
A Prefeitura de Linhares formalizou a contratação da Fundação Getulio Vargas (FGV) para a prestação de serviços de assessoria técnico-operacional, jurídica e econômico-financeira voltados à gestão da limpeza pública municipal. O contrato, no valor total de R$ 1.605.000,00, visa orientar o poder executivo na futura contratação dos serviços de coleta e destinação final de resíduos sólidos por intermédio da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos.
O contrato nº 221/2026 foi firmado no último dia 29 de abril, com vigência estabelecida para 19 meses. A contratação ocorreu por meio da modalidade de dispensa de licitação, registrada sob o processo administrativo nº 008574/25. O suporte da FGV abrange o planejamento estratégico para a execução das atividades de limpeza e manejo de resíduos na cidade.
Os recursos para o pagamento da consultoria provêm da dotação orçamentária sob o código 3030.01.18.452.0045.2.2423390390000033903962000. O acompanhamento do contrato está vinculado ao sistema CidadES Contrata.
A assessoria jurídica e econômica contratada deverá estruturar o novo modelo de concessão ou prestação de serviço de limpeza pública, definindo parâmetros para a destinação final dos resíduos gerados em Linhares, visando solucionar as falhas apontadas pela comunidade no gerenciamento do setor.
Histórico de reclamações
A medida ocorre em um período de cobranças por parte da população linharense em relação à manutenção urbana. Moradores relatam dificuldades com a regularidade da coleta de lixo e o acúmulo de resíduos em vias públicas, apontando que os serviços atuais não têm atendido de forma adequada às necessidades dos bairros.
Como mostrou o Em Dia ES no mês passado, a precariedade na manutenção também atinge o interior do município. Em reportagem publicada no dia 24 de abril, moradores da comunidade de Rio Quartel de Cima denunciaram o abandono das rodovias José Leandro Bergamaschi e Primo Mantovani. Na ocasião, vídeos gravados por populares registraram o mato alto invadindo as estradas vicinais, o que gera insegurança e risco de acidentes para motoristas e pedestres.

Nesta quinta-feira (7), a Polícia Federal (PF) cumpre dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão em São Mateus. A operação investiga um suposto esquema criminoso voltado à fraude em licitações e ao desvio de recursos públicos. Entre os detidos está um ex-secretário de Obras da gestão municipal anterior.
Durante as diligências, foram apreendidos mídias digitais, documentos, veículos e joias. De acordo com a corporação, o confisco desse patrimônio visa garantir a recuperação de ativos para um futuro ressarcimento aos cofres públicos.
Além do cumprimento das ordens judiciais expedidas, a ação resultou na prisão em flagrante de um dos investigados por posse ilegal de arma de fogo. O suspeito já era o alvo de um dos mandados de prisão temporária.
A ofensiva policial tem como objetivo aprofundar a coleta de provas, interromper as atividades ilícitas, recuperar os valores desviados e assegurar a responsabilização de todos os envolvidos no esquema.
Os investigados poderão responder pelos crimes de fraude à licitação, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.

O Espírito Santo ocupa a primeira posição em gestão pública no Brasil e destaca-se como o estado com maior avanço na área econômica nos últimos três anos. Os dados integram o Ranking de Competitividade dos Estados – Eleições 2026, divulgado nesta quarta-feira (06) pelo Centro de Liderança Pública (CLP), com base no desempenho das unidades da federação entre os anos de 2023 e 2025.
A análise realizada pelo CLP apresenta duas perspectivas sobre o desempenho estadual. Na primeira, que avalia o cenário atual, o Espírito Santo lidera a dimensão Gestão Pública. O estudo aponta consistência nos resultados e uma trajetória de melhoria contínua ao longo do período analisado. Na segunda vertente, que mede o ritmo de avanço, o estado alcançou a liderança na dimensão Economia, sendo o ente federativo que mais evoluiu no triênio.
Critérios de avaliação
O desempenho capixaba na dimensão Gestão Pública fundamentou-se em indicadores de eficiência da máquina pública e solidez fiscal. Já na dimensão Economia, o Centro de Liderança Pública considerou fatores como capital humano, infraestrutura, inovação e potencial de mercado. Segundo o levantamento, o resultado econômico reflete uma combinação de crescimento com indicadores estruturais positivos.
O governador do Estado, Ricardo Ferraço, relacionou a conquista ao planejamento estratégico da administração. “Saímos da terceira posição em 2023 para a liderança, um resultado pautado, principalmente, pelo nosso equilíbrio fiscal e pela melhoria da eficiência administrativa. Esse desempenho reafirma que o modelo capixaba de gestão é sólido e entrega resultados concretos para a sociedade”, afirmou.
Solidez fiscal e investimentos
De acordo com o secretário de Estado da Fazenda, Benicio Costa, a posição no ranking está associada à disciplina das contas públicas. O secretário destacou que o Espírito Santo lidera, por dois anos consecutivos, o ranking nacional de solidez fiscal também elaborado pelo CLP.
“O equilíbrio das contas públicas é o alicerce de uma gestão eficiente e sustentável. Ele cria as condições para um ambiente de negócios mais competitivo, capaz de atrair investimentos, gerar empregos e ampliar oportunidades para a população capixaba”, declarou Costa.

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (7) a 5ª fase da Operação Compliance Zero, cumprindo dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O principal alvo das buscas é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por supostamente receber pagamentos mensais de até R$ 500 mil e outras vantagens pessoais custeadas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em contrapartida, segundo a corporação, o parlamentar teria apresentado ao Senado uma proposta de emenda legislativa redigida pela própria instituição financeira. As medidas foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, além das buscas e da prisão, a decisão do STF determinou o bloqueio de bens, direitos e valores na ordem de R$ 18,85 milhões, bem como a suspensão de empresas envolvidas no esquema e o monitoramento dos investigados. O objetivo da PF é aprofundar as apurações sobre crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional.
O mandado de prisão temporária cumprido hoje tem como alvo Felipe Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, Felipe atuava como o operador financeiro responsável por viabilizar os repasses ao parlamentar. Daniel Vorcaro, apontado como líder do esquema fraudulento bilionário envolvendo a venda de títulos de crédito falsos, já se encontra detido desde o início de março.
A engenharia financeira e a “mesada”
A apuração conduzida pela PF, e detalhada por Andréia Sadi, do g1, revelou uma estrutura montada para irrigar as contas ligadas ao senador. A engrenagem funcionava por meio de uma operação batizada pelos envolvidos de “parceria BRGD/CNLF”.
A empresa BRGD S.A., pertencente à família Vorcaro, repassava recursos para a CNLF Empreendimentos, empresa que, segundo a PF, funcionava como veículo patrimonial de Ciro Nogueira e era administrada formalmente por seu irmão, Raimundo Neto. Além dos repasses diretos, a investigação identificou operações societárias consideradas fraudulentas, como a compra de 30% da Green Investimentos S.A. pela CNLF, pelo valor de R$ 1 milhão.
Mensagens interceptadas pela polícia mostram o funcionamento do esquema. Em janeiro de 2025, Felipe Vorcaro relatou dificuldades no fluxo de caixa devido a um “aumento dos pagamentos” ao parceiro. Em junho do mesmo ano, após Daniel Vorcaro cobrar o primo sobre o atraso de dois meses nos repasses a “ciro”, Felipe questionou: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”. O diálogo corrobora a tese de que o valor inicial do repasse de R$ 300 mil havia sido majorado.
Além dos valores em espécie, os autos do STF apontam que o dono do Banco Master arcava com diversas despesas pessoais do presidente do PP. O senador teria à sua disposição um imóvel de elevado padrão, além do custeio de hospedagens, uso de jatos para viagens internacionais e contas de alimentação. Em um dos diálogos interceptados citados na investigação, o operador pergunta ao banqueiro: “É pra continuar pagando restaurante do Ciro?”.
A “Emenda Master” e a instrumentalização do mandato
A contrapartida para as vantagens indevidas, segundo o inquérito, consistia na instrumentalização do mandato parlamentar de Ciro Nogueira em favor dos interesses do Banco Master. O foco central da denúncia é a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada pelo senador em agosto de 2024.
A proposta, que ficou conhecida nos bastidores do Congresso como “emenda Master”, visava elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A medida beneficiaria diretamente o banco de Vorcaro, cujos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) eram vendidos no mercado como os mais rentáveis e utilizavam a cobertura do FGC como principal atrativo para os investidores. Com a ampliação, a instituição atrairia um volume muito maior de recursos.
A decisão do ministro André Mendonça detalha que o texto da emenda não foi criado pela equipe do senador. Segundo a PF, a minuta foi elaborada pela assessoria do próprio Banco Master. O ex-executivo da instituição, André Kruschewsky Lima, encaminhou o texto a Daniel Vorcaro, que providenciou a impressão e a entrega do documento em um envelope endereçado a “Ciro”, diretamente na residência do parlamentar, em Brasília.
A investigação concluiu que o conteúdo foi “reproduzido de forma integral pelo parlamentar” no Senado. Após a publicação oficial da emenda, mensagens mostram Daniel Vorcaro se vangloriando: “Saiu exatamente como mandei”. Interlocutores do banco calculavam que a aprovação da regra “sextuplicaria” os negócios do Master.
Para ocultar a relação, a PF descobriu que, em 2023, Vorcaro determinou a retirada de envelopes contendo minutas de projetos de lei da casa do senador. O banqueiro orientou um funcionário a processar os documentos em outro escritório antes de devolvê-los a um servidor de Ciro Nogueira, instruindo expressamente para que o motorista não fosse vinculado ao parlamentar e que não fossem utilizados envelopes com a logomarca do Banco Master.
O histórico da operação e as defesas
A Operação Compliance Zero, cujo nome remete à completa ausência de mecanismos de controle interno nas instituições investigadas, chega à sua quinta etapa com números expressivos. Somando as quatro fases anteriores deflagradas em seis unidades federativas (BA, DF, MG, RJ, RS e SP), a Polícia Federal já cumpriu 96 mandados de busca e apreensão.
Na fase 4, realizada em 16 de abril de 2026, foram presos preventivamente Paulo Henrique Costa, ex-presidente de um banco público do Distrito Federal, e o advogado Daniel Monteiro, classificado como operador jurídico-financeiro do esquema. A Justiça já autorizou, ao longo de toda a investigação, o sequestro ou bloqueio de bens que podem chegar ao limite de R$ 27,7 bilhões, além do afastamento de investigados de cargos públicos.
A respeito das ações deflagradas nesta quinta-feira (7), o advogado do senador Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, declarou à imprensa que seu escritório ainda está buscando informações sobre o caso e que acompanha o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Até a publicação desta reportagem, a defesa de Felipe Vorcaro não havia sido localizada para comentar a prisão de seu cliente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quarta-feira (6), em Brasília, uma dupla ofensiva para conter os danos à saúde causados pelo uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras. Para frear o aumento de complicações e o avanço da falsificação, o órgão implementou um sistema de busca ativa de efeitos colaterais em pacientes e oficializou uma parceria técnica com a Polícia Federal (PF) destinada a reprimir a produção e a venda de medicamentos irregulares em todo o país.
A mudança na estratégia regulatória ocorre em resposta ao crescimento expressivo do consumo de medicamentos agonistas do receptor do GLP-1. De 2018 até março de 2026, a Anvisa registrou 2.965 notificações de eventos adversos relacionados a esses fármacos, com um pico de ocorrências em 2025, predominando os casos associados ao uso da semaglutida.
Em vez de aguardar que médicos e pacientes relatem os problemas voluntariamente, a Anvisa instituiu o Plano de Farmacovigilância Ativa. Segundo o diretor da agência, Thiago Lopes Cardoso Campos, a iniciativa visa identificar sistematicamente os riscos, especialmente porque os produtos têm sido utilizados para fins não previstos em bula. “Estamos diante de medicamentos com benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situações fora das indicações aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clínico adequado”, afirmou.
Monitoramento em rede hospitalar
Para viabilizar a busca estruturada por reações adversas raras ou tardias, a Anvisa atuará em parceria com a Rede Sentinela, que engloba serviços de saúde, ensino, pesquisa e laboratórios, e com a HU Brasil (antiga Ebserh), responsável por hospitais universitários em todo o território nacional.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o interesse do público pelas canetas exige da agência uma atuação firme e coordenada. “Não podemos apenas esperar que as notificações cheguem à agência. É preciso organizar junto aos serviços de saúde uma busca estruturada que permita detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informações recebidas e ampliar nossa capacidade de análise dos riscos”, defendeu Safatle.
O diretor Thiago Campos reforçou que a fase pós-comercialização é determinante para entender o impacto real dos fármacos. “Não basta registrar medicamentos. É indispensável acompanharmos como eles se comportam na vida real”, disse, alertando que “o entusiasmo com a inovação não pode obscurecer os riscos associados ao uso indiscriminado”.
Apreensões no Espírito Santo e atuação policial
Além do uso inadequado, a alta demanda fomentou o mercado clandestino. Para combater esse crime, a Anvisa e a Polícia Federal publicaram uma nota técnica conjunta que estabelece procedimentos integrados contra a produção, importação e venda ilícita de substâncias como a tirzepatida e a semaglutida, inclusive em plataformas digitais.
A nova cooperação consolida o modelo testado no mês passado durante a Operação Heavy Pen. A ação conjunta cumpriu 45 mandados de busca e apreensão e 24 ações de fiscalização no Espírito Santo e em outros dez estados (GO, MT, MS, PA, PR, RR, RN, SP, SE e SC).
O balanço das fiscalizações da Anvisa em 2026 revela a gravidade do cenário. Apenas neste ano, 11 inspeções em importadoras e farmácias de manipulação resultaram em oito interdições por falhas graves e ausência de controle de qualidade, além da aplicação de 11 medidas proibitivas. Mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares foram apreendidas.
Somente na Operação Heavy Pen, os agentes confiscaram mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados de forma irregular e identificaram movimentações financeiras ilícitas da ordem de R$ 4,8 milhões, volume suficiente para produzir mais de 1 milhão de canetas. Durante as buscas, as equipes também flagraram o uso de retatrutida, uma substância que ainda não foi lançada oficialmente e não possui registro em nenhuma agência reguladora do mundo.
Crime contra a saúde pública
A comercialização de medicamentos irregulares, falsificados ou de procedência desconhecida é tipificada como crime no artigo 273 do Código Penal brasileiro.
Na prática da nova parceria, os medicamentos apreendidos em futuras operações passarão por análise integrada, unindo a perícia da PF e o suporte técnico da Anvisa para avaliar a composição exata dos produtos. O diretor da Anvisa, Daniel Pereira, explicou que isso fornece ao Estado provas robustas para inquéritos criminais e ajuda a desarticular quadrilhas interestaduais.
A venda de canetas manipuladas inadequadamente representa um risco sanitário grave, impossibilitando a garantia de esterilidade, dosagem ou eficácia, o que expõe os usuários a danos irreversíveis. “Para ser efetiva, a atuação regulatória precisa dialogar, de forma estruturada, com as ações de fiscalização, investigação e repressão criminal”, concluiu Pereira.

O Tribunal de Apelação da Inglaterra negou, nesta quarta-feira (6), um novo pedido de recurso da mineradora BHP contra a decisão que a responsabilizou pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015 em Mariana (MG). Com o esgotamento das vias ordinárias de contestação no sistema jurídico britânico, a Justiça mantém o cronograma para a fase de quantificação dos danos e fixação dos valores de indenização aos atingidos.
A decisão proferida hoje confirma o entendimento de novembro de 2025, quando o Tribunal Superior inglês declarou a empresa anglo-australiana responsável pela tragédia. Na ocasião, os magistrados consideraram que a BHP, que geria a mineradora Samarco em parceria com a Vale, tinha conhecimento dos riscos estruturais da barragem e agiu com negligência, imprudência ou imperícia.
Esgotamento de recursos
Esta foi a segunda tentativa da BHP de reverter a condenação em solo inglês. De acordo com o tribunal, não foram encontrados fundamentos ou razões convincentes que justificassem a abertura de um novo julgamento sobre a responsabilidade da empresa. Diferente do sistema brasileiro, no Reino Unido o direito de recorrer não é automático, dependendo de uma permissão específica (permission to appeal) que foi negada nesta quarta-feira.
O rompimento da barragem de Fundão, que completou dez anos em outubro de 2025, despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de lama e resíduos tóxicos no Rio Doce. O desastre causou a morte de 19 pessoas e impactou dezenas de municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Próximas etapas e indenizações
Com a responsabilidade jurídica consolidada, o processo avança para a chamada “Fase 2”. Nesta etapa, os tribunais ingleses irão examinar as categorias de perdas sofridas e analisar as provas apresentadas para estabelecer o montante financeiro devido a cada grupo de vítimas. A audiência de julgamento para esta finalidade está agendada para abril de 2027.
O escritório Pogust Goodhead, que representa as vítimas na ação internacional, classificou o resultado como definitivo. “O Tribunal de Apelação agora se uniu ao Tribunal Superior ao concluir que os fundamentos de apelação da BHP não têm perspectivas reais de sucesso. Um resultado enfático e inequívoco”, afirmou Jonathan Wheeler, sócio do escritório. Segundo o advogado, as vias processuais para evitar a responsabilização estão agora fechadas.
Posicionamento da mineradora
Em nota oficial, a BHP Brasil informou que mantém o apoio à Samarco para garantir a reparação integral dos danos no Brasil e que continuará com sua estratégia de defesa na Inglaterra “pelo tempo que for necessário”.
A mineradora ressaltou a importância do Novo Acordo do Rio Doce, assinado em outubro de 2024, que destinou R$ 170 bilhões para ações de reparação em território brasileiro. Segundo a empresa, esse trabalho já resultou em pagamentos para mais de 625 mil pessoas. A BHP também destacou que a Corte inglesa reconheceu, em 2024, a validade das quitações já assinadas por quem recebeu indenização integral no Brasil, o que, segundo a empresa, deve reduzir em cerca de 40% o número de reclamantes individuais na ação que tramita no Reino Unido.

O Governo Federal reativou o programa Desenrola Rural com condições ampliadas e descontos que chegam a 96% para agricultores familiares em todo o país. Anunciada nesta quarta-feira (6) pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, a iniciativa visa regularizar a situação financeira de produtores inadimplentes com prazos de adesão abertos até o dia 20 de dezembro de 2026.
A nova etapa faz parte do Novo Desenrola Brasil e busca dar continuidade aos resultados obtidos desde o lançamento original do programa em 2025. Até o momento, o Desenrola Rural atingiu a marca de 500 mil agricultores beneficiados, somando mais de R$ 23 bilhões em dívidas renegociadas.
Público-alvo e abrangência
A renegociação é destinada a agricultores e agricultoras familiares, assentados da reforma agrária, pescadores artesanais, povos e comunidades tradicionais e cooperativas da agricultura familiar. Para participar, é necessário que as dívidas estejam em atraso há mais de um ano.
De acordo com a ministra Fernanda Machiaveli, em entrevista à Voz do Brasil, as condições foram aprimoradas para abranger diferentes modalidades de crédito. “O Desenrola Rural beneficia todos os agricultores familiares nas suas várias modalidades. Se são assentados à reforma agrária, que contraíram o crédito que é fornecido pelo Incra, que é o crédito instalação, nós vamos ter desconto de até 96% se for o caso da habitação”, destacou.
Faixas de desconto e novas operações
Os abatimentos variam conforme a natureza do crédito contratado:
Além dos descontos, o programa traz uma novidade para quem possui operações contratadas até 31 de dezembro de 2015 com risco integral da União. Beneficiários inadimplentes que ainda não tiveram seus nomes incluídos na Dívida Ativa da União poderão efetuar novas operações de crédito rural pelo Pronaf, também sob risco integral da União.
Como aderir à renegociação
O procedimento para a regularização dos débitos depende da origem da dívida:
“Agora, o Desenrola Rural é reativado em condições ainda melhores. Em primeiro lugar, os agricultores familiares vão ter o prazo de até 20 de dezembro para fazer as suas renegociações. Além de conseguirem fazer essas renegociações com descontos que vão até 96%”, reforçou a ministra Machiaveli.

A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) oficializou, nesta quarta-feira (06), uma reestruturação organizacional que cria novas unidades operacionais e uma companhia de elite focada exclusivamente no combate às organizações criminosas no estado. As medidas foram efetivadas por meio de decretos assinados no Palácio Anchieta, resultantes de um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa no final de março, com o objetivo de descentralizar o policiamento ostensivo, reduzir o tempo de resposta a ocorrências e fortalecer o enfrentamento ao crime organizado.
A reestruturação prevê a abertura de 666 novas vagas distribuídas em diversos postos e graduações, além de viabilizar a promoção de quase 1.000 policiais militares, garantindo o efetivo para as novas unidades.
Tropa especializada contra facções
O principal destaque da reformulação é a criação da Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (CIOE). Até então, o grupo que atuava com esse foco funcionava de forma subordinada, dentro do Batalhão de Missões Especiais (BME). Com a mudança, a unidade ganha autonomia e status de companhia independente.
A nova unidade inicia suas operações nesta quinta-feira (07), com sede fixa no bairro Jardim América, em Cariacica. O contingente inicial é composto por 68 policiais (67 homens e uma mulher) com treinamento especializado, incluindo atiradores de elite, especialistas em explosivos e negociadores. O objetivo central do grupo é realizar a prisão de chefes de facções criminosas que atuam no território capixaba.
O comando da unidade foi assumido pelo Major Rogério da Costa Scheneroke, de 36 anos, que ingressou na corporação em 2010 e atuou como subcomandante da Academia da PMES. Como preparação para o cargo, o oficial concluiu, em março, um curso de especialização em Combate ao Crime Organizado da Rota, em São Paulo. “Nossos alvos serão as lideranças do Primeiro Comando de Vitória e do Terceiro Comando Puro atuantes na Grande Vitória”, afirmou o major.
O comandante-geral da PMES, coronel Ríodo Rubim, informou que o efetivo da nova companhia deve ser ampliado nos próximos meses. “A unidade passa a atuar dando apoio ao Gaeco, à Polícia Civil e a outras instituições, para conseguirmos fazer prisões mais qualificadas, voltadas a criminosos com status maior nessas organizações, além daquelas prisões diárias que a gente já faz. Vamos tirar de circulação os cabeças”, explicou o coronel.
Expansão no interior e na Região Metropolitana
A reformulação da PMES também contempla a elevação de companhias ao status de batalhão, estrutura que possui maior contingente e organização no meio militar, além da criação de novas companhias independentes pelo estado:
Com a emancipação da unidade de combate ao crime organizado, o Batalhão de Missões Especiais (BME) passará a focar no aprimoramento de protocolos operacionais, treinamentos específicos, controle de multidões e atuação em distúrbios civis. Está previsto, ainda para os próximos dias, o anúncio da criação de dois novos batalhões do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (BMES), que serão instalados na Serra e em Vila Velha.
Perspectiva de um futuro “BOPE”
A cúpula da Polícia Militar projeta que a recém-criada Companhia Independente evolua para um Batalhão de Operações Especiais (BOPE) no futuro. Segundo o comandante-geral da PMES, a ideia já foi apresentada ao Executivo estadual e vem sendo analisada tecnicamente. “A Companhia Independente criada hoje é um embrião para que no futuro tenhamos o nosso Batalhão de Missões Especiais. Hoje é o primeiro passo”, declarou o coronel Ríodo Rubim.
Presente na solenidade que oficializou as mudanças, o governador Ricardo Ferraço comentou a estratégia de segurança e o planejamento futuro em relação à criação do batalhão especial. “Está no radar continuar combatendo as facções criminosas com muito vigor e com muita energia. A Companhia Independente amplia a nossa capacidade de resposta. Vamos dando um passo de cada vez. Enquanto eu for governador, as facções criminosas seguirão não tendo vida fácil no Espírito Santo. A regra aqui é a lei”, declarou.

Um caminhão-baú destruiu parte de uma casa na Rua Silvio Rodrigues de Souza, no bairro Santo Antônio, em Rio Bananal, na tarde desta quarta-feira (6). O motorista do veículo afirmou que perdeu o controle dos freios e desceu em marcha ré, atingindo a residência. Com o impacto, o condutor ficou ferido.
Uma ambulância do Samu foi enviada ao local para prestar atendimento. Assustada com o incidente, a mãe da proprietária da casa passou mal e também precisou de atendimento médico. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada para auxiliar na segurança da área atingida até a retirada do caminhão. A empresa proprietária do veículo ainda não se manifestou sobre o ocorrido.

Desde dezembro de 2025, candidatos à primeira habilitação em todo o país economizaram R$ 1,8 bilhão com a gratuidade do curso teórico oferecido pela plataforma CNH do Brasil, do Ministério dos Transportes. A medida, que integra um conjunto de mudanças para tornar o processo mais acessível, reduziu o valor total para obter o documento, que antes chegava a R$ 4,9 mil em alguns estados e atualmente varia entre R$ 810 e R$ 1,6 mil.
O curso teórico é uma etapa obrigatória para quem deseja conduzir veículos. Com a nova plataforma, as aulas podem ser realizadas diretamente pelo aplicativo CNH Brasil ou pelo site oficial do Ministério dos Transportes, eliminando o custo que anteriormente era pago às autoescolas por essa fase específica.
Impacto financeiro nos estados
Os dados do governo federal apontam que Minas Gerais lidera o ranking de economia nacional, com R$ 269,6 milhões poupados pelos candidatos. No estado mineiro, o curso teórico apresentava a média de preço mais alta do país, custando R$ 1.095.
Outras unidades da federação também registram números expressivos de economia:
A economia total de R$ 1,8 bilhão é calculada com base no que os cidadãos deixaram de pagar pelo curso. O Ministério destaca que, devido aos reajustes periódicos de preços, o montante economizado pode ser ainda maior ao longo do tempo.
Novas regras e redução de custos
Além da gratuidade nas aulas teóricas, o programa CNH do Brasil introduziu outras alterações para baratear a emissão da carteira de motorista nas categorias A e B. Entre as principais mudanças estão a redução da carga horária mínima de aulas práticas e a autorização para que o treinamento seja realizado com instrutores autônomos credenciados.
Outro ponto de impacto direto no bolso do cidadão é a fixação de um teto de R$ 180 para a realização dos exames médico e psicológico, impedindo cobranças excedentes por essas avaliações obrigatórias.
Pressão federal e mudanças em São Paulo
O impacto da política federal tem gerado reflexos diretos nas autarquias estaduais. No estado de São Paulo, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) liberou, desde o dia 1º de maio, o agendamento direto do exame prático pelo cidadão.
A mudança permite que o candidato marque o teste sem o intermédio de uma autoescola, inclusive utilizando veículo próprio para a avaliação. Segundo informações confirmadas pelo órgão, a decisão ocorreu após pressão da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), vinculada ao Ministério dos Transportes, para que as diretrizes do programa CNH do Brasil sejam aplicadas integralmente pelas gestões estaduais.

Nesta quarta-feira (6), a defesa do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entregou os anexos de sua proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília. A entrega do material tem como objetivo avançar na negociação de um acordo de colaboração e ocorre em resposta a uma cobrança das autoridades, que haviam rejeitado uma proposta preliminar por considerá-la insuficiente.
O conteúdo da delação e as exigências
De acordo com a Folha de S.Paulo, os documentos foram entregues por volta das 12h e detalham episódios específicos de irregularidades, a estrutura do esquema, os nomes dos envolvidos e as provas que Vorcaro se compromete a apresentar. O g1 informou que o material foi entregue em um pen drive e que o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, já foi notificado.
A negociação entre a defesa, a PF e a PGR focará agora na redução do regime de pena e nos valores a serem ressarcidos. Conforme apuração de Gerson Camarotti, do g1, o STF sinalizou que só homologará a delação caso haja a devolução imediata e integral do dinheiro desviado que estiver em poder do ex-banqueiro, inclusive no exterior. O modelo de devolução parcelada, adotado na Operação Lava Jato, foi descartado. As autoridades também já indicaram que Vorcaro não deverá receber perdão judicial por ser apontado como líder da organização.
O G1 destaca ainda que a proposta preliminar, apresentada semanas atrás, havia sido negada por não trazer inovações em relação ao que já havia sido descoberto pela “Operação Compliance Zero”. Na ocasião, Vorcaro não havia mencionado nomes do topo da hierarquia. A PF segue periciando os oito celulares apreendidos com o empresário, sendo que o aparelho principal, com cerca de 400 gigabytes e 8 mil vídeos, já foi analisado.
Envolvimento de autoridades e repercussão
A disposição de Vorcaro em envolver outras pessoas é o ponto central da negociação. A Folha revelou que os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro de suspeitas devido a menções e conversas identificadas no celular do ex-banqueiro, embora ambos neguem qualquer irregularidade. Mensagens foram trocadas entre Vorcaro e Moraes no dia da primeira prisão do empresário, em 17 de novembro do ano passado. Além disso, o jornal O Globo apontou que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, foi contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões entre 2023 e 2025.
O caso do Banco Master, cujo rombo é estimado em R$ 57 bilhões, repercutiu no Supremo. Durante audiência pública sobre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última segunda-feira (4), o ministro Flávio Dino comentou o cenário de forma indireta, segundo a Folha. “Eu me impressiono, e não é de hoje, eu ando em Brasília exercendo cargo desde 1999, eu nunca vi tanto elefante pintado de azul desfilando por essa Esplanada. Tanta coisa absurda. E a minha indagação como servidor do Estado brasileiro é: ninguém viu?”, questionou Dino.
Tensões no Ministério Público Federal
O avanço da delação também tem gerado movimentações internas na PGR. A CNN Brasil noticiou que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o esvaziamento da “Rede Membros”, um grupo histórico de e-mails do Ministério Público Federal (MPF). Através de uma portaria editada em 30 de abril pelo vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand, o debate na rede foi restrito a dúvidas normativas, proibindo análises críticas.
Segundo a CNN, a medida ocorreu após o crescimento de críticas à cúpula da PGR, motivadas pelo temor de que potenciais delatados por Vorcaro não fossem denunciados. Quatro procuradores teriam sido encaminhados à Corregedoria após críticas no grupo, sendo que um deles mencionou um uísque Macallan servido em um encontro em Londres que contou com a presença de Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Paulo Gonet. A PGR afirmou à emissora que a mudança visou segmentar e garantir a entrega de mensagens administrativas, já que o volume da lista anterior era excessivo.
Histórico das prisões
Daniel Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal desde 19 de março, em uma cela comum, por decisão do ministro André Mendonça. Antes de aceitar a delação, o ex-banqueiro chegou a ficar três dias isolado, sem ouvir vozes humanas, e 13 dias sem banho de sol.
Ele havia sido preso pela primeira vez em 17 de novembro, ao tentar embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos. Solto dez dias depois, voltou a ser preso preventivamente em 4 de março durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e também atingiu servidores do Banco Central. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também foi preso nas investigações, trocou de defesa recentemente com o objetivo de fechar seu próprio acordo de delação.

O Projeto Tupinakyîa promove o fortalecimento e a prática do idioma originário do povo Tupinikim nas aldeias do município de Aracruz, no litoral do Espírito Santo. Desenvolvida pela Akangatara Produções, a iniciativa realiza, desde o ano passado, encontros presenciais e virtuais para grupos de estudo e elaboração de materiais didáticos, visando reverter o apagamento histórico da língua causado pelo processo colonial e garantir a sua continuidade entre as novas gerações.
A ação foi selecionada pelo edital de Valorização de Territórios e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult) e conta com o apoio da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios (AITC). O Tupinakyîa é um idioma pertencente ao tronco Tupi que, ao longo de gerações, deixou de ser falado em decorrência de ameaças, violências, proibições, preconceitos e invasões dos territórios tradicionais.
Nas últimas décadas, o idioma foi reintroduzido em escolas e iniciativas culturais, como música e cinema. O projeto atual visa expandir esse movimento por meio da criação de cartilhas, vídeos, jogos e conteúdos midiáticos.
Padronização e desafios escolares
O coordenador do projeto e cineasta, Tiago Mateus, também conhecido como T-Kauê, explica que a mobilização conecta interessados de diversas aldeias para alinhar o uso do idioma.
“Nosso grupo é formado por ex-estudantes da língua, jovens, alguns professores que estão lecionando e outros interessados. Nos reunimos e discutimos, entre outras coisas, formas de padronizar a língua, e alguns termos e expressões que são diferentes em algumas aldeias”, afirma o coordenador.
Apesar de o ensino escolar do Tupinakyîa estar presente há mais de duas décadas na região, o tempo de exposição dos alunos ao idioma esbarra em limitações da grade curricular e na infraestrutura educacional das comunidades.
“O ensino escolar da língua está presente há mais de 20 anos no território, mas ainda não é suficiente, tem apenas uma aula por semana, sendo que até a língua inglesa tem duas aulas. E temos o agravante de que em algumas aldeias, os alunos têm apenas até o quinto ano dentro de escola indígena e depois vão para a cidade ou vilas para estudar em escolas não indígenas, em que essa disciplina não existe. Então se não tiver prática, o estudante logo esquece”, detalha Tiago Mateus.
Produção de conteúdo e tecnologia
Para solucionar a escassez de materiais e manter o uso da língua ativo em todo o território, o projeto foca no engajamento da juventude na produção de novos recursos. Em março deste ano, um grupo de alunos do ensino médio da aldeia de Caieiras Velha participou de uma ação voltada à produção de desenhos de objetos do cotidiano, acompanhados de pesquisa e registro dos respectivos nomes em Tupi.
O objetivo é que os próprios jovens criem suas narrativas no idioma indígena, utilizando as tecnologias disponíveis para a construção coletiva dos conteúdos.
“Queremos alavancar esse processo. O Projeto Tupinakyîa é um pontapé inicial”, ressalta T-Kauê.
Durante os encontros recentes, também foram gravados vídeos que se encontram em processo de edição. Como resultado final de suas atividades, o Projeto Tupinakyîa realizará o lançamento de um aplicativo voltado para os estudos de Tupi, uma cartilha educativa e um documentário contendo depoimentos sobre a língua e o território.

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) apresentou, nesta semana, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o direito a uma aposentadoria básica de um salário mínimo para todos os cidadãos brasileiros. A medida busca incluir no sistema previdenciário milhões de trabalhadores informais que, pelas regras atuais, não conseguem acessar o benefício por falta de tempo de contribuição regular ao INSS.
Inclusão de trabalhadores informais
A iniciativa mira a parcela da população que exerceu atividades laborais ao longo da vida, mas permaneceu à margem do sistema formal de previdência. Segundo a justificativa da proposta, o modelo vigente, que exige décadas de contribuição para a concessão do benefício, acaba por excluir milhões de brasileiros.
“É gente que trabalhou a vida inteira, mas que na prática não tem direito a nada”, afirmou a deputada. De acordo com a parlamentar, o objetivo é transformar a previdência em um direito amplo, de forma análoga ao que já ocorre com a saúde pública e a assistência social no país.
A proposta mantém o sistema atual para quem contribui com valores superiores, garantindo que esses segurados continuem recebendo pagamentos maiores, conforme as regras já estabelecidas.
Fontes de financiamento
Para viabilizar o pagamento da aposentadoria universal, o texto da PEC sugere uma reestruturação do modelo de financiamento da Seguridade Social. A parlamentar defende que o custeio venha de fontes como parte dos lucros dos bancos, dividendos de empresas públicas e uma parcela dos recursos que hoje são destinados ao pagamento da dívida pública brasileira.
“No Brasil, dinheiro tem. O que falta é redesenhar o modelo de aposentadoria”, declarou Salabert. A deputada fundamenta a viabilidade da proposta em um estudo orçamentário e cita que modelos previdenciários com componentes universais já são aplicados em países como Dinamarca, Suécia, Canadá e África do Sul.
Por se tratar de uma alteração na Constituição, a proposta enfrenta um rito legislativo rigoroso. Para ser aprovada, a PEC precisa passar por votação em dois turnos, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, exigindo o apoio de, no mínimo, três quintos dos parlamentares em cada etapa (308 deputados e 49 senadores).

A escalada de episódios de violência no entorno de casas de shows e estabelecimentos noturnos em Linhares levou a Câmara Municipal a aprovar a realização de uma audiência pública para debater um novo projeto de lei. A proposta em pauta sugere a implantação de um sistema informatizado de controle de acesso nestes locais, com a finalidade de reduzir ocorrências criminais, e será discutida com a sociedade no dia 27 de maio, no plenário do Legislativo municipal.
O projeto é de autoria do vereador Sargento Romanha (PL) e tem como base os registros recentes de agressões graves no município, especialmente na região de Três Barras. O parlamentar justifica a necessidade do sistema informatizado citando tentativas de homicídio e casos de pessoas feridas com garrafas quebradas no entorno dos estabelecimentos de entretenimento.
“Casos de agressões, tentativas de homicídio e pessoas feridas com garrafas quebradas mostram a seriedade da situação. Tivemos episódios em que vítimas quase perderam a vida após serem atingidas na jugular”, afirma o autor da proposta.
Segundo o parlamentar, o intuito do projeto é fortalecer a prevenção, reduzir riscos e ampliar a capacidade de resposta diante de situações de violência em casas noturnas e espaços similares.
Como vai funcionar o sistema
A matéria legislativa prevê a criação de mecanismos digitais voltados à ampliação da segurança e do controle em ambientes com grande circulação de pessoas, prioritariamente no período noturno. As medidas propostas no texto incluem:
Debate com a sociedade
A audiência pública para tratar do projeto de lei foi agendada para o dia 27 de maio, às 19h, no plenário da Câmara Municipal de Linhares. O encontro deve reunir representantes das forças de segurança, do Ministério Público, do Conselho Tutelar, empresários do setor de entretenimento e moradores da cidade.
A discussão técnica tem como principal objetivo coletar sugestões de diferentes segmentos da sociedade antes que o projeto avance para uma eventual votação no plenário. A etapa permite a realização de ajustes no texto e possibilita uma análise mais ampla sobre os impactos da medida na segurança pública, nas estratégias de fiscalização e no funcionamento rotineiro dos estabelecimentos comerciais do setor.

O governo federal elabora uma nova rodada do programa Desenrola Brasil direcionada aos consumidores adimplentes, com previsão de anúncio e lançamento entre o final de maio e o início de junho. A formulação da política foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quarta-feira (6), durante o programa “Bom Dia, Ministro”, do Canal Gov, onde detalhou que a medida visa oferecer alívio financeiro aos trabalhadores, sobretudo informais, que mantêm os pagamentos em dia, mas sofrem com as altas taxas de juros do mercado, finalizando o esforço de reestruturação econômica pós-pandemia. Os estudantes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que estão com os pagamentos em dia também deverão ser contemplados pelos novos incentivos.
Lançado oficialmente em sua nova fase pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira (4), o Novo Desenrola foca atualmente na renegociação de dívidas de pessoas negativadas. A próxima etapa, contudo, buscará contemplar as pessoas e empresas que cumprem rigorosamente suas obrigações financeiras e contratuais.
Segundo Durigan, há um olhar cuidadoso voltado para o trabalhador informal.
“Nós estamos estudando uma segunda rodada para quem está adimplente e tem juros altos. Uma pessoa que é informal […] não tem uma renda fixa por mês. Ele não tem um salário recorrente. Não tem uma loja com histórico de recorrência de recebimento. Ele tem que ganhar o seu dia a dia de maneira pontual. E ele é quem mais recebe juros caros no país”, explicou o ministro.
Cenário econômico e cultura de pagamento
Questionado sobre a possibilidade de o programa criar uma cultura de calote no imaginário popular, o ministro da Fazenda negou categoricamente a hipótese e afirmou que o objetivo da gestão é exatamente o oposto: fomentar a adimplência e reduzir o custo do crédito no país.
Durigan contextualizou que o endividamento atual é reflexo direto da pandemia e de políticas de gestões anteriores, período marcado por alto desemprego, estagnação da renda familiar e falta de reajuste do salário mínimo. “Sem as pessoas poderem trabalhar, naturalmente fizeram dívidas para as necessidades básicas”, pontuou.
O titular da Fazenda recordou que o primeiro Desenrola, implementado em 2023, ajudou a iniciar a queda da taxa de juros no Brasil a partir de agosto daquele ano. No entanto, o cenário global sofreu alterações em 2024, com a manutenção dos juros altos nos Estados Unidos e no Brasil. “A gente viu que de 2024 a 2025 esse endividamento, que começou a ser endereçado com o Desenrola 1, não cedeu como a gente esperava. Então, a gente volta agora com um novo Desenrola para poder terminar esse processo”, esclareceu.
Alerta contra inadimplência: “Esforço que não se repetirá”
Para assegurar o sucesso da política econômica e a queda sustentável dos juros, o ministro fez um apelo para que a população aproveite a oportunidade atual e alertou que não haverá um “Desenrola 3”.
“Quanto mais gente inadimplente, mais pagamento cruzado de quem tem que pagar. Nós estamos diminuindo a inadimplência para que esses juros voltem a ficar em um patamar mais razoável. É um esforço nacional, ligado ao primeiro Desenrola, que não se repetirá, é importante dizer isso”, frisou Durigan, enfatizando que programas de sucesso como este não possuem caráter recorrente.
Regras do Desenrola Famílias
A principal frente ativa no momento é o Desenrola Famílias, voltado para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105, em valores atuais). O programa permite renegociar:
Além do alívio aos consumidores, o Desenrola Famílias determina que as instituições bancárias participantes invistam em educação financeira um valor correspondente a 1% das garantias do programa.
Uso do FGTS e restrição a apostas online
Como inovação na formatação do Novo Desenrola Brasil, o governo autorizou a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação à vista das dívidas renegociadas. Os beneficiários poderão utilizar até 20% do saldo disponível no fundo ou até R$ 1.000 (prevalecendo o que for de maior valor).
Para evitar o agravamento da situação financeira das famílias durante o processo de recuperação de crédito, o programa estabelece uma trava comportamental: o Cadastro de Pessoa Física (CPF) dos beneficiários que aderirem à renegociação será bloqueado por 12 meses para a participação em plataformas de apostas online autorizadas a operar no país.

A cidade de Vila Velha recebe, no dia 17 de maio de 2026, a Corrida Da Madalena à Penha, evento que marca a abertura oficial das celebrações pelo aniversário de 491 anos do município. Com largada programada para as 7h, em pelotão único, a prova oferece percursos de 7 km e 12,5 km pela orla, com a expectativa de reunir até 2.500 atletas profissionais e amadores.
Percursos e largadas
A competição apresenta dois pontos de partida distintos, condicionados à distância escolhida pelo participante. Os corredores que optarem pelo trajeto de 7 km iniciam a prova na Praça do Ciclista. Já os inscritos na distância de 12,5 km partem da região da Ponte da Madalena, situada na Barra do Jucu.
Ambos os percursos são planos e seguem pelas praias de Itaparica, Itapoã e Praia da Costa. A linha de chegada está fixada no Parque da Prainha, local que abriga marcos históricos da colonização do Espírito Santo. A concentração para as largadas começa às 6h.
Premiação e categorias
A organização estabeleceu premiações específicas para os participantes. Na prova de 12,5 km, os três primeiros colocados das categorias geral masculina e feminina recebem troféus e valores em dinheiro. Nas demais categorias e na distância de 7 km, a premiação é composta por troféus, seguindo as diretrizes do regulamento do evento. Todos os atletas que finalizarem o percurso dentro do tempo limite estipulado serão contemplados com medalhas de participação.
Inscrições e retirada de kits
O prazo para inscrições termina no domingo, dia 10 de maio, ou até que o limite de vagas seja atingido. O procedimento deve ser realizado exclusivamente pela plataforma Lebillet.
Para participar, o corredor deverá efetuar a retirada do kit de prova nos dias 15 (sexta-feira) e 16 (sábado) de maio. A entrega dos materiais ocorre na loja Los Neto, localizada no Boulevard Shopping, em Vila Velha.
O evento integra o calendário de corridas de rua do estado e visa fomentar o turismo esportivo na região, conectando diferentes bairros e cenários urbanos ao longo do trajeto pela costa canela-verde.

O comércio do Espírito Santo projeta movimentar R$ 286,3 milhões em vendas para o Dia das Mães, alcançando o segundo melhor resultado para a data desde 2008. Segundo dados do Connect Fecomércio-ES, a previsão indica um crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior, quando o setor faturou R$ 277,6 milhões, consolidando o terceiro ano consecutivo de expansão.
As análises foram realizadas com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A data é considerada o “segundo Natal” para o varejo devido à sua capacidade de estimular o fluxo de consumidores, renovar estoques e intensificar a concorrência entre o comércio físico e o digital.
Setores em destaque
A maior concentração do consumo deve ocorrer no segmento de vestuário e calçados, com uma movimentação estimada em R$ 129,7 milhões, o que corresponde a 45% do total previsto para o estado. Em segundo lugar aparece o setor de farmácias e perfumarias, com expectativa de R$ 64,9 milhões (22%), impulsionado pela procura por itens de cuidados pessoais.
O levantamento aponta ainda que o segmento de móveis e eletrodomésticos deve registrar R$ 33,6 milhões em vendas (12%), seguido por utilidades domésticas e eletroeletrônicos, com previsão de R$ 29,8 milhões (10%).
De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o aumento das vendas amplia a circulação de renda no estado. “Datas como o Dia das Mães continuam sendo fundamentais para sustentar o dinamismo do setor. A previsão é que os consumidores busquem custos acessíveis, mas sem deixar de presentear”, afirmou.
Comportamento de preços e inflação
Apesar da projeção de crescimento, o comportamento dos preços apresenta variações distintas entre as categorias. O setor de vestuário registrou queda de preços na Grande Vitória, com deflação de -0,12% no mês e -1,23% no acumulado do ano. Por outro lado, itens essenciais como alimentos e bebidas tiveram alta de 1,3% no mês e 2,47% no acumulado.
Artigos para residência também ficaram mais caros, com alta de 0,75% no mês e 1,7% no ano. Já os custos com transporte subiram 1,55% mensalmente. No setor de serviços, houve recuo nos custos de recreação (-1,28% ao mês) e na alimentação fora de casa, o que pode facilitar celebrações em restaurantes.
“Esse cenário cria uma combinação de oportunidades e cautela. Há espaço para economizar em categorias como roupas e lazer, mas itens essenciais seguem pressionados, o que exige planejamento por parte das famílias”, avaliou Spalenza.

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) derrubou, na tarde desta terça-feira (5), o veto do governador ao Projeto de Lei (PL) 604/2024, que torna obrigatória a notificação de casos de gravidez envolvendo menores de 14 anos ao Ministério Público, à Polícia Civil e ao Conselho Tutelar. A proposta, de autoria do deputado estadual Delegado Danilo Bahiense (PL), obteve ampla maioria no plenário, registrando 26 votos pela derrubada do veto contra apenas dois votos pela sua manutenção, proferidos pelas deputadas Camila Valadão (Psol) e Iriny Lopes (PT). Com a decisão, o texto será promulgado pela Casa e entrará em vigor como lei estadual.
A votação ocorreu após diálogo prévio entre o Legislativo e o Poder Executivo. Ao abrir a sessão, o presidente da Ales, deputado Marcelo Santos (União), informou que a pauta havia sido conversada com o governo. Em seguida, o líder do governo na Assembleia, deputado Vandinho Leite (MDB), comunicou que a base governista estava liberada para votar de acordo com a convicção individual de cada parlamentar.
Debates e contexto da lei
Após a confirmação do resultado, Marcelo Santos destacou a pertinência do projeto e elogiou a trajetória profissional de Danilo Bahiense na área da segurança pública. “Quero aqui, mais uma vez, parabenizá-lo pela sensibilidade fruto da sua experiência. A sua experiência aqui nesta Casa colabora e muito para que essa Assembleia seja a grande protagonista e entregue à sociedade legislações como essas aqui agora, que já estamos colocando em pleno vigor”, declarou o presidente.
O autor do projeto relacionou a nova medida à Lei Federal 13.718, de 2018, que alterou o Código Penal ao criar novos tipos penais relacionados a crimes sexuais e modificar o entendimento jurídico sobre o estupro de vulnerável.
“A Lei 13.718 fez muita justiça com nossas crianças e adolescentes. Eu que atuei muitos anos na Polícia Civil presenciei muitas vezes um ‘cala a boca’ da família da vítima em cima de ameaça, dando dinheiro para que não prosseguisse com a ação penal. Hoje não, hoje é um crime de ação pública incondicionada”, explicou Bahiense.
Durante os encaminhamentos e justificativas de voto, a matéria recebeu o apoio explícito de parlamentares como Coronel Weliton (DC), Tyago Hoffmann (PSB) e Callegari (DC). Para Callegari, embora a notificação já possua previsão legal, a medida é um instrumento necessário contra a sexualização precoce. “Criança não namora. Criança estuda, brinca. Cultura de pedofilia que tem que ser abolida dentro das nossas casas. Essa lei agora que será promulgada é essencial”, afirmou.
Direitos das vítimas em discussão
O voto contrário à matéria foi justificado no plenário pela deputada Camila Valadão. Ela argumentou que o projeto apresenta omissões por não especificar a obrigação de informar expressamente às vítimas e às suas famílias sobre todos os direitos previstos na legislação brasileira. Entre os direitos citados pela parlamentar, estão a interrupção legal da gravidez e a possibilidade de manutenção da gestação com a posterior entrega responsável da criança para adoção.
Em resposta à ponderação, Danilo Bahiense argumentou que o fluxo estabelecido pelo projeto já garante essa assistência. Segundo o deputado, a partir do momento em que a autoridade policial toma conhecimento e recebe a notificação formal do caso, as famílias passam a ser automaticamente orientadas sobre todos os direitos assegurados pela lei.
Adiamento de veto sobre Iconha
A pauta da sessão desta terça-feira (5) também previa a análise de um segundo item: o veto total ao PL 386/2024, de autoria dos deputados Tyago Hoffmann e Marcelo Santos. O projeto institui o Dia da Celebração da Emancipação Política de Iconha, a ser comemorado em 3 de julho, e prevê a transferência simbólica da sede do governo estadual para o município.
No entanto, a votação da matéria foi adiada. Na Comissão de Justiça, o relator Dary Pagung (PSB) solicitou prazo para análise mais aprofundada do texto. Com isso, a pauta ficou trancada e a discussão do veto foi transferida para a próxima sessão ordinária, marcada para esta quarta-feira (6).
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