Saúde

Imunização zera mortes de crianças por vírus sincicial respiratório no Espírito Santo

25 maio 2026 - 13:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Estratégia combinada do SUS com vacina para gestantes e anticorpo em bebês prematuros reduz infecções graves em 25%. Em contrapartida, baixas coberturas vacinais elevam óbitos de idosos por Influenza no estado
Imunização zera mortes de crianças por vírus sincicial respiratório no Espírito Santo. Foto: Pixelshot

O Espírito Santo não registrou óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) decorrentes do vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças de até quatro anos entre janeiro e a primeira quinzena de maio de 2026. O resultado provém de uma estratégia combinada de imunização adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que atua na prevenção da doença por meio da vacinação de gestantes e da aplicação de anticorpos monoclonais em recém-nascidos. A medida sanitária provocou, no mesmo período analisado, uma redução de quase 25% nos casos confirmados da doença na faixa etária em comparação ao ano passado.

Os dados são do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP – GRIPE) e compreendem o período da semana epidemiológica 01 a 19. Neste ano, foram contabilizados 181 casos em crianças de 0 a 4 anos e nenhuma morte. No mesmo período de 2025, o estado registrou 241 casos e três óbitos nessa faixa etária. Em 2024, o registro foi de 647 casos e oito mortes.

A estratégia de contenção do vírus é executada em duas etapas. Em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde incorporou ao Calendário Nacional a vacina contra o VSR para mulheres a partir da 28ª semana de gravidez. A imunização materna permite a transferência de anticorpos ao feto, garantindo proteção nos primeiros meses de vida. Até abril deste ano, o Espírito Santo vacinou mais de 16 mil gestantes, alcançando uma cobertura de 93,14%, índice superior à meta de 80%.

A segunda frente da campanha começou em fevereiro deste ano, com a distribuição do anticorpo monoclonal Nirsevimabe. O medicamento é direcionado a bebês prematuros nascidos com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, independentemente do peso. A profilaxia também atende crianças de até 24 meses que apresentem comorbidades específicas, como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas. Até o momento, 2.515 doses foram administradas no estado.

“Temos verificado que a estratégia combinada de proteção contra este vírus já traz um impacto direto nos desfechos de óbitos, com nenhuma morte registrada até a primeira quinzena de maio no Estado. Acreditamos ainda que em relação aos casos teremos um impacto ainda mais positivo a partir da próxima sazonalidade da doença, no próximo ano”, explicou Danielle Grillo, referência técnica do Programa Estadual de Imunizações (PEI) da Secretaria da Saúde (Sesa).

A profissional também pontuou a importância da adesão populacional. “Só no ano passado 8 crianças perderam a vida por causa do VSR. A adesão das gestantes e das famílias nessa estratégia é um trabalho conjunto a ser destacado, entre o PEI e a Atenção Primária à Saúde, com os municípios e os serviços de saúde”, afirmou.

Alerta contínuo para adultos e idosos
Apesar da queda dos indicadores pediátricos, o VSR continua circulando e afetando outras populações. Em 2026, considerando todas as faixas etárias, o Espírito Santo confirmou 197 casos e um óbito (de um paciente entre 18 e 59 anos) até a semana epidemiológica 19.

O Informe Epidemiológico da Vigilância de vírus respiratórios da Sesa aponta que o VSR tem causado aumento de internações por SRAG em adultos com comorbidades e em idosos.

“Apesar de as estratégias de prevenção incorporadas ao SUS constituírem ferramentas importantes para a redução das complicações causadas pelo VSR, especialmente na faixa etária pediátrica, o vírus ainda é responsável por infecções em diferentes grupos etários. Nos últimos anos, tem se destacado como causa relevante de complicações também em idosos e em adultos com comorbidades”, detalhou a médica pediatra Mariana Ribeiro Macedo, referência técnica da Vigilância da Influenza e Meningites do PEI.

Macedo orienta a manutenção das medidas não farmacológicas de prevenção, como a higienização frequente das mãos, o uso da etiqueta respiratória (cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar), e o distanciamento de pessoas com sintomas gripais, além de evitar locais fechados ou aglomerados.

Casos de Influenza crescem no estado
Enquanto o VSR recua nas faixas infantis, o vírus da Influenza avança como principal causa de agravamento respiratório. Dos 61 óbitos registrados por SRAG em 2026 no Espírito Santo, 15 (24,5%) foram decorrentes de Influenza. O cenário se agravou nas semanas mais recentes (entre a 15ª e a 18ª), nas quais as únicas três mortes confirmadas por SRAG tiveram a gripe como agente causador.

O público idoso é o mais afetado: 10 das 15 vítimas fatais por Influenza (66,6%) pertenciam a esta faixa etária, que é considerada grupo prioritário na campanha de vacinação iniciada em março.

Apesar da meta de 90% estabelecida pelas autoridades de saúde, os índices de adesão permanecem baixos. Segundo o Sistema Vacina e Confia (VeC), com dados até o dia 22 de maio, a cobertura vacinal contra a Influenza alcançou 32,64% no público infantil (6 meses a menores de 6 anos), 37,51% em idosos e 50,78% em gestantes.

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Atualizado: 25/05/2026 13:36

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