A arte de Ramon Álvaro, um jovem artista de 23 anos do bairro Itapemirim, em Cariacica, está conquistando o cenário nacional. Conhecido pelo nome artístico Bee Boy, ele viu sua carreira ganhar impulso após um vídeo com seu trabalho viralizar nas redes sociais, atingindo a marca de mais de sete milhões de visualizações. Do total de quase 50 quadros produzidos, 45 já foram adquiridos por colecionadores dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Com formação em Letras, Bee Boy iniciou sua trajetória na pintura em 2020, durante o período de isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19. Suas obras, caracterizadas por cores vibrantes e forte simbolismo, utilizam as técnicas de acrílico e óleo sobre tela. As temáticas centrais de seu trabalho são a ancestralidade negra e a ecologia, com a representação de elementos da fauna e da flora.
A expressão do “Crialismo”
O estilo de Bee Boy tem origem no “Crialismo”, um movimento de expressividade artística surgido nos subúrbios do Rio de Janeiro. Definido como a arte dos “Cria”, funciona como um manifesto de existência, resistência e imaginação, propondo uma nova estética que valoriza a natureza e as vivências periféricas.
O próprio artista se define como um “artesão científico”, por meio do qual expressa suas observações do mundo. Sobre seu processo criativo, ele detalha a intencionalidade de seu trabalho. “O meu fazer artístico é definido como um ato de recapitulação, reconfiguração e recontagem da trajetória do homem negro por intermédio da botânica e da representação da fauna sob o suporte pictórico”, afirmou Bee Boy.
Reconhecimento e perspectivas
O sucesso crescente é visto pelo artista como uma forma de abrir caminhos. “Sinto-me um mágico criador de imagens, de pinturas, de perspectivas para aqueles iguais a mim. Permito-me criar o inimaginável de ontem para que seja mais palpável rabiscá-lo por outro amanhã”, destacou.
O impacto do trabalho de Bee Boy também é reconhecido institucionalmente. Para a secretária de Cultura de Cariacica, Lúcia Dornellas, o jovem representa um movimento cultural significativo. “O jovem Bee Boy é um daqueles artistas raros que emerge da potência cultural emanada das periferias das cidades, com uma nova estética visual da contemporaneidade”, opinou a secretária.


















