19 de maio de 2026
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Projeto gratuito incentiva corrida e caminhada e transforma rotina de moradores em Linhares

Com o objetivo de combater o sedentarismo e promover a saúde física e mental, o projeto gratuito URBTRAIN reúne moradores para a prática orientada de corrida e caminhada na pracinha do campo do Vasquinho, no bairro Interlagos, em Linhares. Os encontros regulares ocorrem todas as segundas-feiras no período noturno, contando também com edições especiais no último domingo de cada mês.

O projeto, que começou com um pequeno grupo de amigos, transformou-se em um movimento que atrai pessoas de diferentes faixas etárias e níveis de condicionamento físico, promovendo a ocupação do espaço público e a criação de laços comunitários entre moradores locais e de bairros adjacentes.

A idealização do projeto partiu de João Vitor de Mello Loureiro, atual fundador do grupo. Motivado por influenciadores digitais e buscando uma ferramenta para auxiliar no controle da ansiedade, ele iniciou a prática da corrida de forma solitária.

“Mesmo correndo sozinho, eu já ficava feliz quando aparecia uma ou duas pessoas para correr junto. Eu tinha amigos que praticavam apenas musculação, então apresentei para eles a ideia de criar um grupo de corrida. Eles abraçaram o projeto desde o começo e juntos criamos a página da URBTRAIN no Instagram para divulgar os treinos e incentivar mais pessoas a participarem.”

O corpo técnico e organizacional, o staff, é composto também por Jhonatan Porto e Junior Ferreira.

“No início foi tudo muito simples. Nos três primeiros meses, os treinos reuniam entre 7 e 10 pessoas, contando nós cinco que organizávamos”, relatam.

A escolha da pracinha do campo do Vasquinho foi estratégica. Segundo os organizadores, o local é um ponto de referência de fácil acesso em Interlagos, mas que apresentava baixa ociosidade no período noturno, fora das temporadas de futebol. “Com o projeto, o local começou a ganhar mais movimento, presença das famílias, prática esportiva e uma nova energia através da corrida e da caminhada”, dizem.

Projeto gratuito de corrida e caminhada mobiliza moradores em Linhares. Foto: Divulgação/URBTRAIN

Inclusão e combate ao sedentarismo
A organização ressalta que o projeto não possui caráter competitivo e é adaptado para receber desde corredores experientes até pessoas que nunca praticaram atividades físicas. A dinâmica permite que os participantes alternem entre corrida e caminhada, respeitando os limites individuais.

A alteração na rotina dos participantes é um dos resultados monitorados pelos idealizadores.

“O mais marcante é perceber que as mudanças vão muito além da corrida e da caminhada. Muitas pessoas chegaram sedentárias, desanimadas ou passando por momentos difíceis, e hoje têm uma rotina mais saudável, mais disposição e até uma autoestima melhor”, destacam.

De acordo com os relatos recolhidos pelo grupo, a atividade alterou a percepção do início da semana útil para os participantes, tornando as segundas-feiras mais leves devido ao ambiente com música e incentivo coletivo.

O aspecto social também é um pilar da iniciativa. Os organizadores observam a formação de uma rede de apoio entre pessoas que, inicialmente, chegavam sozinhas ao local de concentração. “Hoje existe um sentimento de comunidade muito forte dentro da URBTRAIN, onde um motiva o outro o tempo inteiro”, afirmam os responsáveis.

Segurança e logística
Por se tratar de um evento noturno realizado em vias públicas, a organização estabeleceu protocolos de segurança. Antes da largada, os participantes realizam sessões de alongamento e recebem orientações sobre o percurso. A principal regra é a manutenção do grupo no lado direito da via, garantindo o fluxo de bicicletas e pedestres.

O monitoramento durante o trajeto é feito pela equipe de staff, que utiliza rádios comunicadores. Em cruzamentos e pontos com fluxo de veículos, a equipe emprega bastões luminosos e bandeiras para sinalização, controlando a travessia. O grupo conta ainda com um socorrista na equipe de apoio e adota a política de acompanhamento integral, garantindo que nenhum participante fique para trás, do primeiro ao último colocado.

Projeto gratuito de corrida e caminhada mobiliza moradores em Linhares. Foto: Divulgação/URBTRAIN

Expansão e próximos eventos
O planejamento futuro da URBTRAIN envolve a manutenção da sede em Interlagos, com o objetivo de atrair moradores de outras regiões, além da projeção de eventos de maior porte. Atualmente, para contemplar o público que não possui disponibilidade às segundas-feiras, o projeto realiza um “treinão” no último domingo de cada mês.

A próxima edição dominical está agendada para o dia 31 de maio. O evento incluirá um café compartilhado após o percurso, realização de sorteios de brindes e a apresentação do calendário mensal de atividades.

Para os moradores que ainda hesitam em participar, a organização deixa um convite focado na superação do sedentarismo. “O mais difícil sempre é dar o primeiro passo. Muita gente acha que precisa estar preparado para começar, mas a verdade é que ninguém começa pronto. Se você está sedentário, desanimado ou querendo mudar sua rotina, apareça. Não importa se você vai correr ou caminhar, o importante é começar a cuidar da sua saúde. A rua é nossa”, concluem os organizadores.

19 de maio de 2026
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Mario Frias agradeceu Daniel Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro

Nesta terça-feira (19), uma reportagem do portal The Intercept Brasil divulgou áudios e trocas de mensagens que evidenciam a proximidade entre o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e o dono do Banco Master, e agora presidiário, Daniel Vorcaro, na articulação do filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As comunicações, realizadas ao longo de dezembro de 2024, mostram Frias agradecendo ao banqueiro pelo apoio ao projeto e o chamando de “irmão”, o que contradiz as recentes declarações do parlamentar sobre o distanciamento entre os dois no que diz respeito ao financiamento da produção.

Contato após reunião em Brasília
De acordo com o levantamento do Intercept, o primeiro áudio foi enviado por Mario Frias via WhatsApp no dia 11 de dezembro de 2024, às 18h24. A mensagem ocorreu menos de uma hora após o horário agendado para um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, na residência do banqueiro em Brasília.

Na gravação, Frias declara: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”. Vorcaro respondeu na sequência afirmando que estava em uma ligação e retornaria em seguida. Às 19h06, os dois conversaram por chamada de voz durante cerca de dois minutos.

A reunião presencial naquele dia teria sido organizada por Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, com o objetivo de tratar do financiamento do filme. Registros do Senado apontam que Flávio Bolsonaro participava de uma sessão da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) na mesma data, tendo deixado sua cadeira às 17h30, horário marcado para o encontro, e retornado às 18h. A reportagem não confirmou se a reunião de fato ocorreu presencialmente, remotamente ou em outro local.

Negociações com Hollywood e apelo religioso
As trocas de mensagens continuaram nos dias seguintes, evidenciando o papel de Frias não apenas como produtor-executivo, mas como articulador direto do longa. Em 15 de dezembro, o deputado enviou a Vorcaro uma captura de tela mostrando uma conversa com o diretor da obra, Cyrus Nowrasteh. O diálogo tratava da contratação do ator americano Jim Caviezel.

O diretor informou que o ator faria duas exigências: “1) Posso ler o roteiro? 2) Eles vão me pagar bem?”. Frias respondeu a Nowrasteh que o astro “será imortalizado por esse papel”. Ao enviar o registro para o banqueiro, o deputado federal comentou: “Milagres só são possíveis quando a [há] fé”, “Esse é um desses milagres” e “Vai ser a maior super produção de uma história brasileira”.

No dia 22 de dezembro, o tom religioso e a intimidade se repetiram. Após Vorcaro avisar que estava na igreja e que retornaria o contato depois, Frias enviou mensagens afirmando que o filme seria “o grande milagre”, capaz de tocar “milhões de pessoas em todo mundo”, e que exerceria “um papel histórico imprescindível para as futuras gerações”. O parlamentar classificou a produção como uma “questão de justiça divina”, recebendo a concordância do banqueiro: “Tenho certeza disso”. Frias finalizou a conversa projetando o cenário eleitoral: “2026 é do Brasil” e “Deus te abençoe meu Brother”.

Contradições e rede de desinformação
O material revelado contesta o posicionamento oficial de Mario Frias. Na semana anterior, após a revelação de que Flávio Bolsonaro havia negociado R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar o filme, Frias declarou que o banqueiro não havia investido “um único centavo” na obra. Posteriormente, o deputado emitiu uma nova nota alegando “uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”, ressaltando apenas que o nome de Vorcaro e do Banco Master não figuravam oficialmente como investidores.

A reportagem do Intercept também aponta que o deputado passou a propagar conteúdos falsos em suas redes sociais para descredibilizar a investigação. No dia 14 de maio, Frias compartilhou publicações alegando falsamente que o portal havia recuado sobre os valores do financiamento do filme.

O rastreamento desses conteúdos revelou uma rede de desinformação ligada estruturalmente ao Partido Liberal (PL). Um dos sites compartilhados, o diario360, pertence a Fagner Leandro de Lima, secretário do deputado federal André Fernandes (PL-CE) e tesoureiro do partido no Ceará. Outra página, Hora Brasília, está registrada no nome de uma empresa de Hugo Alves dos Santos, aliado do bolsonarista Oswaldo Eustáquio. Esta mesma empresa de comunicação atuou nas eleições de 2024 prestando serviços para duas campanhas de candidatos a vereador do PL em Atibaia (SP), cidade onde Fabrício Queiroz foi preso em 2020, recebendo um total de R$ 55 mil.

O que dizem os citados
A defesa de Mario Frias confirmou o contato entre o deputado e o banqueiro, mas declarou que as mensagens “refletem apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”. Os advogados sustentam que o parlamentar não atuou como articulador político ou financeiro em nome de Vorcaro, e que o entusiasmo nas mensagens se devia à “dimensão artística e cultural do projeto”.

Procurados nesta terça-feira (19), a assessoria de Mario Frias e o Partido Liberal (PL) não emitiram respostas até o momento da publicação. A defesa de Daniel Vorcaro informou que o banqueiro não se manifestará sobre o caso.

19 de maio de 2026
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“A responsabilidade é de todos”, diz ministra sobre combate ao abuso de crianças e adolescentes

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, detalhou nesta terça-feira (19/5), durante o programa “Bom Dia, Ministra”, as diretrizes do governo federal para o enfrentamento à exploração sexual infantil e as ações integradas de acolhimento à população em situação de rua. As medidas incluem a publicação de uma nova política nacional para padronizar o atendimento a jovens vítimas de violência, a regulamentação do ambiente virtual para menores e um esforço coordenado com estados e municípios para mapear, abrigar e reintegrar pessoas em vulnerabilidade social e brasileiros repatriados.

Prevenção e escuta protegida
Para o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, a ministra listou a prevenção e o encaminhamento das denúncias como as fases principais de resposta do Estado. O enfrentamento, segundo ela, exige atenção aos sinais de mudança brusca de comportamento e perpassa o ambiente doméstico, onde ocorre a maioria das violências.

“A primeira fase é a de prevenção. Para isso, é preciso falar e orientar sobre isso, principalmente com as crianças. E tem uma responsabilidade que é de todos: das famílias, das escolas, das unidades de saúde, da assistência social”, ressaltou Janine Mello.

Em casos confirmados, a diretriz é pautada pela Lei da Escuta Protegida (Lei 13.431/2017), que organiza a rede de proteção para evitar a revitimização. O protocolo garante que a criança relate o trauma apenas uma vez, em um ambiente seguro, especializado e sem julgamentos, seja na escola, nos equipamentos de saúde ou na polícia.

Denúncias e integração nacional
A ministra enfatizou a necessidade do uso do Disque 100, canal gratuito e sigiloso com atendimento 24 horas. “O silêncio não protege crianças. O silêncio protege o abusador. O Estado brasileiro não vai conseguir atuar se a gente não tiver informação”, alertou.

As declarações ocorrem na esteira do 3º Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, iniciado em 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em Brasília (DF). Durante o evento, foi publicada uma portaria que institui a Política Nacional de Enfrentamento ao tema. O texto prevê ações entre União, estados e municípios, unindo saúde, educação, assistência social, segurança pública e justiça para homogeneizar os protocolos de atendimento em cidades de todos os portes.

ECA Digital e limites às plataformas
A proteção infanto-juvenil no ambiente online também foi pautada por meio do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). A medida obriga as plataformas a adotarem verificação de idade real, ferramentas de supervisão parental obrigatórias e restringe o uso de dados de menores para fins comerciais.

“No Brasil, nós não aceitamos modelos de negócio que sejam baseados na vulnerabilidade da infância. A gente precisa garantir que o ECA Digital seja implementado e isso demanda de nós um esforço coletivo do Estado, que tem que fiscalizar”, pontuou a ministra, cobrando a adequação das empresas de tecnologia para continuarem operando no país.

População em situação de rua e Censo 2028
No âmbito das políticas para pessoas em vulnerabilidade, o governo executa o Plano Nacional Ruas Visíveis. O documento orienta estados e municípios em sete eixos: assistência social e segurança alimentar; saúde; violência institucional; cidadania, educação e cultura; habitação; trabalho e renda; e produção e gestão de dados.

Janine Mello destacou que o perfil dessa população mudou, exigindo atendimento individualizado que não separe mães, filhos e irmãos, já que hoje existem núcleos familiares inteiros, idosos e pessoas com deficiência vivendo nas ruas. “São pessoas que devem ser reconhecidas como sujeitos de direitos e que merecem acesso a políticas públicas”, declarou.

Entre as ações práticas, o programa Minha Casa Minha Vida destinará 3% de suas moradias para esse público, além da ampliação da atuação dos Centros de Referência da Assistência Social (CREAS) para garantir abrigos. Para embasar essas políticas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizará, em 2028, o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, visando captar a realidade e a origem desses cidadãos.

Combate à aporofobia e programa “Aqui é Brasil”
A pasta lançou ainda a campanha “indiferença machuca” para combater a aporofobia (aversão a pessoas em situação de pobreza, termo da filósofa Adela Cortina). Segundo a ministra, considerar que a vida de alguém na rua vale menos representa uma “falência do entendimento de valores humanitários”.

Por fim, o Governo do Brasil apresentou os resultados do programa “Aqui é Brasil”. Implementado em 2025 em parceria com a Agência da ONU para as Migrações (OIM), a iniciativa já garantiu o retorno humanizado de 4.200 brasileiros repatriados ou deportados em situação de vulnerabilidade. A ação engloba atendimento psicossocial, saúde, abrigo, alimentação, transporte e regularização documental desde o desembarque até a reintegração econômica e familiar.

19 de maio de 2026
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Deputados do ES apoiam proposta que barra fim da escala 6×1 e permite jornada de 52 horas

Quatro deputados federais do Espírito Santo assinaram propostas na Câmara dos Deputados que tentam impedir o fim da escala de trabalho 6×1 por um período de dez anos. A articulação, denunciada nesta terça-feira (19) pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), envolve um grupo de 176 parlamentares e estabelece brechas para a criação de jornadas semanais de até 52 horas. A manobra concorre diretamente com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, atualmente em debate, que visa reduzir o teto constitucional de 44 para 40 horas semanais e garantir dois dias consecutivos de descanso aos trabalhadores.

Os parlamentares capixabas que endossam a proposta são:

  • Da Vitoria (PP)
  • Amaro Neto (PP)
  • Evair de Melo (Republicanos)
  • Messias Donato (União Brasil)

A denúncia aponta que a manobra é liderada por partidos de direita e do Centrão. com destaque para o Partido Liberal (PL), incluindo nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Ricardo Salles (NOVO-SP), Paulo Azi (União-BA) e Zé Trovão (PL-SC). Segundo Hilton, um dos articuladores, Marco Feliciano (PL-SP), já se manifestou a favor do “trabalho até a exaustão” durante sessões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O conteúdo das emendas
A tentativa de alterar os rumos da PEC 221/2019 baseia-se em duas emendas apresentadas por deputados do Partido Progressistas (PP) à Comissão Especial da Câmara. Ambas propõem flexibilizações defendidas por setores da economia contrários ao modelo único de redução de jornada.

A primeira emenda, protocolada por Sérgio Turra (PP-RS) e apoiada por 176 deputados, condiciona a implementação da nova jornada ao cumprimento de metas nacionais de produtividade e à aprovação futura de leis complementares. O texto privilegia acordos individuais e coletivos, autorizando jornadas até 30% superiores ao novo limite constitucional. o que viabilizaria semanas de até 52 horas trabalhadas. Além disso, propõe a redução de 50% da alíquota de contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como compensação aos empresários.

A segunda emenda, do deputado Tião Medeiros (PP-PR), reúne 171 assinaturas e cria exceções para atividades classificadas como essenciais. O texto prevê que setores cuja interrupção comprometa a vida, saúde, segurança, mobilidade, abastecimento ou infraestruturas críticas mantenham o teto de 44 horas semanais. A proposta também defende tratamento especial para micro e pequenas empresas.

Pressão do setor empresarial
As emendas refletem a articulação de entidades patronais no Congresso Nacional. O economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Fábio Pina, confirmou que as sugestões da entidade vêm sendo encampadas por parlamentares ligados ao empresariado. A principal queixa do setor é a interferência estatal na determinação de um modelo único de escala para toda a economia.

“As emendas que a gente pleiteou com diversos gabinetes tiveram tratamento diferenciado para micro e pequena empresa, tratamento tributário diferenciado para empresas com quatro empregados, tratamento diferenciado setorial e manter a questão da negociação coletiva”, afirmou Pina. “A questão da escala para a gente é uma interferência enorme do Estado. [Ele querer] determinar qual deve ser a escala para todos os setores.”

O deputado Zé Trovão endossou as preocupações do empresariado, criticando o que chamou de “populismo” no debate e afirmando que pequenos negócios enfrentariam dificuldades para manter empregos. O parlamentar defendeu ainda o fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): “O modelo mais adequado hoje para o Brasil era a gente ter o fim da CLT e você poder fazer através de contratação por hora trabalhada”.

Saúde pública e produtividade
Em contrapartida, defensores do fim da escala 6×1 argumentam que o modelo atual gera esgotamento. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) classificou o tema não apenas como pauta trabalhista, mas de saúde pública, relacionando a jornada ao aumento de adoecimento mental, que afeta cerca de 500 mil pessoas por ano no país.

A advogada trabalhista Marcelle Chalach reforça o argumento, afirmando que a escala 6×1 “colide com a dignidade da pessoa humana, ao limitar o tempo para lazer e convívio social”. Segundo ela, a proposta tenta conciliar a necessidade de descanso com os altos índices de afastamentos previdenciários, embora esbarre em desafios de gestão e resistência setorial.

O argumento empresarial sobre perda de produtividade é contestado por levantamentos recentes. Um estudo da revista científica Nature Human Behaviour, que acompanhou quase 3.000 trabalhadores de 141 empresas em seis países durante seis meses, concluiu que jornadas semanais reduzidas melhoraram a saúde mental, diminuíram a fadiga e o burnout, e não provocaram queda relevante na produção. Os pesquisadores apontam que a redução da exaustão pode, inclusive, elevar a eficiência.

Próximos passos na Câmara
O prazo regimental para apresentação de emendas na comissão especial encerrou-se na última sexta-feira (15). Após a realização de audiências públicas nos dias 12, 13 e 18 de maio, o próximo passo cabe ao relator da proposta, deputado Léo Prates (Republicanos-BA).

Prates apresentará seu relatório nesta quarta-feira (20), indicando quais sugestões integraram a versão final. O parlamentar busca uma saída intermediária e reafirmou o acordo anunciado no dia 14 de maio por lideranças da Câmara e do governo: aprovar a jornada de 40 horas com dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.

“A discussão não é sobre reduzir jornada de quem já trabalha menos. Nós estamos discutindo os trabalhadores que hoje estão nas 44 horas semanais e na escala 6×1. É disso que a sociedade está falando”, declarou o relator.

Durante um debate realizado no último sábado (16) em São Luís (MA), sindicalistas defenderam uma redução maior, para 36 horas, mas concordaram com a necessidade de aprovar o avanço imediato. A votação da PEC na comissão está prevista para os dias 26 e 27 de maio.

19 de maio de 2026
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Mutirão em Vitória oferece retificação gratuita de nome e gênero para pessoas trans

A Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold), em parceria com a Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo, promove na quinta-feira (21) e sexta-feira (22) um mutirão gratuito de retificação de nome e gênero em documentos civis para pessoas trans. A ação ocorrerá das 9h às 17h, na sede da associação, localizada no Centro de Vitória. A iniciativa tem como objetivo oferecer atendimento individualizado e orientar os participantes sobre os procedimentos e documentos necessários para a regularização dos registros.

Atendimento terá orientação individual
Durante os dois dias do mutirão, equipes da Associação Gold e da Defensoria Pública estarão presentes para instruir os cidadãos a respeito de cada etapa do processo de regularização documental. Os profissionais atuarão no esclarecimento de dúvidas e no direcionamento específico sobre as certidões e papéis exigidos para a alteração jurídica de nome e gênero.

Segundo a coordenação de ações e projetos da Associação Gold, a atividade é fundamental para assegurar o reconhecimento da identidade e da humanidade da população trans. A coordenação complementa que a iniciativa busca ampliar de forma prática o acesso dessa parcela da população aos direitos mais básicos, além de fortalecer o reconhecimento e a consolidação social da identidade de gênero de cada indivíduo.

Regularização facilita acesso a serviços
A atualização dos registros civis traz desdobramentos práticos na rotina. De acordo com a organização, possuir a documentação em conformidade com o nome e o gênero com os quais se identificam auxilia as pessoas trans a acessarem serviços públicos, atendimentos na área da saúde, instituições de ensino e oportunidades no mercado de trabalho com mais segurança e dignidade.

A organização ressalta ainda que a posse de documentos oficiais regularizados contribui diretamente para reduzir situações de constrangimento e evitar dificuldades em atendimentos em esferas públicas e privadas. O mutirão é direcionado exclusivamente a pessoas trans interessadas em atualizar seus registros civis oficiais.

Para receber o atendimento e todas as orientações referentes aos procedimentos legais obrigatórios, a Associação Gold reforça que os interessados devem comparecer presencialmente ao local indicado.

Data: 21 e 22 de maio
Horário: das 9h às 17h
Local: Sede da Associação Gold
Endereço: Avenida Presidente Florentino Avidos, 502, Edifício Alexandre Buaiz, Centro, Vitória
Público-alvo: Pessoas trans e interessadas na retificação de nome e gênero em documentos civis.

19 de maio de 2026
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Projeto no ES propõe tornozeleira rosa para identificar agressores de mulheres

O deputado estadual Denninho Silva (União Brasil) apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Espírito Santo que estabelece a padronização visual, na cor rosa, das tornozeleiras eletrônicas utilizadas por agressores monitorados em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. A medida é voltada aos casos em que o uso do equipamento for determinado por decisão judicial ou por outra forma legalmente admitida. A iniciativa visa reforçar a fiscalização do Estado, ampliar a proteção das vítimas e identificar os indivíduos que respondem por atos de violência de gênero.

Justificativa e impacto preventivo no Estado
Conforme o texto da proposta, a diferenciação por cor busca conferir maior transparência ao cumprimento das medidas restritivas e evitar que os agressores circulem sem identificação específica perante a comunidade. Segundo o autor do projeto, a caracterização visual atua de forma direta na proteção individual das vítimas e no monitoramento coletivo.

“Quem agride mulher não é homem forte. É covarde, criminoso e precisa ser identificado. Muitas vezes a vítima vive com medo, muda sua rotina e perde sua liberdade, enquanto o agressor tenta circular normalmente e enganar outras mulheres. A tornozeleira rosa vem para inverter essa lógica: quem deve carregar o peso da identificação é o agressor, não a vítima”, afirmou Denninho Silva.

O parlamentar argumenta ainda que a identificação visual possui caráter preventivo, servindo como um sinalizador para a sociedade e um alerta para evitar novas ocorrências. Ele destaca o comportamento comum de indivíduos processados por esses crimes em omitirem seus históricos.

“Muitos agressores são manipuladores. Eles mentem, fingem arrependimento e tentam convencer outras mulheres de que são pessoas diferentes. A identificação visual ajuda a impedir que novas vítimas caiam na conversa desses agressores. É proteção individual e coletiva”, destacou o deputado.

O projeto de lei estabelece uma diretriz administrativa para a padronização visual dos equipamentos de monitoramento, observando critérios técnicos e contratos já vigentes. Segundo ponderou Denninho Silva, a medida não cria nova pena, não altera a legislação penal e não interfere na competência do Poder Judiciário, prevendo uma implementação gradual por parte do Poder Executivo estadual.

Proposta semelhante tramita no Congresso Nacional
A instituição de tornozeleiras eletrônicas na cor rosa para agressores de mulheres também é objeto de discussão em âmbito federal. Uma matéria de teor semelhante, de autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), foi protocolada na Câmara dos Deputados no último mês de abril, com o mesmo objetivo de padronizar os equipamentos de monitoramento para casos de violência doméstica e familiar.

De acordo com a justificativa apresentada pela parlamentar mato-grossense, a diferenciação da cor do dispositivo permite que as mulheres identifiquem de forma clara quem responde a acusações por esse tipo de crime, expondo publicamente o investigado ou condenado.

Em declarações publicadas em suas redes sociais, a deputada federal Coronel Fernanda detalhou o posicionamento que embasa sua proposta no Congresso:

“No mundo do crime, quando uma pessoa ainda está na fase de investigação e julgamento, ela não fica presa, mas com medidas restritivas. Entre elas, o uso da tornozeleira, que vai identificar onde a pessoa está. Com a preta, ela se iguala a todos os outros crimes. Ela pode dizer que matou um policial. Você sabe que se matar um policial, o bandido vira rei. Ou pode se autopromover, dizendo que assaltou um banco ou é o dono da boca”, explicou a deputada federal, completando: “Se a mulher souber que aquela tornozeleira rosa significa que aquele homem é agressor ou estuprador, ela não vai se aproximar dele.”

Contexto da legislação federal e medidas protetivas
Caso seja aprovado no âmbito federal, o projeto da deputada Coronel Fernanda alteraria a Lei nº 15.383/2026, dispositivo legal que já determina a utilização de tornozeleiras eletrônicas para agressores como parte das medidas protetivas aplicadas.

O cenário do monitoramento eletrônico para casos de violência doméstica foi impactado recentemente pela atuação do Governo Federal. No dia 9 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que prevê a monitoração eletrônica de agressores como uma medida protetiva autônoma, estabelecendo também critérios de prioridade para a destinação e o uso do equipamento. A legislação federal em vigor permite que o juiz determine a obrigatoriedade do uso da tornozeleira eletrônica ainda na fase inicial da acusação.

19 de maio de 2026
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Lula amplia vantagem e vence Flávio Bolsonaro após escândalo com Banco Master, aponta pesquisa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e lidera as intenções de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno para as eleições presidenciais de 2026. O distanciamento numérico ocorre na esteira do vazamento de áudios entre o parlamentar e o ex-banqueiro, e agora presidiário, Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master. Em um eventual segundo turno, Lula soma 48,9% das intenções de voto contra 41,8% do senador.

O peso do caso Banco Master
A pesquisa nacional foi realizada dias após o site Intercept Brasil divulgar documentos, mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro negocia um repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O levantamento revela um forte impacto do escândalo na opinião pública: 95,6% dos eleitores afirmam ter tomado conhecimento do caso.

Desse grupo, 51,7% avaliam que as conversas representam “evidências de envolvimento direto de Flávio Bolsonaro com o escândalo do Banco Master”, e 54,9% consideram que o vazamento retrata “evidências obtidas em uma investigação legítima”. Para 45,1% dos entrevistados, a divulgação “enfraqueceu muito” a candidatura de Flávio à Presidência da República.

Ao serem questionados sobre as fraudes financeiras da instituição, 43,3% da população aponta que “principalmente os aliados de Bolsonaro” estão envolvidos no esquema, enquanto 32,8% apontam o envolvimento de aliados de Lula. A defesa do senador tem argumentado que as tratativas eram profissionais e as divulgações seriam tentativas de prejudicá-lo. Contudo, apenas 33% dos entrevistados enxergam o vazamento como “uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro”.

Cenários de primeiro e segundo turno
Refletindo o desgaste recente, Flávio Bolsonaro recuou nas pesquisas. Na principal simulação de primeiro turno, Lula marca 47% das intenções de voto contra 34,3% do candidato do PL. Atrás deles, o coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão), assumiu a terceira posição com 6,9%, seguido pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 5,2%, e pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 2,7%.

O atual presidente também vence outras simulações de primeiro turno que excluem Flávio, superando nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que atinge 23,4%. Em simulações de segundo turno, Lula derrotaria Jair Bolsonaro (48,5% a 43,4%), Romeu Zema (47,8% a 37,6%), Ronaldo Caiado (47,5% a 38,5%) e Renan Santos (47,8% a 28,4%).

Até mesmo em um cenário alternativo de primeiro turno liderado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o petista aparece numericamente à frente do senador, registrando 36,7% das intenções de voto contra 32,8% de Flávio Bolsonaro.

Rejeição e percepção de risco
A pesquisa mediu ainda o índice de rejeição dos prováveis candidatos para 2026. Flávio Bolsonaro lidera a lista de políticos em que os eleitores “não votariam de jeito nenhum”, com 52%. Ele encontra-se em empate técnico com Lula, que é rejeitado por 50,6% dos eleitores. Na sequência, aparecem Jair Bolsonaro (49,1%) e Michelle Bolsonaro (45,6%).

A inversão de expectativas também foi refletida no temor eleitoral. Quando questionados sobre qual resultado das eleições causaria “mais medo ou preocupação”, 47,4% citaram a eleição de Flávio Bolsonaro, índice superior aos 40,5% que disseram temer a reeleição do presidente Lula. Apenas 11% disseram se preocupar com ambos igualmente.

Aprovação do governo federal
Apesar da liderança eleitoral, o governo Lula mantém índices de avaliação divididos e negativos. A gestão é classificada como ruim ou péssima por 48,4% dos entrevistados, ao passo que 42,9% a consideram ótima ou boa, e 8,7% a definem como regular. A desaprovação pessoal do desempenho do presidente é de 51,3%, enquanto a aprovação soma 47,4%.

Metodologia
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg entrevistou 5.032 eleitores em todo o Brasil. O recrutamento foi realizado de forma digital e aleatória (Atlas RDR) entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A margem de erro do levantamento é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo foi financiado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.

19 de maio de 2026
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Datafolha: 51% dos brasileiros querem mulher e negro no STF, mas rejeição à corte bate recorde de 40%

Em meio à pior crise de imagem de sua história recente e com uma cadeira vaga há sete meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se alvo de demandas demográficas e políticas por parte da população brasileira. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada nos dias 12 e 13 de maio em 139 municípios do país, revelou que a maioria dos cidadãos considera prioritária a indicação de mulheres, negros e de pessoas com lealdade ao presidente da República para compor a corte.

Paralelamente, o levantamento demonstrou que a inédita derrota do governo Lula (PT) com a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado Federal, passou completamente despercebida por quase seis em cada dez brasileiros.

Os dados, registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00290/2026, possuem margem de erro de dois pontos percentuais e expõem um retrato paradoxal das expectativas nacionais em relação à mais alta instância do Judiciário brasileiro.

O perfil desejado
Atualmente operando com dez magistrados desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso em outubro de 2025, o STF conta com apenas uma mulher (Cármen Lúcia) e dois ministros que se declaram pardos (Kassio Nunes Marques e Flávio Dino) em sua composição. Diante desse cenário, a população demonstrou forte preferência por maior diversidade:

  • Mulheres: 51% consideram “muito importante” a escolha de uma mulher, e 18%, “um pouco importante”. Outros 27% afirmam não ser nada importante.
  • Pessoas negras: 46% avaliam como “muito importante” e 16% como “um pouco importante” a indicação de uma pessoa negra. Para 34%, a condição não tem relevância.
  • Religiosidade: 46% dos brasileiros julgam “muito importante” que a pessoa escolhida seja religiosa (característica associada a Jorge Messias, que é evangélico).

A pesquisa também revelou contradições nas expectativas sobre o comportamento dos futuros ministros. Embora a Constituição exija “notável saber jurídico”, critério classificado como muito importante por 85% dos entrevistados, a visão política sobre a corte é ambígua. Enquanto 64% dizem esperar que os ministros sejam independentes de políticos e partidos, 51% consideram muito importante que o indicado tenha “lealdade total” ao presidente da República que o nomeou. Além disso, 47% veem como muito importante a afinidade política do magistrado com deputados e senadores.

A lealdade ao Executivo divide opiniões de acordo com a preferência eleitoral: o critério é visto como muito importante por 63% dos eleitores de Lula, contrastando com 45% entre os que preferem o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Desconhecimento sobre a derrota histórica no Senado
A vaga deixada por Barroso segue aberta após um evento que não ocorria desde 1894, no governo de Floriano Peixoto: a rejeição de um indicado ao STF. No dia 29 de abril, Jorge Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, sendo barrado por 42 senadores (eram necessários 41 para a aprovação).

Apesar do peso institucional, o Datafolha aponta que 59% da população não ficou sabendo do episódio. O desconhecimento atinge 61% entre os eleitores de Lula, 50% entre os de Flávio Bolsonaro e 72% entre aqueles que pretendem anular ou votar em branco.

Entre os 41% que tomaram conhecimento do fato:

  • 53% afirmam que a rejeição deixou o governo mais fraco.
  • 36% consideram que não houve interferência na força da gestão.
  • 7% dizem que o governo ficou mais forte.

A derrota foi patrocinada, em grande parte, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tinha o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como favorito, aliado à influência de alas ligadas ao bolsonarismo e parte do próprio STF. Durante a sabatina, o senador Sergio Moro (PL-PR) defendeu que a vaga fosse preenchida apenas pelo vencedor das eleições presidenciais deste ano, discurso rebatido pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) como uma tentativa de esvaziamento dos poderes presidenciais.

Mesmo com a barreira regimental do Senado, que impede uma nova indicação do mesmo nome no mesmo ano sob risco de deixar a corte desfalcada até 2027, o presidente Lula sinalizou a aliados a intenção de reenviar o nome de Messias.

Crise de aprovação e racha interno
A disputa pela 11ª cadeira ocorre enquanto o Supremo Tribunal Federal atinge seu pior nível de aprovação, equiparando-se aos índices de dezembro de 2019 e dezembro de 2023. Segundo o Datafolha, 40% dos brasileiros avaliam o trabalho dos ministros como ruim ou péssimo, 34% como regular e apenas 22% o consideram ótimo ou bom.

A reprovação é acentuada nos recortes demográficos de maior renda (63% de rejeição entre os que ganham mais de dez salários mínimos), maior escolaridade (48% entre os que possuem ensino superior) e entre homens (45%, contra 36% das mulheres).

O desgaste atual é impulsionado pelo chamado “caso Master”, que expôs revelações envolvendo os ministros Dias Toffoli, que deixou a relatoria de um inquérito após a Polícia Federal apontar negócios entre fundos ligados ao Banco Master e uma empresa de sua família, e Alexandre de Moraes, após o vazamento de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e contratos milionários envolvendo o escritório de sua esposa.

A situação agravou uma divisão interna na corte. De um lado, alinham-se Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin; do outro, o presidente do STF, Edson Fachin, e Cármen Lúcia. O grupo liderado por Moraes cobra de Fachin uma defesa institucional mais forte e pautas de repercussão, enquanto o presidente defende a criação de um código de conduta para mitigar a crise de imagem.

Politicamente, a avaliação do tribunal segue polarizada. A corte, que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, possui 50% de avaliação positiva entre os que aprovam a gestão Lula, contra 64% de avaliação negativa entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, que tem como promessa de campanha a ampliação da bancada no Senado visando o impeachment de ministros.

18 de maio de 2026
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Governo Lula prepara lei para cortar supersalários e penduricalhos no serviço público

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elabora, em Brasília, um projeto de lei para restringir e regulamentar o pagamento de verbas indenizatórias, os chamados “penduricalhos”, a servidores de todo o país. A medida tem como objetivo conter remunerações que ultrapassam o teto constitucional de R$ 46.366,19, e ganha forma após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) exigirem uma legislação definitiva para evitar a expansão descontrolada de benefícios.

A redação do projeto está a cargo do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, liderado pela ministra Esther Dweck, conforme informações publicadas pelo jornal Folha de São Paulo. A proposta governamental estabelece diretrizes para a União, estados e municípios, e atinge os três Poderes.

Pelo texto em discussão, os pagamentos serão divididos em duas categorias. A primeira resguarda os direitos trabalhistas comuns à iniciativa privada, como 13º salário e férias, que poderão ser pagos fora do teto. A segunda categoria concentra as verbas indenizatórias, como diárias, que estarão sujeitas a limites. O governo ainda define se esse limite será aplicado de forma individual por benefício ou de maneira global. A premissa do projeto é regulamentar apenas os auxílios que já possuem autorização legal, sem a criação de novas vantagens.

Decisões do Supremo Tribunal Federal
A formulação do projeto de lei foi acelerada após o tema ganhar repercussão no STF, impulsionado por medidas liminares dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes contra benefícios considerados excessivos. Em março, o plenário da Corte fixou regras temporárias para disciplinar a remuneração da magistratura e do Ministério Público até que o Congresso Nacional aprove a regulamentação definitiva.

O STF determinou que a soma de vantagens não pode ultrapassar 70% do valor do teto, divididos em dois blocos de 35%. O primeiro abrange itens como diárias, ajuda de custo e férias não gozadas. O segundo bloco autoriza o adicional de valorização por tempo na carreira (5% a cada cinco anos), limitado a 35 anos de serviço. Em contrapartida, a Corte proibiu o pagamento de auxílios natalinos, auxílio-moradia, auxílio-alimentação, reembolsos para combustível e a conversão de licenças compensatórias em dinheiro.

Na última semana, uma nova série de decisões assinadas por Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin reforçou essas restrições. Os ministros proibiram reestruturações de cargos que gerem aumentos indiretos, vetaram pagamentos registrados em mais de um contracheque e determinaram a divulgação transparente dos valores nos portais públicos.

Impacto político e pressão no Executivo
Dados do Observatório de Pessoal do governo indicam que menos de 1% do 1,2 milhão de servidores do Executivo federal recebe acima do teto constitucional, situação que ocorre principalmente entre advogados públicos. Os principais alvos da readequação são, portanto, integrantes do Judiciário, do Ministério Público e de defensorias públicas.

O presidente Lula tem se posicionado contra os excessos. Em entrevista concedida em abril, o mandatário criticou os valores pagos: “Não é possível que você não acabe com os penduricalhos desse país, não é possível continuar com essa promiscuidade”. Antes, em fevereiro, o presidente já havia vetado trechos de projetos que reajustavam salários no Senado, na Câmara e no Tribunal de Contas da União (TCU). Os textos vetados previam folgas remuneradas que poderiam elevar os vencimentos para mais de R$ 80 mil.

Atualmente, de acordo com o jornal O Globo, integrantes do governo debatem o melhor momento para enviar o texto ao Congresso Nacional. O assunto é tratado com cautela, pois há o temor de que, durante a tramitação legislativa, a pressão e o lobby de sindicatos e servidores resultem na ampliação de remunerações e benefícios, gerando efeito contrário ao pretendido. Além disso, a recriação do adicional por tempo de serviço no Judiciário abriu brecha para que categorias do próprio Executivo também passassem a cobrar a extensão do benefício.

18 de maio de 2026
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Antes de ser presa na Itália, Zambelli destinou R$ 2 milhões para produtora de filme sobre Bolsonaro

A destinação de R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares para a Academia Nacional de Cultura (ANC) tornou-se alvo de auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e de apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal (STF). O montante, que inclui R$ 2 milhões enviados em julho de 2024 pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália desde julho de 2025, seria utilizado em uma série documental de viés conservador. No entanto, o depósito direto em contas do Tesouro de São Paulo e indícios de fragmentação operacional da ONG, presidida pela produtora do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, paralisaram o repasse e acenderam alertas nos órgãos de controle em Brasília e no estado paulista.

O caminho do dinheiro e a retenção em São Paulo
Os R$ 2 milhões enviados por Carla Zambelli, quando ainda exercia o mandato, foram transferidos ao caixa do governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo auditoria do TCU, em 10 de julho de 2024, o valor se misturou às contas do governo estadual, tornando-se irrastreável. A prática contraria a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) daquele ano, que exige que cada emenda seja depositada em uma conta bancária específica e individualizada.

Após a determinação do tribunal, o dinheiro retornou às contas de origem e foi transferido para uma conta segregada. Contudo, a verba ainda não chegou à ANC devido à falta de apresentação da documentação exigida. Em nota, o governo paulista declarou que adotou os controles necessários e alertou: “Se as pendências não forem resolvidas pela ONG, os recursos, que permanecem disponíveis para a execução, serão devolvidos à União, em conformidade com a legislação”.

O caso não foi uma exceção no estado. Uma análise de 25 transferências na modalidade Pix recebidas nos dois primeiros anos do atual governo paulista revelou que todas foram direcionadas inicialmente para uma conta vinculada à Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP).

A origem dos recursos e os projetos propostos
A ANC apresentou um projeto orçado em R$ 2,6 milhões, bancado integralmente por parlamentares. A verba financiaria a série “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem”, dividida em três capítulos temáticos: Portugal: Luz para o Brasil; José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil; e Dom Pedro I: o Libertador. O projeto também previa a realização de um show musical, cujos artistas não foram detalhados.

Além dos recursos de Zambelli, a produção obteve R$ 1 milhão via emenda Pix do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), atualmente suspenso por quebra de decoro. Outros repasses, por meio de emendas com finalidade definida, vieram do deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que enviou R$ 500 mil, e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que destinou R$ 150 mil.

Procurada, Bia Kicis negou que os valores tenham sido destinados ao filme sobre Bolsonaro, afirmando que sua emenda foi exclusiva para a série Heróis Nacionais.

Investigação no STF e o filme “Dark Horse”
A presidente da ANC, Karina Ferreira da Gama, é também a produtora de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As atividades de suas empresas motivaram a abertura de uma apuração preliminar pelo ministro Flávio Dino, do STF.

A investigação apura suspeitas de irregularidades em emendas parlamentares destinadas a projetos culturais ligados a Karina. A medida foi motivada por um pedido dos deputados federais Pastor Henrique Viera (PSOL-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP), que apontaram que quatro entidades presididas ou de sociedade de Karina (Instituto Conhecer Brasil, Go Up Entertainment, Conhecer Brasil Assessoria e ANC) dividem o mesmo endereço, gestão e infraestrutura. Para Amaral, a fragmentação operacional seria um “óbice à rastreabilidade dos recursos públicos”.

Para o ministro Flávio Dino, os elementos indicam “fatos que, em tese, configuram descumprimento do acórdão do Plenário do STF, com a quebra de transparência e rastreabilidade, além de desvio de finalidade da destinação de emendas parlamentares”. A investigação do Supremo busca informações dos cinco políticos envolvidos nos repasses à ANC. Além disso, oficiais de Justiça tentam intimar o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e ator do filme Dark Horse, para prestar esclarecimentos.

O financiamento do filme também ganhou notoriedade após a divulgação de conversas em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a obra. Informações preliminares indicam uma promessa de R$ 134 milhões por parte do banqueiro, dos quais R$ 61 milhões já teriam repasse comprovado.

Conexões empresariais em São Paulo
O nome de Karina Ferreira da Gama tornou-se central em investigações que envolvem desde órgãos de controle estaduais até o Ministério Público de São Paulo e o STF. Além dos recursos federais, a empresária é o elo com um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo.

As autoridades investigam a atuação de uma rede corporativa que, sob a justificativa de atuações sociais, educacionais e de conectividade digital, teria edificado uma estrutura complexa de captação de recursos. A principal suspeita dos investigadores é que essa infraestrutura pública na capital paulista possa ter servido de base operacional e fluxo de caixa para a produção do projeto cinematográfico, parcialmente financiado por capitais sob suspeita.

18 de maio de 2026
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Farol de Regência passará por restauração e entorno receberá projeto de urbanização

A cúpula do histórico Farol de Regência, situado na vila de pescadores no litoral de Linhares, passará por um processo de restauração integrado à completa urbanização de seu entorno. O projeto, anunciado para atender a uma antiga reivindicação de moradores e turistas, prevê a implementação de calçamento, nova iluminação e áreas de esporte e lazer ao redor do monumento. A execução da reforma aguarda trâmites internos para a liberação dos recursos financeiros que viabilizarão as obras.

Etapas do projeto e infraestrutura
O processo de restauro da cúpula do farol já foi submetido à aprovação do Conselho Municipal de Cultura. Atualmente, a proposta encontra-se em fase de avaliação pelo Fundo Municipal de Cultura, órgão que analisará o projeto para autorizar a liberação dos recursos destinados especificamente à recuperação da estrutura.

Paralelamente ao restauro do cartão postal, a área localizada nas proximidades do farol será totalmente transformada. De acordo com o projeto, o espaço receberá calçamento, um projeto de paisagismo, iluminação adequada e uma área de lazer equipada com quadras de vôlei e futevôlei. As intervenções no entorno, que ficarão a cargo da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos, serão executadas com recursos próprios do município.

Estrutura centenária e histórico
Conhecido originalmente como Farol do Rio Doce, o monumento foi instalado em Regência no dia 15 de novembro de 1895. Composto por uma estrutura metálica de 30 metros de altura, o farol operava com lentes refletoras e mecanismos de iluminação capazes de sinalizar para embarcações situadas em uma área de até 17 milhas. O modelo de fabricação desta estrutura não é mais produzido.

Em reconhecimento à sua importância histórica e arquitetônica, o farol foi oficialmente tombado pelo Governo do Estado do Espírito Santo no ano de 1998.

O anúncio das intervenções foi realizado pelo prefeito de Linhares, Lucas Scaramussa, que destacou a participação da comunidade na elaboração da proposta de recuperação do espaço. “Não há como falar de Regência sem se lembrar do farol. Ele tem uma importância turística, estética e cultural para a Vila e, principalmente, para Linhares. Com essa restauração, vamos recuperar parte de nossa história. Esta é mais uma conquista dos moradores de Regência que idealizaram conosco esse restauro”, afirmou o prefeito.

18 de maio de 2026
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Lula decide insistir em Messias para o STF e estuda como driblar proibição do Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja reenviar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a inédita rejeição do nome pelo Senado em votação secreta. A decisão, motivada pela avaliação de que o veto parlamentar representou uma afronta política à prerrogativa constitucional do Poder Executivo, esbarra em uma norma interna do Congresso que impede uma nova análise no mesmo ano legislativo. O cenário agrava a crise institucional entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e obriga o governo a traçar estratégias jurídicas e políticas para viabilizar o retorno do nome do AGU à pauta.

As informações sobre os bastidores da crise e os próximos passos do governo foram reveladas inicialmente em reportagens publicadas por O Globo e Folha de S.Paulo. De acordo com as apurações, Lula deixou de tratar o caso como uma derrota pessoal de Messias e passou a encará-lo como um ataque direto ao seu governo e à sua autoridade de escolha para a Corte.

A recusa de Messias ocorreu por 42 votos contrários e 34 favoráveis, quando eram necessários pelo menos 41 apoios. Foi a primeira vez que o Senado rejeitou um indicado à Suprema Corte desde 1894, no governo de Floriano Peixoto. Messias havia conversado com 78 dos 81 senadores antes da votação.

O obstáculo normativo e as alternativas do Planalto
Conforme apontado pela Folha, o reenvio imediato do nome de Messias é barrado pelo Ato da Mesa nº 1 de 2010, editado durante a presidência de José Sarney no Senado. A regra determina que “é vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”. Na prática, o dispositivo transfere a possibilidade de uma nova votação apenas para 2027.

Caso Lula formalize a indicação ainda este ano, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tem o poder de arquivar a mensagem de ofício. Nos bastidores, Alcolumbre, que tentou pressionar o governo a indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga, já sinalizou que não pautará outra indicação ao STF neste ano, deixando a decisão para o próximo presidente da República.

Diante do impasse, o governo avalia duas frentes. Uma parte dos aliados defende que Lula anuncie publicamente a insistência no nome, mas envie a mensagem oficial apenas em 2027, condicionada a uma eventual reeleição. Outra ala estuda questionar a norma do Senado no Judiciário, sob o argumento de que um ato infraconstitucional (a regra da Mesa) não pode restringir uma prerrogativa garantida ao presidente da República pela Constituição.

A ideia de apresentar um nome alternativo, sobretudo de uma mulher demanda de setores do Partido dos Trabalhadores (PT) e movimentos sociais, foi discutida, mas perdeu força. Auxiliares convenceram Lula de que abandonar Messias consolidaria a imagem de derrota imposta pelo Congresso e transformaria a nova indicada em um “plano B”.

Clima de tensão e demonstrações públicas de distanciamento
O distanciamento entre o Executivo e o comando do Senado ficou evidente durante a posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, na última terça-feira. Segundo O Globo, Lula e Alcolumbre dividiram a mesa principal, mas praticamente não dialogaram, trocando apenas um cumprimento protocolar nos bastidores.

O ápice da tensão na cerimônia ocorreu quando o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, homenageou Jorge Messias em seu discurso. A menção gerou cerca de 30 segundos de aplausos da plateia e da mesa. Davi Alcolumbre foi o único integrante da mesa principal a não aplaudir o AGU. Para o entorno de Lula, a atitude confirmou a percepção de que Alcolumbre operou nos bastidores para derrotar Messias, embora o senador negue a articulação.

Situação de Messias e base governista
Jorge Messias, que chegou a cogitar a saída do governo “no calor do momento”, foi aconselhado por Lula a não tomar decisões precipitadas. De férias desde 13 de maio, o ministro tem retorno previsto para o dia 25. Reservadamente, segundo o colunista Lauro Jardim, do O Globo, o AGU responde “Deus proverá” sobre seu futuro e mantém a esperança de voltar a ser indicado.

Apesar da falha na aprovação, o Planalto decidiu manter os atuais articuladores políticos. Lula avalia que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi traído por senadores que descumpriram acordos. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, também permanece no cargo.

Dentro do PT, contudo, há defesa por um embate mais direto. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) declarou apoio ao reenvio do nome: “Eu defendo que o presidente reenvie, sim. O Senado só poderia barrar alguém por incapacidade técnica, e esse não é o caso do Jorge. O que houve foi uma conspiração do bolsonarismo com setores do Centrão para tentar impedir investigações da PF e afrontar o governo.”

Fator externo atenua pressão do Centrão
Se por um lado o cenário no Congresso é adverso nas pautas econômicas e na PEC da Segurança Pública, o governo identificou um alívio temporário na pressão oposicionista devido a investigações envolvendo figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com avaliações de integrantes do governo, as recentes revelações do portal Intercept Brasil, que expôs mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negociando financiamento para a biografia cinematográfica “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, deslocaram o foco político. O caso gerou desconforto no PL e enfraqueceu, momentaneamente, a coesão do Centrão e da oposição para impor novas derrotas imediatas ao Palácio do Planalto.

18 de maio de 2026
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Lula sugere aliança com Trump e China para explorar terras raras, mas exige soberania nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (18), em Campinas (SP), que o Brasil está aberto a parcerias com qualquer país para a exploração de terras raras e minerais críticos, desde que a soberania nacional seja rigorosamente respeitada e a industrialização ocorra em território brasileiro. Durante a cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, Lula sugeriu que os Estados Unidos e a China deixem as disputas de lado para investir no Brasil, destacando o papel fundamental da ciência para acelerar o mapeamento das riquezas minerais sem a necessidade de “cavar buracos”.

Ainda em Campinas, o chefe do Executivo criticou a influência exclusiva do mercado na escolha de graduações pelos jovens, citando especificamente a área médica. “Muita gente que estuda medicina não é pra trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), mas pra abrir uma clínica e ganhar muito dinheiro”, afirmou, defendendo que o Estado oriente a formação de profissionais em áreas estratégicas para o país.

Soberania e mercado global
O Brasil detém atualmente a segunda maior reserva mundial de terras raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de smartphones, baterias, turbinas e equipamentos de defesa militar. Apesar do volume, o país enfrenta o desafio de avançar para a fase industrial, um setor hoje dominado pela China, que concentra 90% do processamento global.

Ao abordar a geopolítica do setor, Lula enviou um recado direto aos governos norte-americano e chinês. “Nós não temos veto a ninguém, nós não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e a gente quer explorar aqui dentro”, declarou o presidente.

O petista também pontuou que, em uma reunião de quase três horas na Casa Branca com Donald Trump, alertou que a ausência de investimentos dos EUA no Brasil abriu espaço para a presença chinesa. Ele manifestou o desejo de que o líder americano “deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”.

No início deste ano, os Estados Unidos chegaram a apresentar uma proposta de cooperação para a exploração desses minerais, mas o modelo foi rejeitado pelo governo brasileiro sob a justificativa de que feria princípios de soberania nacional. O objetivo do Executivo é evitar que as terras raras sigam o padrão histórico de exportação de commodities brutas, como ocorre com o ouro e o minério de ferro. A meta é garantir que o processamento agregue valor à produção internamente.

18 de maio de 2026
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Previsão de inflação sobe para o teto da meta puxada por alta do petróleo

O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação para este ano, atingindo o limite máximo de tolerância da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo centro é de 3%. A revisão consta no Boletim Macrofiscal divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e reflete os desdobramentos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo, que já ultrapassaram a marca de US$ 110 por barril.

Segundo a equipe econômica, o impacto direto do combustível deverá ser parcialmente amenizado pela valorização do real e por medidas adotadas pelo governo federal para frear o repasse dos custos ao consumidor. Para 2027, a estimativa de inflação também sofreu ajuste de alta, passando de 3% para 3,5%.

Os dados apresentados orientam a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que deve ser enviado ao Congresso Nacional na próxima sexta-feira (22). O documento é a principal diretriz para a execução do Orçamento e indica a necessidade de bloqueios, para cumprir o limite de gastos, ou de contingenciamentos, visando garantir a meta de superávit primário.

Crescimento econômico mantido
Apesar da deterioração do cenário inflacionário, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu estável em 2,3% para este ano. A expectativa de avanço para 2027 também foi preservada em 2,6%, patamar projetado para os anos subsequentes.

A SPE avalia que o ritmo da atividade sofrerá uma desaceleração mais acentuada no segundo e terceiro trimestres, consequência natural da atual política monetária restritiva, seguida de uma recuperação gradual da indústria no fim do ano. No fechamento do primeiro trimestre, o crescimento agregado foi mantido, mas sua composição mudou: a indústria perdeu força, o setor de serviços ampliou sua participação e a agropecuária seguiu com contribuição estável.

Divergência com o mercado
O panorama traçado pelo governo diverge das expectativas do mercado financeiro, apresentando-se mais otimista. De acordo com o último boletim Focus do Banco Central, que reúne projeções de instituições financeiras, os analistas estimam uma inflação de 4,92% e um avanço econômico de apenas 1,85% para este ano. A secretaria, no entanto, justifica que, embora monitore os riscos do cenário internacional, a resiliência demonstrada pelo mercado de trabalho brasileiro sustenta a manutenção da atividade.

Aumento na arrecadação
Se, por um lado, o encarecimento do petróleo pressiona os índices de preços, por outro, reforça o caixa federal. O choque na commodity tem potencial para ampliar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões mensais, conforme cálculos da pasta.

Esse montante adicional considera os recolhimentos ligados ao setor petrolífero referentes a royalties, dividendos, Imposto de Exportação, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Para o governo, esse ganho arrecadatório é fundamental para viabilizar uma resposta fiscal firme, mantendo o alinhamento com a política monetária e o compromisso de consolidação das contas públicas.

18 de maio de 2026
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ES começa a semana com sol e tempo firme, mas frente fria traz chuva a partir de quarta-feira (20)

A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Espírito Santo informou, nesta segunda-feira (18), que o estado apresenta predomínio de tempo firme e baixa probabilidade de eventos de tempo severo. No entanto, a atuação de um sistema frontal alterará o clima a partir de quarta-feira (20), trazendo chuvas mais recorrentes ao longo da faixa costeira e na extremidade Sul capixaba.

Nas últimas 24 horas, até as 9h desta segunda-feira, as redes de estações meteorológicas do Espírito Santo não haviam registrado acumulados de chuva acima da marca de 5 milímetros. Durante a manhã, imagens de satélite e o radar meteorológico do Cemaden, localizado em Santa Teresa, indicaram céu claro a sol entre nuvens, sem a ocorrência de chuvas no estado. Para o período de 18 e 19 de maio, a previsão aponta que os dias deverão amanhecer parcialmente nublados, apresentando uma redução gradual da cobertura de nuvens a partir do fim das manhãs, com a possibilidade apenas de pancadas de chuvas isoladas e de fraca intensidade.

Na terça-feira (19), existe 70% de probabilidade para acumulados de chuva entre 2 e 10 milímetros nos municípios pertencentes ao Sul, Caparaó e partes das regiões Serrana e Metropolitana. Atualmente, não há avisos meteorológicos ativos para o Espírito Santo.

Mudança no tempo
O cenário meteorológico passará por mudanças entre os dias 20 e 21 de maio em decorrência de um sistema frontal. Para a quarta-feira (20) e a quinta-feira (21), a previsão calcula até 80% de chance para acumulados de chuva entre 2 e 10 milímetros nos municípios pertencentes ao Sul, Caparaó, Região Serrana, Grande Vitória e Norte do estado.

Nesses dois dias, a probabilidade de ocorrerem acumulados maiores, entre 10 e 30 milímetros, chega a até 40%, afetando sobretudo os municípios da faixa costeira e aqueles que fazem divisa com o estado do Rio de Janeiro. Nas demais localidades, a probabilidade de ocorrência de chuvas será baixa.

Acumulados da semana
A avaliação dos indicativos numéricos para o período de 18 a 24 de maio aponta a possibilidade de ocorrência de acumulados de chuva entre 60 e 80 milímetros na extremidade costeira do Norte do estado. Em partes do Caparaó, Sul, Região Serrana, Grande Vitória e na região costeira do Norte do Espírito Santo, esperam-se chuvas entre 40 e 60 milímetros. Já nas regiões Noroeste e Oeste capixabas, a expectativa é de que as chuvas fiquem abaixo dos 20 milímetros.

A Defesa Civil ressalta que o mês de maio representa, em geral, o início do período seco no Espírito Santo. Para termos de comparação, um evento de chuva de 10 milímetros neste mês representa, de forma aproximada, de 9% a 31% do total de precipitação mensal, dependendo da média de cada município. O documento oficial informa ainda que, até o fechamento da edição, não havia a emissão de alertas geológicos ou hidrológicos em vigência no estado.

18 de maio de 2026
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9 em cada 10 eleitores não se arrependem do voto em Lula ou Bolsonaro em 2022, mostra Datafolha

Nos dias 12 e 13 de maio de 2026, o Instituto Datafolha foi a campo em 139 municípios de todo o Brasil para traçar um retrato da opinião pública sobre o cenário político atual, revelando que a imensa maioria dos eleitores não mudaria seu voto das eleições presidenciais de 2022. O amplo levantamento, que ouviu 2.004 pessoas e avaliou também a relação entre os Poderes, expõe ainda que o eleitorado reprova a atuação do Congresso Nacional e aponta a segurança pública e a saúde como as maiores falhas da administração federal aos três anos e quatro meses de mandato. A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00290/2026.

Convicção nas urnas e polarização estável
Passados quase três anos e meio do pleito mais acirrado desde a redemocratização, a polarização do eleitorado segue cristalizada. Questionados com a pergunta “Você se arrependeu ou não do seu voto para presidente em 2022?”, 91% dos entrevistados afirmaram que não se arrependem da escolha, contra apenas 8% que declararam arrependimento.

A fidelidade é semelhante em ambos os lados da disputa. Entre os que votaram no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 89% dizem não ter arrependimento, enquanto 11% afirmam que sim (1% não soube responder). Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o índice de convicção é de 94%, com 6% declarando ter se arrependido. Os dados mostram estabilidade em relação aos levantamentos anteriores realizados em março e abril.

Confronto institucional e desgaste do Legislativo
O distanciamento entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional é percebido com clareza pela população. Para 70% dos entrevistados, a relação entre o governo Lula e o Legislativo é de mais confronto do que colaboração. Apenas 20% veem mais cooperação, enquanto 8% não sabem e 2% não veem nenhuma das duas dinâmicas.

As respostas refletem embates recentes em Brasília, como a rejeição no Senado da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada de vetos presidenciais. Entre o grupo que enxerga haver mais confronto, a avaliação é dura: 89% consideram que esse cenário é negativo para o Brasil.

A atuação dos próprios parlamentares também está em baixa. A pesquisa aponta que 37% da população avalia o desempenho de deputados federais e senadores como ruim ou péssimo. A maior parcela (43%) classifica o trabalho do Congresso como regular, e apenas 15% o consideram bom ou ótimo. O descontentamento com o Legislativo é expressivo tanto entre eleitores autodeclarados bolsonaristas (37% de rejeição) quanto petistas (37%), e ganha força em meio ao acirramento de crises recentes, como a que envolveu parlamentares e o Banco Master pouco antes da realização da pesquisa.

Avaliação do governo e alertas nas áreas prioritárias
De modo geral, o governo Lula possui hoje 39% de avaliação negativa (ruim ou péssimo), 30% de avaliação positiva (bom ou ótimo) e 29% de avaliação regular.

Ao destrinchar as políticas públicas, o eleitorado indicou insatisfações pontuais. A segurança pública lidera como a área em que a gestão federal tem o pior desempenho, apontada por 16% dos entrevistados. Em seguida, aparecem a saúde (15%), a economia (13%) e o combate à corrupção (13%). Jovens de 16 a 24 anos destacam a economia de forma mais contundente como uma área negativa (21%), enquanto as mulheres são mais críticas em relação à saúde (19%, ante 11% dos homens).

Por outro lado, quando questionados sobre onde o governo se saiu melhor até agora, os destaques foram o combate à fome e à miséria (13%), seguido pelo combate ao desemprego (10%) e pela educação (10%).

Olhando para as necessidades do país, o eleitor traçou um mapa claro do que o próximo presidente da República precisará enfrentar. A saúde é disparada a maior prioridade nacional, citada por 34% dos brasileiros (índice que chega a 40% entre o eleitorado feminino). A educação vem em segundo lugar (15%), seguida pela segurança pública (12%), economia (11%), combate à fome e à miséria (7%), combate à corrupção (7%) e combate ao desemprego (6%).

18 de maio de 2026
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Ministério da Fazenda lança calculadora que simula descontos e parcelas do ‘Desenrola’

O Ministério da Fazenda disponibilizou uma calculadora digital que permite aos cidadãos simularem a renegociação de dívidas pelo programa Novo Desenrola Brasil – Famílias. Disponível no site oficial do ministério, a ferramenta calcula previamente as condições estimadas com base nas regras da iniciativa, considerando o tempo de atraso e os descontos exigidos. A medida tem o objetivo de oferecer mais informação e segurança para a tomada de decisão antes que o público procure as instituições financeiras.

Funcionamento e uso do FGTS
A ferramenta apresenta valores estimados fundamentados nas diretrizes do programa federal. Por meio dela, o cidadão também pode simular a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na renegociação.

Pelas regras estabelecidas, é permitido o uso de até 20% do saldo disponível na conta do fundo ou o valor de R$ 1 mil, prevalecendo o que for maior, para o pagamento parcial ou integral das dívidas. Para confirmar a viabilidade do uso do FGTS, contudo, a orientação expressa é consultar previamente a instituição bancária.

O Ministério da Fazenda ressalta que a calculadora funciona como um organizador da vida financeira e que as condições finais da renegociação de crédito devem ser validadas diretamente com os bancos participantes.

Clique AQUI e simule suas dívidas na calculadora

Regras e benefícios do programa
O Novo Desenrola Brasil foi instituído no dia 4 de maio de 2026 com o propósito de reduzir os índices de inadimplência e conferir alívio econômico. O programa tem uma previsão de duração total de 90 dias e oferece as seguintes condições aos aderentes:

  • Descontos de até 90% sobre o valor da dívida antiga;
  • Taxa máxima de juros fixada em 1,99% ao mês;
  • Prazo de 35 dias para o início do pagamento;
  • Parcelamento do saldo devedor em até 48 vezes (quatro anos);
  • Retirada imediata dos cadastros de restrição de crédito (desnegativação) para pessoas que possuam dívidas de até R$ 100.

Público-alvo e como participar
O programa é direcionado especificamente a cidadãos que recebem uma renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. Estão elegíveis para renegociação as dívidas contraídas até o dia 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso por um período de 90 dias a dois anos.

O escopo de renegociação é restrito a três modalidades específicas de débitos: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

Para participar, os interessados que se enquadram nos requisitos regulamentares devem acionar diretamente as instituições financeiras e os bancos nos quais possuem as pendências financeiras. O novo crédito concedido dentro das regras do programa terá um limite fixado em R$ 15 mil por pessoa, válido para cada banco ou instituição participante.

18 de maio de 2026
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CBF lança música oficial do Brasil para a Copa do Mundo com Ludmilla, Zeca Pagodinho e João Gomes

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou neste domingo (17) a música ‘Bate no Peito’, a trilha sonora oficial da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo FIFA 2026. A obra atende a uma iniciativa da Fifa e foi produzida para ser executada nos estádios durante as partidas do Brasil no Mundial, com o objetivo de fortalecer a identidade nacional. O lançamento da canção antecede a divulgação oficial dos 26 jogadores convocados para o torneio, que acontece nesta segunda-feira (18), no Rio de Janeiro.

A faixa já está disponível em todas as plataformas digitais e foi criada a partir de uma solicitação da Fifa para que as 48 seleções participantes tivessem uma canção própria, que será tocada antes dos jogos, nos intervalos e a cada gol marcado.

Diversidade musical e caráter social
Para o projeto nacional, a CBF optou por uma obra coletiva inédita que mistura diferentes gêneros musicais, gerações e regiões do Brasil. A produção musical foi coordenada por Papatinho e conta com as vozes de Ludmilla (funk pop), Samuel Rosa (pop rock), Zeca Pagodinho (samba), além de Veigh e João Gomes, representando o rap, trap e o piseiro. Ao todo, foram desenvolvidas 17 versões até a aprovação do formato final, cujo refrão foi pensado para ser cantado facilmente nas arquibancadas.

“Foi um processo demorado, com muitos ajustes. São diversos compositores, músicos e coprodutores trabalhando juntos”, explicou Papatinho sobre a elaboração da faixa. A produção reuniu artistas com ligações com o esporte, seja como torcedores ou por relações de proximidade com clubes e jogadores. A expectativa entre os participantes é de que o desempenho da equipe impulsione o alcance da faixa. “Se o Brasil ganhar a Copa, essa música vai ser eterna”, afirmou um dos envolvidos.

O projeto possui também um foco solidário. Em acordo entre a CBF e os artistas, todos os royalties gerados por ‘Bate no Peito’ serão destinados ao Instituto Fome de Música. Os recursos arrecadados serão convertidos integralmente na compra de alimentos e distribuídos em todo o país por meio do programa Mesa Brasil Sesc.

Música oficial da Fifa
Na última quarta-feira (14), a cantora Shakira lançou “Dai Dai”, a música oficial global da Copa do Mundo Fifa 2026. A faixa, produzida em parceria com o rapper Burna Boy, mistura reggaeton, música pop e afrobeats. Com a intenção de motivar jogadores e torcedores durante o torneio, a composição homenageia estrelas do futebol mundial, incluindo os brasileiros Pelé, Romário e Kaká, além de nomes como Maradona, Cristiano Ronaldo, Messi, Mbappé e Salah.

A letra de “Dai Dai” foi escrita pela própria Shakira em colaboração com Ed Sheeran, Alexander “A.C.” Castillo Vasquez, Ahmed Saghir e Jon Bellion.

Além de assinar a trilha sonora global, a artista colombiana foi anunciada como uma das atrações do primeiro show de intervalo de uma final de Copa do Mundo. A decisão do torneio está marcada para o dia 19 de julho, no estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O espetáculo contará também com apresentações da cantora Madonna e do grupo de K-pop BTS, com a curadoria do evento sob a responsabilidade de Chris Martin, vocalista da banda Coldplay.

A nova canção consolida o histórico de Shakira com o torneio da Fifa. Em 2010, a cantora lançou a música oficial “Waka Waka (This Time for Africa)”, cujo clipe acumula 4,5 bilhões de visualizações no YouTube. Na edição de 2014, sediada no Brasil, a artista retrabalhou uma canção de seu álbum homônimo para lançar “La La La (Brazil 2014)”, em parceria com Carlinhos Brown. A faixa atuou como a segunda música oficial daquela competição, ao lado de “We Are One (Ole Ola)”, interpretada por Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte.

Expectativa pela convocação final
O lançamento da música ocorre em meio à expectativa para a definição do elenco que disputará o Mundial. Nesta segunda-feira (18), o técnico italiano Carlo Ancelotti anunciará os 26 jogadores que representarão o Brasil na Copa de 2026. O evento será realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com início às 17h (horário de Brasília) e previsão de leitura da lista às 17h45.

A Seleção chega ao momento da convocação após um ciclo pré-Copa com o pior retrospecto de sua história. Desde a eliminação para a Croácia nas quartas de final de 2022, o Brasil disputou 34 partidas, registrando 14 vitórias, 10 empates e 10 derrotas, um aproveitamento de 50,9%. Apesar dos números, os últimos amistosos contra França e Croácia indicaram a consolidação de uma base, com hierarquias estabelecidas do meio-campo para o ataque, restando indefinições pontuais em alguns setores.

Na última quinta-feira (14), a CBF confirmou a renovação do contrato de Carlo Ancelotti. No cargo desde maio de 2025, o treinador estendeu seu vínculo até a Copa do Mundo de 2030, afirmando que o ano de 2026 foi marcado por “muita observação e com muitas avaliações”.

Desfalques e a situação de Neymar
A pré-lista com 55 nomes, enviada pela CBF à Fifa no dia 12 de maio, indicou os caminhos para a convocação de hoje. O atacante Estevão, do Chelsea, é desfalque confirmado. O jogador sofreu uma lesão muscular de grau 4 na coxa direita em abril, durante a Premier League, e não terá tempo de recuperação hábil para o torneio.

Por outro lado, o atacante Neymar, atualmente no Santos e aos 34 anos de idade, figurou entre os pré-convocados. A presença do atleta, que vem de uma sequência de lesões, foi justificada pela comissão técnica. “Se ele está nessa lista é porque sua condição física está melhorando. Depois, até o dia 18 de maio, faremos a redução até chegar aos 26 que irão para os Estados Unidos”, declarou Davide Ancelotti, auxiliar técnico da Seleção.

A possível ida de Neymar à Copa divide a opinião pública. Um levantamento da AtlasIntel apontou que 50,3% dos torcedores brasileiros são contrários à convocação do atacante. A pesquisa indicou ainda que 42% defendem sua presença no Mundial, enquanto 7,7% não souberam responder.

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