal). A intenção de contratação de funcionários também mostrou estabilidade (+0,1%), enquanto a situação dos estoques teve uma melhora de 1,6% na comparação mensal.
Desempenho por porte da empresa
O relatório destaca uma disparidade significativa baseada no tamanho dos negócios. As grandes empresas (com mais de 50 funcionários) registraram um salto no subíndice de Condições Atuais, com crescimento de 5,4% no mês e expressivos 34,2% no comparativo anual, atingindo 108,4 pontos.
Este grupo também demonstra maior otimismo em relação ao futuro, com o índice de Expectativas Futuras marcando 138,9 pontos, um aumento de 17,4% em relação a janeiro de 2025. Segundo a análise da Fecomércio-ES, esse desempenho sugere uma recuperação consistente e uma estrutura financeira e operacional mais robusta nessas companhias para enfrentar o cenário econômico.
Por outro lado, as empresas de menor porte (até 50 funcionários) mantiveram o subíndice de Condições Atuais em 86,9 pontos, abaixo da zona de satisfação, indicando maior cautela.
Bens duráveis em alta
Na análise por tipo de produto, o segmento de bens duráveis (como eletrodomésticos e veículos) foi o destaque positivo, com 116,3 pontos, apresentando alta de 0,8% no mês e crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em contrapartida, os segmentos de bens semiduráveis (roupas e calçados) e não duráveis (alimentos e bebidas) registraram quedas mensais de 1,2% e 1,6%, respectivamente. Apesar das retrações, todos os segmentos permanecem acima da linha de 100 pontos, o que sugere resiliência do mercado.
Cenário de crédito e juros
O relatório inclui a análise de Deivison Lozorio, gerente de contas pessoa jurídica do setor bancário, sobre o ambiente financeiro. Segundo Lozorio, há um crescimento moderado na demanda por crédito, focado principalmente em capital de giro.
“Tenho observado um crescimento na demanda por crédito por parte das empresas, ainda que de forma moderada, especialmente voltado ao capital de giro. […] Esse movimento ocorre mesmo diante dos desafios do cenário macroeconômico atual”, afirmou Lozorio.
O especialista aponta que, apesar dos níveis elevados de inadimplência, as empresas têm recorrido a renegociações e prazos de carência para manter os contratos adimplentes. Há, segundo ele, uma expectativa entre os empresários de que a taxa Selic possa recuar até o fim do ano, o que favoreceria novas captações e investimentos.
Sobre o ICEC O Índice de Confiança do Empresário do Comércio é um indicador antecedente que varia de zero a 200 pontos. Resultados acima de 100 indicam satisfação e otimismo, enquanto valores abaixo indicam insatisfação. Os dados são apresentados sem ajuste sazonal.

















