Em Dia ES Entrevista

2 de abril de 2025
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Filipe Rigoni, secretário de Meio Ambiente do ES, detalha projetos da pasta e planos para o futuro

O Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo, Filipe Rigoni, concedeu entrevista ao Em Dia ES e destacou projetos ambientais, como o zoneamento ecológico e econômico costeiro, o programa Reflorestar e o PET Vida. Rigoni também abordou sua relação com a gestão municipal de Linhares e seus planos para as eleições de 2026, nos quais pretende disputar uma vaga como deputado federal.

Zoneamento ecológico e econômico costeiro
O zoneamento ecológico e econômico costeiro é um dos principais projetos conduzidos pela Secretaria de Meio Ambiente do ES. Segundo Rigoni, a iniciativa tem como objetivo definir o que pode ser feito, onde e de que forma ao longo da Costa Capixaba, considerando aspectos ambientais e econômicos.

“Quando entrei na Secretaria, a principal missão que o governador me deu foi juntar o mundo do meio ambiente com o mundo do desenvolvimento. Essas duas coisas precisam andar de mãos dadas”, afirmou o secretário. Ele explicou que o processo envolve a participação de toda a sociedade, incluindo os 19 municípios costeiros, para agilizar o licenciamento ambiental e facilitar o desenvolvimento sustentável.

Dentre os setores analisados, Rigoni destacou que o estudo indicará áreas para produção de petróleo e viabilidade de parques eólicos offshore, com potencial maior no sul do estado. Ele reforçou que a fase atual do projeto envolve consultas com os prefeitos e prefeituras para definir diretrizes.

Reflorestar: novo ciclo do programa
Criado em 2011, o programa Reflorestar será relançado em 7 de abril com um novo ciclo, contemplando 700 produtores rurais. Além do incentivo para reflorestamento, a iniciativa passará a oferecer equipamentos como barragens, cisternas, caxias e biodigestores, com o objetivo de aumentar a infiltração da água no solo e melhorar a produção agrícola.

“Não há como cuidar do meio ambiente sem dialogar com quem cuida da terra. Um produtor que está no vermelho não se preocupa com o verde”, explicou Rigoni. Segundo ele, o programa permite reflorestamento com espécies nativas e também com culturas produtivas como café, banana e palmito.

Desde sua criação, mais de 10 mil hectares foram reflorestados e mais de 5 mil produtores participaram da iniciativa. O Espírito Santo foi reconhecido pelo Observatório da Restauração Florestal como o terceiro estado que mais restaurou florestas no Brasil em 2023.

PET Vida: avanços no bem-estar animal
Outro projeto destacado por Rigoni foi o PET Vida, primeiro programa estadual voltado ao bem-estar animal. Lançado em 2023, ele funciona por meio de repasses diretos aos municípios para a realização de castrações, vacinações, procedimentos de urgência e emergência, além da chipagem de animais.

No primeiro ciclo, o programa investiu R$ 5 milhões, resultando em mais de 4.100 castrações, 3.000 vacinações e 1.600 atendimentos veterinários de urgência. O segundo ciclo contará com um orçamento de R$ 7 milhões, e a expectativa é de que os números dobrem.

“Os protetores de animais sempre trabalharam sozinhos, e o PET Vida veio para tornar esse trabalho mais leve. Agora, as prefeituras cadastradas realizam esses serviços, auxiliando os protetores”, ressaltou Rigoni.

Planos para 2026
Rigoni confirmou sua intenção de disputar uma vaga como deputado federal nas eleições de 2026. Ele destacou sua relação com o prefeito de Linhares, Lucas Scaramussa, e ressaltou a importância de a região norte do estado contar com um representante na Câmara Federal.

“Teremos uma oportunidade de ouro no próximo ano, pois, pela primeira vez, podemos ter um deputado federal e um prefeito totalmente alinhados”, disse Rigoni. Ele mencionou que, em sua legislatura anterior, recursos destinados a Linhares não foram aproveitados pela administração municipal da época e afirmou que, caso eleito, trabalhará para garantir o desenvolvimento da região.

Sobre a sucessão no Governo do Estado, Rigoni reforçou seu apoio ao grupo político do governador Renato Casagrande e indicou que estará ao lado do vice-governador Ricardo Ferraço ou de outro nome que o grupo escolher para liderar a disputa.

Recuperação do Rio Doce
No encerramento da entrevista, Rigoni anunciou que o programa Reflorestar terá uma versão específica para a bacia do Rio Doce, com a meta de reflorestar 22 mil hectares. O projeto será financiado pela repactuação do desastre da Samarco e contemplará culturas sustentáveis como cacau, café e banana.

“Nossa meta é reflorestar de maneira produtiva, consorciando culturas que tornem a produção mais sustentável e rentável”, finalizou.


Confira a entrevista completa abaixo. A entrevista na íntegra poderá ser acessada, em vídeo, através do canal do YouTube do Em Dia ES e nas redes sociais.


EM DIA ES ENTREVISTA: Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Espírito Santo, Filipe Rigoni

Andressa Bergamaschi, Em Dia ES: O senhor tem conduzido o estudo de zoneamento ambiental e econômico de toda a Costa Capixaba, né? E como tem sido o diálogo com os municípios e os atores envolvidos nesse processo?

Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Espírito Santo, Filipe Rigoni: Eu vou dar um passo atrás porque, assim, quando entrei na Secretaria, a principal missão que o governador me deu foi a seguinte: “Rigoni, você tem que juntar o mundo do meio ambiente com o mundo do desenvolvimento. Essas duas coisas precisam andar de mãos dadas.” E uma das grandes formas de fazer isso é esse processo que estamos conduzindo, que é o zoneamento ecológico e econômico costeiro, no caso, em toda a Costa Capixaba. O que é isso? Nós vamos definir — e quando falo “nós”, refiro-me a toda a sociedade, aos municípios, aos munícipes e ao governo do estado em conjunto — o que pode ser feito, onde pode ser feito e como pode ser feito em termos ambientais e econômicos em toda a Costa Capixaba.

Então, trata-se de um processo de zoneamento, de fato. Estamos zoneando a Costa Capixaba, identificando o potencial econômico de cada área e como ele pode convergir com as questões ambientais. Por exemplo, indicaremos em quais áreas da costa será possível ter produção de petróleo, como ocorre em Linhares, e em quais áreas haverá potencial para eólicas offshore, que são mais viáveis no sul do estado, por exemplo.

Esse processo é fundamental porque agiliza muito o licenciamento ambiental. Quando a sociedade e os estudos técnicos já determinaram previamente o que pode ser feito e como, facilita-se muito o desenvolvimento sustentável. Atualmente, estamos na fase de ouvir os municípios. Já estivemos com todos os prefeitos e prefeituras dos 19 municípios costeiros. É importante esclarecer que são 19, pois não são apenas os 14 municípios que estão de frente para o mar. Existem 5 municípios costeiros que não estão diretamente na linha do mar, como Sooretama, mas que possuem influência direta da costa.

AB: Em sua gestão, dois programas inovadores foram lançados, certo? O PET Vida, que contempla ações voltadas ao bem-estar animal, e o Reflorestar. Em que fase estão esses programas, secretário?

Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Espírito Santo, Filipe Rigoni: O Reflorestar é um programa mais antigo. Ele foi lançado em 2011 pelo governador Casagrande, que é um líder nacional na pauta ambiental. Na nossa gestão, repaginamos o Reflorestar e vamos lançar um novo ciclo em 7 de abril. Dessa vez, mais 700 produtores rurais poderão aderir ao programa, que conta com uma novidade muito importante: além de pagarmos o produtor rural para reflorestar um pedaço de sua terra, agora também instalaremos barragens, caxias, cisternas e biodigestores em sua propriedade. Esses equipamentos ajudam a infiltrar mais água no solo e melhoram a qualidade da produção. Sempre digo: não há como cuidar do meio ambiente sem dialogar com quem cuida da terra. E quem cuida da terra é o produtor rural. Um produtor que está no vermelho não se preocupa com o verde. Se ele não tiver lucro, não conseguirá preservar a natureza. Por isso, pagamos para que refloreste parte de sua terra. Agora, além do pagamento, também fornecemos equipamentos essenciais para a conservação do solo.

AB: Esses equipamentos serão instalados exatamente para auxiliá-lo no reflorestamento?

FR: Exato! O Reflorestar é um programa de recuperação das bacias hidrográficas. Plantamos árvores para garantir mais água e, agora, incluímos barragens e outras intervenções físicas para aumentar a capacidade de recarga das nascentes.

AB: E esses equipamentos podem ser instalados em propriedades de qualquer tamanho?

FR: Qualquer propriedade pode participar do Reflorestar. O requisito é que o produtor disponibilize, no mínimo, meio hectare para reflorestamento. Com isso, ele passa a receber os benefícios do programa.

AB: O produtor é responsável por todo o reflorestamento e o programa oferece suporte e acompanhamento?

FR: Exatamente. Ele é acompanhado por consultores especializados credenciados no programa, que auxiliam ao longo do processo.

AB: O governo já possui dados sobre os resultados do programa?

FR: Desde 2011, já reflorestamos mais de 10 mil hectares de floresta e mais de 5 mil produtores rurais participaram do programa. Em 2023, fomos considerados pelo Observatório da Restauração Florestal o terceiro estado que mais restaurou florestas no Brasil. Isso é significativo, pois somos um estado pequeno e superamos estados muito maiores. Tudo isso só foi possível pelo engajamento do produtor rural, que pode reflorestar mesclando plantas produtivas e nativas da Mata Atlântica, como café, banana e palmito.

AB: E a secretaria, o governo, já têm, Filipe, dados que apresentam o resultado desse programa na prática?

FR: Nós já reflorestamos, desde 2011, mais de 10 mil hectares de floresta aqui no nosso estado. Mais de 5 mil produtores rurais participam desse programa ou participaram, porque ele dura 5 anos. A gente paga o produtor rural por 5 anos. Então, mais de 5 mil produtores rurais já participaram ou ainda participam desse programa e, por conta disso, no ano passado, tivemos uma grande vitória: fomos considerados pelo Observatório da Restauração Florestal o terceiro estado do Brasil que mais restaurou florestas no país. É importante comemorarmos isso, porque somos um estado muito pequeno e ficamos à frente de estados muito maiores, já que reflorestamos mais do que eles, graças ao Reflorestar e à forma como conseguimos engajar o produtor rural a reflorestar uma parte de sua terra. Ele pode realizar esse reflorestamento não apenas com plantas nativas da Mata Atlântica, mas também no sistema SAF, que é o sistema agroflorestal, onde se misturam plantas produtivas com plantas nativas. É possível plantar café, banana, palmito, entre outros, na Mata Atlântica. Isso acontece porque percebemos que existem técnicas que permitem consorciar a Mata Atlântica nativa com atividades produtivas, inclusive melhorando a qualidade do produto do agricultor.

AB: Assim, você ajuda o meio ambiente e também melhora o resultado financeiro. Muito legal! E sobre o PET Vida?

FR: Pois é, o PET Vida foi lançado em 2023. É a primeira vez na história do Espírito Santo que o governo cria um programa de bem-estar animal. E o que é o PET Vida? É um programa de repasse de recursos fundo a fundo para os municípios realizarem ações de bem-estar animal, como castração, vacinação, procedimentos de urgência e emergência, chipagem dos animais, entre outros. Esse modelo de repasse, chamado fundo a fundo, é o menos burocrático que existe entre governos. Queríamos simplificar ao máximo esse processo, então transferimos os recursos para o município, que contrata os serviços para os animais da sua região. Atualmente, estamos no segundo ciclo do programa. Linhares participou do primeiro ciclo, teve bons resultados e, com certeza, participará do segundo ciclo para obter resultados ainda melhores.

AB: Isso é bacana porque, há algum tempo, acompanhávamos a dificuldade das pessoas que se dedicam a cuidar desses animais e garantir seu bem-estar. Muitas vezes, não sabiam onde buscar ajuda ou como proceder. Eu acompanhei de perto o trabalho da Maria Isabel, que tem esse zelo e cuidado. Havia muitas perguntas sem respostas e dificuldades para conseguir apoio para esses projetos.

FR: Sim, infelizmente, a proteção animal ainda é, em grande parte, uma atividade solitária. Os protetores precisam fazer muita coisa sozinhos, e o PET Vida veio justamente para tornar esse trabalho um pouco mais leve. Agora, as prefeituras cadastradas – e estamos em período de cadastro para o segundo ciclo – realizam esses serviços e auxiliam os protetores de animais. No primeiro ciclo, investimos 5 milhões de reais no PET Vida, com mais de 4.100 castrações, 3.000 vacinações e 1.600 procedimentos de urgência e emergência em todo o estado. Foi um ciclo de aprendizado. Agora, vamos investir 7 milhões de reais e, com certeza, mais que dobrar esses resultados.

AB: Bacana, muito bacana mesmo! Bom, Filipe, vamos avançar um pouco agora para a questão política. Já pensando em 2026, quais são os seus planos? Como está sua relação com o prefeito de Linhares, Lucas Scaramussa? Vale lembrar que o Em Dia ES tem sua sede em Linhares, e você é linharense.

FR: Sou linharense com muito orgulho! Minha relação com o Lucas é excelente. Desde minha primeira eleição, somos parceiros políticos. Fomos candidatos juntos: eu a deputado federal, ele a estadual. Depois, trocamos – eu não fui eleito, ele foi eleito deputado estadual. Caminhamos juntos novamente na última eleição, quando ele se tornou prefeito. Fico feliz em ver que ele está indo muito bem e conseguindo fazer Linhares avançar, apesar das dificuldades da administração pública. Precisávamos de um novo ciclo na cidade. Meus planos para 2026 incluem voltar a ser deputado federal. Sou pré-candidato por Linhares e pelo Espírito Santo. Teremos uma oportunidade de ouro no próximo ano, pois, pela primeira vez, podemos ter um deputado federal e um prefeito totalmente alinhados. Quando fui eleito deputado, a administração municipal anterior não era parceira e, por questões políticas, deixou de aproveitar recursos que enviei para a cidade. Isso não acontecerá agora. Se eleito, trabalharei muito para que Linhares e toda a região possam crescer ainda mais.

AB: Exatamente! Afinal, a sua candidatura é federal, abrangendo uma área muito maior. Nossa região norte tem crescido muito em desenvolvimento econômico e populacional, mas está sem um representante na Câmara Federal. Atualmente, contamos apenas com Toninho da Emater como suplente do deputado licenciado Tiago Hoffmann. Se não fosse ele, nossa região não teria qualquer representante federal ou estadual. Isso é inadmissível, considerando a importância dessa área para o Espírito Santo e o Brasil. Fico feliz em saber que você retorna à disputa para representar nossa região e nosso estado.

AB: Filipe, sobre a sucessão do Governo do Estado, você é aliado do governador Renato Casagrande há anos. Como pretende se posicionar nesse cenário, estando na União Brasil? O partido planeja uma federação com o PP?

FR: Com certeza! Sou um fiel escudeiro do governador Renato Casagrande e estarei com ele, seja em sua candidatura ao Senado, seja no projeto político que lidera. Hoje, nosso provável candidato ao governo é o vice-governador Ricardo Ferraço, e estarei com ele ou com quem estiver à frente do grupo para liderar o Espírito Santo em 2026. Nos últimos 20, 24 anos, o estado conquistou muitas coisas, como estabilidade fiscal, bem-estar social e infraestrutura de qualidade. Isso é resultado de bons governos, como o de Casagrande. Precisamos continuar esse trabalho. Sobre a União Brasil, continuo no partido e vejo como positiva a possível federação com o PP, pois fortaleceria nosso projeto político.

AB: Secretário, estamos finalizando nossa entrevista. Gostaria de deixar alguma mensagem para nossos leitores e seguidores?

FR: Sim, quero reforçar que estamos fazendo um trabalho inovador na Secretaria de Meio Ambiente, seja com o Reflorestar, seja com o PET Vida. Em breve, lançaremos uma versão do Reflorestar específica para a bacia do Rio Doce, graças à repactuação do desastre da Samarco. Nossa meta é reflorestar 22 mil hectares de maneira produtiva, consorciando culturas como cacau, café e banana para tornar a produção mais sustentável e rentável. Deixo a secretaria e meu mandato à disposição da nossa região.

AB: Excelente! Recuperar a bacia do Rio Doce é fundamental para os produtores e para o meio ambiente. A ecologia integral é um tema que vem ganhando força e que o governador Renato Casagrande tem priorizado.

FR: Exatamente! O meio ambiente não é um entrave ao desenvolvimento; pelo contrário, ele pode ser um aliado para cidades mais prósperas e sustentáveis.

Graduando em Estudos de Mídia pela UFF. Editor, Colunista e Social Media no Em Dia ES

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