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Fome no Brasil recua mais de 70% entre mulheres, negros e crianças, aponta ministério

19 jun 2026 - 09:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Levantamento indica o impacto de políticas públicas direcionadas aos grupos mais vulneráveis e registra marcas históricas na redução da pobreza em território nacional
Fome no Brasil recua mais de 70% entre mulheres, negros e crianças, aponta ministério. Foto: Mateus André

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) apresentou, na última quinta-feira, dia 18 de junho, dados que apontam uma redução superior a 70% na insegurança alimentar grave entre mulheres, pessoas negras e crianças no Brasil entre os anos de 2022 e 2024. Os índices foram divulgados pela secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, Valéria Burity, durante o painel “Soberania Alimentar em debate: quem alimenta o Brasil?”, realizado no evento Sustentar 2026, em Florianópolis (SC). A melhora nos indicadores é atribuída à retomada do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) e à execução de ações integradas de proteção social e geração de renda.

Queda expressiva nos grupos vulneráveis
O levantamento estatístico realizou um cruzamento comparativo entre as bases de dados da Rede Penssan de 2022 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024. Os resultados apontam que, nos lares chefiados por mulheres, a contração da fome atingiu o patamar de 77,7% no período analisado. Quando recortados os domicílios liderados especificamente por mulheres negras, o recuo verificado foi de 75,5%.

A tendência de baixa também se estendeu aos lares chefiados por pessoas negras em geral, com redução de 73,4%, e entre o público de crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos, cujo índice de insegurança alimentar grave caiu 72,4%.

Fatores estruturais e econômicos
Segundo a secretária Valéria Burity, a formulação do Plano Brasil Sem Fome, instituído a partir da reestruturação do Sisan em 2023, foi desenhada para atuar diretamente sobre os componentes de classe social, raça e gênero, identificados como elementos estruturais da fome no país. A estratégia consistiu na articulação entre políticas sociais e econômicas focadas no fortalecimento da proteção social, valorização do trabalho, geração de renda e ampliação do acesso a alimentos adequados.

“Os resultados mostram que essa estratégia deu certo. Conseguimos reduzir a fome de forma mais intensa entre crianças e adolescentes, nos lares chefiados por mulheres e nos lares chefiados por pessoas negras. É importante destacar esses avanços porque eles dizem muito sobre o projeto de país que temos o compromisso de construir, um país que combate a fome ao mesmo tempo em que enfrenta as desigualdades”, declarou a secretária durante a apresentação.

Marcas históricas e redução da pobreza
Além dos recuos identificados nos segmentos sociais prioritários, o balanço de 2024 consolidou as menores marcas históricas de insegurança alimentar grave já monitoradas em áreas específicas do território nacional. A Região Norte computou um índice de 6,2%, enquanto a Região Nordeste atingiu 4,8% e os domicílios situados em zonas rurais registraram o patamar de 4,6%.

A evolução da segurança alimentar ocorreu de forma concomitante com indicadores de diminuição da pobreza. Entre os anos de 2022 e 2025, o contingente de cidadãos que saíram da situação de extrema pobreza totalizou 5,2 milhões de pessoas, ao passo que 21 milhões de indivíduos deixaram a condição de pobreza. O MDS correlaciona esse desempenho a fatores conjunturais como o crescimento da economia nacional, a queda nos índices de desemprego, a redução da inflação dos alimentos e o retorno da política de valorização real do salário mínimo.

Consolidação de avanços com o III Plansan
Como perspectiva para a manutenção e a consolidação dos resultados obtidos, a secretaria extraordinária ressaltou o papel do III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (III Plansan). As diretrizes da nova etapa do plano contemplam o fortalecimento do Sisan e de suas estruturas de governança, o enfrentamento contínuo das desigualdades de gênero, étnicas e raciais, e a garantia de segurança alimentar para os grupos historicamente afetados pela vulnerabilidade social.

O plano prevê também ações voltadas à ampliação do acesso à água, à terra e ao território, além do fomento a sistemas de produção alimentar sustentáveis e adaptados às mudanças do clima. O planejamento estratégico reafirma o papel da agricultura familiar e valida o suporte produtivo de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais por meio de medidas práticas, tais como o incremento de linhas de crédito específicas, a ampliação dos programas de compras públicas de alimentos e o suporte comercial a produtos derivados da sociobiodiversidade.

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Atualizado: 19/06/2026 10:00

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