política

Lula rebate Trump, o chama de imperador e dispara: ‘Não se metam nas eleições do Brasil’

17 jun 2026 - 16:55

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de g1, CNN Brasil e Agência Gov

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Durante a cúpula do G7 na França, o presidente brasileiro defendeu a soberania nacional, criticou a proposta de novas tarifas comerciais de Washington e rebateu declarações de Trump sobre o sistema político e eleitoral do Brasil
Lula adverte Trump para não interferir nas eleições do Brasil e critica proposta de novas tarifas comerciais. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (17), em coletivas de imprensa na Europa após a cúpula do G7, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, age como imperador e deve se abster de interferir nas questões eleitorais brasileiras. A reação ocorreu depois que Trump classificou a situação política do Brasil como complicada e perigosa, além de sugerir barreiras tarifárias ao comércio entre as duas nações. O mandatário brasileiro rebateu as declarações defendendo o sistema eletrônico de votação nacional e reforçando a autonomia do país em suas decisões internas.

A manifestação de Lula foi motivada por comentários de Trump em Évian-les-Bains, na França. Na ocasião, o líder americano mencionou ter ouvido que prenderam o “Bolsonaro Jr” por causa de seu desempenho em pesquisas eleitorais após uma declaração no Texas. A fala de Trump fez referência indireta a Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, embora ele resida nos Estados Unidos desde 2025 e não tenha sido detido. Lula atribuiu o equívoco ao desconhecimento do presidente americano sobre a realidade política do Brasil, pontuando que Trump conhece o país apenas pela relação com a família Bolsonaro.

“As eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema dele. Não é um problema meu”, declarou Lula, acrescentando que Trump “pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema”. O presidente brasileiro também sugeriu que o sistema eleitoral dos Estados Unidos poderia aprender com o modelo adotado no Brasil, destacando a rapidez na apuração das urnas eletrônicas brasileiras.

Documentos entregues e negociações tarifárias
A ausência de uma reunião bilateral formal entre os dois chefes de Estado foi classificada por Lula como reflexo de um processo de negociação comercial ainda aberto, conduzido pelo chanceler Mauro Vieira e pelo ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, junto aos seus homólogos norte-americanos. Apesar da falta de uma audiência reservada, que Lula chamou de atitude desaforada por parte de Trump, o presidente brasileiro entregou pessoalmente ao líder americano quatro documentos institucionais por escrito.

Os textos entregues abordam o comércio bilateral, a cooperação na área de terras raras e minerais críticos, ações de combate ao crime organizado e uma cópia do acordo nuclear com o Irã mediado por Brasil, Turquia e Irã em 2010. Lula explicou que optou pelo registro escrito para garantir a fixação das propostas apresentadas.

Críticas ao crime organizado e tráfico de armas
O presidente brasileiro também utilizou o encontro para contestar a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida anunciada recentemente pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Lula argumentou que tais grupos buscam vantagem financeira e não a deposição ou o enfrentamento ideológico contra o Estado, diferenciando o contexto nacional do terrorismo internacional.

Além disso, Lula cobrou uma atuação mais firme de Washington contra o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro, afirmando que o armamento apreendido pela Polícia Federal no Brasil tem origem em Miami e apontando o estado de Delaware como destino para a lavagem de recursos de criminosos brasileiros.

Posicionamento entre as potências globais
Ao detalhar a inserção econômica do Brasil, Lula abordou a disputa comercial entre Estados Unidos e China, manifestando oposição a uma nova dinâmica de Guerra Fria. O presidente apresentou dados da balança comercial brasileira para justificar as parcerias estratégicas, citando um superávit de US$ 165 bilhões com Pequim, em contraste com um deficit de US$ 10 bilhões nas trocas comerciais com os Estados Unidos. Segundo ele, o avanço chinês em mercados da América Latina e da África decorre de um vácuo de investimentos deixado pelos países ocidentais. Lula propôs que os debates comerciais amplos sejam transferidos para o fórum do G20, que conta com a presidência americana neste ano.

Defesa da regulação digital no G7
Durante os compromissos de trabalho do G7 voltados à inteligência artificial e proteção de menores, Lula defendeu a necessidade de regulação das plataformas digitais como mecanismo de proteção de direitos fundamentais e enfrentamento a crimes cibernéticos. O presidente alertou para os riscos do uso prejudicial da tecnologia, mencionando discursos de ódio, desinformação e exploração de vulneráveis.

Como exemplo de iniciativa governamental, ele mencionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), destacando dados da Unicef que apontam que uma em cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos no Brasil já foi vítima de abusos online. Ele apontou ainda o impacto da violência digital contra as mulheres no país, afetando cerca de 8,8 milhões de cidadãs, e defendeu que a governança global sobre os dados gerados localmente permaneça sob a soberania e os benefícios econômicos de cada nação, sob a coordenação do sistema das Nações Unidas.

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Atualizado: 17/06/2026 16:57

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