Cerca de 554 mil pessoas não estão ligadas à rede geral de abastecimento de água tratada no Espírito Santo, o que representa 13% do total que enfrenta esse problema no sudeste. Os dados estão no Estudo “A Vida sem Saneamento” do Instituto Trata Brasil (ITB).
A região Sudeste concentrou 2,186 milhões de moradias sem acesso à rede geral de abastecimento de água tratada em 2022, o que representou 24,5% do total nacional. As taxas de incidência foram maiores no Espírito Santo, com 12,5% das moradias do estado.
Em 2022, havia 16.896 milhões de moradias no Brasil que, a despeito de estarem ligadas à rede geral de distribuição, não recebiam água diariamente, ou seja, na regularidade de abastecimento recomendada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Plano Nacional de Saneamento (Plansab). Destas, 270 mil eram capixabas (1,6%), o que representa mais de 836 mil moradores.
Implicações
Cerca de 100 mil moradias no Espírito Santo não possuem caixa d’água e mil não tem banheiro. Tais dados acarretam implicações para os cidadãos como a alta taxa de incidência de doenças de veiculação hídrica. Em 2019, 248 mil habitantes foram afastados por esse motivo no Estado, 63 mil acamados e 150 mil internados.
A falta de água tratada ou a exposição ambiental ao esgoto, problemas decorrentes da privação de saneamento, interferem decisivamente na incidência de doenças com consequências para a saúde das crianças, jovens e adultos.
A falta de água tratada, seja por não haver acesso à rede geral de distribuição, seja pela irregularidade no fornecimento ou a simples incapacidade de armazenamento nas residências, tem impacto direto sobre a saúde da população, principalmente nos jovens e nos idosos, pois eleva a incidência de infecções gastrointestinais.
Doenças respiratórias
Já quanto a doenças respiratórias, foram 418 mil afastamentos no Estado durante o período, sendo 139 acamados e 300 mil internados. De acordo com o estudo, a ligação mais direta entre a falta de saneamento e as doenças respiratórias se dá pelo acesso ao processo de higienização das mãos.
Além das já citadas, a falta de saneamento também está diretamente ligada a incidência de doenças bucais, que se dá pela falta de acesso ao processo de higienização, neste caso, da boca. No ES, foram 24 mil afastamentos, 8 mil acamamentos e 309 mil atendimentos odontológicos ambulatoriais no SUS.