O Centro Estadual de Hemoterapia e Hematologia Marcos Daniel Santos (Hemoes), em Vitória, realiza nesta terça-feira (25) uma cerimônia de homenagem a doadores voluntários para celebrar o Dia Nacional do Doador de Sangue. A ação busca reconhecer a importância de cidadãos que contribuem regularmente para o abastecimento da rede sanguínea estadual, como o aposentado Carlos Alberto Almeida e a aposentada Esterinha de Jesus Silva, que juntos representam o compromisso com a saúde pública capixaba.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o evento ocorre simultaneamente nas unidades de Vitória, Linhares, Colatina e São Mateus, servindo também como um convite para novos voluntários.
Histórico de solidariedade
Um dos destaques da homenagem é Carlos Alberto Almeida, de 70 anos. Doador há mais de cinco décadas, ele acumula aproximadamente 64 doações, o que, segundo estimativas, ajudou a salvar diretamente cerca de 256 pessoas. Sua trajetória começou aos 21 anos, antes mesmo da fundação do Hemoes, quando as coletas eram realizadas diretamente nos hospitais da Grande Vitória para atender a um amigo.
Em 2004, Carlos passou a doar no hemocentro estadual. “Era voluntário de sangue e podia fazer cinco doações por ano. Tenho 70 anos e não tomo nenhum remédio. Minha saúde vem das doações, que possibilitaram a renovação do meu sangue, e da prática de exercícios físicos. Doar sangue é ter qualidade de vida”, afirmou o aposentado.
Carlos recorda um episódio marcante em sua trajetória, envolvendo um lavrador que buscava sangue para a esposa doente e oferecia pagamento pela doação. “O lavrador chegou gritando, dizendo que ele estava disposto a pagar bem pelo sangue. Eu pedi o nome dela, fiz a doação e respondi que o meu sangue não tinha preço. Afinal, Deus me deu o meu sangue para doar e ele mesmo repôs”, relatou.
Superação e exemplo familiar
Aos 69 anos, a aposentada Esterinha de Jesus Silva recebe sua primeira homenagem em vida. Frequentadora do Hemoes desde 2016, ela iniciou as doações motivada pela necessidade do pai de um amigo de sua filha. Esterinha conta que precisou superar o receio inicial. “Eu tinha muito medo de doar: achava que ficaria fraca, doente. Vi que não era nada disso”, disse.
A doadora lamenta a proximidade do limite etário imposto pela legislação, que permite doações até os 69 anos. “Sinto uma satisfação tão grande com a doação, que, se eu pudesse doaria até o final da minha vida”. Além de doar, ela atua incentivando outras pessoas. “Meu filho João Paulo, de 34 anos, é um deles”, contou.
Carlos e Esterinha fazem parte de um quadro de 1.325.427 doadores ativos cadastrados no Hemoes.
Balanço e convocação
Segundo dados do Hemoes, entre janeiro e outubro deste ano, a unidade recebeu aproximadamente 54.126 candidatos à doação. Desse total, foram coletadas 44.421 bolsas de sangue. Como cada bolsa pode salvar até quatro vidas, estima-se que cerca de 178 mil pessoas tenham sido beneficiadas no período.
O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, reforçou o convite para a população participar das ações nesta data comemorativa. “Parabenizamos todos os doadores de sangue que ajudaram o Hemoes a salvar vidas. Não temos palavras para agradecer. E aproveitamos a oportunidade para convidar a outras pessoas a viverem essa experiência feliz com a gente de salvar vidas e alimentar a esperança nas pessoas com essa corrente do bem. Quem ainda não fez sua doação vai poder doar neste dia”, declarou Hoffmann.
A diretora-geral do Hemoes, Marcela Murad, destacou o papel da equipe técnica e o compromisso dos voluntários para o funcionamento da Hemorrede Pública Capixaba. “Temos muito orgulho do trabalho de qualidade que o Hemoes entrega. Isso só é possível, porque temos doadores muito comprometidos que entendem a importância profunda desse ato de amor e uma equipe muito qualificada, que se empenha para garantir que a Hemorrede tenha êxito no atendimento de toda demanda dos hospitais públicos do Estado”, finalizou.


















