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Caso Banco Master: Lula se irrita com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

26 jan 2026 - 09:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo e Andreia Sadi - g1

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Presidente manifesta incômodo com a condução do inquérito pelo ministro e sugere renúncia em conversas reservadas. Paralelamente, Polícia Federal retoma oitivas nesta segunda (26) e terça (27) em Brasília, em meio a alertas de risco institucional à Corte
Lula admite a aliados que Toffoli deveria deixar o STF; PF ouve oito investigados do Caso Master nesta semana. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em meio a um cenário de tensão institucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem expressado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do inquérito do Banco Master. Enquanto o chefe do Executivo chega a sugerir a aliados que o magistrado deveria renunciar ou se aposentar, a Polícia Federal (PF) dá continuidade às investigações nesta semana, com oitivas de oito investigados agendadas para esta segunda-feira (26) e terça-feira (27).

O desconforto no Planalto
Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários duros sobre a atuação de Toffoli. Segundo relatos, o presidente afirmou, em tom de desabafo, que o ministro deveria deixar o mandato na corte. O petista acompanha de perto o andamento do caso e as repercussões negativas sobre o magistrado, indicando que não pretende defendê-lo das críticas recentes.

O incômodo presidencial decorre do desgaste institucional causado por notícias que expuseram laços de parentes de Toffoli com fundos ligados à teia do Banco Master, além do sigilo imposto ao processo. Lula também manifestou preocupação com a possibilidade de a investigação ser abafada, resultando em uma “grande pizza”.

Apesar dos desabafos, colaboradores do governo duvidam que Lula proponha diretamente ao ministro que se afaste do tribunal ou da relatoria. A estratégia do presidente tem sido defender as investigações, argumentando que o governo precisa combater fraudes independentemente de quem sejam os envolvidos.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, declarou Lula na última sexta-feira (23).

Encontros e a “biografia” do ministro
Desde o fim do ano passado, Lula monitora a evolução do inquérito. Em dezembro, convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, que contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, descrita como amistosa, Lula teria dito que a relatoria seria uma oportunidade para Toffoli “fazer a coisa certa” e “reescrever sua biografia”, resgatando sua imagem.

O ministro, por sua vez, garantiu que nada seria abafado e justificou o sigilo como uma medida necessária. No entanto, a conversa ocorreu antes de novas revelações, como a viagem de Toffoli em um jatinho com um advogado da causa e a negociação envolvendo seus irmãos e um resort no Paraná.

Situação considerada “insustentável”
Investigadores ouvidos nos últimos dias classificam a situação de Toffoli como “insustentável” e alertam que o quadro tende a se agravar. A avaliação é que não há um ponto de virada que encerre a crise, visto que frentes de investigação em São Paulo seguem fora do comando do ministro e podem gerar fatos novos.

Diante do risco de o caso “arrastar o tribunal para a lama”, ministros do STF discutem nos bastidores uma saída pragmática: enviar o caso para a primeira instância. Essa solução, apelidada de “feijão com arroz”, é vista como tecnicamente defensável e capaz de tirar a pressão direta sobre a Corte, embora não seja considerada uma saída honrosa. A leitura interna é que a decisão final está nas mãos do próprio Toffoli, que já indicou a interlocutores que descarta abdicar do processo, alegando não ver elementos que comprometam sua imparcialidade.

Depoimentos na Polícia Federal
Enquanto o embate político se desenrola, a fase operacional do inquérito avança. A Polícia Federal ouvirá oito investigados entre hoje (26) e amanhã (27). O prazo para as oitivas foi reduzido de seis para dois dias por determinação de Toffoli.

Os depoimentos ocorrerão por videoconferência ou presencialmente no prédio do STF. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não está na lista desta semana, pois já prestou depoimento em 30 de dezembro, assim como o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Quem será ouvido nesta semana:

  • Augusto Ferreira Lima: Ex-sócio do Master e apontado como interlocutor junto ao BRB para viabilizar cessões de crédito.
  • Henrique Souza e Silva Peretto: Proprietário formal da Tirreno, investigado por aumento de capital suspeito na empresa (de R$ 100 para R$ 30 milhões).
  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia: Ex-diretor da Tirreno e ex-funcionário do Master.
  • Luiz Antonio Bull: Diretor do Banco Master, suspeito de participar de fraudes na emissão de cédulas de crédito bancário.
  • Alberto Felix de Oliveira Neto: Ex-diretor do Master, signatário de contratos com a Tirreno.
  • Angelo Antonio Ribeiro da Silva: Ex-diretor do Master, suspeito de participação em fraude para gerar liquidez artificial.
  • Dario Oswaldo Garcia Júnior: Ex-diretor financeiro do BRB, investigado por gestão fraudulenta.
  • Robério Cesar Bonfim Mangueira: Ex-superintendente de Operações Financeiras do BRB.

As defesas dos citados têm negado publicamente irregularidades. O caso envolve suspeitas de fraudes financeiras, crimes contra o sistema financeiro nacional e organização criminosa, incluindo a venda de créditos inexistentes do Master para o BRB.

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Atualizado: 26/01/2026 09:41

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