O Nubank negou o encerramento de suas atividades nesta sexta-feira (12), após uma parcela de sua base de clientes receber notificações indevidas informando sobre uma suposta liquidação extrajudicial da instituição financeira. O envio das mensagens, que gerou relatos de preocupação nas redes sociais, foi classificado pela empresa como um erro operacional pontual e já está sendo investigado internamente, enquanto o Banco Central confirmou que as operações da fintech seguem normalmente.
A mensagem que originou o caso partiu do próprio aplicativo do Nubank e dizia: “Foi decretado o encerramento do Nubank. Clique aqui e saiba como solicitar o valor disponível no FGC [Fundo Garantidor de Créditos]”. O comunicado também foi disparado por e-mail, detalhando falsamente que o Banco Central (BC) havia decretado a liquidação da empresa.
O texto eletrônico prosseguia afirmando que “o ativo desse emissor sairá de circulação definitivamente” e lembrava os usuários de que o FGC garante investimentos de até R$ 250 mil por CPF. O e-mail ainda indicava instruções para recorrer ao fundo, sugerindo a consulta ao aplicativo oficial da entidade garantidora já no primeiro passo.
Posicionamento oficial e desmentido
Em nota oficial, o Nubank pediu desculpas pelo acontecido, lamentou o envio indevido da mensagem e reiterou que as operações seguem normalmente, com segurança e estabilidade. A empresa informou que o episódio não tem qualquer relação com a segurança da plataforma, a proteção das informações dos clientes ou a solidez da companhia. A instituição também confirmou que o erro foi identificado e solucionado, reforçando que permanece com todas as licenças ativas e sem impactos em sua operação.
O Banco Central, órgão responsável pela decretação de liquidação de instituições financeiras, também se manifestou. Procurada pela reportagem e pela CNN Brasil, a autarquia informou em nota que “não procede a informação que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Nubank”.
Após identificar e constatar o equívoco, o banco digital enviou uma nova mensagem aos clientes afetados. O texto de retratação, intitulado “Mensagem incorreta sobre liquidação do Nubank”, buscou tranquilizar os usuários: “Você recebeu uma mensagem incorreta sobre uma suposta liquidação do Nubank pelo FGC. Reiteramos que isso se tratou de um erro operacional e pedimos sinceras desculpas pelo ocorrido”. O comunicado destacou ainda que o Nubank é a maior instituição financeira privada do Brasil, sendo uma empresa sólida e segura, e que o patrimônio dos usuários continua protegido.
Reações do mercado e balanço financeiro
Para Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da Austin Ratings, a situação evidencia uma falha interna cujo risco principal é de danos à imagem e à credibilidade da empresa. “Aparentemente não foi um evento de crédito, mas um episódio reputacional momentâneo. O Nubank agora deve trabalhar a comunicação com o mercado, com clientes e com investidores para provar que não há crise estrutural nos balanços e no crédito”, afirmou o especialista.
O Nubank é atualmente a maior fintech da América Latina, abrigando mais de 135 milhões de clientes distribuídos entre Brasil, México e Colômbia. O valor de mercado atual da companhia gira em torno de US$ 58,5 bilhões (cerca de R$ 304 bilhões).
No mercado de capitais, as ações da instituição negociavam perto da estabilidade na NYSE, a Bolsa de Valores de Nova York. Por volta das 15h50 no horário de Brasília, os papéis registravam leve alta de 0,21%, cotados a US$ 12,12. Em contrapartida, os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), certificados negociados na B3 que representam ações de companhias listadas no exterior, apresentavam queda de 1,82%, cotados a R$ 10,24.
Os dados financeiros recentes da empresa corroboram as declarações de solidez. No balanço do primeiro trimestre deste ano, o banco digital reportou um lucro líquido de US$ 871 milhões, desconsiderando efeitos cambiais. O resultado representa uma alta de 41% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar de uma queda de 5% frente ao trimestre imediatamente anterior. A carteira de crédito da instituição alcançou a marca de US$ 37,2 bilhões, configurando um salto de 40% na comparação anual e de 7% no trimestre.


















