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Guarda ensina mulheres a pesquisar histórico judicial de parceiros antes de se envolver

02 abr 2026 - 10:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Campanha lançada nas redes sociais ensina o passo a passo para consultar gratuitamente o site da Justiça estadual como medida de prevenção à violência
Guarda ensina mulheres a pesquisar histórico judicial de parceiros antes de se envolver. Foto: Reprodução

A Guarda Civil Municipal da Serra lançou, nesta quarta-feira (1º), uma campanha nas redes sociais com o objetivo de orientar mulheres a pesquisarem o histórico judicial de possíveis parceiros. Por meio de um vídeo explicativo, agentes da corporação ensinam como consultar, de forma pública e gratuita, se há registros de processos envolvendo pretendentes no site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). A iniciativa busca incentivar o acesso à informação como uma ferramenta de prevenção à violência doméstica.

A ação foi introduzida com uma pergunta direta ao público: “Antes de se apaixonar, você já pesquisou o CPF dele? Ou só descobre tudo depois do trauma?”. Na legenda da publicação no Instagram, a corporação justificou a necessidade da medida. “Segurança também é prevenção. Antes de se envolver, é importante conhecer com quem você está se relacionando. A consulta pública de processos pode ser uma ferramenta de proteção”, afirma o texto.

Como realizar a consulta
No vídeo, as agentes detalham o procedimento prático para que qualquer pessoa possa realizar a pesquisa de antecedentes no sistema judiciário capixaba. O passo a passo indicado é o seguinte:

  • Acessar um buscador na internet e digitar “TJES”.
  • Entrar no site oficial do tribunal.
  • Clicar na aba “Consultas”.
  • Selecionar a opção “Acompanhamento Processual”.
  • Em seguida, acessar “Consulta Unificada”.
  • Inserir o nome completo da pessoa na busca.

Após a realização da pesquisa, o sistema exibe eventuais processos vinculados ao nome consultado. A recomendação da Guarda Municipal é que as mulheres fiquem atentas, especialmente, à existência de registros relacionados à Lei Maria da Penha ou a medidas protetivas de urgência.

“Não é sobre julgar, é sobre se proteger. Muitas histórias começam lindas, mas escondem sinais que poderiam ser evitados. Informação também é uma forma de segurança. Se cuide, denuncie e procure ajuda”, declara uma das agentes durante o vídeo da campanha.

A corporação faz a ressalva de que a consulta ensinada é válida exclusivamente para processos vinculados ao TJES. A Guarda alerta, ainda, que essa verificação de histórico não substitui as denúncias formais ou as investigações policiais, mas atua como um recurso para identificar possíveis riscos antes do aprofundamento do relacionamento.

Estatísticas de violência no estado
O alerta promovido pela corporação ocorre em paralelo aos registros recentes de violência contra a mulher no Espírito Santo. Segundo os dados do Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher de 2026, foram contabilizados sete casos de feminicídio no estado até o final do mês de março. A segunda-feira destaca-se como o dia da semana com a maior incidência, concentrando quatro dessas ocorrências.

A distribuição dos crimes abrange diversas regiões capixabas. A Grande Vitória contabiliza a maior parte, com três registros (um em Cariacica, um na Serra e um em Vitória). As regiões Norte e Sul registram dois casos cada. O município de Linhares concentra dois episódios, enquanto Cachoeiro de Itapemirim e Castelo somam um caso cada.

Em relação à dinâmica dos crimes, a arma branca foi utilizada em 42,86% dos casos. O uso de armas de fogo e outros meios representam 28,57% cada.

Entre as ocorrências recentes está o assassinato da estudante de Direito Thaís Ellen Barbosa de Oliveira, de 23 anos. A vítima foi morta a facadas dentro de sua própria residência, no município de Cariacica. O principal suspeito da autoria do crime é o ex-namorado da jovem, que se encontrava em saída temporária do sistema prisional. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

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Atualizado: 02/04/2026 10:36

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