Morreu, aos 86 anos, Myrthes Bevilacqua Corradi, a primeira mulher eleita deputada federal pelo Espírito Santo. A causa da morte não foi divulgada. O governador do estado, Renato Casagrande, manifestou-se sobre o falecimento e decretou luto oficial. Ainda não há informações sobre o velório e o enterro.
Em nota, o governador expressou seu pesar. “Recebo com profundo pesar a notícia do falecimento de Myrthes Bevilacqua, primeira mulher eleita deputada federal pelo Espírito Santo e exemplo de dedicação à educação e à justiça social. Em sua memória, decretarei luto oficial de 3 dias em todo o Espírito Santo. Minha solidariedade à família, amigos e admiradores de sua trajetória”, escreveu Casagrande.
Da educação à vida pública
Nascida em Vitória em 3 de fevereiro de 1939, Myrthes Bevilacqua Corradi era a mais velha de cinco irmãos. Concluiu o ensino primário em Minas Gerais e, ao retornar ao Espírito Santo, formou-se normalista pela Escola Normal Pedro II.
De acordo com o dossiê “Mulher e gênero na historiografia capixaba”, publicado pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, ela iniciou sua carreira como professora particular. Posteriormente, passou a substituir docentes na rede educacional até ser aprovada em concurso público, tornando-se professora efetiva da rede estadual.
Aos 18 anos, em 1957, assumiu um cargo administrativo na Secretaria de Educação e Cultura do Estado, no Palácio Anchieta. Sua atuação a levou a ser convidada para o cargo de assessora no gabinete do secretário de educação, função que exerceu por alguns anos e que lhe permitiu construir relações com diversos representantes políticos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES).
Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde integrou o Centro Acadêmico e se aproximou de figuras políticas estaduais, como José Ignácio Ferreira, que viria a ser governador em 1999. Durante a graduação, participou de atividades estudantis ligadas à União Democrática Nacional (UDN). Apesar da conclusão do curso, optou por não exercer a advocacia, dedicando-se principalmente à educação. Foi durante o período da ditadura militar que sentiu a necessidade de se engajar politicamente.
Atuação em Brasília
Myrthes Bevilacqua foi eleita deputada federal pelo PMDB nas eleições de 1982, tornando-se a primeira mulher do Espírito Santo a ocupar o cargo. Na Câmara dos Deputados, foi membro da Comissão de Serviço Público e suplente da Comissão de Trabalho e Legislação Social.
Durante o processo de redemocratização do país, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente. Em 1985, no colégio eleitoral, votou em Tancredo Neves para a presidência da República.
Buscou a reeleição em 1986, mas conseguiu apenas uma suplência. Tentou retornar à Câmara Federal em 1990, pelo PCB, e em 1994, pelo PPS, sem sucesso em ambas as ocasiões. Afastou-se das disputas eleitorais até 2010, quando concorreu como segunda suplente de senador na chapa de Rita Camata (PSDB), que não foi eleita.
Myrthes Bevilacqua Corradi deixa três filhos.


















