18 de maio de 2026
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Acelerador de partículas do Brasil avança e impulsiona pesquisas em saúde e agricultura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, inauguram nesta segunda-feira (18), em Campinas (SP), quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius. A expansão, realizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), tem o objetivo de ampliar a capacidade de pesquisa do Brasil em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais. O equipamento funciona como um microscópio de alta potência para analisar estruturas em escala atômica e apoiar estudos avançados, com grande parte de seus componentes originados na engenharia brasileira.

A estrutura do Sirius representa a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no território nacional. Com a entrega, o Brasil permanece inserido no grupo restrito de países que possuem fontes de luz síncrotron de quarta geração. O desenvolvimento do acelerador envolveu diretamente a indústria nacional, uma vez que entre 85% e 90% de seus componentes foram produzidos ou desenvolvidos no próprio país, impulsionando a engenharia e fortalecendo as cadeias industriais de alta precisão.

Projeto Orion e inovação em saúde pública
O cronograma oficial de atividades do governo federal em Campinas compreende também uma visita técnica às obras do Projeto Orion. O complexo consistirá no futuro primeiro laboratório de Biossegurança de Nível 4 (NB4) da América Latina, além de ser a primeira instalação do tipo no mundo conectada de forma direta a uma fonte síncrotron avançada. O laboratório de contenção biológica será voltado ao estudo de tecidos e patógenos.

Paralelamente, o evento sedia o lançamento da Pedra Fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria conjunta com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O programa visa expandir o desenvolvimento em solo nacional de tecnologias estratégicas direcionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), focando na produção de biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos.

Desafios de atualização técnica e competitividade global
A preservação do patamar tecnológico alcançado pelo Sirius impõe exigências de investimento e atualização continuadas. Em discussões ocorridas durante a 75ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho de 2023, as diretrizes de manutenção da infraestrutura científica nacional foram debatidas por especialistas.

O diretor-geral e presidente do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, ressaltou na ocasião a importância do comprometimento político na atualização constante da estrutura. “Onde o Brasil quer chegar? A manutenção do estado da arte é uma atividade contínua. O que os outros países fazem para continuarem atualizados é manter o fluxo de pesquisadores em outros projetos. Uma das maneiras de fazer isso é se envolver com outros projetos mundiais. Para os futuros aceleradores, é central que a gente domine a tecnologia de supercondutividade. Ou a gente domina isso ou a gente não vai ser competitivo”, pontuou.

Atualmente, o Sirius figura como um dos três aceleradores de luz síncrotron de quarta geração em funcionamento no mundo, capacitando o país a executar experimentos científicos que não podem ser realizados em outras partes do planeta. O CNPEM, gestor da instalação, atua sob a figura de organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Modelos internacionais e propriedades da luz síncrotron
O planejamento de grandes estruturas voltadas à tecnologia segue dinâmicas observadas em potências como Estados Unidos, Europa, Japão e China. Em termos históricos, essas instalações caracterizam-se por operar em áreas estratégicas, demandar instalações especiais, promover o treinamento de pessoal altamente qualificado e gerar o transbordamento de tecnologia para o mercado produtivo.

“Estamos sempre buscando compreender os limites do conhecimento, entender o universo de forma ampla. Temos grandes desafios relacionados a matéria e energia escura. Para investigar essas grandes questões que o mundo enfrenta nos temas de saúde, energia, materiais, meio ambiente, agricultura e clima, você precisa de ferramentas especiais”, explicou Antonio José Roque da Silva.

A luz síncrotron utilizada no Sirius constitui uma radiação eletromagnética de alto brilho capaz de abranger um amplo espectro eletromagnético, incluindo do infravermelho até os raios X, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta. A radiação especial possui a propriedade de penetrar a matéria, revelando características de estruturas moleculares e atômicas. O alto nível de brilho viabiliza a execução de experimentos extremamente rápidos e possibilita a observação detalhada de materiais na escala de nanômetros.

15 de maio de 2026
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Excast estreia nova temporada com artistas e profissionais da música capixaba

Para celebrar seu sexto aniversário, o Canal Explicanção lança a segunda temporada do Excast, o primeiro talkshow e podcast bilíngue do Espírito Santo, neste sábado (16), às 20 horas. Idealizada, dirigida e apresentada pela musicista e compositora Bella Nogueira, a atração foi gravada na Casa da Música Sônia Cabral e traz diálogos sobre o processo de produção musical com oito convidados do cenário local. Os episódios serão disponibilizados semanalmente, de 16 de maio a 6 de junho, nas plataformas YouTube e Spotify.

Diversidade de vozes na música capixaba
O Canal Explicanção iniciou suas atividades em maio de 2020, em meio à pandemia, com o objetivo de manter a conexão entre os artistas capixabas e o público durante o isolamento social. Desse projeto, derivou o Excast, projeto inspirado em formatos consagrados de talkshows da televisão estadunidense, a exemplo dos programas conduzidos por David Letterman. Nesta segunda temporada, a atração se propõe a debater a cadeia produtiva do setor musical de forma integral, desde a concepção de uma obra até a entrega final de álbuns ou grandes festivais.

Para a diretora e idealizadora da produção, Bella Nogueira, o foco do programa é expandir o entendimento sobre a área. “O propósito do Excast é pensar fora da caixa e trazer para o diálogo diferentes perspectivas do fazer musical”, afirma. Nogueira relembra que a edição anterior já apostava nessa pluralidade ao entrevistar uma intérprete de Libras especializada em espetáculos, pontuando tratar-se de “um conteúdo que a gente não encontra com frequência por aí”.

Nos novos episódios, a curadoria direcionou seus esforços para a descentralização e para a valorização regional. A musicista destaca a intenção de dar visibilidade aos talentos do interior, em especial aos artistas do Norte do Estado. Segundo Bella, esses profissionais, “por vezes, têm menos oportunidades de alcançar os públicos dos grandes centros, apesar de serem excelentes no que fazem”. Como reflexo dessa premissa, a temporada recebe Elias Wagner, Dalcenir Porto e Anastácia, todos naturais do município de Linhares, cidade que também é a terra natal da diretora.

O programa ainda amplia o debate ao trazer nomes que atuam nos bastidores e na linha de frente dos palcos. A diretora cita a participação de Luisa Costa, responsável pela produção de um dos maiores festivais da região Sudeste realizado em solo capixaba, e a presença de Ada Koffi e Luiza Dutra. Classificadas por ela como cantoras e intérpretes negras de renome na cena local, Bella ressalta que ambas agregam “vivências e olhares únicos”.

O encontro entre diferentes momentos históricos da música do Espírito Santo também pauta as entrevistas. O talkshow registra a trajetória do guitarrista e produtor musical Jura Fernandes, descrito pela apresentadora como um profissional “que pavimentou o caminho para toda uma geração de músicos”. Em paralelo, a produção abre espaço para o cantor André Prando, representante de uma geração mais recente. Sobre o artista, a diretora frisa que sua “irreverência e criatividade” têm ajudado a elevar o nome do estado a cada novo lançamento. O objetivo final de toda essa curadoria, conclui Bella Nogueira, é compartilhar “muitas histórias incríveis” com os espectadores capixabas.

Acessibilidade e financiamento
A produção é guiada pelo lema “Música, Diversidade e Acessibilidade” e conta com adaptações para que possa ser consumida de forma integral pela comunidade surda. O projeto oferece interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), realizada pela intérprete-tradutora Karina Zonzini, e legendas descritivas. O formato permite que o espectador selecione a fonte, o tamanho e a cor do texto diretamente na plataforma de exibição.

A segunda temporada do Excast é uma realização da Nogueira Produções. O projeto foi viabilizado com recursos da Política Nacional de Aldir Blanc (PNAB) e do Funcultura, por intermédio da Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Serviço – Nova temporada do Excast
16 de maio: André Prando e Anastácia
23 de maio: Luiza Dutra e Jura Fernandes
30 de maio: Ada Koffi e Dalcenir Porto
6 de junho: Elias Wagner e Luisa Costa

Onde assistir: Canal Explicanção no YouTube
Onde ouvir: Excast no Spotify
Onde acompanhar: Instagram do Canal Explicanção

15 de maio de 2026
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“Aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, diz Lula em visita a hospital

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou, nesta sexta-feira (15), a relação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro. Durante uma agenda no Hospital de Amor, em Barretos (SP), para o anúncio de um pacote bilionário voltado ao tratamento de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS), o chefe do Executivo aproveitou o palanque para alfinetar o adversário político, garantindo que os investimentos destinados àquela unidade de saúde não contam com recursos do empresário investigado.

Em meio a aplausos e gritos de apoio de representantes da área da saúde, Lula disparou de forma rápida: “Nesse hospital aqui não tem dinheiro do Vorcaro”. A fala ocorreu em um contexto no qual o presidente discursava sobre as prioridades de seu governo em relação ao atendimento médico. “Esse país precisa voltar a ser humano. É preciso extirpar o ódio. Nesse hospital aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, enfatizou.

A declaração no interior paulista marca uma mudança na abordagem do presidente sobre o assunto. Apenas um dia antes, na quinta-feira (14), durante visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras (Fafen) em Camaçari (BA), Lula havia sido questionado sobre o tema, mas evitou provocações diretas. Na ocasião, limitou-se a dizer: “Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”.

O escândalo do financiamento
A menção de Lula em Barretos ocorre no esteio da repercussão de uma reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil na última quarta-feira (13). O portal revelou que Flávio Bolsonaro articulou repasses no valor de R$ 134 milhões junto a Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. O objetivo do montante seria financiar a produção de um filme biográfico internacional sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem divulgou áudios e mensagens de WhatsApp vazadas que mostram o senador cobrando o banqueiro em 8 de setembro de 2025. “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o parlamentar na gravação.

Documentos bancários apontam que parte do dinheiro teria sido repassada entre fevereiro e maio de 2025. O esquema, segundo as investigações jornalísticas, envolveria transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Recuo e defesa
Após negar inicialmente o caso, Flávio Bolsonaro recuou horas depois da publicação da reportagem e admitiu ter buscado o banqueiro, mas defendeu a legalidade da operação. Em nota e em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que Vorcaro havia deixado de honrar um contrato de patrocínio e frisou tratar-se de um acordo sem dinheiro público.

“O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou o senador. Ele afirmou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, após o término do governo do pai, negou ter oferecido vantagens ou intermediado negócios no atual governo e pediu a abertura de uma “CPI do Master”.

Apesar da defesa, a revelação mobilizou deputados federais da base governista, que acionaram a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal para que investiguem se houve pagamento de propina ou outras ilegalidades nas transações.

A prisão do banqueiro
A última troca de mensagens entre o senador e o empresário ocorreu no início de novembro do ano passado. Pouco mais de uma semana depois, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master por incapacidade de honrar depósitos de clientes.

Na mesma época, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. O empresário, que atualmente negocia um acordo de delação premiada na Superintendência da PF em Brasília, é investigado sob a suspeita de liderar uma organização criminosa bilionária responsável por fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e emissão de títulos de crédito fraudulentos.

15 de maio de 2026
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Frente fria avança pelo litoral do ES, traz chuva e provoca queda nas temperaturas

O clima no Espírito Santo deve passar por mudanças a partir desta sexta-feira (15), impulsionado pela aproximação de uma frente fria vinda pelo mar, que afeta principalmente a faixa litorânea. Segundo previsões divulgadas pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a previsão aponta para o aumento de nuvens e a ocorrência de pancadas de chuvas isoladas, especialmente na costa Sul do estado. O fenômeno marca o início do período seco no território capixaba, operando com baixas probabilidades de tempo severo.

Condições para sexta-feira (15) e monitoramento
Ao longo desta sexta-feira, o Incaper reporta que a Grande Vitória, a região Serrana e o Nordeste do estado apresentarão um aumento gradual de nebulosidade, com possibilidade de chuvas rápidas durante o período noturno. Nas demais localidades, o céu se mantém nublado, mas sem expectativa de precipitações.

Os dados do monitoramento da Defesa Civil detalham o cenário no Sul do estado: há uma probabilidade de 60% para acumulados de chuva entre 2 e 10 milímetros nos municípios litorâneos durante a tarde e a noite. A chance de que esses volumes superem a marca dos 10 milímetros (chegando até 30 milímetros) é inferior a 10%. Nas outras regiões do Espírito Santo, a possibilidade de chuva é considerada baixa.

Até as 9h desta sexta-feira, a rede de estações meteorológicas capixabas não havia registrado acumulados de chuva superiores a 2 milímetros nas últimas 24 horas. O radar do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), operante em Santa Teresa, também não detectava ocorrência de chuvas no estado durante a manhã.

Projeções divergentes para o fim de semana
Para o sábado (16) e domingo (17), as previsões dos órgãos técnicos apresentam cenários distintos para a dinâmica da frente fria.

De acordo com o Incaper, o sábado será marcado pela passagem do sistema frontal pelo litoral capixaba, o que deve favorecer a formação de nuvens e provocar chuvas em boa parte do estado, além de ventos de intensidade moderada na costa e uma ligeira queda nas temperaturas. No domingo, o instituto prevê que, apesar de a frente fria se afastar, ainda haverá chuva pela manhã, seguida de aberturas de sol e elevação térmica em todas as regiões.

Por outro lado, o modelo numérico adotado pela Defesa Civil indica um fim de semana de predomínio de tempo firme em todo o estado. Segundo o órgão, tanto o sábado quanto o domingo apresentarão baixa probabilidade de chuvas no Espírito Santo.

Para a segunda-feira (18), ambos os prognósticos indicam uma estabilização. O Incaper prevê sol entre nuvens na maior parte do estado, com chuvas rápidas à tarde restritas à porção sul do Caparaó. A Defesa Civil corrobora a estimativa, reforçando o predomínio de tempo firme e baixa chance de precipitações para a data.

Acumulados semanais e ausência de alertas
Apesar da passagem da frente fria, o cenário segue estável quanto a desastres naturais. O boletim da Defesa Civil confirma que não há nenhum aviso meteorológico ou alerta geológico e hidrológico ativo para o Espírito Santo.

Em uma projeção estendida de sete dias (15 a 21 de maio), as estimativas probabilísticas da Defesa Civil indicam que os maiores acumulados de chuva se concentrarão nas partes do Caparaó e Sul do estado, variando entre 40 e 60 milímetros. As regiões Norte, Grande Vitória, Serrana, Oeste e demais localidades do Sul e Caparaó devem receber entre 20 e 40 milímetros. Já o Noroeste capixaba tem previsão de chuvas abaixo de 20 milímetros para o período.

Variação térmica
As temperaturas reportadas pelo Incaper para esta sexta-feira e sábado apresentam as seguintes médias nas regiões capixabas:

  • Grande Vitória: Mínimas entre 19 °C e 20 °C, com máximas alcançando 29 °C.
  • Região Sul: Nas áreas mais baixas, os termômetros oscilam entre 19 °C e 31 °C. Nas áreas altas, as mínimas chegam a 15 °C e as máximas a 28 °C.
  • Região Serrana: Variação de 17 °C a 30 °C nas localidades menos elevadas, e de 15 °C a 27 °C nos pontos de maior altitude.
  • Região Norte e Nordeste: Mínimas de 17 °C a 18 °C e máximas de 31 °C.
  • Região Noroeste: Áreas baixas marcam entre 18 °C e 32 °C. Cidades como Mantenópolis e Alto Rio Novo registram entre 16 °C e 30 °C.
15 de maio de 2026
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Dino abre investigação sobre suposto desvio de emendas para filme de Bolsonaro

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma investigação sigilosa para apurar o suposto desvio de emendas parlamentares destinadas a projetos culturais, incluindo a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão ocorre após novas denúncias sobre a falta de transparência e possíveis irregularidades na destinação de verbas públicas para ONGs ligadas à produção do filme.

Sigilo e novas denúncias no STF
A nova investigação tramitará sob nível três de sigilo. A decisão atende a pedidos apresentados pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). Os parlamentares apontam indícios de execução ilícita de emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura.

Segundo as denúncias, essas entidades seriam controladas pela mesma proprietária da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. O material enviado ao STF aponta possíveis ligações do deputado federal e produtor da obra, Mário Frias (PL-SP), com as irregularidades.

Em março, o STF já havia cobrado explicações da Câmara dos Deputados e dos parlamentares Bia Kicis (PL-DF), Marcos Pollon (PL-MS) e Mário Frias. Enquanto a Câmara e os demais deputados responderam, Frias ainda não se manifestou. O ministro Flávio Dino destacou que, caso o desvio de finalidade seja comprovado, a prática viola preceitos da Constituição Federal.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e cita investimento privado
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), prestou esclarecimentos sobre o financiamento privado da mesma obra. Segundo revelações do site The Intercept Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria negociado um aporte de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões à época) para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Em entrevista no aeroporto de Brasília, Flávio afirmou ter conversado com o pai sobre o caso:

“Expliquei [a Bolsonaro] que a imprensa havia noticiado o caso e que não havia absolutamente nada de errado. Ele me disse para ficar tranquilo, seguir firme e falar a verdade. Insisto que não fiz nada de errado, trata-se de um investimento privado em um filme com expectativa de retorno.”

O senador estimou o custo total da produção em aproximadamente US$ 16 milhões (cerca de R$ 80 milhões) e negou que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, tenha utilizado verbas do fundo para sustento pessoal nos Estados Unidos. Flávio atribuiu as investigações à “perseguição” do governo atual.

Atrito político e reação do mercado
O episódio gerou ruídos entre aliados de direita. Flávio Bolsonaro criticou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificando como “precipitada” a declaração de Zema de que o caso seria “imperdoável”. Por outro lado, o senador agradeceu ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), por minimizar o ocorrido.

No campo econômico, a incerteza política provocou volatilidade imediata. O dólar comercial disparou mais de 1% no início do pregão desta sexta-feira, voltando a ser cotado acima de R$ 5,00.

  • Dólar: Alta de 1,02%, cotado a R$ 5,0379 (às 9h11).
  • Bolsa (Ibovespa): Havia fechado a quinta-feira (14) em alta de 0,71%, aos 178.365 pontos, mas sofre pressão com as notícias recentes.
  • Juros futuros: As taxas dos DIs apresentaram recuo após a forte alta registrada na quarta-feira (13), quando o caso veio à tona pela primeira vez.

Analistas de mercado, como Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, observam que o cenário é de forte volatilidade, com investidores reagindo ao fluxo de notícias de Brasília e aos desdobramentos das investigações que envolvem figuras centrais da política nacional.

15 de maio de 2026
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ES recebe evento nacional para debater direitos e valorização de catadores

Entre os dias 27 e 29 de maio de 2026, a capital capixaba recebe o “1º Encontro Nacional de Ministério Público, Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis” no Clube Ítalo Brasileiro, na Ilha do Boi. O evento reúne membros do Ministério Público, movimentos sociais, cooperativas, órgãos públicos e especialistas para debater a inclusão socioprodutiva da categoria e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à gestão de resíduos sólidos.

O eixo central da programação é o protagonismo de catadoras e catadores na construção de estratégias de sustentabilidade, com foco na valorização do trabalho, enfrentamento de desigualdades socioambientais e fomento à economia circular. A iniciativa busca consolidar o diálogo entre as instituições e os trabalhadores que atuam na base da cadeia da reciclagem no Brasil.

Pautas e programação técnica
O cronograma de atividades inclui painéis temáticos e rodas de conversa que abordarão temas como contratação pública de cooperativas, financiamento da cadeia de reciclagem, pagamento por serviços ambientais e regulamentação da logística reversa. Também serão discutidos temas sociais e operacionais, como a extinção humanizada de lixões e o enfrentamento de violências sofridas pela categoria.

Um dos destaques da agenda é a palestra magna de Adalberto Maluf, secretário nacional do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Ele tratará dos desafios compartilhados entre o governo federal e o Ministério Público na defesa dos direitos dos catadores dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Impacto no Espírito Santo
A promotora de Justiça do MPES e coordenadora do Fórum Capixaba de Resíduos Sólidos (FCRS), Isabela de Deus Cordeiro, ressalta a importância de sediar o evento em Vitória para a consolidação de espaços democráticos.

“O encontro representa um marco na atuação do Ministério Público voltada ao fortalecimento da categoria, à promoção da escuta ativa, do reconhecimento e da valorização das catadoras e dos catadores de materiais recicláveis, bem como à consolidação de espaços democráticos de construção coletiva, orientados à formulação de soluções sustentáveis, inclusivas e socialmente justas para a gestão de resíduos sólidos no país”, destaca a promotora.

O evento faz parte do projeto “Logística Reversa e ABRAMPA Circular”, que visa aprimorar a atuação jurídica na implementação da economia circular e na promoção da justiça socioambiental no território nacional.

Organização e parcerias
A realização do encontro é da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), com correalização do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e do Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB). Participam ainda a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT), Pimp My Carroça, Movimento Eu Sou Catador, Movimento Nacional das Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), União Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis do Brasil (UniCatadores) e a Confederação Nacional de Cooperativas de Trabalho e Produção de Recicláveis (CONATREC).

Segundo o presidente da ABRAMPA, Luciano Loubet, a articulação é fundamental para a gestão urbana. “A promoção da justiça socioambiental passa necessariamente pelo reconhecimento do papel estratégico desempenhado pelas catadoras e pelos catadores na gestão de resíduos sólidos e na construção de cidades mais sustentáveis. Este encontro busca fortalecer o diálogo entre o Ministério Público, os movimentos sociais e diferentes instituições para avançarmos em políticas públicas mais inclusivas, com geração de renda, valorização do trabalho e ampliação da reciclagem no país”, afirma.

Serviço – 1º Encontro Nacional de Ministério Público, Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis
Data: 27 a 29 de maio de 2026
Local: Clube Ítalo Brasileiro – Ilha do Boi, Vitória (ES)
Inscrições: Encerradas

15 de maio de 2026
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Greve nacional suspende coleta de lixo em cidades do ES nesta sexta-feira (15)

Os trabalhadores da limpeza urbana terceirizada no Espírito Santo, incluindo garis, margaridas e coletores, realizam uma paralisação de 24 horas nesta sexta-feira (15). O movimento, que ocorre da meia-noite às 23h59, integra uma mobilização nacional da categoria, interrompendo os serviços em municípios da Grande Vitória e do interior do Estado, com o objetivo de exigir a aprovação do Projeto de Lei nº 4.146/2020 no Senado Federal.

A principal reivindicação da categoria é a regulamentação da profissão e a fixação de um piso salarial nacional no valor de R$ 3.036,00. O texto do projeto de lei também prevê a garantia de adicional de insalubridade em grau máximo e o direito à aposentadoria especial para os profissionais do setor. A proposta já passou pela Câmara dos Deputados, onde foi aprovada em dezembro de 2025, e agora aguarda a deliberação dos senadores.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares no Estado do Espírito Santo (Sindilimpe-ES), a manifestação ocorre de maneira pacífica e organizada. A entidade afirma que mantém o diálogo aberto com as empresas concessionárias e os órgãos públicos.

A presidente do Sindilimpe-ES, Evani Reis, destacou que o movimento busca valorização profissional e melhores condições de trabalho. “Somos uma categoria essencial para a saúde pública, para a higiene urbana e para o funcionamento das cidades. Precisamos de melhores salários e reconhecimento”, afirmou.

Impactos e orientações das prefeituras
Com a suspensão dos serviços, administrações municipais emitiram comunicados alertando a população sobre a interrupção da coleta e estabelecendo orientações para o manejo dos resíduos residenciais.

A Prefeitura de Linhares, via Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos, confirmou que o cronograma da empresa concessionária sofrerá impactos durante as 24 horas de greve. A secretaria esclareceu que o movimento é nacional e não tem relação direta com a empresa contratada pela cidade, e ressaltou que os servidores públicos municipais da pasta trabalharão normalmente. A orientação é que a população evite jogar resíduos nas ruas e aguarde o próximo dia de coleta.

A Prefeitura, por meio da Central de Serviços, declarou que não medirá esforços para que a população não seja prejudicada. A administração pede a compreensão dos moradores para que não descartem resíduos nas vias públicas nesta sexta-feira, orientando que o lixo seja colocado na rua apenas no próximo dia de coleta regular.

O município informou que os serviços de coleta de lixo poderão sofrer impactos temporários. A Prefeitura da Serra comunicou que acompanha a situação de forma permanente e dialoga com as empresas para restabelecer a normalidade o mais breve possível. A administração solicita que o descarte seja feito de forma consciente para evitar acúmulos irregulares nas vias.

O serviço de limpeza urbana na Grande Vitória já havia enfrentado instabilidade nesta mesma semana. Em Vila Velha, um protesto dos garis resultou no bloqueio da garagem da empresa responsável pela coleta, paralisando o recolhimento e provocando o acúmulo de sacos de lixo em calçadas e ruas de diversos bairros da cidade. Segundo a prefeitura do município, o serviço só foi retomado na terça-feira, após uma atuação judicial que garantiu a liberação da saída dos caminhões de coleta.

15 de maio de 2026
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Flávio Bolsonaro recua, admite contato com Vorcaro e tenta conter desgaste com pedido de CPI

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admitiu nesta quinta-feira (14) a existência de diálogos e a captação de recursos com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A revelação, que ocorreu após o vazamento de áudios e mensagens pelo portal Intercept Brasil, gerou surpresa na cúpula do PL e levou a equipe de campanha a adotar, como estratégia de defesa, o apoio à instalação de uma CPI para investigar as fraudes financeiras atribuídas ao banco de Vorcaro.

O financiamento e o filme “Dark Horse”
De acordo com as informações reveladas, Daniel Vorcaro teria aportado cerca de R$ 61 milhões para a produção do longa-metragem “Dark Horse”, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro desde a campanha de 2018. O montante chama a atenção do setor audiovisual por ser superior ao dobro do orçamento de produções premiadas, como “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho.

Flávio Bolsonaro confirmou que os recursos foram direcionados ao Havengate Development Fund, um fundo registrado no Texas (EUA) e representado pelo advogado Paulo Calixto. Segundo o senador, o contato com o banqueiro era “monotemático” e visava exclusivamente viabilizar a homenagem cinematográfica ao pai. “Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, declarou Flávio, alegando que omitiu a relação anteriormente devido a um contrato de confidencialidade.

Investigação da PF e a conexão com Eduardo Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) investiga a hipótese de que parte dos recursos transferidos por empresas ligadas a Vorcaro tenha custeado a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo vive no Texas desde fevereiro de 2025 e teve seu passaporte diplomático cancelado em dezembro passado.

Em suas redes sociais, Eduardo classificou a suspeita como “tosca”, argumentando que seu status migratório impediria o recebimento desses valores. Flávio Bolsonaro também negou o desvio de finalidade, afirmando que o dinheiro foi integralmente usado na produção cinematográfica. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, marcou uma reunião de alinhamento com a PF para esta sexta-feira (15).

Reação interna e surpresa no PL
A divulgação dos áudios causou impacto no Partido Liberal. Membros da legenda afirmaram, sob reserva, que acreditavam que Flávio e Vorcaro jamais tivessem se falado, especialmente porque o senador vinha utilizando as fraudes do Master para atacar o governo Lula.

Durante uma reunião de emergência no QG bolsonarista em Brasília, com a presença de Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho, o clima foi descrito como de “anestesia”. A estratégia definida foi passar a defender publicamente a CPI do Master para projetar uma imagem de distanciamento e transparência.

Entrave político no Congresso Nacional
Apesar do discurso favorável à investigação por parte de governistas e da oposição, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou Mista (CPMI) é considerada improvável nos bastidores. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém resistência à abertura dos colegiados.

Existem hoje pelo menos quatro requerimentos de investigação engavetados. Aliados do governo e da oposição admitem reservadamente que, em ano eleitoral, uma investigação desse porte poderia “atingir muita gente” e desestabilizar as articulações políticas no Legislativo.

Denúncias de condições precárias no set de filmagem
Mesmo com o vultoso aporte financeiro de Vorcaro, a produção de “Dark Horse” enfrenta denúncias de irregularidades trabalhistas. Um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP) detalha 15 ocorrências registradas em dezembro de 2025.

Entre as queixas de figurantes e técnicos brasileiros estão:

  • Fornecimento de comida estragada e alimentação insuficiente;
  • Atrasos em pagamentos e cachês abaixo do mercado;
  • Revistas pessoais consideradas invasivas e abusivas;
  • Relato de agressão física no set de gravação.

A produtora GOUP Entertainment, responsável pelo filme, negou em nota ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou de empresas sob seu controle e não comentou as denúncias sobre as condições de trabalho até o fechamento desta reportagem.

15 de maio de 2026
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STF valida, por unanimidade, lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres

O Supremo Tribunal Federal (STF) validou, nesta quinta-feira (14), em Brasília, a constitucionalidade da Lei 14.611 de 2023, que assegura a igualdade salarial entre homens e mulheres no exercício da mesma função. A decisão, tomada por unanimidade com um placar de 10 votos a 0, mantém a obrigatoriedade de relatórios de transparência e a aplicação de multas severas em casos de discriminação por gênero no mercado de trabalho.

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a norma alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para estabelecer punições financeiras equivalentes a dez vezes o valor do salário devido em episódios comprovados de disparidade salarial motivada por gênero. Além da sanção, a lei determina que empresas que possuam mais de 100 empregados devem divulgar, semestralmente, relatórios de transparência salarial para fiscalização e acompanhamento.

O julgamento conjunto analisou três processos distintos: uma ação declaratória de constitucionalidade (ADC) protocolada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), favorável à manutenção da regra, e duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) movidas pela Confederação Nacional de Indústria (CNI) e pelo Partido Novo, que contestavam os dispositivos da norma.

Fundamentação do Relator
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, votou pela validade integral da lei, sendo acompanhado por todos os demais integrantes da Corte. Em seu voto, Moraes destacou que a legislação brasileira está em conformidade com regras internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) relativas à igualdade de remuneração.

O ministro enfatizou o preceito constitucional de construção de uma sociedade justa e solidária. “Não é possível a construção de uma sociedade livre, justa e solidária se houver discriminação de gênero entre mulheres e homens, sendo que mulheres são 51,5% da população brasileira”, declarou Moraes durante a sessão.

Manifestação da Ministra Cármen Lúcia
Única mulher na composição atual do tribunal, a ministra Cármen Lúcia ressaltou que, embora a lei dê efetividade jurídica ao direito de igualdade, o preconceito de gênero ainda persiste na sociedade. “O preconceito não passa. O preconceito contra a mulher continua na ordem do dia da maneira mais perversa e cruel. Falo de cátedra. Todas nós mulheres passamos de uma forma ou de outra”, afirmou.

A ministra utilizou uma referência à escritora Carolina de Jesus para ilustrar a situação atual do mercado de trabalho. “Antigamente o que oprimia era a palavra calvário, agora é o salário”, pontuou, acrescentando que o preconceito se manifesta de formas sutis, como em olhares ou risos debochados.

Combate à misoginia e movimentos “redpill”
O ministro Flávio Dino abordou em seu voto os desafios para a concretização dos direitos femininos, citando o avanço de discursos misóginos e de movimentos como o “redpill”, que propaga a ideia de que homens seriam explorados por mulheres.

Para Dino, tais discursos estão ligados a problemas estruturais graves. “Os desafios se expressam na epidemia de estupros e feminicídios, na existência da proliferação de discursos misóginos, que estão não só na internet, mas que estão também em exotismos, como cursos ensinando homens a serem homens”, comentou o ministro. Ele relacionou essa mentalidade a uma interpretação distorcida da realidade, onde se prega que “os homens estariam sendo escravizados pelas mulheres”.

Além do relator e dos ministros Cármen Lúcia e Flávio Dino, votaram pela constitucionalidade da lei os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Nunes Marques.

15 de maio de 2026
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Anvisa confirma denúncias da Unilever contra Ypê antes de suspensão de produtos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que a Unilever protocolou denúncias formais contra a Química Amparo, fabricante da Ypê, meses antes de o órgão determinar a suspensão da fabricação e comercialização de produtos líquidos da marca. As representações, que apontavam contaminação microbiológica nos itens de limpeza, foram registradas por meio do sistema de ouvidoria Fala BR nos meses de outubro de 2025 e março de 2026. Os apontamentos da multinacional concorrente desencadearam processos de apuração que antecederam a inspeção na fábrica de Amparo (SP), realizada em abril.

De acordo com os documentos, revelados inicialmente pela Folha de S. Paulo na última quarta-feira (13) e confirmados após acesso aos registros protocolados na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e na Anvisa, a primeira denúncia ocorreu em outubro de 2025. Na ocasião, a Unilever, detentora das marcas Omo, Comfort e Cif, informou ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em quatro lotes do lava-roupas Tixan Ypê Express.

Em março de 2026, a multinacional apresentou uma segunda representação. Com base em análises conduzidas pelo laboratório Eurofins, a empresa relatou que outros 14 lotes de produtos da linha Ypê também apresentavam contaminação microbiológica.

Sobre a prática de analisar itens de outras fabricantes, a Unilever declarou que realiza testes técnicos em seus próprios produtos e, eventualmente, nos da concorrência, definindo a ação como comum no setor. Em nota, a empresa justificou o envio dos dados aos órgãos de fiscalização: “A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas”.

Avaliação técnica e fiscalização em fábrica
Segundo a Anvisa, as denúncias de terceiros passam por uma avaliação técnica baseada em possíveis provas materiais, o que direciona as ações de vigilância sanitária. O órgão destacou sua regulamentação sobre o tema:

“A legislação e a regulamentação administrativa que regem o funcionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) preveem que denúncias de terceiros, empresas, entidades da sociedade civil, especialistas e população em geral, desencadeiem procedimentos de análise e apuração”, informou a agência reguladora.

Além dos processos abertos pelas denúncias da Unilever, a Anvisa informou que já existia uma fiscalização programada para abril de 2026 na unidade produtiva da Química Amparo. A inspeção ocorreu na última semana daquele mês e foi executada de forma conjunta pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, pela Vigilância Sanitária municipal de Amparo e pela própria Anvisa.

Durante a fiscalização na fábrica paulista, os agentes identificaram a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca Ypê. O relatório da inspeção também registrou 76 irregularidades na unidade fabril.

Defesa e desdobramentos
A Química Amparo, fabricante da Ypê, contesta as conclusões técnicas apresentadas pela Unilever. A empresa declarou possuir laudos independentes que comprovam a segurança de seus produtos líquidos.

O caso segue em tramitação dentro do órgão regulador. Nesta sexta-feira (15), a Diretoria Colegiada da Anvisa retoma a análise do recurso apresentado pela Ypê. A fabricante tenta reverter a resolução atual que determinou a suspensão da fabricação, a proibição da comercialização e o recolhimento compulsório de parte de sua linha de produtos líquidos.

14 de maio de 2026
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Trabalhador pode consultar FGTS para pagar dívidas do Desenrola a partir do dia 25

A partir do dia 25 de maio, os trabalhadores poderão consultar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) disponível para a renegociação de dívidas por meio do programa Novo Desenrola. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou que a medida autoriza a utilização de parte do fundo para a amortização ou quitação de débitos em atraso, com a transferência dos recursos ocorrendo de forma direta da Caixa Econômica Federal para as instituições financeiras.

A regra operacional do programa estabelece a liberação de até 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia ou até R$ 1 mil. Na aplicação da regra, prevalecerá sempre o maior valor disponível para o trabalhador. A estimativa do MTE é que o Novo Desenrola movimente até R$ 8,2 bilhões do FGTS para o abatimento de dívidas.

A dinâmica funcionará em etapas. Após o trabalhador consultar o saldo e sinalizar o interesse, as instituições financeiras terão um prazo de até 30 dias para formalizar os contratos e registrar as informações nos sistemas da Caixa. A transferência do valor do FGTS para o banco credor só será realizada após a validação deste contrato.

Para suportar o volume de operações, a Caixa Econômica Federal executa testes operacionais e finaliza a integração dos seus sistemas. Na terça-feira (13), o banco público disponibilizou às instituições financeiras o swagger, um documento técnico que reúne todas as especificações e regras da Interface de Programação de Aplicações (API) que centralizará o processo.

Saque complementar atinge 10,5 milhões de trabalhadores
Além do calendário do Novo Desenrola, o dia 26 de maio marcará a liberação de valores complementares do FGTS para mais de 10,5 milhões de trabalhadores. A medida tem amparo legal na Medida Provisória nº 1.331, datada de 23 de dezembro de 2025.

Este saque complementar é direcionado exclusivamente aos profissionais optantes pela modalidade do saque-aniversário que foram demitidos sem justa causa no intervalo entre os anos de 2020 e 2025. O desbloqueio adicional injetará um montante estimado em R$ 8,4 bilhões. O repasse será feito por meio de depósito automático nas contas previamente cadastradas pelos usuários no aplicativo oficial do FGTS.

A determinação resguarda os contratos de empréstimo já existentes. Valores do Fundo de Garantia que estiverem atrelados a operações de antecipação do saque-aniversário, firmadas junto às instituições financeiras, permanecerão bloqueados, em obediência às cláusulas contratuais de cada cliente.

O MTE emitiu um aviso aos trabalhadores sobre a visualização dos recursos: devido ao processamento sistêmico da operação, os valores referentes a este crédito complementar deixarão de aparecer no saldo disponível das contas do FGTS antes do dia 25 de maio.

14 de maio de 2026
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Vazamento de mensagens que liga Flávio Bolsonaro a Vorcaro movimenta corrida presidencial

A corrida presidencial e os bastidores políticos sofreram um novo abalo nesta quarta-feira (13), acirrando a disputa entre a oposição e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tensionamento é uma reação direta à divulgação de áudios e mensagens em que o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pagamentos para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os diálogos mostram a proximidade do parlamentar com o banqueiro preso por suspeita de fraudes financeiras, e foram extraídos de um celular apreendido pela Polícia Federal (PF) no ano passado.

O conteúdo das conversas e os valores envolvidos
O escândalo veio a público inicialmente por meio do site The Intercept Brasil e foi confirmado por diversos veículos de imprensa. Segundo os registros publicados, Flávio Bolsonaro trocou mensagens e áudios com Vorcaro entre setembro e novembro de 2025, insistindo no pagamento de parcelas atrasadas para a produção do longa-metragem “Dark Horse”.

De acordo com informações apuradas pelos jornalistas Eduardo Gonçalves, Mariana Muniz, Patrik Camporez e Sarah Teófilo, d’O Globo, o senador demonstrou preocupação com as contas do filme e o risco de dar calote em estrelas de Hollywood. O roteiro da obra é de autoria do deputado federal Mário Frias (PL-SP), com direção do americano Cyrus Nowrasteh e atuação de Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro.

Em áudio enviado em 8 de setembro de 2025, Flávio afirma: “Tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme”. O senador completa ressaltando o risco para a imagem do projeto: “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus. Os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara.”

Segundo o Intercept, André Esteves Vorcaro repassou R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025, para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. As negociações também envolveriam US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, destinados à produção. De acordo com a jornalista Malu Gaspar, do O Globo, o publicitário Thiago Miranda confirmou ter intermediado a negociação. O montante previsto, porém, seria ainda maior, mas acabou suspenso após a crise na instituição financeira. Em mensagens enviadas em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, o senador Flávio Bolsonaro escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.

Mudança de versão e defesa do senador
No início da manhã de quarta-feira (13), ao ser abordado no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Bolsonaro deixou uma entrevista afirmando que os diálogos eram “uma mentira”, conforme registro do G1. Após a publicação das reportagens, o parlamentar convocou uma reunião de emergência e divulgou um vídeo admitindo os contatos.

O senador sustentou que a negociação envolveu entes privados e rechaçou qualquer irregularidade. “O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, declarou em nota oficial. Flávio garantiu ter conhecido Vorcaro apenas em dezembro de 2024, após o término do governo Bolsonaro, e argumentou não ter oferecido vantagens ou intermediado negócios com o governo.

Jussara Soares, da CNN Brasil, informou que o senador se reuniu com Jair Bolsonaro na tarde de quarta-feira. Segundo Flávio, o ex-presidente o aconselhou a “ficar firme” e reforçou que não há possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro assumir a candidatura à Presidência no seu lugar.

Repercussão eleitoral e embate jurídico
Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com o presidente Lula nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno das eleições presidenciais. A revelação dos áudios movimentou a base governista.

De acordo com reportagem de Caio Spechoto, Mariana Brasil e Augusto Tenório, da Folha de S. Paulo, aliados de Lula comemoraram o vazamento. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), classificou a situação como “batom na cueca”. O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que “a história real de Flávio é a corda que vai enforcar a candidatura dele”.

Apesar da comemoração, integrantes do governo avaliam, de forma reservada, que o eleitorado bolsonarista é altamente fidelizado, o que pode limitar o desgaste de Flávio. No entanto, acreditam que a proximidade com o escândalo pode afastar eleitores que rejeitam Lula, mas não são bolsonaristas convictos, abrindo espaço para nomes da direita como Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

A liderança do PT na Câmara protocolou, no fim da tarde de quarta-feira, uma notícia de fato criminal junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento solicita:

  • Instauração de inquérito contra Flávio Bolsonaro.
  • Prisão preventiva do parlamentar.
  • Expedição de mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados.

A guerra de narrativas
O caso do Banco Master, que investiga fraudes estimadas em até R$ 12 bilhões pela PF, tornou-se o centro de uma disputa narrativa. Daniel Vorcaro negocia delação premiada, e a tensão afeta o Congresso Nacional.

Antes do vazamento de seus áudios, Flávio Bolsonaro vinha adotando a estratégia de vincular o banco ao governo petista, utilizando camisetas com os dizeres “O PIX é do Bolsonaro; o Master é do Lula”, como destacou o G1. O senador defende a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o banco e alega que o caso ocorreu já sob a gestão Lula, citando uma reunião de Vorcaro com o atual presidente no Palácio do Planalto em 2024 e contratos do banco com o escritório do ex-ministro Ricardo Lewandowski.

Por outro lado, o PT lançou a campanha “Bolsomaster”, argumentando que as irregularidades ocorreram durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central e citando doações de campanha de sócios de Vorcaro para Bolsonaro. O Palácio do Planalto, em nota oficial, declarou que “A única relação do Governo do Brasil com o Banco Master é a investigação rigorosa da Polícia Federal.”

A proximidade do banco com nomes da direita já vinha sendo apontada pelas investigações recentes. Na semana anterior, uma operação da PF mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro, sob a suspeita de que ele recebia uma mesada de até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro.

14 de maio de 2026
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Fim do interurbano: ligações para cidades com o mesmo DDD agora ficam mais baratas no ES

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) encerrou, a partir do último fim de semana, a cobrança de chamadas de longa distância para ligações de telefonia fixa entre cidades que compartilham o mesmo Código de Discagem Direta (DDD) no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. A mudança, que busca modernizar o setor, adequá-lo à evolução tecnológica e simplificar a estrutura tarifária, reduzirá o número de áreas locais no país de 4.118 para 67 até a conclusão do cronograma em junho, igualando os limites geográficos aos códigos de numeração para os 19,4 milhões de telefones fixos do Brasil.

No território capixaba, o estado passa a operar com apenas duas áreas locais, correspondentes aos DDDs 27 e 28. Com o novo modelo, as ligações realizadas entre os 50 municípios atendidos exclusivamente pelo código 27, por exemplo, deixam de ser tarifadas como interurbanos, passando a integrar uma área local única. O projeto de igualar as áreas locais da telefonia fixa aos limites geográficos das áreas de numeração teve início no país em janeiro deste ano.

Modernização e tarifas
A alteração é conduzida pela agência reguladora, vinculada ao Ministério das Comunicações. De acordo com o titular da pasta, ministro Frederico de Siqueira Filho, o objetivo central da reestruturação é garantir melhores condições para a população. “Estamos modernizando a telefonia brasileira para tornar os serviços mais simples, transparentes e vantajosos para a população. Essa mudança reduz barreiras tarifárias, acompanha a evolução tecnológica do setor e beneficia milhões de consumidores que utilizam a telefonia fixa em diferentes regiões do país”, afirmou.

O especialista em Regulação da Anatel, Joselito dos Santos, ressalta que o modelo anterior estava defasado frente aos avanços das redes móveis e daquelas baseadas em IP, que não possuem as restrições de infraestrutura do passado. “Essa redução busca simplificar a estrutura tarifária, diminuir distorções regionais e refletir o fato de que as redes atuais […] já não dependem das mesmas limitações geográficas que orientaram o desenho original dos DDDs”, explicou.

Segundo a Anatel, o novo formato estimula a harmonização, a convergência dos serviços, favorece a competição no mercado e amplia a transparência. A agência destaca ainda que o foco da modernização atende especialmente o setor corporativo e as regiões brasileiras onde a telefonia fixa se mantém como um serviço essencial.

Cronograma nacional
Após a implementação no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, a Anatel agendou a próxima fase de expansão para o dia 31 de maio. Nesta data, o novo modelo chegará a sete novas unidades da federação: Acre, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins. O cronograma será definitivamente concluído no mês de junho, com a implementação das regras no estado de São Paulo, alcançando todo o território nacional.

A evolução histórica dos DDDs
A organização geográfica por meio de códigos de área é parte da história de automação do setor de telecomunicações no Brasil. Até meados da década de 1950, as chamadas interurbanas exigiam a intermediação de telefonistas para serem completadas de forma manual.

Foi a partir dos anos 1960, com a introdução das centrais automáticas, que surgiu a necessidade de um sistema padronizado capaz de identificar a origem e o destino das chamadas sem intervenção humana. Inspirados em modelos internacionais, foram criados os primeiros códigos de área, inicialmente batizados de DDS. A distribuição numérica seguiu critérios estritamente técnicos, avaliando a densidade populacional, as áreas de tráfego e a capacidade das centrais de telefonia de cada região.

Na década de 1970, impulsionado pela consolidação do sistema Telebras, o plano de numeração nacional foi unificado, momento em que a sigla DDD (Discagem Direta à Distância) ganhou popularidade, tornando-se o pilar de organização da rede com a expansão da telefonia fixa no Brasil.

Com a privatização do setor a partir da década de 1990 e a rápida popularização da telefonia móvel, os códigos DDD foram incorporados aos números de celular. Esse movimento gerou novos desafios estruturais, que culminaram na ampliação da numeração, na reorganização de faixas e na posterior introdução do nono dígito.

Atualmente geridos pela Anatel, os DDDs continuam essenciais, mesmo diante do domínio das comunicações digitais via internet. A agência reforça que os códigos seguem organizando a numeração, determinando diretrizes regulatórias e tarifárias, além de funcionarem como forte elemento de identidade territorial e infraestrutura da conectividade brasileira.

14 de maio de 2026
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Fim da “taxa das blusinhas”: compras de até US$ 50 continuam com imposto estadual no ES

A revogação do Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, efetivada pelo governo federal na terça-feira (12), não isentará totalmente os consumidores do Espírito Santo. Apesar do fim da chamada “taxa das blusinhas”, o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS) continuará incidindo no fechamento dos carrinhos virtuais no Estado. A medida divide opiniões: o governo federal justifica a ação como um reflexo da regularização do setor, enquanto entidades do setor produtivo capixaba e nacional preveem impactos negativos para a economia local e brasileira.

Cenário tributário no Espírito Santo
A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) informou que, no momento, não há estudos em andamento para a retirada da incidência do imposto estadual sobre essas operações de importação. Por meio de nota, a pasta justificou a manutenção da cobrança apontando para a atual carga tributária capixaba.

“O Espírito Santo já pratica a menor alíquota modal de ICMS do País, de 17%, abaixo de Estados que adotam percentuais de até 20% para esses produtos. Além disso, o Estado optou por não promover aumento dessa alíquota em 2025, ao contrário do que ocorreu em dez unidades da Federação”, detalhou a Sefaz.

Segundo a secretaria, a continuidade da tributação é uma forma de garantir isonomia competitiva entre os artigos estrangeiros e os nacionais. O objetivo é evitar desequilíbrios que possam provocar concorrência desleal no mercado interno, o que prejudicaria a competitividade do comércio e da indústria do Espírito Santo. A Sefaz também acrescentou que eventual alteração na sistemática de cobrança do ICMS sobre importações não depende apenas do Estado, exigindo deliberação conjunta no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

As justificativas do Governo Federal
A taxação de 20% havia entrado em vigor no mês de agosto de 2024, instituída dentro do programa “Remessa Conforme”, que regulamentou o comércio eletrônico internacional no país.

Durante a cerimônia de assinatura que derrubou a tarifa na terça-feira (12), o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o fim da cobrança se tornou possível devido ao sucesso do governo no combate ao contrabando e na regularização do setor de comércio eletrônico desde o início do regime simplificado. Para o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a medida beneficia a população ao retirar impostos federais do consumo popular e melhora o perfil de tributação no Brasil.

Prejuízos à indústria e risco de desemprego
No setor produtivo, a extinção da taxa gerou forte reação. A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliam que a decisão governamental ultrapassa uma simples mudança tributária, representando uma vantagem direta a indústrias estrangeiras em detrimento das fábricas brasileiras.

O presidente da Findes, Paulo Baraona, projeta reflexos negativos para a economia. “O fim dessa taxa fará com que o país tenha um desbalanceamento concorrencial. Ou seja, crie condições diferentes entre produtos nacionais e importados em prejuízo dos varejistas e das indústrias nacionais. Precisamos valorizar e criar mecanismos para que a nossa indústria seja mais competitiva e não o oposto”, declarou o dirigente capixaba.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o impacto será sentido principalmente nas micro e pequenas empresas, com potencial perda de empregos. Segundo ele, isentar produtos estrangeiros enquanto a produção nacional permanece tributada fere o princípio da isonomia e da coerência econômica. “Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, afirmou Alban.

“Um sistema que penaliza a produção interna desestimula investimentos, reduz a competitividade e enfraquece a indústria. Em um cenário global marcado por disputas comerciais e por políticas de proteção econômica, é contraditório que o Brasil abra mão de instrumentos mínimos de equilíbrio concorrencial”, pontuou.

Retrocesso e retenção de bilhões
A CNI classifica a decisão do governo como um retrocesso. A entidade argumenta que a imposição de regras às plataformas de e-commerce estrangeiras, que passaram a pagar ICMS em 2023 e o imposto federal de 20% em 2024, havia sido uma conquista para o comércio e a indústria. Desde o início das cobranças, o Brasil registrou dados positivos de emprego no varejo e no setor industrial, contribuindo para o menor índice de desemprego da história do país.

Um estudo recente apresentado pela CNI revela que a “taxa das blusinhas” barrou a entrada de R$ 4,5 bilhões em mercadorias importadas no mercado brasileiro. De acordo com o levantamento, essa redução preservou mais de 135 mil postos de trabalho e manteve quase R$ 20 bilhões circulando na economia nacional.

“Fica claro que o objetivo dessa taxação quando criada não foi tributar o consumidor, mas proteger a economia. A medida anunciada hoje vai na contramão do bom senso, pois tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que possamos manter empregos e gerar renda. Não somos contra as importações. Elas são bem-vindas e aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”, concluiu Ricardo Alban.

14 de maio de 2026
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ES muda mediação de conflitos de terra da pasta de Direitos Humanos para Segurança Pública

A coordenação da mediação de conflitos fundiários no Espírito Santo foi transferida da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) para a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). A mudança foi oficializada nesta quinta-feira (14), com a publicação do Decreto Nº 6414-R, assinado pelo governador Ricardo Ferraço (MDB). A nova legislação institui uma comissão permanente que passa a ter um prazo máximo de dez dias para se manifestar sobre as demandas, com previsão de atuação em caráter emergencial, visando dar celeridade às reintegrações de posse e reduzir a insegurança jurídica no estado.

Foco na segurança e no direito à propriedade
Para o governador Ricardo Ferraço, a reestruturação tem o objetivo de garantir o direito à propriedade e dar respostas imediatas aos casos de violação flagrante. “Invasão, ocupação, é um problema de segurança, não de direitos humanos”, afirmou o chefe do Executivo estadual. Ele comparou a situação das invasões de terra à de famílias que são expulsas de suas casas pelo tráfico de drogas, cenários em que a polícia é acionada para restituir a posse aos donos legítimos.

Ferraço enfatizou a importância da posse de terra para a economia e a cultura locais: “O direito à propriedade é um valor fundamental do qual os capixabas não abrem mão, sobretudo em um Estado em que a agricultura de base familiar é protagonista, com uma distribuição fundiária extraordinária e reconhecida. A violação da propriedade urbana ou rural é um problema de segurança pública”.

Combate à lentidão judicial
A alteração no comando das mediações surge como uma resposta à demora nos processos de reintegração de posse, que atualmente dependem de decisões do Judiciário e, segundo o governo, frequentemente ultrapassam 60 dias para serem concluídos. O trâmite habitual exige que o proprietário acione a Justiça e aguarde a análise de um juiz para que a Polícia Militar elabore um plano de ação, o qual requer nova aprovação judicial antes de ser executado.

Como exemplo da morosidade do sistema atual, o governador citou uma ocorrência em andamento no município de Anchieta. “Vivenciamos hoje uma dessas situações em Anchieta, com a ocupação em área de uma empresa que já ultrapassa os 60 dias. O plano de reintegração foi aprovado, mas houve pedido de mais prazo, que foi concedido. É uma área sabidamente da empresa, mas dependo da Justiça para agir”, detalhou.

Com a simplificação dos processos, o governo estadual estuda a implementação de medidas que permitam ações administrativas para a reintegração de posse antes mesmo que o proprietário precise recorrer ao Judiciário. “Queremos agilizar a devolução ao titular original, mas sem arbitrariedade, com critérios absolutamente subordinados à lei”, ressaltou.

Composição da comissão
De acordo com o Artigo 2º do Decreto Nº 6414-R, a nova Comissão Estadual de Prevenção e Conciliação de Conflitos Fundiários é composta por representantes das seguintes pastas e instituições:

  • Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) — responsável pela coordenação;
  • Secretaria de Estado do Governo (SEG);
  • Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH);
  • Polícia Militar do Estado do Espírito Santo (PMES);
  • Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social.

A comissão também poderá convidar o Ministério Público (Estadual e Federal), a Defensoria Pública (da União e do Estado) e outros órgãos do sistema de justiça. A participação dessas entidades será prioritária em casos que envolvam populações em situação de vulnerabilidade, ocupações consolidadas ou risco de conflito coletivo. O decreto estabelece que a atuação do Estado deve observar a dignidade da pessoa humana, os direitos sociais à moradia e ao trabalho, a função social da propriedade, a segurança jurídica e a eficiência.

Insegurança jurídica e motivações ideológicas
O decreto, que revoga a legislação anterior (Decreto nº 5.155-R, de junho de 2022), também foi motivado por preocupações com o ambiente de negócios. O governador argumenta que a necessidade de judicializar cada caso cria um ambiente de incerteza que afeta o mercado. “O investidor busca estabilidade jurídica. O cenário atual não é bom para o Espírito Santo e vamos trabalhar para mudar essa trajetória”, declarou.

Por fim, Ferraço avaliou que parte dos movimentos de ocupação no estado não reflete uma demanda genuína por terra ou habitação. “O que observamos são motivações ideológicas ou de outra natureza”, pontuou. O governador fez a ressalva de que as novas diretrizes são focadas estritamente em invasões irregulares e não afetam áreas regularizadas: “Não envolvem os assentamentos realizados de forma legal”.

14 de maio de 2026
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Governo federal cria subsídio para reduzir preço da gasolina no país

O Governo do Brasil anunciou, nesta quarta-feira (13), a criação de uma subvenção para a gasolina produzida no país e importada. A ação, que será autorizada por meio de Medida Provisória (MP), visa conter os impactos da alta internacional do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio e estabelece que os valores serão pagos diretamente aos produtores e importadores pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A portaria que definirá os valores exatos da subvenção será publicada nos próximos dias pelo Ministério da Fazenda. A regra principal estabelecida pela MP determina que o subsídio não poderá ultrapassar o teto dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis. Atualmente, a tributação sobre o litro da gasolina é de R$ 0,89, valor que engloba PIS, Cofins e CIDE.

A medida terá início pela gasolina, produto que ainda não havia sido alvo de cortes de tributos ou subsídios desde o início do conflito internacional. O texto da MP também abrange o óleo diesel, cuja tributação de R$ 0,35 de PIS e Cofins já havia sido suspensa em março. A subvenção poderá ser estendida ao diesel assim que a Medida Provisória 1.340, que prevê benefícios para os meses de abril e maio, perder a validade.

Impacto fiscal e cotação do petróleo
Os recursos para financiar o subsídio sairão do Orçamento Geral da União. A estimativa do governo aponta uma despesa mensal de R$ 272 milhões para cada R$ 0,10 de subvenção no litro da gasolina. No caso do diesel, o custo estimado é de R$ 492 milhões mensais a cada R$ 0,10 subsidiados. A equipe econômica informou que a medida será fiscalmente neutra, uma vez que a arrecadação da União com dividendos, royalties e participações tem registrado crescimento impulsionado pela alta cotação do petróleo no exterior.

O mercado de combustíveis tem sofrido pressão direta do cenário global. Até o dia 28 de fevereiro, data que marca o início do conflito, o barril de petróleo tipo Brent operava com cotação inferior a US$ 70. Atualmente, o valor ultrapassa a marca de US$ 100. Segundo o governo, a elevação atinge diversos países, levando algumas nações a adotarem medidas como racionamento de energia por risco de desabastecimento, cenário diferente do mercado interno brasileiro.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que as ações recentes já apresentam reflexos no mercado nacional. “Após a adoção das medidas emergenciais pelas quais o país passou, mas também pela função estrutural do Brasil como exportador líquido de petróleo, a gente já começa a observar uma desaceleração dos preços”, avaliou.

Apelo ao setor e fiscalização
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, solicitou agilidade aos agentes do setor para que a redução chegue ao consumidor final.

“No momento de guerra deve haver esse espírito cívico e o espírito da compreensão, de que há um esforço por parte do poder público. Por isso quero fazer um apelo às distribuidoras e aos postos de gasolina, para que eles acelerem o processo de repasse dessas medidas tomadas pelo Governo do Brasil. É preciso proteger a população brasileira e trazer resultados efetivos para que a gente continue crescendo, para que a gente continue fazendo inclusão social, para que a gente continue gerando emprego e renda”, declarou Silveira.

Histórico de ações emergenciais
A nova subvenção à gasolina integra um pacote mais amplo de iniciativas adotadas pelo Governo do Brasil em resposta à crise no Oriente Médio:

  • Diesel: O governo já havia anunciado subvenções de R$ 1,52 por litro para o diesel importado e de R$ 1,12 para o produto nacional. No caso do importado, 26 estados aderiram ao regime extraordinário, contribuindo com R$ 0,60 por litro. Além disso, os impostos federais (PIS e Cofins) sobre o diesel e o biodiesel foram zerados.
  • Gás de cozinha: Foi destinado um montante de R$ 330 milhões para subsidiar o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o que representa um desconto de R$ 11 por botijão.
  • Regulação e transporte: A ANP recebeu novas competências para fiscalizar e punir a prática de preços abusivos em postos, distribuidoras e outros agentes do setor. Simultaneamente, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) teve seus poderes ampliados para garantir que as empresas contratantes respeitem o piso mínimo do frete, protegendo os caminhoneiros das oscilações do combustível.
  • Força-tarefa: Uma operação conjunta envolvendo Procons, Secretaria Nacional do Consumidor, ANP, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal foi criada para coibir abusos. Desde o início da guerra, a força-tarefa já realizou a fiscalização de mais de 11 mil postos de combustíveis, refinarias e distribuidoras em todo o território nacional.
14 de maio de 2026
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Desenrola Fies: 18 mil capixabas podem renegociar dívidas com até 99% de desconto

Mais de 18 mil estudantes com contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) vinculados a instituições de ensino do Espírito Santo já podem renegociar suas dívidas por meio do programa Desenrola Fies. A iniciativa do Governo Federal, iniciada em 13 de maio, tem como objetivo reduzir a inadimplência e facilitar a regularização financeira dos estudantes, oferecendo descontos que chegam a 99% do saldo devedor consolidado. As solicitações são feitas integralmente por canais digitais e o prazo de adesão se estende até 31 de dezembro de 2026.

No Espírito Santo, os dados oficiais apontam a existência de 18.044 contratos em atraso passíveis de renegociação. Esse montante representa um saldo devedor total de R$ 1,60 bilhão no estado. Em âmbito nacional, o programa atinge 1.147.035 contratos em atraso nas 27 unidades da federação, o que equivale a um saldo devedor acumulado de R$ 83,14 bilhões, com expectativa de beneficiar mais de 1 milhão de estudantes no país.

O Desenrola Fies integra o Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo no dia 4 de maio. A medida foi instituída por meio da Medida Provisória nº 1.355/2026, que altera a Lei nº 10.260/2001, legislação responsável pela regulamentação original do programa de financiamento estudantil.

Quem pode participar
A renegociação está disponível para estudantes que firmaram contratos do Fies até o ano de 2017 e que já se encontravam na fase de pagamento (amortização) no dia 4 de maio de 2026.

Condições e faixas de desconto
O programa estabelece critérios diferentes de abatimento, calculados de acordo com o tempo de atraso do pagamento e o perfil socioeconômico do estudante. As condições são divididas nas seguintes faixas:

  • Débitos vencidos há mais de 90 dias: O estudante tem a opção de realizar o pagamento à vista, garantindo o desconto total (100%) de encargos e uma redução de até 12% do valor principal. Há também a alternativa de parcelamento da dívida em até 150 meses, com redução de 100% dos juros e das multas.
  • Débitos vencidos há mais de 360 dias (CadÚnico): Estudantes em situação de vulnerabilidade social inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) podem obter até 99% de desconto sobre o valor consolidado da dívida, desde que a quitação seja integral. Para acessar essa condição, o cadastro no CadÚnico deve ter sido realizado até 4 de maio de 2026 e atualizado nos últimos 24 meses.
  • Débitos vencidos há mais de 360 dias (público geral): Estudantes que não se enquadram no CadÚnico, mas possuem atrasos superiores a um ano, podem liquidar o saldo com desconto de até 77% do valor total consolidado, incluindo o principal.
  • Contratos em dia ou com até 360 dias de atraso: O programa também atende quem mantém os pagamentos regulares ou possui atrasos menores. Nesses casos, é oferecida a opção de quitação integral com 12% de desconto sobre o saldo devedor, visando o encerramento antecipado do contrato.

Como solicitar a renegociação
O procedimento para a adesão às novas condições do Fies é digital, dispensando o deslocamento até agências físicas. O processo segue cinco etapas:

  1. Acessar o canal digital: O interessado deve acessar o aplicativo do banco responsável pelo seu contrato (Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil).
  2. Solicitar a adesão: No próprio aplicativo, é necessário selecionar a opção referente à renegociação do Fies e verificar a modalidade disponibilizada pelo sistema com base no perfil da dívida.
  3. Validar os termos: O estudante deve ler e aceitar o termo aditivo eletronicamente. Se o contrato exigir a assinatura de fiadores, o sistema fornecerá as instruções sobre como proceder.
  4. Efetuar o pagamento da entrada: Para efetivar a adesão, é preciso gerar o boleto ou autorizar o débito da parcela de entrada diretamente no aplicativo e realizar o pagamento.
  5. Acompanhar a regularização: Após a confirmação do pagamento pelo sistema bancário, o nome do estudante e de eventuais fiadores é retirado automaticamente dos cadastros de inadimplentes, e o cronograma de pagamento é atualizado.
14 de maio de 2026
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Estratégias de consumo aumentam volume de endividamento no Brasil

O uso recorrente de modalidades de crédito para o parcelamento de despesas básicas do dia a dia está elevando o nível de endividamento das famílias brasileiras, cenário que já contabiliza 81,7 milhões de pessoas em situação de inadimplência no país. Conforme dados e análises de especialistas do setor financeiro repercutidos a partir de Brasília nesta quarta-feira (13), o hábito de transformar limites de cartão de crédito e cheques especiais em complemento de renda desorganiza o orçamento doméstico, empurrando os consumidores, sobretudo os de menor poder aquisitivo, para as taxas de juros mais altas do mercado devido à falta de educação financeira e aos estímulos constantes ao consumo.

O perigo do crédito nas contas do mês
A oferta de pagamentos a prazo, muitas vezes em até três vezes sem juros, tornou-se rotina em supermercados, postos de gasolina e farmácias. No entanto, o que parece vantajoso em um primeiro momento esconde armadilhas estruturais. O crédito, que idealmente deveria ser direcionado à aquisição de bens duráveis e de maior valor, tem sido utilizado para custear a sobrevivência mensal.

A socióloga e diretora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Adriana Marcolino, observa o crescimento dessa prática. “Estamos vendo muitas pessoas utilizando o crediário para pagar contas do orçamento mensal”, relata. Ela pondera que o financiamento é importante, mas adverte que sua utilização para despesas ordinárias atua na desorganização das contas. O efeito colateral dessa dinâmica, segundo Marcolino, é a transferência direta da renda do trabalhador para o sistema financeiro: “Quanto maiores os juros, maior a parte que vai ficar para o banco”.

Publicidade e “ansiedade de consumo”
O comportamento do consumidor também é influenciado por estímulos externos, independentemente da faixa de renda ou da essencialidade do produto. A economista Katherine Hennings, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) e analista da BRCG Consultoria, diagnostica o quadro como uma “ansiedade de consumo”.

Segundo Hennings, propagandas tradicionais e influenciadores digitais atuam na criação da necessidade, enquanto o acesso facilitado ao crédito viabiliza a compra. “Nós temos um comportamento que é de tentar antecipar ao máximo o que a gente consegue consumir”, explica. A economista ressalta que, apesar do excesso de ofertas na tela do computador e na televisão, falta clareza sobre as consequências financeiras. “Essa parte, menos glamourosa, de fazer as contas não está sendo feita”.

Prestações versus Juros
A negligência na hora de calcular o custo efetivo das dívidas é apontada por Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ele destaca que o consumidor brasileiro tem o hábito de pesquisar e comparar preços de itens como vestuário e eletrodomésticos, mas falha no momento de assumir o financiamento.

“Na hora de tomar o financiamento, tem o hábito de simplesmente verificar se é possível acomodar a prestação dentro do orçamento”, analisa Bentes. A consequência direta dessa falta de cálculo é o comprometimento excessivo, o que leva o consumidor a recorrer a linhas de crédito mais onerosas, como o parcelamento da operadora, o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.

Limite bancário não é salário
Outro fator que agrava a crise no orçamento das famílias é a confusão entre o que é ganho real e o que é empréstimo pré-aprovado. A economista Isabela Tavares, responsável pelo acompanhamento de crédito e endividamento da Consultoria Tendências, é enfática ao alertar que limites de crédito não podem ser somados aos vencimentos mensais.

“Precisamos entender que o limite do cartão de crédito não é uma renda extra. Temos que conseguir pagar o cartão de crédito com o salário que recebemos no final do mês. Quem ganha R$ 5 mil e tem um limite também de R$ 5 mil não tem renda de R$ 10 mil”, exemplifica Tavares.

Raio-X da inadimplência
Os indicadores atestam o tamanho do problema. Segundo o Banco Central, apenas no Sistema Financeiro Nacional, a inadimplência das famílias em março chegou a R$ 238,5 bilhões. O montante representa 5,3% do total de R$ 4,5 trilhões em crédito cedido a este grupo, número que não engloba dívidas diretamente com o comércio e prestadores de serviços.

A dimensão se torna mais clara quando observada em número de pessoas físicas. A Serasa Experian aponta a existência de 81,7 milhões de inadimplentes no Brasil. A maior fatia das dívidas atrasadas (47,1%) está concentrada em bancos e financeiras. O perfil do devedor também é delineado pela pesquisa: 78 em cada 100 endividados recebem até dois salários mínimos.

Esses cidadãos são os mais vulneráveis, como explica Isabela Tavares. Por terem pontuações de crédito (score) mais baixas e, muitas vezes, ausência de emprego formal, eles não conseguem acessar opções mais baratas, como o crédito consignado. “Assim, acabam recorrendo a empréstimos não consignados, cheque especial, ou o rotativo do cartão”, detalha.

Educação financeira e modernização do sistema
Para os especialistas ouvidos, a saída passa obrigatoriamente pela educação financeira. O planejador Carlos Castro, criador da plataforma SuperRico e integrante da associação Planejar, desenvolveu cartilhas e calculadoras para orientar o público sobre o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a adesão a programas de renegociação do governo federal, como o Desenrola 2. Na avaliação de Castro, o programa governamental funciona como “uma medida de curto prazo” e de emergência. A verdadeira solução exige mudanças estruturais para “evitar que o brasileiro volte a se endividar, e continue no mesmo nível de endividamento que temos hoje”.

Agilidade na liquidação de boletos
Em meio aos debates sobre as dívidas das famílias e as operações de crédito, o setor bancário também promove mudanças estruturais em suas ferramentas de cobrança. Como parte de um projeto mandatário de modernização envolvendo 136 bancos implementado desde 15 de março de 2024, a liquidação interbancária de boletos passou a ocorrer no mesmo dia do pagamento. Com a regra, boletos pagos até as 13h30 garantem o recebimento do dinheiro pelo cobrador na mesma data, a depender do contrato com a instituição financeira. Pagamentos efetuados após esse horário são liquidados no dia útil seguinte.

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