12 de maio de 2026
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Bancos têm 30 dias para limpar nome de quem deve até R$ 100 pelo Desenrola

As instituições financeiras que aderiram ao programa Desenrola Brasil têm o prazo de até 30 dias para retirar dos cadastros de inadimplência os registros de dívidas originais de valor até R$ 100. A exigência, estabelecida pelo governo federal como condição para a participação dos bancos na iniciativa, deve beneficiar mais de 1 milhão de pessoas, segundo estimativas do Ministério da Fazenda.

A baixa dos registros deve ser realizada de forma permanente junto aos birôs de crédito. De acordo com as regras do programa, a renegociação para dívidas que superam o patamar de R$ 100 segue um rito diferente: o nome do consumidor só deixa a lista de inadimplentes após o pagamento da primeira parcela do novo acordo. Após a formalização da renegociação, o cliente tem até 35 dias para quitar esse primeiro boleto.

Dificuldades operacionais e suporte técnico
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) esclareceu que os registros de dívidas de até R$ 100 não estão concentrados em uma base única, encontrando-se dispersos entre os sistemas das próprias instituições e dos birôs de crédito.

“Embora a implementação da desnegativação dessas dívidas envolva rotinas internas, sistemas e fluxos operacionais próprios de cada instituição financeira, o programa estabelece diretrizes e requisitos comuns a todos os participantes, os quais foram detalhados e complementados por atos normativos do Ministério da Fazenda”, informou a entidade, que presta apoio técnico aos bancos para a execução das medidas.

Em comunicados oficiais, instituições como Bradesco, Itaú, C6 Bank e Nubank confirmaram que seguirão as diretrizes da Medida Provisória. O Nubank destacou que a retirada do nome dos cadastros, nos casos de renegociações acima de R$ 100, ocorre de forma automática após a compensação do pagamento da primeira parcela.

Condições de renegociação e descontos
O Desenrola Brasil é voltado para brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Os descontos oferecidos variam conforme a modalidade do débito e o tempo de atraso. Segundo o Ministério da Fazenda, a média de redução das dívidas é de 65%, mas pode atingir patamares mais elevados:

  • Cartão de crédito rotativo e cheque especial: descontos entre 40% e 90%;
  • Crédito Direto ao Consumidor (CDC): descontos entre 30% e 80%.

Os débitos renegociados podem ser parcelados em até quatro anos (48 meses), com taxa de juros máxima de 1,99% ao mês. O limite para a renegociação é de R$ 15 mil por CPF, considerando o valor já após a aplicação dos descontos.

Restrições aos beneficiários
O programa conta com a garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para assegurar as transações. Uma das cláusulas previstas para as famílias que aderirem à renegociação é o bloqueio do CPF para uso em casas de apostas (bets) pelo período de 12 meses. Para participar, os interessados devem procurar diretamente os canais oficiais de atendimento dos bancos onde possuem os débitos.

11 de maio de 2026
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Entenda como suspensão da Ypê pela Anvisa virou tema de disputa política nas redes

A suspensão de lotes de produtos de limpeza da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), determinada na última quinta-feira (7), ultrapassou a esfera do controle sanitário para se consolidar como uma nova disputa política nas redes sociais brasileiras. A medida, adotada após a identificação de falhas de fabricação e risco de contaminação microbiológica na unidade de Amparo (SP), deflagrou uma campanha de apoio à fabricante por parte de políticos, influenciadores e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que acusam o atual governo de perseguição em virtude do histórico de doações da empresa a campanhas eleitorais.

A decisão da Anvisa e o risco sanitário
A controvérsia teve início quando a Anvisa determinou o recolhimento de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes (linhas Ypê, Tixan Ypê, Bak Ypê e Atol) cujos lotes terminam com a numeração 1. Segundo a agência, foram identificados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo que indicam a possibilidade de contaminação por microrganismos capazes de provocar irritações ou doenças. A determinação inicial incluía a suspensão da fabricação, comercialização e uso dos itens.

Em resposta, a Ypê emitiu nota classificando a medida como “arbitrária e desproporcional”, afirmando ter recebido a decisão com “indignação”, mas informou a paralisação de parte da produção de líquidos para implementar as exigências do órgão, ressaltando que a segurança dos consumidores é sua maior prioridade. Após recurso da fabricante, a Anvisa suspendeu temporariamente os efeitos legais da restrição para reavaliação. No entanto, o órgão federal e o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo mantêm a recomendação expressa para que os consumidores não utilizem os lotes afetados até que haja uma decisão definitiva, prevista para ser avaliada em reunião nesta semana.

Polarização e reações nas redes
Em poucas horas, a deliberação técnica foi absorvida pela polarização política. Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) passaram a associar a suspensão a uma retaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A alegação, feita sem apresentação de provas, baseia-se nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2022, que apontam doações no valor de R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Bolsonaro feitas por três membros da família Beira, controladora da Química Amparo (dona da marca). O maior repasse, de R$ 500 mil, foi realizado por Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações.

A partir dessa narrativa, formou-se uma campanha informal de incentivo à compra dos produtos. No sábado (9), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma imagem com viés positivo de um frasco de detergente Ypê. Políticos com mandato também endossaram o movimento: o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, gravou vídeo lavando louça e pedindo o fim da “sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira”; o senador Cleitinho questionou, em tom de deboche, se a Anvisa fiscalizaria “a bucha de cada brasileiro”; e o deputado estadual Lucas Bove afirmou que a companhia sofre perseguição por ser “bolsonarista”. O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, adotou tom moderado, orientando a troca dos lotes, mas criticando o “massacre” contra a marca.

Celebridades alinharam-se ao discurso. A cantora Jojo Todynho postou vídeos utilizando o detergente, e o ator Júlio Rocha ironizou a situação relatando já ter “tomado banho com Ypê”. O ecossistema digital também registrou a circulação de memes e imagens geradas por inteligência artificial, com usuários sugerindo que a empresa eliminasse a cor vermelha de suas embalagens em alusão ao PT.

Risco à saúde em vídeos de protesto
O ápice da politização do caso ocorreu no domingo (10), quando um vídeo de um homem não identificado viralizou nas plataformas digitais. Nas imagens, o indivíduo ingere o detergente diretamente do frasco enquanto profere provocações a militantes petistas.

A atitude gerou alertas imediatos. Especialistas advertem que o consumo de produtos de limpeza compostos por tensoativos e agentes químicos oferece grave risco à saúde, podendo resultar em queimaduras no trato digestivo, vômitos e intoxicação severa.

Histórico de controvérsias
O episódio recente reacende o escrutínio sobre a Química Amparo, que já esteve no centro de outras polêmicas recentes. Na esfera sanitária, em novembro de 2025, a empresa precisou recolher preventivamente lotes de lava-roupas líquidos (linhas Express, Tixan e Power Act) após análises detectarem a bactéria Pseudomonas aeruginosa, que pode causar infecções em pessoas imunossuprimidas.

No campo político-trabalhista, a companhia foi condenada pela Justiça do Trabalho por assédio eleitoral durante o pleito de 2022. O Ministério Público do Trabalho comprovou a realização de uma transmissão ao vivo interna que tentava influenciar os funcionários a votarem em Bolsonaro. A condenação, que proibiu propagandas eleitorais internas sob pena de multa de R$ 100 mil, foi mantida em segunda instância pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15). Na ocasião, a Ypê declarou ser “apartidária”.

A marca também enfrentou acusações de racismo em 2023 devido a uma instalação publicitária em Salvador (BA). A peça exibia a escultura de uma mão negra segurando um produto multiuso, o que foi associado por internautas a estereótipos do trabalho doméstico. A Ypê repudiou as acusações e justificou que a obra representava a personagem “Mãozinha”, da Família Addams, embora campanhas anteriores mostrassem a mesma personagem com pele branca.

11 de maio de 2026
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Plataforma facilita compra de R$ 60,8 milhões da agricultura familiar para merenda escolar no ES

Cerca de 2,7 mil escolas do Espírito Santo passam a utilizar a plataforma federal Contrata+Brasil para a aquisição de alimentos da agricultura familiar destinados à merenda escolar. A integração do sistema digital com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem o objetivo de simplificar a aplicação de pelo menos R$ 60,8 milhões previstos para este ano no estado, conectando diretamente os produtores locais às instituições de ensino. A iniciativa visa garantir o cumprimento da regra que exige a destinação de 45% dos repasses para compras de pequenos agricultores, abastecendo mais de 786 mil estudantes capixabas matriculados nas redes federal, estadual, municipal e privada sem fins lucrativos.

Como funciona a conexão
A plataforma atua organizando as ofertas e aproximando quem produz de quem compra. A inscrição dos agricultores familiares ocorre nos mesmos moldes do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Após realizar o cadastro e informar os itens que produz, o agricultor passa a receber notificações automáticas por meio do aplicativo WhatsApp sempre que um órgão público de sua região publicar uma demanda de compra no sistema.

O Contrata+Brasil realiza um ranqueamento automático, priorizando os fornecedores que estão geograficamente mais próximos do local de entrega. Essa dinâmica busca facilitar o acesso dos produtores aos contratos da própria cidade, estimulando a economia dos municípios. A aquisição de alimentos define como grupos prioritários os assentamentos da reforma agrária, povos indígenas, quilombolas, além de grupos de mulheres e jovens agricultores, que ganham acesso direto para vender às esferas federal, estadual, municipal e distrital.

O edital específico contendo as regras para o fornecimento de alimentos ao PNAE via plataforma foi programado para o mês de abril.

Recursos e impacto no Espírito Santo
De acordo com os dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e responsável pela gestão do PNAE, a estimativa é que o Espírito Santo receba um total de R$ 135,3 milhões em 2026 para a alimentação escolar.

Deste montante, a cota mínima obrigatória de 45% totaliza os R$ 60,8 milhões que devem ser injetados na cadeia produtiva local da agricultura familiar. O atendimento da demanda alimentar, previsto na Lei nº 11.947/2009 e regulamentado pela Resolução CD/FNDE nº 04/2026, ocorre por meio do repasse de recursos financeiros às secretarias de educação e às unidades executoras das entidades filantrópicas, sem fins lucrativos ou comunitárias.

O Contrata+Brasil e o cenário nacional
O Contrata+Brasil é uma solução do governo federal criada para reduzir a burocracia nas contratações públicas e incluir microempreendedores individuais (MEIs) e pequenos fornecedores neste mercado. O módulo voltado exclusivamente à aquisição de alimentos está em operação desde novembro de 2025, tendo sido lançado durante a COP30, em Belém (PA).

Além da compra de alimentos, desde dezembro de 2025 a plataforma também atende as escolas públicas por meio da integração com o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Essa frente possibilita a contratação simplificada de serviços de manutenção e pequenos reparos para a infraestrutura escolar. Atualmente, o sistema reúne cerca de 1,7 mil órgãos públicos, supera a marca de dez mil empreendedores e contabiliza 1,3 mil agricultores familiares cadastrados em todo o país, tendo movimentado mais de R$ 20,5 milhões em serviços contratados.

Em âmbito nacional, o FNDE projeta destinar mais de R$ 6,8 bilhões ao PNAE ao longo de 2026. O recurso tem o potencial de beneficiar mais de 146 mil escolas e 39 milhões de matrículas. Caso a estimativa do governo se concretize, mais de R$ 3,08 bilhões em alimentos (o correspondente a 45% do orçamento total) terão de ser adquiridos obrigatoriamente da agricultura familiar no país este ano.

11 de maio de 2026
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Frente fria traz chuvas e queda de temperatura para o ES neste início da semana

A passagem de uma frente fria e a aproximação de uma massa de ar polar mudam as condições do tempo no Espírito Santo a partir desta segunda-feira (11). De acordo com boletins oficiais divulgados pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, a previsão indica a possibilidade de pancadas de chuvas de intensidade fraca a moderada devido à atuação desse sistema frontal. As mudanças atmosféricas também são acompanhadas por rajadas de vento de intensidade moderada em toda a faixa litorânea capixaba.

Chuvas pelo estado e alertas
Para o período entre segunda-feira e quinta-feira (14), os maiores acumulados de precipitação estão previstos para a faixa costeira do Espírito Santo. Segundo as últimas análises do órgão estadual, a probabilidade de tempo severo no território capixaba é baixa. Até o momento, os mapas de risco para a segunda e a terça-feira (12) apontam que não há um aviso meteorológico ativo para o estado.

De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a presença da frente fria no mar provoca chuva em alguns momentos do dia na Grande Vitória, na região Sul e na Serrana nesta segunda-feira. Nas regiões Norte, Noroeste e Nordeste, ocorre aumento de nuvens com previsão de chuva a partir do final da tarde. Na terça-feira, o avanço da frente fria pelo Espírito Santo mantém o dia nublado e favorece a precipitação em todas as regiões do estado.

Frio moderado e temperaturas regionais
O instituto Climatempo informa que uma forte massa de ar polar passando pelo centro-sul do Brasil é responsável pela queda de temperatura mais acentuada registrada no país em 2026. No Espírito Santo, este ar polar chega enfraquecido ao centro-sul do estado na segunda-feira, garantindo dias de frio moderado em 11 e 12 de maio, influenciando inclusive a Grande Vitória.

Os dados do Incaper detalham uma ligeira queda de temperatura neste início de semana. Na segunda-feira, a Grande Vitória deve registrar mínima de 18 °C e máxima de 28 °C (na capital Vitória, os termômetros variam entre 19 °C e 27 °C). Nas áreas altas da região Serrana, a mínima chega aos 13 °C, com máxima de 25 °C. Na região Sul, os locais mais elevados marcam entre 15 °C e 27 °C. Nas regiões Norte e Nordeste, as temperaturas variam de 20 °C a 32 °C; já no Noroeste, a máxima atinge 33 °C.

Retorno do tempo firme
A condição de instabilidade perde força na metade da semana. A Defesa Civil do Espírito Santo indica o predomínio de tempo firme em todo o estado ao final do período analisado, destacando que a quinta-feira (14) terá baixa probabilidade de ocorrência de chuvas.

Esta transição começa na quarta-feira (13), conforme a previsão do Incaper. A frente fria se desloca em direção ao sul da Bahia, afastando a nebulosidade e consolidando o tempo firme no território capixaba. Sem previsão de chuva e com o tempo novamente aberto, as temperaturas voltam a subir no estado.

11 de maio de 2026
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41% dos brasileiros veem crime organizado agir no próprio bairro, mostra pesquisa

O crime organizado atua de forma direta no cotidiano de 68,7 milhões de brasileiros e dita as regras de convivência para cerca de 42,2 milhões de pessoas, revela a pesquisa “Os gatilhos da insegurança”, divulgada pelo Datafolha neste domingo (10). Encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas em 137 municípios entre os dias 9 e 10 de março. Os dados apontam que o controle territorial das facções altera os hábitos da população, gera um mapa de medo que afeta desproporcionalmente as mulheres e ocorre em paralelo a um cenário onde 40% dos cidadãos foram vítimas de algum delito nos últimos 12 meses, com destaque para as fraudes financeiras digitais.

A capilaridade do crime organizado e o controle territorial
De acordo com o Datafolha, 41% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam notar a atuação do crime organizado na vizinhança onde vivem. Outros 51% declaram que o problema inexiste na sua região, enquanto 7% não souberam responder. Entre os que percebem a criminalidade, 43% a classificam como “pouco visível”, 25% como “muito visível” e 21% como “visível”.

A presença dessas organizações repercute diretamente no comportamento dos moradores. Do total que reconhece a atuação criminosa no bairro, 35% avaliam que os grupos influenciam muito as decisões e regras de convivência locais. Para 26,5%, o impacto é moderado e, para 19%, baixo.

As imposições geram restrições silenciosas. Entre os que veem o crime na própria rua, 81% têm medo de ficar em meio a um confronto armado, 75% evitam determinados locais e 71% temem que familiares se envolvam com o tráfico. O receio de sofrer represálias ao denunciar um delito atinge 64%. Há também impactos econômicos: 12,5% dizem ser obrigados a contratar serviços (como internet, energia e água) indicados pelos criminosos, e 9% são forçados a comprar marcas específicas.

Segundo o FBSP, esses números demonstram que a influência sobre a vida dos brasileiros “não exige necessariamente uma presença ostensiva permanente, com barricadas e homens armados visíveis o tempo todo”. O presidente da instituição, Renato Sérgio de Lima, avalia a situação atual: “A gente tem que reconhecer que o Brasil vive um momento de consolidação criminal, com um conjunto de organizações que têm controlado territórios, mercados, e sobretudo regulado a vida da população”.

A percepção do crime organizado é maior nas capitais (56%) e nas regiões metropolitanas (46%), mas atinge 34% no interior. “Estamos falando que um terço da população do interior está reconhecendo a presença desses grupos”, destaca a diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno. O dado reflete a expansão nacional de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Presentes nas 27 unidades da Federação, as organizações são hegemônicas em 13 estados.

O mapa do medo e a restrição ao cotidiano feminino
A pesquisa constata que 96,2% dos brasileiros têm medo de ao menos uma das 13 situações de violência apresentadas pelos pesquisadores. Os temores mais citados de forma geral são: ser vítima de golpe financeiro digital (83,2%), sofrer assalto à mão armada (82,3%), ser morto durante um assalto (80,7%) e ter o celular subtraído (78,8%).

No recorte por gênero, o medo impacta de maneira mais aguda e restritiva o cotidiano das mulheres. Nos últimos 12 meses, 40,9% delas deixaram de sair à noite por medo da violência, contra 29,8% dos homens. Além disso, 37,8% das mulheres optaram por não sair às ruas com o aparelho celular por receio de assaltos, ante 28,9% do público masculino. De forma geral, o Datafolha também mediu que 36,5% dos brasileiros chegaram a mudar de percurso nas ruas para evitar riscos.

Diversos medos ultrapassam a marca de 80% entre o público feminino, liderados pelo receio de assalto à mão armada e golpes digitais (ambos com 86,6%). Na sequência, aparecem o temor de ser morta em um assalto (86,2%), ter o celular roubado (83,6%), ser vítima de agressão sexual (82,6%) ou bala perdida (82,3%) e ter a casa invadida (82,6%). Entre os homens, nenhuma das situações pesquisadas alcançou o patamar de 80%.

De acordo com o FBSP, “o mapa feminino do medo incorpora, no centro da percepção de insegurança, uma ameaça que para os homens não ocupa lugar equivalente”, indicando que “a experiência feminina da insegurança é mais totalizante”.

Os dados sobre o medo feminino são divulgados no momento em que o Brasil registra uma alta de 7,5% nos casos de feminicídio. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram 399 mulheres mortas no primeiro trimestre de 2026, o maior índice para o período na série histórica de 11 anos.

Golpes digitais lideram ocorrências entre os brasileiros
Além de medir a percepção e o medo, o Datafolha mapeou a vitimização concreta: 40% dos entrevistados sofreram algum tipo de crime no último ano. Os golpes digitais que resultam em perdas financeiras lideram as estatísticas, atingindo 15,8% das vítimas, o equivalente a 26,3 milhões de pessoas.

Em segundo lugar, 13,1% dos brasileiros afirmam conhecer alguém ou ter um familiar que foi assassinado no último ano. A lista segue com vítimas de fraudes em aplicativos bancários ou Pix (12,4%), vítimas ou conhecidos de vítimas de bala perdida (9,7%), furtos e roubos de celular (8,3%), assaltos na rua (6,5%) e conhecidos mortos em assaltos (6,2%).

A pesquisa identifica variações conforme a faixa de renda. Nas classes A, B e C, o crime com maior incidência é o golpe pela internet ou celular. Já nas classes D e E, a liderança muda: 15,2% dos entrevistados relatam que algum familiar ou conhecido foi assassinado nos últimos 12 meses, evidenciando o impacto letal da violência nas camadas mais vulneráveis da população.

11 de maio de 2026
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Fim do “meio amargo”: Nova lei exige percentual exato de cacau nas embalagens de chocolates no Brasil

A Lei nº 15.404/2026, que estabelece novos critérios de composição e rotulagem para produtos derivados de cacau no Brasil, foi publicada na edição desta segunda-feira (11) do Diário Oficial da União. A norma extingue o uso de termos genéricos como “amargo”, “meio amargo” e “intenso”, obrigando as indústrias a destacarem o percentual exato do ingrediente na parte frontal das embalagens. O prazo determinado para a adaptação de todo o setor às novas regras é de 360 dias.

Originada do Projeto de Lei 1.769/2019, conhecido como “lei do cacau” e apresentado pelo senador Zequinha Marinho, a proposta havia sido aprovada em sua etapa final no Senado em 15 de abril de 2026, sendo então encaminhada para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A criação da lei foi motivada pela ausência de regras claras sobre a formulação dos produtos e pelo uso confuso de nomenclaturas, que aplicavam os mesmos termos para itens com quantidades divergentes de cacau. O objetivo é evitar que o consumidor seja induzido ao erro e alinhar o mercado brasileiro aos padrões internacionais e europeus.

O que muda nas embalagens
A partir da vigência integral da lei, os fabricantes deverão informar de forma clara o percentual de cacau presente nos produtos nacionais e importados, utilizando o formato “Contém X% de cacau” (como “Contém 70% de cacau”). A legislação determina que essa indicação ocupe pelo menos 15% da área frontal da embalagem, com destaque suficiente para facilitar a leitura.

O texto também proíbe o uso de imagens, cores ou expressões que sugiram que um produto é chocolate quando ele não atende às exigências mínimas da lei, regra que se estende às embalagens, publicidade e identificação comercial.

Critérios de classificação
A nova lei define oficialmente o que pode ser chamado de “chocolate”: produtos elaborados a partir de amêndoas de cacau limpas, fermentadas e secas, sem cascas ou películas. O uso de gorduras vegetais diferentes da manteiga de cacau passa a ser limitado a, no máximo, 5% da composição.

Para receberem a nomenclatura principal de chocolate, os itens devem seguir percentuais mínimos de sólidos totais de cacau (que englobam massa e manteiga de cacau), estipulados da seguinte forma:

  • Chocolate: igual ou superior a 35% de sólidos totais de cacau;
  • Chocolate ao leite: igual ou superior a 25% de sólidos de cacau e, no mínimo, 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
  • Chocolate branco: igual ou superior a 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite;
  • Chocolate em pó: igual ou superior a 32% de sólidos totais de cacau;
  • Cacau em pó: mínimo de 10% de manteiga de cacau;
  • Achocolatado ou cobertura sabor chocolate: mínimo de 15% de sólidos ou manteiga de cacau.

Marcas, especialmente as de baixo custo que utilizam grandes proporções de gordura vegetal, cujos produtos não atingirem os índices mínimos estabelecidos estão proibidas de utilizar a palavra “chocolate”. Nesses casos, os itens deverão ser classificados comercialmente como “Composto de chocolate” ou “Cobertura sabor chocolate”.

Impactos no agronegócio e sanções
No setor econômico, a medida projeta uma maior valorização da matéria-prima nacional. Com a obrigatoriedade de teores mais elevados nos produtos finais, prevê-se um aumento na demanda pelo cacau brasileiro, concentrado nos estados da Bahia e do Pará. Os efeitos indicam o fortalecimento da agricultura familiar cacaueira, incentivo à produção de produtos premium nacionais e a redução da dependência da matéria-prima importada.

A responsabilidade pela fiscalização do cumprimento das regras ficará a cargo de órgãos de defesa do consumidor e das entidades sanitárias competentes, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Após o prazo de transição de 360 dias, as empresas que mantiverem irregularidades nas formulações, rótulos ou na comunicação estarão sujeitas às punições previstas na legislação sanitária e no Código de Defesa do Consumidor.

11 de maio de 2026
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Tesouro lança título público com aplicação a partir de R$ 1 e resgate 24 horas via Pix

O Tesouro Nacional, em parceria com a B3 e o Banco do Brasil (BB), lança nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, um novo título da dívida pública federal desenhado para a formação de reservas financeiras. Com aporte inicial estipulado em R$ 1 e limite mensal de R$ 500 mil por investidor, o produto oferece rendimento atrelado à taxa Selic e permite resgates ininterruptos, 24 horas por dia, nos sete dias da semana, com transferência imediata dos recursos via Pix. O lançamento oficial ocorre com o tradicional toque de campainha na bolsa de valores (B3), em São Paulo, e a aplicação visa disputar o mercado de curto prazo com a caderneta de poupança e as contas remuneradas das instituições financeiras.

Como funciona e onde investir
O prazo de vencimento do papel é de três anos, mas o investidor pode solicitar o resgate a qualquer momento sem sofrer descontos no montante aplicado. O rendimento passa a ser contabilizado no primeiro dia útil subsequente à aplicação.

Neste primeiro momento, as operações ocorrem com exclusividade pelo aplicativo Investimentos BB, destinado aos 80 milhões de correntistas da instituição, parceira no desenvolvimento do projeto. O acesso ao produto foi liberado de forma integral na última quinta-feira (7), após uma fase de testes. A B3 informou que outras instituições financeiras estão em fase de homologação e devem disponibilizar o papel em breve, dependendo da adesão e implementação de cada banco.

Para o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto foi estruturado para o investidor que “quer rentabilidade, mas também quer segurança”. A lógica é reforçada pelo diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da B3, Felipe Paiva. “A pessoa pode aplicar a partir de R$ 1 e resgatar quando quiser, 24×7, de forma simples. Isso reforça uma questão importante de finanças comportamentais: quando a pessoa detém um investimento, aumenta seu interesse na jornada de educação financeira”, afirma Paiva.

Fim da marcação a mercado
A principal alteração técnica do Tesouro Reserva em relação ao já existente Tesouro Selic é a ausência da chamada “marcação a mercado”. Esse mecanismo atualiza diariamente o preço dos títulos conforme as expectativas de juros e inflação, o que pode gerar pequenas variações negativas temporárias no extrato do investidor em caso de resgate antecipado. O novo papel elimina essa volatilidade, garantindo que o saldo não apresente oscilações para baixo.

Segundo a planejadora financeira Patricia Palomo, a marcação a mercado gerava desconforto em iniciantes. “Muitos investidores ouviam que o Tesouro Selic era adequado para reserva de emergência, mas ao visualizar pequenas oscilações negativas no saldo, concluíam que tinham ‘perdido dinheiro’, mesmo quando isso fazia parte da dinâmica normal da marcação a mercado”, explica a especialista. “O principal ponto é entender que ‘sem marcação a mercado’ não significa ausência total de riscos. Movimentações muito frequentes podem reduzir bastante a rentabilidade líquida”, complementa.

Concorrência com CDBs e tributação
Ao simplificar a operação e garantir liquidez fora do horário bancário, o governo federal posiciona o Tesouro Reserva como um concorrente direto de produtos privados, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as “caixinhas” digitais.

Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, aponta que o formato adotado pelo governo espelha serviços do setor privado. “Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs. Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, avalia. A taxa Selic atual encontra-se no patamar de 14,50% ao ano, embora o Ministério da Fazenda ainda não tenha detalhado se a rentabilidade corresponderá a exatos 100% desse indicador.

Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, pondera sobre os custos envolvidos. “O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, afirma.

Em relação aos custos e tributos, aplicam-se as regras padrão de renda fixa:

  • Imposto de Renda (IR): Cobrado de forma automática na fonte apenas sobre os rendimentos (e não sobre o valor total), seguindo a tabela regressiva. A alíquota é de 22,5% para aplicações de até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; e 15% para prazos superiores a 720 dias.
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): Incide sobre o rendimento apenas em caso de resgate nos primeiros 30 dias, sendo zerado a partir do 31º dia.
  • Taxa de Custódia da B3: A cobrança padrão é de 0,20% ao ano, mas aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa taxa. Ainda não houve divulgação oficial da B3 se haverá alguma tarifa específica para esta nova modalidade além do custo padrão da plataforma.
11 de maio de 2026
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Espírito Santo lidera ranking nacional de conectividade em escolas estaduais

O Espírito Santo assumiu a primeira posição nacional no Indicador Escolas Conectadas (Inec), do Governo Federal, ao registrar 91,7% de suas escolas estaduais com conectividade dentro dos parâmetros adequados. De acordo com o painel de monitoramento, 352 das 384 unidades de ensino avaliadas atendem aos critérios técnicos de velocidade e infraestrutura estabelecidos para o setor.

O indicador acompanha o acesso à internet em redes de ensino de todo o País, monitorando aspectos como a velocidade da conexão e a cobertura de Wi-Fi, o que inclui a contagem de pontos de acesso (Access Points) disponíveis em cada unidade. No Espírito Santo, o resultado é atribuído a ações da Secretaria da Educação (Sedu) voltadas para a infraestrutura tecnológica.

Infraestrutura e metas
A expansão da rede teve início com a instalação de sistemas Wi-Fi de 2,4 GHz, com planejamento voltado para a redução de “áreas de sombra” (pontos sem sinal) dentro do ambiente escolar. Atualmente, a Sedu trabalha para que todas as unidades alcancem o parâmetro mínimo de 1 Mbps por aluno, conforme as diretrizes do Ministério da Educação (MEC).

Para atingir essa meta, o órgão realiza a atualização de dados, análise da capacidade dos links de internet disponíveis e adoção de medidas complementares de suporte técnico.

Expansão tecnológica e internet via satélite
A rede estadual passa por um processo de atualização para a tecnologia de 5,8 GHz. O projeto prevê a instalação de um ponto de acesso por sala de aula, visando maior estabilidade de conexão, menor interferência e suporte ao uso simultâneo de dispositivos e plataformas digitais pedagógicas.

Em outra frente, o Governo do Estado executa a implantação de internet via satélite em 155 escolas estaduais. A iniciativa foca em unidades localizadas em áreas com limitações de infraestrutura terrestre, buscando garantir alternativas de acesso nessas regiões.

Gestão e monitoramento
Segundo a secretária de Estado da Educação, Andréa Guzzo, o índice reflete o investimento em recursos digitais. “Alcançar 91,7% das unidades dentro dos parâmetros adequados, com 352 escolas conectadas, mostra o avanço da rede estadual na garantia de melhores condições de acesso à internet. A conectividade é essencial para o uso de plataformas educacionais, recursos digitais e práticas pedagógicas mediadas por tecnologia”, afirmou.

A gestão técnica do sistema é de responsabilidade da Gerência de Tecnologia da Informação (GTI) da Sedu. O gerente da área, Edgard Scheidegger Wetler, destacou que o trabalho envolve fiscalização e controle contratual. “Por meio de planejamento, controle contratual e monitoramento contínuo, a GTI tem contribuído diretamente para elevar a qualidade, a disponibilidade e a segurança da internet nas escolas”, explicou.

Sobre o programa
O monitoramento faz parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), uma iniciativa do Governo Federal. O objetivo do programa é articular políticas públicas para universalizar o acesso à internet de alta qualidade e assegurar o uso pedagógico de tecnologias em todas as escolas públicas de educação básica do Brasil.

11 de maio de 2026
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Brasil confirma primeira morte por hantavírus em 2026

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirmou, neste domingo (10), a única morte por hantavírus registrada no Brasil em 2026 até o momento. A vítima é um homem de 46 anos, morador do município de Carmo do Paranaíba (MG), que faleceu após contato com roedores silvestres em uma lavoura. O óbito nacional coincide com o registro de novas infecções no Paraná e com o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre um surto letal da doença em um navio de cruzeiro, motivando o reforço das orientações de vigilância epidemiológica em estados como o Espírito Santo.

O caso em Minas Gerais e o cenário nacional
Os primeiros sintomas do paciente mineiro começaram no dia 2 de fevereiro, inicialmente com um quadro de cefaleia. Quatro dias depois, ele buscou atendimento médico apresentando febre, além de dores musculares, articulares e na região lombar. O paciente evoluiu a óbito no dia 8 de fevereiro. Amostras biológicas foram analisadas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), que confirmou o diagnóstico de hantavirose por meio de sorologia IgM reagente. A pasta estadual de saúde ressaltou que “trata-se de um caso isolado, sem relação com outros registros da doença”.

Até o dia 27 de abril, o Ministério da Saúde contabilizava sete casos confirmados no país em 2026, sendo dois deles em território mineiro. No ano anterior, em 2025, o Brasil registrou 35 infecções e 15 óbitos, dos quais seis casos e quatro mortes ocorreram em Minas Gerais.

Ainda na última sexta-feira (8), o Paraná confirmou dois novos casos nas cidades de Pérola D’Oeste e Ponta Grossa. De acordo com a Secretaria de Saúde paranaense, a situação está sob controle no estado, havendo atualmente 11 casos em investigação e 21 descartados.

Vigilância e notificação no Espírito Santo
Para a realidade do Espírito Santo, o contexto nacional exige atenção. Uma Nota Técnica emitida pelo Governo do Estado do Espírito Santo orienta os serviços de saúde capixabas sobre o fluxo de investigação. A hantavirose é uma doença sistêmica febril presente em todas as regiões do Brasil, com maior incidência no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O perfil mais acometido pelas infecções é composto por homens na faixa etária de 20 a 39 anos, geralmente em áreas rurais e situações ocupacionais ligadas à agricultura.

Devido à sua gravidade, a taxa de letalidade média chega a aproximadamente 40%, o que faz com que a maioria dos infectados necessite de assistência hospitalar. Todo caso suspeito de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) precisa ser transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) o mais rápido possível.

No território capixaba, a doença é de notificação compulsória imediata e de investigação obrigatória. Os profissionais devem registrar a notificação em até 24 horas a partir da suspeita e comunicar o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). Para a confirmação, exames de sorologia devem ser encaminhados ao Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen).

Surto da doença em alto-mar
De forma paralela aos casos no Brasil, a OMS confirmou na terça-feira (5) um surto da doença a bordo do cruzeiro MV Hondius. A embarcação, gerida pela Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, no início de abril, passando por ilhas remotas no Oceano Atlântico.

Durante a viagem, diversos ocupantes desenvolveram uma doença respiratória de rápida progressão, resultando na morte de um passageiro e de um casal holandês. As investigações apontam que ocorreu transmissão de pessoa a pessoa a bordo. Esta modalidade de contágio humano é relatada na Argentina e no Chile, sempre associada ao hantavírus Andes. A possível origem do vírus fora do navio seria um voo em Joanesburgo, na África do Sul.

Os cerca de 150 ocupantes desembarcaram neste domingo (10) em Tenerife, nas Ilhas Canárias, com previsão de repatriação até esta segunda-feira (11). Autoridades sanitárias brasileiras afirmam que os casos diagnosticados no Brasil, incluindo a morte em Minas Gerais, não possuem ligação com o genótipo Andes e não têm relação com o cruzeiro.

Transmissão e medidas de prevenção
A hantavirose é uma zoonose viral cujos agentes etiológicos habitam roedores silvestres, embora o vírus também seja transmitido por marsupiais e morcegos. A contaminação humana ocorre majoritariamente pela inalação de aerossóis formados pela urina, fezes e saliva de animais infectados. Outras vias incluem mordeduras ou contato com as mucosas dos olhos, boca ou nariz por meio de mãos sujas.

O período de incubação no homem varia de três a 60 dias. Os sintomas englobam febre, dores musculares e lombares, cefaleia, problemas abdominais e tonturas. Em quadros severos, causa dificuldade respiratória, hipotensão e pode evoluir para a Síndrome da Angústia Respiratória Aguda. Não há tratamento específico ou antiviral para a infecção, sendo o combate focado exclusivamente no suporte clínico aos sintomas.

A prevenção da enfermidade foca em afastar os reservatórios do vírus do convívio humano. Recomenda-se:

  • Manter alimentos armazenados em recipientes bem fechados e protegidos;
  • Eliminar corretamente lixo e entulhos;
  • Não deixar ração ou restos de comida de animais de estimação expostos;
  • Manter plantações a uma distância mínima de 40 metros das casas;
  • Ao higienizar locais fechados como paióis e armazéns, deve-se primeiro ventilar o ambiente e umedecer o chão com água e sabão. A varrição a seco levanta a poeira que contém as partículas infectantes, provocando a inalação do vírus.
9 de maio de 2026
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Festival de Inverno de Guaçuí reúne grandes nomes da música e temática de Las Vegas em junho

O Centro de Eventos de Guaçuí, na região do Caparaó, recebe entre os dias 4 e 6 de junho o Festival de Inverno de Guaçuí (FIG) 2026. Realizado durante o feriado de Corpus Christi, o evento promove uma imersão que une música, gastronomia regional e uma cenografia temática inspirada nos cassinos de Las Vegas. As entradas para o evento já estão disponíveis para venda. Os interessados devem observar que haverá uma virada de lote neste domingo (10), o que resultará em alteração nos valores vigentes. Confira aqui.

Atrações musicais
O palco do festival contará com apresentações de artistas de relevância nacional. Alexandre Pires traz a turnê “Pagonejo”, um espetáculo de aproximadamente duas horas que mescla os gêneros de pagode e sertanejo. Paulo Ricardo, atual detentor do recorde de público do evento, retorna à programação, que também inclui o show oficial em tributo aos Mamonas Assassinas.

O músico Almir Sater apresentará clássicos da música regional brasileira, como “Tocando em Frente” e “Chalana”. A grade de shows é completada por artistas capixabas, representados pela cantora Priscila Ribeiro e pelas bandas Royal6 e Dallas Country.

Experiência imersiva e jogos
A edição de 2026 apresenta uma ambientação inspirada em Las Vegas, desenvolvida por uma equipe especializada com atuação em nível nacional. O espaço contará com a presença de croupiers e mesas de jogos como Black Jack, Poker, Poker Caribenho e Roleta.

As atividades têm caráter estritamente recreativo e orientado, sem a prática de apostas. Cada visitante receberá uma quantidade de fichas para participar das rodadas. Além das mesas, o público terá à disposição jogos de fliperama e máquinas de garra para captura de prêmios.

Área premium e gastronomia
Uma das novidades desta edição é a criação de um camarote planejado para oferecer maior conveniência. O espaço premium disponibiliza mesas para até quatro pessoas, serviço de garçom, banheiros privativos, vista frontal para o palco e acesso a um cardápio digital integrado aos restaurantes do evento.

No setor gastronômico, o festival prioriza nomes tradicionais da região. A curadoria de sabores abrange desde a culinária japonesa e árabe até pizzas e massas. A cozinha capixaba terá destaque com a oferta de moquecas e frutos do mar.

Impacto regional
Para o idealizador do festival, Elias Carvalho Soares, o evento funciona como um motor econômico para o sul do estado. “Ao longo dos anos, o festival se firmou como um motor para o turismo no Caparaó, movimentando a economia local e criando oportunidades para diferentes setores. É um impacto que chega aos empreendedores, aos serviços e a toda a cadeia envolvida, ao mesmo tempo em que fortalece a identidade cultural da região e amplia a visibilidade de Guaçuí no cenário nacional”, afirma.

Serviço – Festival de Inverno de Guaçuí 2026
Data: 4 a 6 de junho de 2026 (Feriado de Corpus Christi)
Local: Centro de Eventos (Centro de Convenções) de Guaçuí, ES
Ingressos disponíveis em meubilhete.com.br/festival-de-inverno-de-guacui-2026

8 de maio de 2026
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OMS diz que hantavírus não é “nova covid” e transmissão exige contato próximo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (8) que o hantavírus envolvido no surto registrado no navio de cruzeiro MV Hondius só é transmitido entre pessoas em situações de contato muito próximo, com exposição direta à saliva ou secreções respiratórias. O esclarecimento ocorre após a confirmação de mortes e casos da doença entre passageiros da embarcação, que passou pela América do Sul e segue em direção às Ilhas Canárias.

Segundo informações da agência portuguesa Lusa, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, explicou em entrevista, em Genebra, que a transmissão exige proximidade intensa entre pessoas infectadas e não infectadas. “Por contato próximo entende-se estar praticamente cara a cara, em proximidade direta, partilhando um espaço muito próximo com possível exposição a saliva ou a secreções ao tossir ou cuspir”, declarou Lindmeier.

Ainda de acordo com a OMS, houve casos de pessoas que dividiram cabine no navio e não foram contaminadas, o que, segundo o porta-voz, demonstra que “o risco real continua a ser muito baixo”. Lindmeier também afirmou que “não é uma nova covid” e ressaltou que o nível de transmissão do hantavírus é inferior ao do sarampo, doença altamente contagiosa. “O risco para a população é absolutamente baixo”, disse.

O surto ocorre a bordo do MV Hondius, embarcação da companhia Oceanwide Expeditions, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. O navio está a caminho de Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde deve chegar no domingo (10). Conforme balanço mais recente divulgado pela OMS, há cinco casos confirmados e três suspeitos ligados ao surto. Três passageiros morreram.

Investigação tenta identificar origem do contágio
As autoridades sanitárias investigam se a infecção começou ainda em terra firme, na Argentina, Chile ou Uruguai, por meio do contato com roedores contaminados, ou se houve transmissão já a bordo do navio. Reportagem da BBC News Brasil informa que autoridades de saúde acompanham passageiros que retornaram para países como Reino Unido, África do Sul, Holanda, Estados Unidos e Suíça. Segundo a Oceanwide Expeditions, não há registro de brasileiros a bordo.

A médica Maria Van Kerkhove, da OMS, declarou à BBC que o episódio não representa o início de uma nova pandemia. “Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito, muito diferente”, afirmou. Especialistas apontam que a cepa andina do hantavírus, identificada no surto, possui potencial limitado de transmissão entre humanos. Ainda assim, as condições de convivência em navios, com compartilhamento de cabines e áreas comuns, podem favorecer o contato próximo necessário para o contágio.

Monitoramento internacional de passageiros
Segundo a BBC News Brasil, autoridades sanitárias realizam rastreamento de passageiros e contatos considerados expostos ao vírus. O oficial-chefe de ciências da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA), Robin May, classificou a operação como “um esforço hercúleo”. Passageiros britânicos que retornaram do cruzeiro deverão permanecer isolados por 45 dias como medida preventiva. Dois cidadãos britânicos que desembarcaram na ilha de Santa Helena e retornaram ao Reino Unido após passagem pela África do Sul estão em isolamento voluntário, embora não apresentem sintomas.

Nos Estados Unidos, autoridades sanitárias dos estados da Geórgia e do Arizona monitoram três passageiros que desembarcaram do navio. Até o momento, nenhum apresentou sintomas. A Oceanwide Expeditions informou que os passageiros restantes e a tripulação devem deixar o navio por via aérea após a chegada às Ilhas Canárias. A empresa também afirmou que, até quinta-feira (7), não havia pessoas sintomáticas a bordo.

O que é o hantavírus
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados. A contaminação ocorre, geralmente, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais. De acordo com a BBC News Brasil, os sintomas podem surgir entre duas e quatro semanas após a exposição, mas o período de incubação pode ultrapassar um mês. Entre os sintomas estão febre, dores musculares, cansaço, dificuldade respiratória, dores abdominais, náuseas, vômitos e diarreia.

Não existe tratamento específico para a doença, mas o atendimento hospitalar pode aumentar as chances de sobrevivência. O tratamento é voltado ao controle dos sintomas.

Cepa andina circula no Chile e na Argentina
A cepa andina do hantavírus circula principalmente no Chile e na Argentina e foi identificada pela primeira vez em território chileno em 1995.

Segundo dados do Ministério da Saúde do Chile citados pela BBC News Brasil, o país registrou 39 casos da doença até 6 de maio deste ano, com 13 mortes, o equivalente a uma taxa de mortalidade de 33%. A transmissão entre humanos é considerada rara e excepcional. No Chile, o último caso documentado desse tipo ocorreu em 2019 e foi classificado pelas autoridades como uma situação pontual e controlada.

O principal reservatório da cepa andina é o rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus), espécie encontrada em diversas regiões do Chile e também na Argentina.

8 de maio de 2026
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Renda média das famílias brasileiras chega a R$ 2.264 e é recorde em 2025, aponta IBGE

O rendimento médio mensal das famílias brasileiras chegou a R$ 2.264 por pessoa em 2025, o maior valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor representa crescimento real de 6,9% em relação a 2024, já descontada a inflação. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro.

Segundo o levantamento, este é o quarto ano consecutivo de aumento da renda domiciliar per capita no Brasil. O rendimento é calculado a partir da soma de todas as fontes de renda dos moradores do domicílio, dividida pelo número de pessoas da residência. Além de salários e bônus, entram na conta aposentadorias, pensões, benefícios sociais, seguro-desemprego, bolsas de estudo, aluguel, aplicações financeiras e outras fontes de rendimento.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, afirmou que o mercado de trabalho teve peso relevante no resultado. “O valor foi puxado, em boa parte, pelo rendimento do trabalho”, disse.

Segundo ele, a redução do desemprego e os reajustes do salário mínimo contribuíram para a alta observada em 2025.

Evolução da renda desde antes da pandemia
Os dados mostram recuperação e crescimento da renda após as perdas registradas durante a pandemia da covid-19. Em 2019, antes da crise sanitária, o rendimento médio domiciliar per capita era de R$ 1.904. O indicador caiu para R$ 1.820 em 2020 e para R$ 1.692 em 2021.

A partir de 2022, a trajetória voltou a ser de crescimento:

  • 2022: R$ 1.809
  • 2023: R$ 2.018
  • 2024: R$ 2.118
  • 2025: R$ 2.264

Entre 2019 e 2025, o avanço acumulado do rendimento domiciliar per capita foi de 18,9%.

Sul, Centro-Oeste e Sudeste concentram maiores rendas
O levantamento mostra diferenças significativas entre as regiões brasileiras. O Sul registrou o maior rendimento médio domiciliar per capita do país, com R$ 2.734, seguido pelo Centro-Oeste (R$ 2.712) e Sudeste (R$ 2.669). Já os menores valores foram observados no Nordeste, com R$ 1.470, e no Norte, com R$ 1.558.

Entre os estados e o Distrito Federal, os maiores rendimentos foram registrados em:

  • Distrito Federal: R$ 4.401
  • São Paulo: R$ 2.862
  • Rio Grande do Sul: R$ 2.772
  • Santa Catarina: R$ 2.752
  • Rio de Janeiro: R$ 2.732
  • Paraná: R$ 2.687

Na outra ponta do ranking aparecem Maranhão (R$ 1.231), Acre (R$ 1.372) e Ceará (R$ 1.379).

Trabalho responde por 75% da renda das famílias
De acordo com o IBGE, 75,1% do rendimento médio mensal domiciliar per capita em 2025 tiveram origem no trabalho. As chamadas “outras fontes” representaram 24,9% da renda das famílias brasileiras. Dentro desse grupo, aposentadorias e pensões corresponderam a 16,4% do rendimento total. Os programas sociais do governo responderam por 3,5%.

Também compõem as outras fontes:

  • aluguel e arrendamento: 2,1%;
  • outros rendimentos: 2%;
  • pensão alimentícia, doações e mesadas: 0,9%.

No Nordeste, a dependência de fontes que não vêm do trabalho é maior. Na região, apenas 67,4% da renda têm origem no trabalho, enquanto 32,6% vêm de outras fontes. Os programas sociais representam 8,8% do rendimento das famílias nordestinas, maior percentual do país. Já aposentadorias e pensões correspondem a 20,4% da renda regional.

Brasil registra maior número de pessoas com rendimento
A Pnad também mostrou que o Brasil atingiu recorde no número de pessoas com algum tipo de rendimento. Em 2025, dos 212,7 milhões de habitantes do país, 143 milhões tinham alguma fonte de renda, o equivalente a 67,2% da população. O percentual supera o recorde anterior, registrado em 2024, quando 66,3% dos brasileiros possuíam rendimento.

Entre as pessoas acima de 14 anos, consideradas em idade de trabalhar, 82% tinham algum tipo de renda.

Segundo os dados:

  • 58% recebiam rendimento do trabalho;
  • 17% recebiam aposentadorias ou pensões;
  • 11% recebiam programas sociais do governo.

O rendimento médio mensal do trabalho atingiu R$ 3.560 em 2025, alta real de 5,7% em relação ao ano anterior e maior valor da série histórica. Considerando todas as fontes de renda, o rendimento médio mensal individual ficou em R$ 3.367, avanço de 5,4% frente a 2024.

Desigualdade aumenta em relação a 2024
Apesar da alta da renda média, o IBGE apontou aumento da desigualdade em 2025 na comparação com o ano anterior. Os 10% mais ricos da população tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa, valor 13,8 vezes maior do que o rendimento dos 40% mais pobres, cuja média foi de R$ 663 mensais. Em 2024, essa diferença era de 13,2 vezes.

Segundo o IBGE, o aumento da desigualdade ocorreu porque os rendimentos dos mais ricos cresceram 8,7% em 2025, enquanto os ganhos dos 40% mais pobres avançaram 4,7%. Mesmo assim, o instituto destaca que o nível atual de desigualdade ainda está abaixo dos patamares registrados antes da pandemia.

Entre 2019 e 2025:

  • a renda dos 40% mais pobres cresceu 37,6%;
  • a dos 10% mais ricos aumentou 11,9%;
  • a renda do grupo dos 10% mais pobres subiu 78,7%, passando de R$ 150 para R$ 268 mensais.

O analista Gustavo Fontes atribuiu a redução observada nos últimos anos ao mercado de trabalho e à ampliação dos programas sociais. “Se a gente analisar o mercado de trabalho nesse período mais longo, a gente vê que as classes de menor renda tiveram ganhos importantes, reajuste salarial mínimo, a expansão dos programas sociais do governo”, afirmou.

Índice de Gini sobe levemente
Outro indicador utilizado para medir a desigualdade é o Índice de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade. Em 2025, o índice brasileiro ficou em 0,511, acima dos 0,504 registrados em 2024. Apesar da alta, o resultado ainda é inferior aos níveis observados antes da pandemia. Segundo o IBGE, o comportamento do indicador não representa, neste momento, uma tendência consolidada de crescimento da desigualdade.

Benefícios sociais alcançam 18 milhões de famílias
A pesquisa também apontou que 22,7% das famílias brasileiras recebiam algum benefício social do governo em 2025, o equivalente a cerca de 18 milhões de domicílios. Nos lares que recebiam Bolsa Família, o rendimento domiciliar per capita médio foi de R$ 774. Entre os domicílios sem o benefício, o valor médio chegou a R$ 2.682.

Já os domicílios atendidos pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC-Loas) registraram rendimento médio per capita de R$ 1.218. Considerando todos os programas sociais, federais, estaduais e municipais, os domicílios beneficiados tiveram rendimento médio per capita de R$ 886, enquanto os que não recebiam benefícios alcançaram R$ 2.787.

8 de maio de 2026
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Fim de semana no ES tem alerta de chuva forte e aproximação de frente fria

O fim de semana no Espírito Santo deve registrar variações climáticas, alternando entre chuvas rápidas, períodos de tempo firme e um alerta amarelo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesta sexta-feira (8), 13 municípios do Norte capixaba enfrentam risco de precipitação acumulada de até 50 milímetros. Nas demais áreas do estado, a nebulosidade intercala com aberturas de sol, um cenário de transição que antecede a chegada de um novo sistema frontal a partir de segunda-feira (11), segundo dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil.

Alerta do Inmet
O Inmet divulgou um aviso meteorológico na cor amarela, válido até a meia-noite desta sexta-feira (8), indicando a possibilidade de chuvas de 20 a 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros ao dia. O alerta abrange os municípios de Aracruz, Boa Esperança, Colatina, Conceição da Barra, Jaguaré, Linhares, Marilândia, Pedro Canário, Pinheiros, Rio Bananal, São Mateus, Sooretama e Vila Valério. Segundo o instituto, o risco de alagamentos é baixo e há chance de pequenos deslizamentos apenas em cidades com áreas de risco preexistentes.

Monitoramento da Defesa Civil
Apesar do alerta no Norte, a Defesa Civil Estadual classifica como baixa a probabilidade de tempo severo no Espírito Santo no atual período. O órgão registra que as chuvas periódicas de intensidade fraca a moderada são motivadas pelo transporte de umidade do oceano para a costa.

Nas últimas 24 horas, os maiores acumulados registrados pela rede de estações meteorológicas ocorreram em Santa Maria do Jetibá (21 mm), Rio Bananal (13 mm), Castelo (12 mm) e Alegre (11 mm). Para o intervalo estendido de 8 a 14 de maio, os modelos numéricos indicam possibilidade de acumulados entre 40 e 60 mm em partes das regiões Norte, Grande Vitória, Sul e Caparaó.

Previsão detalhada para o sábado (09)
No sábado, a umidade marítima continua influenciando o tempo. O Incaper prevê sol e variação de nuvens, com chuvas rápidas em alguns momentos nas regiões Norte, Noroeste, Nordeste e Grande Vitória. Na Grande Vitória, as temperaturas oscilam entre 19 °C e 32 °C.

Na região Sul e na Serrana, espera-se aumento de nuvens ao longo do dia, com precipitações a partir do final da tarde. Nas áreas altas da região Serrana, os termômetros podem registrar mínima de 16 °C e máxima de 28 °C. Não há avisos meteorológicos ativos pela Defesa Civil para esta data.

Domingo (10) de tempo firme
O domingo será de predomínio de tempo firme no estado. O sol aparece entre algumas nuvens em todas as regiões. Apenas o litoral Nordeste tem previsão de chuva rápida pela manhã, seguida de abertura de sol no decorrer do dia.

Nas demais áreas, incluindo a Grande Vitória e o interior, o céu terá poucas nuvens e não há previsão de chuva. As temperaturas sobem, atingindo máximas de 33 °C na capital e 35 °C nas áreas menos elevadas das regiões Sul e Noroeste.

Mudança climática a partir de segunda-feira (11)
O panorama meteorológico sofre nova alteração no início da semana. Na segunda-feira (11), a aproximação de uma frente fria pelo mar favorece o aumento da instabilidade, provocando chuvas mais frequentes. Há previsão de precipitações ao longo do dia na Grande Vitória, região Sul e Serrana. No Norte, o dia será nublado com chuvas à noite, e o estado já registra uma ligeira queda nas temperaturas.

Na terça-feira (12), o sistema avança em direção ao sul da Bahia, mantendo o céu com muitas nuvens e chuvas intermitentes em todo o Espírito Santo. O declínio das temperaturas se consolida em todas as regiões capixabas.

8 de maio de 2026
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Brasil e EUA definem prazo de 30 dias para destravar comércio após reunião de Lula e Trump

Após o encontro de três horas na Casa Branca na última quinta-feira (7), os governos do Brasil e dos Estados Unidos iniciaram o desdobramento de uma agenda técnica focada em resolver impasses comerciais e ampliar a cooperação em segurança e energia. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump orientaram suas equipes ministeriais a apresentarem, em um prazo de 30 dias, propostas para solucionar disputas tarifárias e investigações sobre práticas desleais de comércio.

Mudança de humor e bases políticas
De acordo com informações de Gustavo Uribe, da CNN Brasil, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, avaliou que o “humor mudou” entre as duas nações. Para Amorim, o saldo da reunião foi positivo e criou as bases políticas necessárias para diálogos em diversas frentes.

O ex-chanceler afirmou à CNN que o caminho entre os dois países está “pavimentado” e que, a partir de agora, cabe aos ministros e técnicos a construção dos acordos específicos.

Prazo para tarifas e investigação comercial
Conforme reportado pelo jornalista Pedro Rafael Vilela, da Agência Brasil, o principal resultado imediato é a criação de um grupo de trabalho. Lula propôs que técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil e do Departamento de Comércio dos EUA busquem um consenso sobre a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

O procedimento estadunidense questiona o Brasil por suposta concorrência desleal em temas como:

  • Tarifas sobre etanol;
  • Desmatamento ilegal;
  • Proteção de propriedade intelectual.

Lula afirmou, em coletiva na Embaixada do Brasil, que o tema do sistema de pagamentos Pix não foi mencionado na reunião. “Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, declarou o presidente brasileiro sobre as negociações tarifárias.

Cooperação contra o crime organizado
Um novo plano de combate ao crime organizado será lançado pelo governo brasileiro na próxima semana. Segundo a Agência Brasil, Lula e Trump acordaram uma cooperação para asfixiar financeiramente organizações criminosas transnacionais.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que a Receita Federal brasileira e autoridades norte-americanas realizarão operações conjuntas para bloquear o contrabando de armas e o tráfico de drogas sintéticas. Atualmente, o governo dos EUA avalia designar facções brasileiras como grupos terroristas, medida que o Brasil vê com cautela por riscos à soberania.

Investimentos, geopolítica e sanções judiciais
Durante o encontro, o presidente Lula ressaltou o potencial brasileiro na exploração de minerais críticos. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo (21 milhões de toneladas).

“O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas. Queremos um processo de transformação interna”, afirmou Lula, citando a recém-aprovada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).

Sobre a economia digital, conforme a Agência Gov, Lula condicionou a instalação de novos datacenters no Brasil à produção própria de energia pelas empresas investidoras, visando a soberania de dados e a transição energética.

Em termos globais, Lula reforçou sua postura de diálogo frente ao perfil de Trump. Segundo a Agência Gov, o brasileiro sugeriu ao republicano a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, citando países como Índia, Alemanha, Japão e nações africanas como candidatos a membros permanentes.

Lula também relatou ter ouvido da intérprete que Trump “não pensa em invadir Cuba”, o que considerou um sinal positivo para o diálogo na região. Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente brasileiro reiterou que “dialogar é muito mais barato e eficaz” do que o conflito armado.

Um ponto sensível da pauta foi a entrega de uma lista de autoridades brasileiras que tiveram vistos cancelados pelos EUA devido a desdobramentos judiciais no Brasil. Entre os nomes citados por Lula estão ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares de autoridades, como a filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Repercussão política
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, os desdobramentos políticos apontam leituras divergentes entre o governo e a oposição. Aliados de Lula avaliam que o encontro isola o “bolsonarismo”, uma vez que o petista conseguiu estabelecer uma relação direta e produtiva com Trump, quebrando o monopólio de interlocução que a direita alegava ter.

Já setores da direita minimizaram a reunião. O influenciador Paulo Figueiredo e outros críticos apontaram a mudança do local da entrevista coletiva, que ocorreu na embaixada e não no Salão Oval, como um sinal de que a “química” entre os líderes não teria sido tão forte quanto o anunciado pelo governo brasileiro.

A comitiva brasileira, composta por cinco ministros e pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, retorna ao Brasil nesta sexta-feira (8).

8 de maio de 2026
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Operação contra Ciro Nogueira estremece alianças e atinge pré-candidatura de Flávio Bolsonaro

Os desdobramentos da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (7), atingem diretamente a articulação política em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Aliados do senador passaram a avaliar o desgaste provocado pela investigação contra o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), alvo de mandado de busca e apreensão sob suspeita de recebimento de vantagens indevidas do Banco Master. Até então, o ex-ministro era tratado por Flávio como seu “vice dos sonhos” para a disputa ao Palácio do Planalto.

De acordo com informações apuradas pela jornalista Raquel Landim, do jornal O Estado de S. Paulo, a investigação sobre as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e partidos do Centrão é vista por políticos de diferentes frentes como apenas o início de um processo mais amplo. A PF investiga se Ciro Nogueira atuou politicamente em Brasília para favorecer os interesses de Vorcaro em troca de contrapartidas financeiras.

Segundo as autoridades, foram encontrados indícios de que o senador piauiense recebia repasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Além da “mesada”, a investigação aponta que Vorcaro custeava hospedagens em hotéis de luxo, viagens internacionais e refeições em restaurantes de alto padrão para o parlamentar.

Outro ponto central da investigação, conforme revelado pela Polícia Federal, envolve uma oferta de participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões, que teria sido disponibilizada a Ciro Nogueira pelo valor de apenas R$ 1 milhão. Mensagens apreendidas pela PF mostrariam operadores do banqueiro discutindo o pagamento dessas despesas. A defesa de Ciro Nogueira, em nota, repudiou as ilações de ilicitude e afirmou que o senador contribuirá com a Justiça para esclarecer os fatos.

Impacto na chapa bolsonarista e reação de Flávio Bolsonaro
A operação alterou o clima na campanha de Flávio Bolsonaro. Como reportado pelos jornalistas Carolina Linhares e Raphael Di Cunto, da Folha de S. Paulo, integrantes da equipe do senador admitem que o episódio torna a aliança com o PP “tóxica” no curto prazo. Antes da operação, Ciro Nogueira era visto como peça-chave para garantir tempo de televisão, acesso ao fundo partidário e capilaridade entre prefeitos.

Em um primeiro momento, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota cautelosa, classificando os fatos como “graves” e defendendo que sejam apurados “com rigor” e “respeito ao devido processo legal”. Horas depois, no entanto, o senador mudou o tom e publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a criação da CPI do Master.

“O povo brasileiro merece saber toda a verdade: Como esse banco cresceu? Quem estava por trás? Quem se beneficiou? E quais são as ligações do Master com a alta cúpula do PT nacional e da Bahia?”, questionou Flávio Bolsonaro no vídeo, conforme registro da jornalista Carolina Freitas.

O fator político e a polarização
A estratégia da oposição, conforme analisado por Raquel Landim no Estadão, é tentar desviar o foco de Ciro Nogueira e associar o Banco Master a governos petistas. O vídeo de Flávio Bolsonaro cita uma reportagem da Gazeta do Povo que aponta a Bahia, berço político de importantes quadros do PT, como o “berço político” da instituição financeira.

Por outro lado, o governo Lula busca capitalizar o desgaste. O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a operação mostra a proximidade entre o “coração do governo Bolsonaro” e o esquema investigado. O presidente Lula, em declaração discreta durante viagem aos EUA, disse esperar que “todas as pessoas investigadas sejam inocentes”, mas ressaltou que a PF cumpriu uma decisão judicial.

Cenário para 2026
Analistas políticos ouvidos pela imprensa nacional indicam que o caso pode ser decisivo para os eleitores de centro (cerca de 4% a 5% do eleitorado), que são historicamente mais sensíveis a escândalos de corrupção. A situação de Ciro Nogueira também trava, momentaneamente, a definição da vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador Romeu Zema (Novo) seguem no radar, embora o impacto da investigação sobre o PP ainda precise ser mensurado.

O caso segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), com mandados executados no Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Piauí. Ciro Nogueira é apontado pela PF como o “destinatário central” dos benefícios investigados na operação.

8 de maio de 2026
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Governo promulga acordo que simplifica e agiliza o comércio no Mercosul

O vice-presidente no exercício da Presidência da República, Geraldo Alckmin, promulgou nesta sexta-feira (8) o Decreto nº 12.958, que oficializa o Acordo sobre Facilitação do Comércio do Mercosul. A medida, publicada no Diário Oficial da União, estabelece normas comuns entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai para desburocratizar e acelerar o fluxo de bens nas fronteiras, alinhando o bloco às diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização Mundial de Aduanas (OMA).

O acordo havia sido firmado originalmente em dezembro de 2019, em Bento Gonçalves (RS), e recebeu a aprovação do Congresso Nacional brasileiro em setembro de 2023. O objetivo central é simplificar os procedimentos de importação, exportação e trânsito de bens, promovendo a livre circulação transfronteiriça e aumentando a segurança jurídica para os operadores do comércio exterior.

Digitalização e celeridade processual
Entre os pontos centrais do texto está a ampliação do uso de documentação eletrônica e o incentivo ao intercâmbio digital de certificados de origem e sanitários. O decreto prevê a implementação do Guichê Único de Comércio Exterior, ferramenta destinada a centralizar e agilizar a interação entre órgãos governamentais e empresas.

O acordo também estabelece procedimentos aduaneiros mais rápidos, fundamentados em gestão de riscos, e determina prioridade para o despacho célere de mercadorias, com atenção especial aos bens perecíveis. De acordo com o texto, essas medidas visam reduzir custos operacionais e prazos, beneficiando diretamente micro, pequenas e médias empresas que atuam no mercado internacional.

Diretrizes e cooperação entre países
A aplicação do acordo será norteada por seis princípios fundamentais: transparência, eficiência, simplificação, harmonização, coerência dos procedimentos e adoção de uma administração imparcial e previsível das leis e regulamentos.

Além disso, o pacto reforça a necessidade de cooperação entre as autoridades aduaneiras e de fronteira de cada país, prevendo consultas constantes com as comunidades empresariais locais para o aperfeiçoamento das práticas comerciais.

O decreto detalha ainda questões técnicas sobre automatização, requisitos de dados, controle aduaneiro e assistência técnica entre as nações. Fica estabelecido que qualquer revisão posterior do acordo ou a criação de novos compromissos financeiros para o Brasil continuará dependendo de prévia aprovação do Congresso Nacional.

8 de maio de 2026
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Polícia investiga caso de bebê abandonado em sacola de lixo em Guarapari

A Polícia Civil investiga o abandono de um recém-nascido encontrado dentro de uma sacola plástica na manhã desta quinta-feira (7), em Guarapari.

O bebê foi localizado por um médico que passava pela rua e ouviu um choro vindo de um terreno baldio. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a reação das pessoas que participaram do resgate da criança.

Segundo as informações, o recém-nascido estava enrolado apenas em uma toalha velha, ainda com o cordão umbilical. Próximo ao bebê, havia uma sacola de lixo preta contendo a placenta.

A criança aparentava estar saudável e recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Polícia Militar. Em seguida, foi encaminhada ao Hospital Infantil Francisco de Assis, em Guarapari.

O local onde o bebê foi encontrado não possui câmeras de videomonitoramento. Até o momento, não há informações sobre quem teria abandonado a criança.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que ainda não divulgou novos detalhes sobre o episódio.

7 de maio de 2026
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Câmara aprova MP que prevê renovação automática de CNH para bons motoristas

Nesta quinta-feira (7), a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória (MP) 1327/25, que estabelece a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). A proposta, que segue agora para a análise do Senado, isenta condutores sem multas nos últimos 12 meses da realização de novos exames de aptidão física e mental, com o objetivo de reduzir custos e modernizar o sistema de trânsito brasileiro.

A medida beneficia diretamente os integrantes do RNPC, também conhecido como cadastro positivo de condutores. Para ter direito à renovação gratuita e automática, o motorista não pode ter cometido infrações sujeitas à pontuação no período de um ano. Além da renovação, o cadastro já oferece descontos em tributos, pedágios, estacionamentos e seguros.

O texto aprovado é o parecer do senador Renan Filho (MDB-AL), relator da comissão mista criada em abril para analisar a MP, publicada originalmente pelo Poder Executivo em 10 de dezembro de 2025.

A isenção dos exames, no entanto, não é absoluta. A própria MP define que a renovação automática não se aplica a pessoas com 70 anos ou mais e a condutores que já possuem restrições médicas previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Para motoristas com 50 anos ou mais, o benefício da renovação automática será concedido apenas uma vez.

Custos fixados e liberdade de escolha
A MP 1327/25 também altera a dinâmica da prestação de serviços médicos para a obtenção e renovação da CNH naqueles casos em que a avaliação continua obrigatória. A partir das novas regras, qualquer médico ou psicólogo poderá realizar os exames de aptidão física, mental e avaliação psicológica, sem a necessidade de vínculo com os Centros de Formação de Condutores (CFCs).

Os preços desses exames passarão a seguir um valor público máximo fixado por um órgão de trânsito da União, com reajuste anual atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O texto formaliza, ainda, que a CNH poderá ser emitida em formato físico ou digital, ficando a critério exclusivo do condutor.

Para o relator da matéria, as alterações são benéficas para os motoristas. “As mudanças representam um importante avanço no processo de modernização, racionalização e redução de custos associados ao sistema brasileiro de habilitação de condutores”, afirmou Renan Filho no parecer.

Reação de entidades médicas
Apesar do avanço no Congresso Nacional, a base do projeto enfrenta oposição na área da saúde. Mais de 35 entidades médicas, lideradas pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) e incluindo o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB), divulgaram um manifesto contra a retirada da exigência do exame de aptidão.

As instituições argumentam que a capacidade para dirigir não é permanente e pode sofrer alterações ao longo do tempo devido a doenças, uso de medicamentos ou eventos clínicos que afetam a cognição, os reflexos e a capacidade motora.

“Na prática, isso significa que um condutor pode estar inapto para dirigir sem qualquer registro de infração. Problemas como diabetes, cardiopatias, epilepsia, distúrbios do sono e doenças neurológicas não aparecem em radares nem em multas, mas impactam diretamente a segurança ao volante”, destacou a Abramet em nota. As entidades defendem que os sistemas de fiscalização monitoram apenas o comportamento, enquanto a avaliação com o médico do tráfego é o único instrumento capaz de identificar riscos clínicos.

Para embasar a crítica, o setor médico apresentou dados de mortalidade viária. Apenas em 2024, o Brasil registrou 38.253 mortes no trânsito e quase 285 mil internações hospitalares. Esses sinistros geraram um custo direto de aproximadamente R$ 400 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS), valor que não contabiliza despesas de longo prazo com previdência e reabilitação.

Flexibilizações recentes no trânsito
A aprovação da MP pela Câmara dos Deputados ocorre em um cenário de sucessivas alterações nas regras para motoristas. No final do ano passado, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) já havia aprovado uma resolução que determinou o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para a emissão do documento. Com a decisão do Contran, o candidato passou a ter liberdade para escolher como se preparar para os exames teórico e prático, que seguem obrigatórios para a obtenção da primeira CNH.

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